terça-feira, outubro 16, 2018

DESONESTINADE INTELECTUAL

A afirmação de Mário Centeno que "estima" um aumento do salário médio na função pública de 121 euros em dois anos (são 68 euros, agora, e 53 euros, depois), acima dos 3%, só encontra comparação com a aquela máxima popular: para as estatísticas (estimativas), se num universo de duas pessoas, um comer dois frangos, para a estatística cada uma das pessoas terá comido um frango.

A realidade é porém muito diversa, pois há muitos funcionários que não beneficiaram de qualquer subida de escalão, nem em 2018 nem é expectável que subam em 2019, e esses também entram na estimativa de Centeno, que tem a reputação de ser uma pessoa muito rigorosa, mas... 


domingo, outubro 14, 2018

CULTURA, A INOVAÇÃO E O PATRIMÓNIO


No dia em que se soube da substituição de Luís Filipe Castro Mendes da pasta da Cultura, e da entrada em funções, já amanhã, de Graça Fonseca, vem mesmo a propósito falar da necessidade de se inovar também na Cultura, e particularmente na área do Património.

A Direcção Geral do Património já vende bilhetes on-line (com o prazo mínimo de 10 dias úteis), e de Vouchers para operadores turísticos, praticando-se descontos de quantidade (com o prazo mínimo de 10 dias), o que sendo já um passo em frente, ainda é difícil e algo burocrático.

Falando dos bilhetes, quer dos comprados on-line, quer os comprados nos balcões, todos reparamos que têm um código de barras que devia ser lido por um PDA (assistente pessoal digital), ou em caso de inoperacionalidade do equipamento próprio, o vigilante deveria destacar o canto recortado no bilhete para inutilização do mesmo. Pois não vejo os tais PDA’s nos museus, palácios e monumentos que visito, nem vi ainda nenhum bilhete com um canto recortado, nem sequer nos novos bilhetes com fotografias na sua frente, que são cortados sem apelo nem agravo destruindo as imagens que alguns gostam de colecionar.

Outra inovação que era muito bem recebida tem que ver com a informação, que é insuficiente, e que podia ser fornecida por apps fornecidas pelos serviços, grátis ou a preços razoáveis. Claro que para isso devia existir uma rede Wi-Fi disponível em cada museu ou monumento, e simplesmente não existe.

Pode ser que alguém vindo da Secretaria de Estado da Modernização Administrativa, a próxima ministra da Cultura, esteja aberta à inovação, ao contrário da maioria dos responsáveis actuais, que nunca deram qualquer atenção ao assunto.  



sexta-feira, outubro 12, 2018

SINAIS DOS TEMPOS

Nos dias que correm são cada vez mais as pessoas que visitam os museus e outros monumentos, não para se enriquecerem a nível intelectual, ou para desfrutarem da sua beleza, mas sim para partilharem com os amigos a sua passagem por esses espaços como se fosse um qualquer troféu.

Entre selfies e fotos tiradas por amigos ou conhecidos, pouco mais fica destas visitas... infelizmente.  


««« * »»» 

Não está fácil a vida para os homens, porque quase tudo hoje pode ser considerado discriminatório, e atentatório de outrem, mesmo que seja um simples piropo ou mau uso de palavras. À boleia de abusos reais, e de comportamentos absolutamente censuráveis, surgem acusações ou sugerem-se comportamentos discriminatórios, sem qualquer fundamento, e perfeitamente injustificados.


quarta-feira, outubro 10, 2018

FRASES ELUCIDATIVAS


Estava hoje a ouvir uma peça sobre as vítimas do estouro do BCP, e ao mesmo tempo lia o jornal, e eis que surgem duas afirmações, a do professor universitário João Duque, exactamente sobre o caso BCP, e deparo-me com um título duma notícia, sobre a substituição dos humanos por robôs, e imediatamente percebi tudo: os robôs nunca serão tão convincentes numa burla como os humanos...

 
"O capitalismo tem essa diferença face à Democracia, uns são mais importantes que outros…"

João Duque
 

"Há tarefas complexas que não podem ser substituídas por robôs"

António Moniz

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segunda-feira, outubro 08, 2018

PREÇOS E RECEITAS DOS MUSEUS


O aumento de preços de entrada nos museus, palácios e monumentos encontra uma natural resistência por parte do público em geral, mas é uma possibilidade que tem de ser equacionada.

Em Portugal o nosso Património construído é sustentado directamente pelo Orçamento de Estado, e pelo conjunto de receitas obtidas pelos diferentes serviços, dinheiros que são controlados pela Direcção Geral do Património Cultural.

Sem uma verdadeira autonomia administrativa não existe nenhum planeamento possível, que seja da responsabilidade dos directores, como é evidente. As acções de manutenção corrente, alguns restauros absolutamente necessários, e a contratação de pessoal necessário para garantir a segurança dos serviços, estão sempre dependentes da tutela e da boa vontade do ministro das Finanças.

A política de preços é determinada pela tutela da Cultura, não tendo em conta factores determinantes como a procura, a oferta, a disponibilidade de pessoal e a localização.

Por cá não vemos nenhum director a falar deste assunto, mas gostei de ler o que disse o director do Victoria and Albert Museum sobre este assunto tão sensível, apesar de se tratar dum museu diferente e com outra dimensão diferente dos que temos.