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sexta-feira, junho 15, 2018

A AUTO FLAGELAÇÃO LUSA

A propósito do nome dum hipotético museu, cuja designação podia ser “Museu das Descobertas”, ou “dos Descobrimentos”, surgiram vozes e textos de quem se insurgia contra qualquer das designações, por acharem que qualquer dos nomes era incorrecto, e poderia ofender povos com os quais convivemos no passado, e que dominámos praticando actos que hoje condenamos, enquanto sociedade civilizada.

Já manifestei em vários locais a minha opinião, sou contra a censura (trata-se disso) destes nomes, só porque alguns de nós se pretendem autoflagelar por factos praticados por portugueses há centenas de anos. O mundo mudou, as consciências também, e a verdade é aquilo que nós devemos deixar ao mundo, pois será ela que nos redimirá.


Como diria Millôr Fernandes, “há duas coisas que ninguém perdoa: as nossas victórias e os nossos fracassos”. Neste caso o nosso fracasso será escamotear a História de algum modo, só porque não assumimos o que os nossos antepassados fizeram, só porque hoje isso não é politicamente correcto.


quarta-feira, maio 23, 2018

BEIRA - MOÇAMBIQUE 1965 (Cont.)


O desembarque inglês foi suspenso por Harold Wilson, para evitar um embate entre aliados de séculos pois ficou claro que Salazar não iria retroceder.
A frota inglesa voltou para águas internacionais e começou um bloqueio naval ao tráfego marítimo com destino à Beira, sendo apenas permitido que passassem os navios de mercadorias com mercadorias de e para Moçambique, Todos os navios com mercadorias para a Rodésia eram impedidos de entrar no porto da Beira.

Portugal decidiu reforçar a forças terrestres e aéreas na zona, com mais militares e aviões mais modernos (Fiat G91 e F84), bem como peças de artilharia, que equilibravam as duas forças, a inglesa e a portuguesa.

Por esses dias um petroleiro denominado Iona V, de cerca de 12.000 toneladas, carregado de crude para uma refinaria da Rodésia, chegou próximo das águas territoriais portuguesas ao largo do porto da Beira.

O plano inglês era de paralisar a Rodésia por falta de combustíveis, mas Salazar decidiu contrariar os ingleses, não permitindo a interdição de acesso ao porto da Beira.

Uma fragata e um draga-minas que estavam fundeados na Beira, receberam ordens para zarpar e ir buscar o petroleiro bloqueado pela armada inglesa. Os navios partiram e foram colocar-se um de cada lado do petroleiro, de modo a que se os ingleses quisessem impedir o navio de rumar à Beira, teriam de disparar sobre os vasos de guerra portugueses.

As ordens emanadas de Londres foram para não se abrir fogo, e o petroleiro grego foi então o primeiro a furar o bloqueio imposto pelos ingleses. Harold Wilson percebeu que Salazar jamais permitiria este embargo, e mandou retirar a sua força naval.



segunda-feira, maio 21, 2018

BEIRA - MOÇAMBIQUE 1965

Em finais de 1965, o primeiro ministro do Reino Unido, Harold Wilson, decidiu entregar o governo da Rodésia (do Sul) à maioria negra como já o fizera na Rodésia do Norte (Zâmbia) e com a Niassalândia (Malawi).

A população branca na Rodésia que era de cerca 250 mil pessoas, decidiu que Ian Smith seria o primeiro ministro de Uma Rodésia independente, governada por brancos, à semelhança do que acontecia na África do Sul, país que imediatamente apoiou a declaração unilateral de independência.

O governo inglês enviou de imediato uma força militar constituída por um porta-aviões, três fragatas e uns cinco navios de apoio, com a missão de desembarcar na Beira (Moçambique), porto marítimo e a única via de abastecimento e escoamento de produtos da Rodésia, para depois seguir para aquele território para impor à força a aceitação de um governo negro.

Os rodesianos brancos pegaram em armas dispostos a defender o o governo de Ian Smith, e enviaram mulheres e crianças para Moçambique e para a África do Sul, estando assim preparados para resistir à potência colonizadora.

Salazar não hesitou perante a possibilidade da abertura de novas frentes de guerra em Tete e em Manica e Sofala, fronteiras à Rodésia.
As ordens foram dadas às forças portuguesas com base na Beira, no sentido de impedir a todo o custo o desembarque de tropas inglesas. A bateria da costa, desactivada há mais de uma dezena de anos, foi reactivada, peças de artilharia móvel fora deslocadas para a a foz do Pungué e foram colocadas em locais estratégicos peças de artilharia antiaérea.

A cidade da Beira foi preparada para resistir a qualquer ataque dos ingleses, havendo mesmo treinos para protecção da população civil (lembro-me bem dos que foram feitos nos Maristas).

A frota inglesa entrou em água territoriais pensando que os portugueses não lhes fariam frente, quer por serem aliados, mas também porque as suas força eram manifestamente inferiores em poderio militar.

O envio de dois aviões T-6 Harvard, que dispararam rajadas de aviso para a água, à frente da esquadra inglesa, deu a perceber estabelecer uma testa-de-ponte para atacar a Rodésia, na Beira, não ia ser uma tarefa pacífica.

Meia dúzia de caças e uns poucos bombardeiros, todos da segunda guerra, não eram capazes de fazer frente a meia centena de caças-bombardeiros modernos, nem ao poder de fogo das fragatas da força naval, mas ficou claro que os portugueses iriam dificultar as intenções britânicas.


