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segunda-feira, maio 08, 2017

TIRO AO LADO, PLUMA CAPRICHOSA

Um artigo de Clara Ferreira Alves, no Expresso de domingo, chamou-me a atenção para o modo como alguns portugueses encaram os problemas que têm perante os serviços da administração pública.

Para começar devo dizer que a articulista agiu, e escreveu como um típico português com habilitações académicas e uma posição social até um pouco acima da média, e foi por isso que a li com mais atenção.

O seu contacto, pelos vistos traumático, com a conservatória do registo civil para obter um passaporte, que ela supôs erradamente que seria mais rápido porque a ministra da Modernização Administrativa disseram que ficaria mais simples por causa do Simplex, e afinal foi frustrantemente mais lento do que poderia imaginar.

Chegados a esta frustração, que atinge indistintamente funcionários públicos, e os não funcionários, temos que CFA decidiu lançar a suspeita de que haveria uma “hora de almoço da função pública”, bastante cedo, que entre os funcionários que estava a ver “ninguém se lembrou de simplexamente actualizar a lista do site do Estado” (desactualizado), que talvez els fossem responsáveis pelo “ar desleixado” (do piso), e pelo estado do WC, e até que “uma funcionária apanhava papéis com uma lenta deliberação, sem atender”, talvez estando a fazer cera.

Quando conseguiu entabular diálogo com uma funcionária, foi-lhe dito que os funcionários são poucos, que estão desmotivados, o que classificou como “o queixume do costume”, e conclui com “ e deste lado, a espera e a desorganização geral fazem com que os ameacemos e hostilizemos”.

A Pluma Caprichosa ignora muito simplesmente que existem responsáveis pelos procedimentos administrativos, chefias responsáveis pelos serviços e pela sua coordenação, e responsáveis políticos que deviam dar a todos os serviços condições, não só de meios físicos, mas também de meios humanos para um funcionamento de qualidade. Nada disto se cria apenas com um qualquer Simplex, anunciado com pompa e circunstância.


Clara Ferreira Alves apontou muito baixo, e inverteu a pirâmide de responsabilidades, talvez porque é mais fácil, está mais à mão e talvez lhe seja muito conveniente (isto penso eu, que também tenho o mesmo direito de opinar). 


terça-feira, janeiro 17, 2017

PORQUE SINGRAM OS POPULISTAS?

Há quem faça esta pergunta, e há os que se admiram por aparecer cada vez mais gente a querer acabar com o “sistema”.

As perguntas só podem vir de quem tem boa situação económica, quem está mal informado, ou de quem faz parte do “sistema”.

As respostas estão na constatação de factos tão evidentes como, “apenas 1% dos mais ricos detinham em 2015 mais riqueza que o resto do planeta”, ou “oito pessoas têm agora tanta riqueza como a metade mais pobre da população mundial”.

Quem pode recriminar os que decidem apoiar quem diz querer mudar o “sistema” e embrulha isso com promessas tentadoras?


Os partidos que têm partilhado o governo parece não terem percebido que falharam sempre na sua tarefa primordial que é a de saber repartir a riqueza criada por via da carga fiscal, evitando assim o que é cada vez mais indecente e insustentável , que são as assimetrias cada vez mais mais gritantes.


segunda-feira, dezembro 12, 2016

DISPARIDADES SALARIAIS EM PORTUGAL?

Ainda há poucos dias se discutia o salário do novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, que para muitos (eu incluído), é simplesmente ofensivo para a maioria dos cidadãos portugueses que são afinal os accionistas do banco, mas os senhores que apoiam o governo decidiram (mal) manter o salário milionário prometido ao anterior titular.

Soube-se agora, oficialmente através de dados do Eurostat referentes a 2014, que Portugal é dos países europeus com maior disparidade salarial, não só entre os salários mais altos e os mais baixos, mas também entre os mais altos e a média do país, onde surge mesmo em 1º lugar.

Os senhores políticos que nos governaram, os que hoje nos governam, e os que os apoiam ou apoiaram, deviam neste momento apresentar desculpas aos portugueses e manifestar estarem envergonhados com esta realidade. O mesmo se aplica ao patronato reacionário e explorador que continua a contestar um aumento do salário mínimo que o leve a níveis de dignidade humana.


