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quinta-feira, maio 09, 2019

SERÁ MESMO ASSIM?


As coisas nos museus, palácios e monumentos estão a ficar cada vez mais tensas, não só por questões salariais, mas também por más condições de trabalho.

É difícil trabalhar nestes serviços onde há uma crónica falta de pessoal, especialmente dos que garantem a abertura diária dos serviços, quando as condições de trabalho são más, a organização é pior, e a recompensa é simplesmente péssima.

O gozo de fins-de-semana é um luxo que só acontece de 4 em 4 semanas, as folgas não são geralmente em dias consecutivos, pois estão dependentes das necessidades do serviço, e o mesmo acontece com as férias, porque existe uma manifesta falta de pessoal de vigilância, que embora sendo considerados Assistentes Técnicos, uma categoria geral da Função Pública, são obrigados a trabalhar sábados e domingos sem qualquer remuneração suplementar como seria de se esperar pois é a que é devida aos seus colegas com a mesma categoria profissional.

A isto junte-se a escolha dos senhores directores (as) de pessoas admitidas para as mesmas funções para outras funções (sem qualquer critério escrutinável), que são poupados aos horários excepcionados.

Outra singularidade que nos chegou foi a da existência de empresas privadas a funcionar em certos serviços, especialmente fazendo animação cultural e visitas guiadas, com marcações realizadas por pessoal do quadro dos tais serviços, e cobrando esses serviços com o conhecimento da DGPC, apesar da existência de serviços educativos nesses locais.

Também achamos estranha a denúncia de cedências de espaços a terceiros em que são destacadas pessoas que normalmente não fazem serviços de vigilância, o que é estranho.

Claro que isto é o que se diz à boca cheia por aí, falta apenas que exista uma fiscalização eficaz que nos traga a verdade, porque a suspeita é sempre real até que se possa confirmar ou desmentir cabalmente.



segunda-feira, dezembro 10, 2018

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE PORTUGAL E FRANÇA


Os portugueses, está provado, são muito mais pacientes do que os franceses em situações de carência económica, e esta é a principal diferença.

Em França Macron pretendeu aumentar os combustíveis com uma taxa, por cá lançou-se uma taxa, temos os combustíveis com preços tão elevados como os franceses, e o povo está calmo.

Por cá usamos dos meios legais para contestar os maus salários, e a falta de condições laborais, já em França partiu-se para a contestação na rua à revelia das regras democráticas, e a diferença dos resultados obtidos é também abissal.

António Costa e seus aliados só conseguiram aumentar o salário mínimo em 20 euros ( de 580€ para 600€), em França Macron veio anunciar um aumento de 100 euros para o salário mínimo (de 1.500€ para 1.600€).

Macron diz que tem como “objectivo que o trabalho seja melhor remunerado”, já António Costa diz aos funcionários públicos que, no máximo, só os poderia aumentar a todos em 5 euros.

A última diferença que saliento é, pasme-se, o nosso governo é o das esquerdas, já o de Macron é das direitas. Quem diria!

Nota - Não se infira por este texto que eu nutra alguma simpatia pela direita, porque não é o caso.


terça-feira, outubro 16, 2018

DESONESTINADE INTELECTUAL

A afirmação de Mário Centeno que "estima" um aumento do salário médio na função pública de 121 euros em dois anos (são 68 euros, agora, e 53 euros, depois), acima dos 3%, só encontra comparação com a aquela máxima popular: para as estatísticas (estimativas), se num universo de duas pessoas, um comer dois frangos, para a estatística cada uma das pessoas terá comido um frango.

A realidade é porém muito diversa, pois há muitos funcionários que não beneficiaram de qualquer subida de escalão, nem em 2018 nem é expectável que subam em 2019, e esses também entram na estimativa de Centeno, que tem a reputação de ser uma pessoa muito rigorosa, mas... 


sábado, outubro 06, 2018

PORQUE MENTE CENTENO?


Existe um provérbio chinês que diz: Meia verdade é sempre uma mentira inteira.

Centeno, e por arrasto o governo, têm vindo a insistir que os funcionários públicos, por via do descongelamento dos escalões, já tiveram (TODOS) um aumento superior aos 3%, e como Centeno sabe, e é público, nem todos os funcionários foram abrangidos por esse descongelamento, nem o descongelamento se verificou inteiramente no ano de 2018, pois 50% só será recebido em 2019, em duas tranches.

Na realidade existem bastantes funcionários que não receberam nenhum aumento desde 2009, e que portanto estão há 10 anos a perder poder de compra por causa da inflação. Estes funcionários em vez de aumentos tiveram diminuição de salários num valor que ronda os 12%, e esta é a verdade que Centeno nunca refere.

Outra particularidade que importa referir, é que para Manuela Ferreira Leite, quando era ministra das Finanças, os salários que mereciam maior atenção eram os que estavam até aos 1.024 euros, e agora para Centeno, muitos anos depois e com um salário mínimo em 600 euros, só vão até aos 835 euros.

Os números e a memória são lixados, senhor ministro.


IN MEMORIAM

quarta-feira, agosto 22, 2018

A PREVENÇÃO E O EXAGERO

Para começo de conversa devo afirmar que sou a favor da prevenção, do seu ensino nas escolas e na formação profissional nesta vertente, para não ser mal interpretado.

