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sábado, maio 05, 2018

UMA QUESTÃO DE TÍTULOS


Em Portugal os títulos académicos são como as divisas na tropa, e há quem se julgue o melhor cromo da colecção apenas porque exibe um qualquer título académico, por mais manhoso que seja.

Passando à porta de uma escola pude ouvir da boca duma senhora, que os auxiliares da escola faziam greve para ter um fim-de-semana maior, como se ganhassem bem, e tivessem uma situação estável. Dois dedos de conversa e percebi que estava na presença duma economista duma multinacional, que estava nos quadros da empresa, ganhava 2.500 euros mensais, mais algumas mordomias.

Percebi que muita gente desconhece, ou finge desconhecer que há quem receba salários inferiores a 1.000 euros mensais, muitas vezes sem um vínculo real, outras vezes com horários infames, e com chefes que não merecem essa designação.

As escolas fecham por causa das greves dos auxiliares, os hospitais falham por causa dos auxiliares, os museus fecham por causa dos vigilantes e assim por diante. Os tais títulos afinal não têm assim tanta importância, especialmente se servirem apenas de penacho.  



quarta-feira, fevereiro 21, 2018

DOUTORES HÁ MUITOS…



Em Portugal o “título” de doutor tem sido banalizado, e qualquer indivíduo com uma licenciatura, por mais “manhosa” que seja, acha-se no direito de exigir ser tratado por esse “título”, que está plasmado nos cartões de débito e de crédito, e nos endereços de correio electrónico, como se isso fizesse quase parte do seu nome.

Curiosamente o Bastonário da Ordem dos Médicos, afinal os verdadeiros doutores, em muitos países, está a pensar avançar com uma proposta revolucionária, no sentido em que “os médicos deixem de ser chamados doutores”.

Enfim, tudo isto fica tão perto da frase do Vasco Santana, “chapéus há muitos, meu palerma”, que até dá vontade de rir…