O problema não é a falta de dinheiro, como se percebe, mas sim a sua má distribuição, e aqui temos o papel regulador do Estado, que afinal não tem sido competente como ficou comprovado. 


sábado, julho 30, 2016

TEMPO DE FÉRIAS NO TRABALHO

Chegou o Verão, veio o calor e eu ainda a trabalhar: Não é justo, com tanto calor e com um tempo destes estar fechado a ver passar os, e as, veraneantes... sinto-me como um peixe fora de água... ou será que nem sou um peixe?

sábado, abril 04, 2015

UM PAÍS SÓ PARA TURISTAS

Portugal já deixou há muito de ser um país de preços baixos, e os turistas já o dizem, salientando que apenas a restauração é barata, atendendo à sua qualidade.

Para nós que vivemos com os salários praticados dentro das nossas fronteiras, a vida encareceu brutalmente, um pouco ao arrepio do que dizem os dados oficiais.

Podia começar pela gasolina, continuar pela energia, passando pela água, e indo até às telecomunicações, para facilmente provar o que digo, mesmo que contrariando as afirmações do governo.


O que é mais preocupante ainda, é que não só os preços sobem acima da inflação, mas também os salários baixam em quase todos os sectores. 


terça-feira, setembro 02, 2014

COISITAS QUE ME IRRITAM



Podia aproveitar para falar na porcaria de salário que recebo, dos impostos que pago, ou no balúrdio que pago pelos cuidados de saúde, mas existem coisas igualmente irritantes de que pouco se fala e que gostava de aqui partilhar.

Começaria por uma comunicação social cada vez mais dependente do poder económico, que cala muita coisa importante e que não faz um verdadeiro serviço público, antes agrada aos seus patrões.

Os sucessivos governantes, quer do governo central quer sejam do poder local, que enterraram em dívidas o país, as regiões e as autarquias, que nunca pagaram pelos seus (maus) actos de gestão, apesar de serem evidentes e de estarem agora a ser pagos pelos contribuintes.

Os banqueiros e gestores de grandes empresas, que acabaram por deixar monumentais dívidas ao Estado, aos fornecedores, e aos trabalhadores, e que continuaram por aí ostentando sinais óbvios de riqueza, depois de todas as tropelias e depois de deixarem muita gente nas ruas da amargura.

A Justiça que se diz ter muitas e boas leis, do mais avançado que há no mundo ocidental, mas que deixa “escapar” ladrões, burlões, agiotas e outras espécies de grandes facínoras, que contratam os grande gabinetes de advogados, responsáveis também por inúmeros pareceres para o Estado.

Podia continuar, mas não vos quero aborrecer muito no regresso de férias…


CARTOON

quinta-feira, julho 17, 2014

A MÁ DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA



Em Portugal não temos acesso a dados e a estudos sobre a má distribuição da riqueza gerada no país, e temos que nos limitar a consultar o que é divulgado por autores e investigadores estrangeiros.


Foi agora tornado público um estudo dum economista do BCE, Philip Vermeulen, que revela que um quarto da riqueza nacional está nas mãos de apenas 1% da população.


Não existe nenhum estudo destes conhecido, elaborado pelo INE, e os dados para o fazer também não são acessíveis a todos, mas o que ressalta deste trabalho é que o poder político não sabe ou não quer corrigir devidamente esta discrepância, agravando os impostos sobre os mais ricos.

Nota: O Zé vai de férias, o que deverá causar algumas irregularidades na postagem deste espaço.



terça-feira, junho 24, 2014

O QUE MAIS NOS INDIGNA

O sector bancário foi o responsável pela actual crise que atingiu quase todo o mundo ocidental, mas o ónus dos desvarios dos senhores da alta finança recaiu completamente sobre os restantes cidadãos, tendo os gestores e accionistas recebido milhões que corresponderam a aumentos de impostos, despedimentos e perdas de direitos laborais e sociais.

O cartoon mais abaixo refere-se a um dos responsáveis pela falência do Lehman Brothers, mas bem podia tratar-se de um responsável dos muitos bancos nacionais, que também são responsáveis por muito do que está a pesar sobre todos nós.

O cerne da questão é mesmo a falta de Justiça e a constatação de que o poder político é apenas uma extensão do poder económico, cá dentro e lá fora.
 

sexta-feira, dezembro 07, 2012

O QUE DIZ A OIT



Há constatações interessantes no relatório bienal da Organização Internacional do Trabalho, que deviam merecer alguma atenção dos governantes deste país, e da troika que dita as medidas que Passos Coelho segue tão à risca que chega mesmo a ir mais longe.


Sem se referir particularmente a Portugal, o director-geral da OIT,Guy Ryder, diz que «este relatório mostra claramente que, em muitos países, a crise teve um forte impacto nos salários e, por consequência, nos assalariados», na linha do que consta no relatório, onde se lê que a situação tem provocado «descontentamento popular e aumenta os riscos de problemas sociais.


