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sexta-feira, dezembro 14, 2018

IMIGRAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA BARATA?


O caso da greve dos estivadores, que se resolveu num ápice após um ultimato da VW, mostra bem que muitas das soluções para os diferendos laborais, passam apenas pelo interesse imediato de quem tem o poder, que é como quem diz, o poder do dinheiro.

Uns patrões manhosos cá do burgo, e os mediadores governamentais, com um incentivo alemão, conseguiram o milagre de solucionar um problema que parecia insolúvel.

Para alguns, terá passado despercebido o facto de o poder de compra dos portugueses estar pior do que antes da crise, porque a propaganda insinua o contrário, e também é pouco conhecido o facto de se estar a importar mão-de-obra barata (quase escrava), especialmente para a agricultura e para a construção civil.

Infelizmente é este o panorama actual dum país dito civilizado, com um governo do partido socialista. Será que os deputados que sustentam este executivo já pensaram que estão a pactuar com estas situações, e a defraudar os portugueses? E a dita oposição porque é que não faz barulho com esta realidade?


The Japan Times

terça-feira, setembro 18, 2018

POLÍTICAS AMIGAS DA NATALIDADE


A baixa da natalidade em Portugal, é um verdadeiro problema, que apesar de já ter sido identificado há cerca de uma década, continua a não ter qualquer solução à vista.

Há pouco tempo ouviu-se a ideia peregrina de incentivar o regresso ao país daqueles jovens que abandonaram o país em busca dum futuro melhor, que Portugal não lhes podia proporcionar.

A ideia é peregrina porque os jovens, na sua grande maioria, não conseguem encontrar empregos com remunerações justas, que lhes permitam constituir família, ter uma habitação condigna, criar e educar os seus filhos.

Neste preciso momento temos jovens saídos das nossas faculdades que não encontram empregos nas suas especialidades (não só os enfermeiros, ou outros da área do ensino), e mesmo os que conseguem têm no começo da sua carreira salários que vão dos 600 aos 900, pelo menos nos primeiros 3 anos.

Com salários tão baixos como os que se praticam no início da carreira, e com o grau de precariedade que é a norma, como é que se promove a natalidade? Em Portugal quando se fala em aumentar os salários, surgem logo os que falam de ameaça à competitividade, na fuga dos investimentos, e começam os pedidos de vantagens nos impostos, nas prestações sociais obrigatórias, etc. Este patronato nacional é o mesmo que diz que não encontra profissionais para trabalhar nas suas empresas, e que reclama pela vinda de emigrantes, que quando vêm é só para saltar o mais depressa possível para outro país europeu onde possam viver decentemente.

Este é o país que temos, e que vai envelhecendo a cada ano que passa.



terça-feira, agosto 28, 2018

O TURISMO E AS RECEITAS


Saiu a notícia de que Portugal ultrapassou a Grécia em receitas com turismo, e vai daí toca a lançar foguetes, como se tudo fosse assim tão simples, mas não é.

O número de turista, em 2018, está a baixar, ainda que as receitas estejam a aumentar em cerca de 14%, e isso devia dar que pensar aos diversos actores deste sector, que tem sido o abono de família da nossa economia após os tempos recentes de vacas magras.

Os aumentos dos preços praticados são a razão principal, e outra razão, ainda que menos falada e percebida, tem sido a contracção dos salários praticados em todos os sectores ligados ao turismo, desde a hotelaria até às actividades turísticas puras e duras.

Durante os últimos anos não se investiu na qualidade da oferta turística, ao contrário do que se tem falado, e os baixos salários e o aumento do emprego precário, nem sequer permitem veleidades nessa área. Conhecemos algumas honrosas excepções, em nichos do negócio turístico, mas não passam disso mesmo, excepções.

A preocupação com a sustentabilidade não tem existido, mas lá chegaremos, tarde como é costume!



segunda-feira, agosto 20, 2018

BOM JORNALISMO E MOÇAMBIQUE


Saiu no Público uma reportagem sobre Moçambique com o título “Moçambique: terra de todos, terra de alguns” que vem revelar alguns problemas que derivam da distribuição de terras e das injustiças criadas com a desculpa do desenvolvimento.

Numa altura em que muitos falam da exploração dos tempos coloniais, e das culpas dos portugueses que derivaram das viagens marítimas a partir do século XV, talvez seja instrutivo ler-se esta reportagem para se perceber que mesmo sem o colonialismo, existirá sempre quem se aproveite da pobreza e da ingenuidade, e quem se deixe corromper pelos poderosos, para explorar (nem quero utilizar o termo escravizar).

