O Mosteiro dos Jerónimos nem sempre foi como o conhecemos hoje, e quando arrumava uns postais antigos deparei-me com este que aqui partilho convosco.
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terça-feira, agosto 13, 2019
quinta-feira, novembro 02, 2017
REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA
3ª Parte
… , e depois pela Sala dos
Particulares, ornada , de dois ricos panos de Arrás, e a seguir pela Sala de
Jantar, sem nada de notável, a não ser o ornato das janelas; entra-se então na
Sala das Sereias ou da Galé, tão rica de decoração cerâmica (azulejos e
mosaicos de grande beleza) e com uma curiosa porta de mármore, a um canto; à
qual se segue a famosa Sala das Pegas, cujo motivo decorativo, se filia numa tradição
galante que vamos resumir.
Um dia D. João I, galanteando uma
dama da corte, deu-lhe uma rosa e um beijo; D. Filipa de Lencastre surpreendeu
então o marido, que, ao dar por ela, respondeu: «Senhora, foi por bem». O caso
fez escândalo no paço, e o rei, para confirmar dum modo público a frase, mandou
adornar o tecto do salão com pegas (aves que simbolizam a parolice), tendo cada
uma pendente do bico a legenda por bem. Há
aí um rico lustre de Veneza e o célebre fogão monumental, de mármore de
Carrara, transferido do Paço de Almeirim. Não tem qualquer consistência a
afirmação de que foi oferta de Leão X a D. Manuel I. Parece que o trabalho de
escultura é flamengo. Haupt atribuiu-o a Franz Florio. Na frente dele dois
cofres, sendo o da direita de verdadeiro guada mecim hispano-árabe e o da
esquerda imitação.
Atravessando o lindo Pátio
Central, entra-se na grande Sala dos Cisnes (antiga de recepção), assim chamada
por ter pintadas no tecto 27 destas aves, decoração primorosa e policromada a
branco, vermelho, azul e ouro, decerto do tempo de D. Manuel I mas com
restauros posteriores. As janelas e portas, talhadas em fino mármore, são muito
lindas.
Ao lado um terraço com alpendre, bancos
corridos e um assento de braços, forrados de azulejos sevilhanos, onde (diz-se)
D. Sebastião convocou os conselheiros de Estado para os ouvir sobre o infausto
projecto da expedição a Alcácer-Quibir.
Voltando ao vestíbulo visitam-se
os quartos que, no derradeiro período da monarquia, eram habitados pelos
soberanos. É o 1º o antigo quarto de D. Luís, donde este monarca saiu doente
para Cascais, onde faleceu. Na parede do fundo há uma rica tapeçaria Gobelin,
com Luís XIV vestido à romana e visitando um atelier de pintura. Na sala
seguinte notam-se alguns retratos, um deles de D. Catarina de Bragança, mulher
de Carlos II de Inglaterra. Seguem-se o quarto de dormir da rainha D. Maria
Pia, que tem paredes pintadas a cal, destoando de todo o edifício; o de vestir
com armários vindos da Ajuda e vários castiçais Império; a sala de música, com
numerosas peças de faiança de Sèvres, Saxe, Limoges, etc., vindas do Castelo da
Pena, havendo entre elas um prato com os retratos de Luís XIV, de sua mulher,
Teresa de Áustria, e de 7 amantes daquele rei; o antigo escritório com faianças
hispano-árabes e, ao centro, uma bela taça da fábrica do Rato.
Por fim vai-se à original Sala de
banho árabe, ou Casa da água, no pátio, de cujas paredes saem jorros de água.
FIM
A imagem é do roteiro de onde este texto foi retirado e cujo autor está bem identificado. Algumas informações são erradas, mas esta (re)publicação teve como objectivo chamar a atenção para o tipo de visita existente nos anos 20 e 30 do séc. XX, e para o que se dizia então, bem como o que se oferecia ao público.
Talvez de pois disto haja quem queira revisitar o Palácio da Vila para tirar a limpo as diferenças.
domingo, outubro 29, 2017
REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA
1ª Parte
Subindo a escadaria vê-se uma
fonte da Renascença e, transpostos os arcos ogivais, toma-se o bilhete para a
visita. Deste átrio, com a sua série de formosas janelas, sobe-se, por dois
lanços de escadas, o segundo em espiral, ao interior (um guarda acompanha os
visitantes):
Entra-se na Sala dos Archeiros,
ornamentada por dois belos panos de Aubusson, contadores, quadros e uma mesa de
mosaico florentino; daí se passa à Cozinha, que tem de notável ser todo o tecto
formado por duas enormes chaminés cónicas, que de fora se avistam de muito
longe.
Sobe-se depois à curiosa Sala dos
Mouros, com as paredes forradas de azulejos árabes e uma fonte de mármore no
meio; e dela se passa à Capela, onde são dignos de nota o tecto, o chão da
capela-mor e os restos de um fresco. À direita era a tribuna real.
Daí vai-se à sala onde, numa
vitrina, está um rico pagode de marfim, presente do imperador da China a D.