Também se pode ler no relatório que, na última década, a produtividade aumentou a um ritmo maior do que os salários, o que significa que os trabalhadores estão a beneficiar menos com o seu trabalho, a favor dos proprietários do capital, que ganham mais. Também lançam um alerta para o facto de “determinados dirigentes empresariais continuarem a receber remunerações exorbitantes”.

Não sei se alguém deste governo leu este relatório, mas faziam bem em ler, para mais tarde não se manifestarem surpreendidos com a escalada de problemas sociais, porventura de cariz mais violento do que o que tem acontecido até agora.


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Tosho Borakovich

quinta-feira, janeiro 05, 2012

A INIQUIDADE FISCAL

A propósito do caso da deslocalização fiscal da Jerónimo Martins, para a Holanda, foi muito interessante ouvir os comentários dos nossos especialistas e comentadores ouvidos pela comunicação social que temos.

Todos percebemos que a deslocalização fiscal desta empresa visa claramente poupar dinheiro com os impostos. Quem pudesse ter dúvidas sobre as intenções, penso que ficou esclarecido com o profuso rol de argumentos ouvido.

O que é revoltante, para mim, é que quase todos os comentadores dizem que é devido aos altos impostos praticados em Portugal, que as holdings empresariais nacionais fogem para o estrangeiro procurando regimes fiscais mais favoráveis.

Se os impostos são demasiado altos em Portugal, porque é que os mesmos comentadores não o dizem também sobre os impostos que são cobrados aos trabalhadores por conta de outrem, aos reformados e às pequenas empresas? Porque é que percebem e até apoiam os aumentos de impostos sobre os mais “pequenos” e são tão compreensivos para com os mais poderosos?

Depois da saúde para pobres, do arrendamento para pobres, agora temos a justiça fiscal para pobres, que são todos aqueles que não têm as benesses instituídas para as holdings, nem podem fugir com os seus rendimentos para países com fiscalidades mais amigas.

FOTOGRAFIA

sexta-feira, outubro 07, 2011

SOBRETAXADOS

Como ainda não receberam o subsídio de Natal a grande maioria dos trabalhadores portugueses ainda não interiorizou que o processo de desconto dessa sobretaxa já teve início.

Os empregadores estão obrigados a fazer a entrega dos montantes retidos na origem, até ao dia 23 de Dezembro.

Meus caros, ao governo pouco importa se os trabalhadores recebem ou não o subsídio de Natal, ou até se atravessam algum momento de particular aflição, porque isso são pormenores, em tempos de crise.

Apetece perguntar pela «ética social» de que falava um membro do governo, numa altura em que ainda não existe uma real taxação do grande capital e do património. Vivemos num país onde os esforços não são para todos e onde a riqueza é cada vez mais mal distribuída.


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Ganância


Espremidos

segunda-feira, julho 04, 2011

WE ARE THE CHAMPIONS

Enfim somos os maiores nos aumentos de impostos sobre o trabalho e campeões nos alívios fiscais que beneficiam as empresas.

As palavras de Cavaco Silva sobre a justiça na distribuição dos sacrifícios são completamente ocas, porque a realidade é exactamente o inverso da tal justiça invocada, e o silêncio do Presidente da República é ensurdecedor.

Neste pódio ainda não está espelhada a diminuição da Taxa Social Única (TSU) nem o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal, que vão ainda acentuar mais a injustiça e a pouca vergonha reinante.

Para além destes desmandos e injustiças, Passos Coelho mostra intenções de ficar na história deste país como o “coveiro da Segurança Social”, porque a diminuição da TSU, e apesar de algumas boas intenções manifestadas, vai acabar por descapitalizar a já depauperada Segurança Social, que afinal foi “construída” com o dinheiro dos contribuintes.


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Fases

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Uma questão de... tamanho!

MÚSICA

quarta-feira, abril 20, 2011

MUSEUS GRATUITOS - PARTE II

Quando escrevi o post anterior pensei nos meus visitantes habituais, não entrando em detalhes muito específicos que só são conhecidos por pessoal ligado aos museus e ao turismo. Pelos vistos fiz mal pois existem leitores mais conhecedores que também o leram e levantaram questões interessantes.