O dinheiro corrompe os pequenos (e até os grandes) poderes políticos, serve para enganar os ingénuos, e não tem cor política, raça ou credo, ao contrário do que se tenta fazer crer.

Leiam bem o artigo e façam-no sem preconceitos, porque está lá tudo, pelo que não é necessário qualquer ajuda à compreensão do problema e como ele surgiu.


Beira - Festejos do Aniversário 

Beira (anos 70) - Cidade que comemora hoje os seus 111 anos.

sábado, junho 23, 2018

TEMOS UM PROBLEMA DEMOGRÁFICO

Foi notícia o facto de o governo querer atrair 75 mil imigrantes por anos para combater um problema demográfico, o que levanta algumas questões que importa equacionar.

Portugal tem de facto um problema demográfico e isso não deriva de dificuldades em gerar filhos, o que poderia justificar essa medida, mas sim de natalidade, que tem razões que importa discutir.

Problemas como a instabilidade laboral, a precariedade, a dificuldade em encontrar habitação condigna, e os baixos salários praticados, são algumas das dificuldades que os nossos jovens encontram quando pretendem formar família, e eventualmente querem ter filhos.

As políticas laborais continuam a ser favoráveis ao patronato, os contratos a prazo e os estágios proliferam, o preço das casas e a não existência do mercado de arrendamento são uma realidade, e os baixos salários continuam a forçar os jovens a procurar outras paragens.

Quando se fala numa solução para os problemas demográficos, e se aponta para a atracção de imigrantes para a suprir, estamos na realidade a dizer que pretendemos continuar a praticar uma política de baixos salários, mais precariedade e de mais especulação imobiliária.


Como diria Abraham Lincoln, “pode-se enganar a todos por algum temo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”


sábado, maio 26, 2018

QUEREM MESMO QUE ACREDITEMOS?


No meu giro pelas notícias dos jornais portugueses dei com um título interessante, “restaurantes, hotelaria e hipers pedem refugiados”, e como não podia deixar de ser, lá fui eu ler a “anedota”.

Comecei por me rir ao ver a gerir o projecto uma entidade , o Alto Comissariado para as Migrações, e o nome de alguns parceiros da iniciativa, como sejam a Portugália, Teleperformance e Hard Rock Café.
Foi muito “tocante” ver que a preocupação dos criadores do projecto “ é que essas pessoas (os refugiados) ganhem o mais rapidamente autonomia, o que se consegue pela via do emprego”. Quem pode criticar semelhante afirmação?

A realidade pode ser muito cruel, e neste caso é definitivamente impiedosa. Os restaurantes, a hotelaria e os hipers são, na sua maioria, dos sectores que mais mal pagam e que mais trabalhadores precários empregam.

Se estes empresários têm, de facto, preocupações sociais, então porque não empregam, com salários dignos, boa parte dos trabalhadores que por lá passaram com contratos precários e com habilitações mais do que suficientes para as funções que desempenham? Noutro olhar mais realista, será que estes refugiados, devido à sua situação de fragilidade, não servirão apenas para engrossar a mão-de-obra barata que é tão procurada por maus empresários?
~
Podemos ter um grande coração, e até ser crédulos, mas esta iniciativa cheira muito a esturro!

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

EMPREGO E SALÁRIO



Tudo o que está de algum modo ligado ao turismo está a ganhar dinheiro nesta altura, sejam os hotéis, o alojamento local, o rent-a-car, os restaurantes, as agências de viagens, o comércio tradicional e outros, porque o turismo está claramente em alta.

Os hotéis aumentam os seus preços, os restaurantes na berra aumentam os menus, o alojamento local também deita uns pozinhos nas diárias, os preços das viagens para os destinos mais badalados também aumentam e o comércio com alguma qualidade também sobe os seus preços, mas a justificação está mesmo à vista, é o aumento da procura.

O que é curioso nos sectores ligados ao turismo é que a relação emprego/salário está descompensada, porque apesar da escassez de profissionais, relativamente à procura, não é compensada pelo aumento dos salários oferecidos pelos empresários.

É fácil declarar que não há quem esteja disposto a trabalhar, e até afirmar que os salários podem aumentar com o decorrer do tempo e com a demonstração das competências, mas na realidade o que salta à vista é o desejo de mais lucros, sacrificando-se os salários, e isto vai resultando na sangria de profissionais jovens, que encontram melhor reconhecimento além-fronteiras. Dentro de poucos anos a escassez de pessoal qualificado será uma realidade inultrapassável e isso será resultado da ganância de muitos empresários de vistas curtas.  


Henry Matisse Blue Nude