Carlota Joaquina; e subindo16 degraus à direita, ao cubículo de onde ouvia
missa o infeliz D. Afonso VI, que aí morreu em 12 de Setembro de 1683, durante
um desses ofícios. Do outro lado é o quarto onde ele esteve 8 anos prisioneiro,
depois de abdicar forçadamente à coroa para seu irmão D. Pedro II, que não só
lhe arrancou o ceptro, como conseguiu também anular-lhe o casamento e matrimoniar-se
com a rainha Maria Francisca Isabel de Sabóia. O rei deposto tanto passeou a
sua tristeza nesse quarto que gastou os tijolos do pavimento, como ainda hoje
se vê. Era passeando que o infeliz olhava continuamente a montanha, onde o conde
de Castelo-Melhor, seu primeiro ministro e devotado amigo, duma casa na
vertente da serra (hoje Quinta do Saldanha) lhe fazia sinais, para lhe incutir
esperança numa revolta que o reporia no trono. Assim reza a tradição.
(Continua)
domingo, janeiro 03, 2016
OS INCÓMODOS E A HISTÓRIA
Confesso que fico estupefacto
quando vejo pessoas incomodadas com o que fez um personagem histórico centenas
de anos atrás, só porque hoje tais procedimentos são censuráveis à luz do
pensamento actual, sem terem em devida conta o pensamento dominante da época.
O que digo aplica-se tanto a
Cecil Rhodes, como a Mouzinho de Albuquerque, Afonso de Albuquerque ou D. João
III, para citar apenas alguns.
Cecil Rhodes viveu numa época em
que a Inglaterra queria criar um verdadeiro império, e foi com a sua ambição
aliada à do país natal que teve o tal comportamento aceite e glorificado à
época, mas hoje rejeitado e criticado. Do Mouzinho, pela mesma época, podia
dizer exactamente o mesmo, como é evidente.
Recuando bastante no tempo temos
a Inquisição, na altura a Santa Inquisição se bem se lembram, e lá temos o D.
João III que continua naturalmente a ser considerado Rei de Portugal, que
colaborou, permitindo entre outras coisas a expulsão dos judeus que ainda não
tinham abandonado o país, e outros actos que o tribunal da Inquisição perpetrou
naquela época, e que eram aceites em boa parte da Europa.
Com a História aprende-se, tal
como com os erros, mas não se apaga a História só porque ela nos incomoda, nem
se consegue apagar o que já foi feito. É insensato julgar os nossos
antepassados à luz do que hoje são os nossos padrões morais e legais.
domingo, junho 29, 2014
PRESENTE
"É preciso fazer um esforço contínuo para amar o presente. Viver
pelo passado, pelo que se fez, pelo que se conseguiu, é o mesmo que alimentar
uma fome premente com banquetes de outrora."
terça-feira, março 25, 2008
A HISTÓRIA NÃO SE REPETE?
Costuma ser dado como dado adquirido que a História não se repete, e se quisermos ser absolutamente rigorosos, isso é verdade. Mas como tudo é relativo, a própria vida o é, podem sempre estabelecer-se paralelismo entre situações do mesmo tipo, ocorridas em épocas diferentes, e daí concluir quais as consequências prováveis.
Podia aqui falar do livro de Tom Holland, «Rubicão – o triunfo e a tragédia da República Romana», onde muitos insistiram em encontrar paralelismos entre o Império Romano e os Estados Unidos da América. O próprio autor admite que de algum modo é possível de facto estabelecer comparações. A leitura deste livro coloca-nos na pista da actuação do Império Romano, no que respeita ao modo como lidou com outras civilizações que de algum modo considerou como ameaçadoras para a hegemonia de Roma.
Mas não é apenas no campo literário que se estabelecem comparações entre o passado e o presente, isso também acontece na matemática. Claro que não estou a falar em jogos de computador, onde as simulações e a Inteligência Artificial já pretendem adivinhar os descontentamentos sociais, em jogos de estratégia, sempre que alguns sinais de desenvolvimento ou de bem-estar não são alcançados pelos jogadores. Falo de matemática pura, como prevê Ian Stewart, que em 2050, os fenómenos complexos já serão traduzíveis em números e equações com repercussões que neste momento nos parecem difíceis de conceber, como a previsão de fenómenos sociais.
A História não se repete, mas será do seu conhecimento profundo que retiraremos muitos dos ensinamentos que evitarão, ou talvez não, a repetição dos mesmos erros.
Podia aqui falar do livro de Tom Holland, «Rubicão – o triunfo e a tragédia da República Romana», onde muitos insistiram em encontrar paralelismos entre o Império Romano e os Estados Unidos da América. O próprio autor admite que de algum modo é possível de facto estabelecer comparações. A leitura deste livro coloca-nos na pista da actuação do Império Romano, no que respeita ao modo como lidou com outras civilizações que de algum modo considerou como ameaçadoras para a hegemonia de Roma.
Mas não é apenas no campo literário que se estabelecem comparações entre o passado e o presente, isso também acontece na matemática. Claro que não estou a falar em jogos de computador, onde as simulações e a Inteligência Artificial já pretendem adivinhar os descontentamentos sociais, em jogos de estratégia, sempre que alguns sinais de desenvolvimento ou de bem-estar não são alcançados pelos jogadores. Falo de matemática pura, como prevê Ian Stewart, que em 2050, os fenómenos complexos já serão traduzíveis em números e equações com repercussões que neste momento nos parecem difíceis de conceber, como a previsão de fenómenos sociais.
A História não se repete, mas será do seu conhecimento profundo que retiraremos muitos dos ensinamentos que evitarão, ou talvez não, a repetição dos mesmos erros.
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