Quero deixar bem claro que o autor deste blogue está rodeado de amigos que trabalham nesses sectores (museus e turismo), sendo que sou também um amante de arquitectura e de História, factores que me levam a conhecer profundamente o nosso Património. Nem o autor do blogue nem os seus colaboradores são membros da APOM, que sabemos ser elitista por ser composta apenas por técnicos superiores e não ser aberta aos restantes profissionais ligados aos museus e à museologia.

Ao abordar a questão da gratuitidade aos domingos e feriados para os estrangeiros, numa altura de grandes apertos orçamentais, faço-o por julgar que é incompreensível, e não vejo que o enquadramento legal vigente seja um impedimento para a “discriminação positiva” que defendo neste momento.

Abordei o caso do Palácio Nacional da Pena, neste momento gerido pelos Montes da Lua, mas continuando a ser da responsabilidade do Estado, por ser um exemplo de como o enquadramento legal não impediu que toda a gente (nacionais e estrangeiros) pague sempre as entradas, à excepção dos residentes do Concelho de Sintra, um pouco à semelhança do que também acontece com o Castelo de S. Jorge em Lisboa.

Para enquadrar mais rigorosamente a minha discordância com a gratuitidade para os estrangeiros em todos os domingos e feriados, devo acrescentar que em diversos serviços dependentes do Ministério da Cultura, e falo de museus, palácios e monumentos, não há dinheiro para pagamento de trabalho extraordinário, e está a ser pedido “um esforço patriótico” da parte dos que asseguram a abertura destes serviços, no sentido de trocarem o trabalho aos feriados por igual tempo de folga, para além de serem forçados ao trabalho por turnos, para assegurarem maior tempo de abertura sem encargos para os serviços.

É óbvio que não estou a falar de membros da APOM, mas sim de outros profissionais a quem o ministério não respeita o direito a horários, nem compensa pela discriminação que pratica, atendendo à categoria que detêm e ao esforço que lhes exige.

É evidente que não espero que o diligente anónimo responda a este novo post, mas talvez possa levar o seu conteúdo ao conhecimento da senhora ministra, ou de alguém próximo dela, porque estou certo que ela não terá conhecimento desta realidade.



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By Palaciano

By Palaciano

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Imagem já aqui publicada em 28 de Março de 2007

quarta-feira, agosto 25, 2010

SUBSÍDIOS

A crise económica que tem sido invocada para congelar salários, aumentar impostos, cortar prestações sociais e lançar portagens, parece que tem apenas um sentido.

Falar do sentido único é quase como dizer-se que não tem qualquer sentido toda esta contenção que atinge sobretudo aqueles que menos têm e que por isso mais sentem os aumentos de impostos e do custo de vida, com salários cada vez mais degradados. Digo isto porque não existe proporcionalidade na contenção cega a que assistimos.

Agora sabe-se o preço da electricidade deve subir novamente em 2011, depois de ter já subido 2,9% este ano. Se ainda se recordam, a EDP apresentou abundantes lucros e o gestor António Mexia recebeu prémios que atingiram valores que mais pareciam um jackpot.

O subsídio que vai ser atribuído às empresas do sector da electricidade num mercado liberalizado, é algo que não dá para entender, e que também ninguém está disposto a explicar.

Leia AQUI




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By katrjunja

sábado, março 27, 2010

A REALIDADE E OS GESTORES

Portugal é um dos países europeus onde as desigualdades são maiores. Todos os estudos sobre a distribuição da riqueza apontam para o aumento destas desigualdades e o pior é que elas vão aumentando à medida que o tempo passa.

A realidade mostra que vivemos numa sociedade injusta, e não se vê nada que o evite na acção dos diversos governos. Os decisores estão cada vez mais isolados da realidade do cidadão comum e os interesses de quem detém o poder esmagam os direitos da grande maioria.

É absolutamente escandaloso que os gestores das grandes empresas ganhem milhões anualmente e, ao mesmo tempo, se discutam míseros 25 euros de aumento do ordenado mínimo. Dizem-me que os gestores têm objectivos e que merecem tão altas remunerações, mas todos sabemos que esses objectivos quando são atingidos devem-se também ao trabalho de inúmeros colaboradores, que muitas vezes são muito mal pagos.

Como podem governantes, empresários e gestores, querer que os seus funcionários se empenhem a fundo e dêem o seu melhor, se as suas preocupações diárias se prendem com a simples arte de gerir magros salários, sempre com o credo na boca com a ameaça de despedimento sempre presente?

A satisfação e a segurança são ingredientes necessários à boa produtividade e propiciam condições para a inovação, mas isso não faz parte das práticas de gestão em Portugal.

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By Palaciano


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Alexander Zudin

Pavel Constantin