As pontes mais importantes, que ligavam a Beira à Rodésia foram armadilhadas, e havia ordens para as destruir em caso de desembarque inglês.

Continua no próximo post

Beira, estação de caminhos de ferro

domingo, janeiro 07, 2018

OLHAR A HISTÓRIA E NÃO A PERCEBER



Nada melhor do que estar num monumento, de ouvidos bem abertos, para perceber como comentam os visitantes aquilo que vêm e quais as suas interpretações sobre a História que de algum modo lhe esteja ligada.

Dispenso-me de comentar, neste momento, disparates que até podem ser engraçados e capazes de nos fazer rir, mas vou centrar-me apenas em comentários sérios, de pessoas educadas e com boa formação académica.

Os comentários referem-se à Sala de Caça do Palácio de Mafra, onde se podem ver penduradas pelas paredes diversas hastes de cervídeos, umas cabeças embalsamadas de veados e javalis, além de umas mesas e cadeiras feitas com hastes de animais que decoram a sala.

Para além dos comentários que se prendem com o gosto de cada um, que são naturais e que não merecem discussão, os que mais impressionam são os ligados às palavras barbárie e crueldade.

Há pouco mais de meio século era perfeitamente aceitável, socialmente, participar em caçadas de animais de grande porte para obtenção de troféus que eram exibidos nas paredes das suas casas (depois de devidamente tratados por taxidermistas). As fotos das presas caçadas eram profusamente exibidas na imprensa, e também decoravam paredes de escritórios. As damas, e até alguns homens, exibiam casacos de peles de animais exóticos e raros, que eram encarados com alguma inveja pelos menos abastados.

No passado, e até ao século XIX, as salas de troféus de caça eram banais nas casas senhoriais, e nesses tempos não mereciam qualquer censura por parte da sociedade.
Olhar para o passado, como é o caso duma sala dum palácio usado nos séculos XVIII e XIX, e fazer juízos à luz do que hoje é aceite ou não socialmente, é um erro que praticamos muitas vezes, e não apenas neste caso particular…  


Sala de Caça do Palácio de Mafra 

Theodore Roosevelt’s Long Island home

terça-feira, outubro 24, 2017

A CONQUISTA DE LISBOA



Após um cerco de quatro meses, D. Afonso Henriques entra finalmente no Castelo de Lisboa, no dia 25 de Outubro de 1147, data contestada por alguns que situam a data da entrada do rei no dia 21 do mesmo mês.

O cerco à cidade teve início a 1 de Julho e durou até 21 de Outubro, depois da capitulação dos mouros no dia anterior. Seguiu-se o saque por parte dos cruzados que ajudaram o rei, que fizeram uma paragem em Portugal onde obtiveram a única victória da Segunda Cruzada.


O cerco de Lisboa por Roque Gameiro

quarta-feira, outubro 11, 2017

COLONIALISMO E AMÉLIA



Andava eu a ler um livro à procura de informações sobre um monumento e eis que esbarro no nome de Francisco Maria Vítor Cordon e nos seus feitos em África.


Fiquei muito admirado quando fiquei a saber que em 1889, Vítor Cordon inaugurou os campos fortificados Luciano Cordeiro e Vila Amélia, este na terra que tinha sido distinguida com o nome da rainha D. Amélia, e viria alguns anos mais tarde a ser chamada de Porto Amélia.


Veio-me logo à memória da entrada de Samora Machel em Moçambique, depois do 25 de Abril, que no discurso feito nessa cidade perguntou à população: “Vocês conhecem a Amélia? Quem é a Amélia?”. Para depois utilizar o nome antigo da zona, Pemba, para apelidar a cidade.


O nome Porto Amélia caiu, por ser considerado um sinal do colonialismo, e a cidade passou a ser conhecida como Pemba.


Que Samora Machel desconhecesse a origem do nome, ou que tenha pretendido que assim era, não me incomoda nada, mas acho que muitos portugueses deviam saber um pouco mais sobre Vítor Cordon, que afinal teve o seu papel na criação desta vila (1934) e mais tarde cidade (1958).


Vítor Cordon foi recebido com honrarias, incluindo um banquete de gala no S. Carlos, outro na cidade de Estremoz (de onde era natural), foi agraciado com diversas medalhas, e viu o seu nome ser dado a ruas, em reconhecimento pelos bons serviços prestados à nação, e foi mesmo proclamado a 15 de Setembro de 1890, “Benemérito da Pátria”.


Aquele que hoje se sujeita a ser recordado como um colonialista, foi aos olhos dos seus contemporâneos considerado um herói e um exemplo.



sábado, outubro 07, 2017

CONFUSÕES, COLONIALISMO, RACISMO, ESCLAVAGISTAS E HISTÓRIA



Há uns dias alguém sugeriu que não compreendia o que queria dizer colonialismo e racismo, e confesso que até me deu vontade de rir, mas as palavras utilizadas eram ofensivas e não entro em debate com quem não o faz recorrendo ao insulto.

Agora li com atenção um artigo sobre as manifestações em redor duma estátua do Padre António Vieira, bem como os comentários ao artigo, e deparei-me com opiniões de teor religioso, de teor filosófico, de interpretações semânticas e de julgamentos à luz do conhecimento e do pensamento ocidental.

A História tem conceitos diversos e por isso muito do que li, são simplesmente expressões que vinculam apenas quem as fez.

Nestas coisas existem duas visões perigosas, que são as que são feitas fora do conceito temporal, e as que derivam do ódio religioso ou ideológico.