A notícia de que os novos condutores deviam ter formação no uso de desfibrilhadores deixou-me de queixo caído, apesar de se tratar apenas duma recomendação, porque é claramente um exagero.

Claro que li todo o texto da notícia e afinal só essa recomendação é que me pareceu disparatada, e poderia assinar por baixo as outras recomendações, ainda que ache que o próprio Estado terá muitas dificuldades em implementar as recomendações, e disponibilizar aparelhos em quantidades suficientes nos seus serviços, e em locais estratégicos para que isto faça sentido.


Não é do meu conhecimento que existam aparelhos destes em nenhum monumento ou museu deste país. Nunca vi sinalizado em nenhum recinto desportivo, em nenhum centro comercial, nem em nenhum recinto de festas, ou alguma praia, que existe um desfibrilhador disponível em caso de emergência.



segunda-feira, maio 28, 2018

O DISCURSO DE COSTA

Ouvir António Costa acenar à juventude, especialmente à que saiu do país, com salários mais justos e comparáveis com os praticados nos países europeus, é simplesmente risível.

Portugal é um país onde o Estado paga mal aos seus funcionários, e onde os empresários seguem o (mau) exemplo dado pelo Estado. 

A pergunta que importa fazer é se alguém acredita que o ministro Centeno aceita e apoia a ideia do seu chefe...


sábado, maio 05, 2018

UMA QUESTÃO DE TÍTULOS


Em Portugal os títulos académicos são como as divisas na tropa, e há quem se julgue o melhor cromo da colecção apenas porque exibe um qualquer título académico, por mais manhoso que seja.

Passando à porta de uma escola pude ouvir da boca duma senhora, que os auxiliares da escola faziam greve para ter um fim-de-semana maior, como se ganhassem bem, e tivessem uma situação estável. Dois dedos de conversa e percebi que estava na presença duma economista duma multinacional, que estava nos quadros da empresa, ganhava 2.500 euros mensais, mais algumas mordomias.

Percebi que muita gente desconhece, ou finge desconhecer que há quem receba salários inferiores a 1.000 euros mensais, muitas vezes sem um vínculo real, outras vezes com horários infames, e com chefes que não merecem essa designação.

As escolas fecham por causa das greves dos auxiliares, os hospitais falham por causa dos auxiliares, os museus fecham por causa dos vigilantes e assim por diante. Os tais títulos afinal não têm assim tanta importância, especialmente se servirem apenas de penacho.  



segunda-feira, janeiro 01, 2018

A ENTRADA EM 2018

O ano começou com um discurso de Marcelo Rebelo de Sousa que pouco acrescentou ao que já se sabia, mas fixei a intenção de reinventar, o que me fez pensar na roda, no motor de combustão e muitas outras invenções que marcaram a sua época.

No país em que vivemos, Portugal, temos um Governo que também vai fazendo as suas reinvenções, como a do fim da austeridade, os curtos aumentos de rendimentos, para quem os tiver, e os aumentos dos preços de muitos bens essenciais, como a electricidade, os combustíveis, o pão, os transportes, o leite, e muitas outras coisas que todos vamos descobrir nos próximos dias.

Claro que todos desejamos um bom ano de 2018, mas o cinto vai ter que ser ajustado, pelo menos cá por casa.

2.502

terça-feira, julho 18, 2017

MUSEUS E FALTA DE PESSOAL



Muito tem sido dito sobre este assunto, recentemente por causa do Museu nacional de Arte Antiga, mas pouco se tem feito e por parte da tutela poucas explicações se têm ouvido.

Todos perceberam já que a não admissão de pessoal suficiente para manter a abertura dos museus, palácios e monumentos em condições de segurança, se deve a políticas restritivas e de contenção de despesas, mas o problema não fica por apenas por aí.

Os processos de admissão são complexos e demorados, e têm sempre que passar na tutela das tutelas, o Ministério das Finanças, que se rege por números e não pelas necessidades comunicadas pelos serviços, como se sabe.

Os problemas não se resumem apenas às verbas e às autorizações das Finanças, mas também à organização e às carreiras, que terão sido “simplificadas”, reduzindo-se na Cultura (e boa parte dos ministérios) a apenas 3 categorias: técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais.

Ao contrário do que se possa inferir pela informação do sítio do MNAA (constante na imagem abaixo), não existem vigilantes/recepcionistas, mas sim assistentes técnicos que desempenham funções na vigilância, bilheteiras e lojas. Os profissionais que desempenham estas funções têm exactamente a mesma categoria profissional dos que trabalham nas secretarias de todos os serviços, de outros que trabalham na DGPC, no MC, e em outros ministérios, admitidos com as mesmas exigências e salários, mas são obrigados a trabalhar com um horário excepcionado (sábados, domingos e feriados), sem qualquer benefício que os distinga dos seus pares.

Assim se explicam dificuldades de recrutamento, de fixação de profissionais e também o descontentamento geral, de quem tem obrigações acrescidas, que não têm qualquer compensação que equilibre essa disponibilidade.

Era da mais elementar justiça colocar estes profissionais numa carreira específica, reconhecendo-lhes direitos correspondentes às obrigações…