Conforme prometido aqui ficam as três páginas que faltavam para completar o que está escrito no livro a que aludi no post anterior. Espero que esta curiosidade seja do agrado de alguém, como aconteceu no meu caso.
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segunda-feira, maio 07, 2018
domingo, maio 06, 2018
DESCRIPÇÃO SOBRE O PAÇO DE SINTRA
Durante os últimos 30 anos li as mais diversas publicações sobre o Palácio Nacional de Sintra, umas mais interessantes do que outras, algumas verdadeiramente elucidativas, outras bastante insípidas e pouco exactas, mas vale sempre a pena dar uma vista de olhos por todas elas.
Hoje deixo-vos algumas imagens dum livro de Joaquim da Conceição Gomes, de 1871, que além de falar do Monumento de Mafra (que não vem hoje a propósito), também dedica umas páginas ao Paço de Sintra.
sexta-feira, novembro 17, 2017
MAFRA 300 ANOS
Comemora-se hoje o Tricentenário do lançamento da 1ª pedra do Palácio Nacional de Mafra, monumento grandioso que mostra uma grandiosidade passada, e uma série de fraquezas do presente.
Imagem da construção do Palácio de Mafra
Imagem antiga do Palácio de Mafra
Os dois carrilhões estão calados há anos...
O Museu de Escultura Comparada está fechado há mais de 50 anos
quinta-feira, novembro 02, 2017
REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA
3ª Parte
… , e depois pela Sala dos
Particulares, ornada , de dois ricos panos de Arrás, e a seguir pela Sala de
Jantar, sem nada de notável, a não ser o ornato das janelas; entra-se então na
Sala das Sereias ou da Galé, tão rica de decoração cerâmica (azulejos e
mosaicos de grande beleza) e com uma curiosa porta de mármore, a um canto; à
qual se segue a famosa Sala das Pegas, cujo motivo decorativo, se filia numa tradição
galante que vamos resumir.
Um dia D. João I, galanteando uma
dama da corte, deu-lhe uma rosa e um beijo; D. Filipa de Lencastre surpreendeu
então o marido, que, ao dar por ela, respondeu: «Senhora, foi por bem». O caso
fez escândalo no paço, e o rei, para confirmar dum modo público a frase, mandou
adornar o tecto do salão com pegas (aves que simbolizam a parolice), tendo cada
uma pendente do bico a legenda por bem. Há
aí um rico lustre de Veneza e o célebre fogão monumental, de mármore de
Carrara, transferido do Paço de Almeirim. Não tem qualquer consistência a
afirmação de que foi oferta de Leão X a D. Manuel I. Parece que o trabalho de
escultura é flamengo. Haupt atribuiu-o a Franz Florio. Na frente dele dois
cofres, sendo o da direita de verdadeiro guada mecim hispano-árabe e o da
esquerda imitação.
Atravessando o lindo Pátio
Central, entra-se na grande Sala dos Cisnes (antiga de recepção), assim chamada
por ter pintadas no tecto 27 destas aves, decoração primorosa e policromada a
branco, vermelho, azul e ouro, decerto do tempo de D. Manuel I mas com
restauros posteriores. As janelas e portas, talhadas em fino mármore, são muito
lindas.
Ao lado um terraço com alpendre, bancos
corridos e um assento de braços, forrados de azulejos sevilhanos, onde (diz-se)
D. Sebastião convocou os conselheiros de Estado para os ouvir sobre o infausto
projecto da expedição a Alcácer-Quibir.
Voltando ao vestíbulo visitam-se
os quartos que, no derradeiro período da monarquia, eram habitados pelos
soberanos. É o 1º o antigo quarto de D. Luís, donde este monarca saiu doente
para Cascais, onde faleceu. Na parede do fundo há uma rica tapeçaria Gobelin,
com Luís XIV vestido à romana e visitando um atelier de pintura. Na sala
seguinte notam-se alguns retratos, um deles de D. Catarina de Bragança, mulher
de Carlos II de Inglaterra. Seguem-se o quarto de dormir da rainha D. Maria
Pia, que tem paredes pintadas a cal, destoando de todo o edifício; o de vestir
com armários vindos da Ajuda e vários castiçais Império; a sala de música, com
numerosas peças de faiança de Sèvres, Saxe, Limoges, etc., vindas do Castelo da
Pena, havendo entre elas um prato com os retratos de Luís XIV, de sua mulher,
Teresa de Áustria, e de 7 amantes daquele rei; o antigo escritório com faianças
hispano-árabes e, ao centro, uma bela taça da fábrica do Rato.
Por fim vai-se à original Sala de
banho árabe, ou Casa da água, no pátio, de cujas paredes saem jorros de água.
FIM
A imagem é do roteiro de onde este texto foi retirado e cujo autor está bem identificado. Algumas informações são erradas, mas esta (re)publicação teve como objectivo chamar a atenção para o tipo de visita existente nos anos 20 e 30 do séc. XX, e para o que se dizia então, bem como o que se oferecia ao público.
Talvez de pois disto haja quem queira revisitar o Palácio da Vila para tirar a limpo as diferenças.
terça-feira, outubro 31, 2017
REGRESSO AO PASSADO - PAÇO DE SINTRA
2ª Parte
Entra-se depois na Sala dos
Brasões, ou dos Veados, ou ainda das Armas, salão quadrilongo com as paredes
decoradas de azulejos do século XVII (episódios cinegéticos) e tecto em cúpula,
formado por caixotins, com 72 cabeças de veado pintadas na madeira, as quais
ostentam pendentes do pescoço os brasões das principais famílias nobres do
século XVI. As armas dos Távoras e as dos duques de Aveiro foram mandadas
apagar no séc. XVIII, após a execução daqueles titulares, implicados num
atentado contra a vida de D. José.
Os seguintes versos, inseridos no
friso, mostram o intuito de D. Manuel I ao determinar a ornamentação que
referimos:
POIS COM ESFORÇOS E
LEAIS – SERVIÇOS FORAM GANHADOS,
COM ESTES E OUTROS
TAIS – DEVEM DE SER CONSERVADOS.
Trata-se de obra admirável.
Repare-se na formusura das janelas do mesmo salão e, abrindo-as, nos quadros de
encantadora paisagem que elas patenteiam.
Regressa-se agora ao corpo
central do Paço, bem manuelino na decoração. À direita dica-nos o Pátio da
Carranca; passa-se pela Sala da Coroa, que dá para outro pátio, de Diana (fonte
do Renascimento e azulejos de relevo)…
(Continua)
Nota: Esta descrição era muito comum à época, e continuou a ser usada por muita e boa gente, mas alguns aspectos vieram depois a ser corrigidos à medida em que se começou a aperfeiçoar o conhecimento do monumento.
domingo, março 13, 2016
MARCELO NO PALÁCIO DE BELÉM
Marcelo chega a Belém e resolve "dar uma borla" a todos os que quiseram visitar Belém no 1º sábado após a posse. Os portugueses responderam em massa (somos um povo curioso), e o espaço mostrou-se pequeno para toda a gente. As filas começaram pela manhã e perduraram pelo dia todo.
Visitas guiadas eram impossíveis, e não foram prometidas, mas Marcelo estava lá, e também havia música para quem conseguiu entrar.
Será que algum dos visitantes de hoje pensou por um momento que foi ali que os Távoras estiveram cativos antes de serem executados ali bem perto?
Que importam as filas, os Távoras, os reis que por ali passaram? Nada! Fazia um bonito dia de sol, e os que não entraram puderam visitar outros museus da zona, almoçar nas redondezas, ou passear com a família em Belém, ali bem à beira-mar.
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