domingo, fevereiro 17, 2019

FERNANDO PESSOA

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação. 

Livro do Desassossego 


terça-feira, fevereiro 12, 2019

QUEM QUER ACABAR COM O SNS?


Por vezes a tempestade perfeita abate-se sobre alguém ou alguma coisa e o resultado pode ser mesmo muito mau.

Tudo começou em anos passados em que a crise parecia justificar o fecho da torneira que foi asfixiando o sector da saúde, e que continuou depois com a justificação de que era necessário consolidar as finanças públicas.

Os problemas começaram a acumular-se, as listas de espera aumentaram mesmo com as varredelas conhecidas, os equipamentos começaram a ficar cansados e obsoletos, os profissionais de saúde começaram a debandar (sem substituição), e o descontentamento disparou.

A greve cirúrgica dos enfermeiros e o crowdfunding que tanta polémica está a levantar, são apenas dois sinais do que se está a desenhar há muito. Se não acreditam em teorias da conspiração, como sói dizer-se, reparem bem no ataque à ADSE e a outros subsistemas de saúde, que não visa só atacar estes subsistemas de saúde, mas sim fazer rebentar pelas costuras o SNS.

Alguém anda a lixar o SNS, e adivinhem quem irá lucrar com isso…


sexta-feira, fevereiro 08, 2019

O CROWDFUNDING

Podia falar da greve dos enfermeiros mas prefiro falar dos problemas que a Cultura enfrenta em Portugal. O maior problema que o sector enfrenta, pelo menos no que respeita ao Património, é o da falta de dinheiro.

Todos nos lembramos do caso do Museu Nacional de Arte Antiga cujo director decidiu bater com a porta, por falta de meios e de autonomia. Lembrar-se-ão alguns da angariação de fundos feita por amigos do museu (crowdfunding), para a compra do Sequeira.

A dificuldade em encontrar mecenas para a Cultura, e em angariar dinheiro para aquisições, ou melhoramentos nos museus, palácios e monumentos, parece contrastar enormemente com a capacidade da operação de angariação de verbas para pagamento dos dias de greve feita pelos enfermeiros dos nossos hospitais.

Pelos vistos querem-nos fazer crer que os portugueses estão mais motivados para pagar a quem faz greve às cirurgias (de que todos podem necessitar a qualquer momento), do que a preservar o nosso Património cultural. Eu sou crédulo, mas não tanto!...


sábado, fevereiro 02, 2019

A COR DA MINHA PELE


Ouço e vejo frequentemente as opiniões de Daniel Oliveira, na imprensa escrita e na televisão, e nem sempre concordo com as suas opiniões, o que é natural, já que pensamos coisas diferentes, apesar de sermos ambos “brancos”.

Na sua coluna de opinião de hoje no Expresso, intitulada “A cor da tua pele”, começa com umas frases que se referem à sua condição, mas que não são a única verdade, mas apenas a sua verdade, e daí ele parte para o resto do texto.

Diz D.O. “Nunca a minha condição de homem branco me causou qualquer dificuldade na vida. Nunca foram condescendentes comigo por isso, nunca desconfiaram de mim, nunca foi difícil apanhar um táxi, nunca desistiram de me alugar uma casa quando me viram, nunca alguém se me dirigiu falando de “vocês”. Nunca, no meio de uma discussão acalorada, alguém se socorreu do insulto reservado aos “brancos”. Porque não há qualquer insulto reservado aos “brancos”. É por isso que não sei o que é o racismo. Há coisas que só se sabem quando se experimentam todos os dias, a vida toda.”

O colunista deveria ter pensado que a condição de homem branco causou dificuldades a muitos nascidos em África. Que muitos africanos de raça branca foram por isso mesmo rotulados de colonialistas, fascistas e reacionários apenas por causa da cor da sua pele. Os insultos reservados aos “brancos” eram muitos, e pouco próprios.

Os “brancos também podem saber o que é racismo, e a última frase que mencionei de D.O. é, essa sim, verdadeira: “Há coisas que só se sabem quando se experimentam…”.

Quantos “brancos” nascidos em África acabaram por decidir sair das suas terras por se sentirem discriminados por causa da cor da sua pele?

Uma moeda tem sempre duas faces, meus caros…