É já esta semana que vai ser inaugurada a exposição Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage – De Pedro, o Grande, a Nicolau II, na Galeria D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda em Lisboa. Está assim criada a expectativa para uma grande exposição a realizar em Portugal, que segundo os responsáveis irá ser uma das mais visitadas de sempre.
Não pretendo desvalorizar esta iniciativa cultural, nem aliás qualquer outra, mas fiquei algo surpreendido com o envolvimento directo da ministra da Cultura nesta exposição, bem como com os meios envolvidos na realização da mesma. Por um lado, pretendo ir ver obras que nunca tive oportunidade de poder admirar ao vivo, por outro lado, começo a ficar com a sensação de que estamos perante um evento de natureza política, e desenquadrado da realidade cultural portuguesa.
As reacções de alguns dirigentes dos museus nacionais já começaram a ouvir-se e só me surpreendem por tardias, e sobretudo porque me recordo muito bem do que dizia um abaixo-assinado subscrito por muitos deles, onde concordavam plenamente com a política delineada por este ministério. Tardiamente talvez, também eles começam a perceber que o centralismo decisório, é castrador da iniciativa dos responsáveis dos diversos museus, palácios e monumentos, como ainda colocam em risco o investimento necessário para a manutenção e renovação necessárias nesses serviços.
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FOTOGRAFIA
Anna Ostanina