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sábado, junho 23, 2018

TEMOS UM PROBLEMA DEMOGRÁFICO

Foi notícia o facto de o governo querer atrair 75 mil imigrantes por anos para combater um problema demográfico, o que levanta algumas questões que importa equacionar.

Portugal tem de facto um problema demográfico e isso não deriva de dificuldades em gerar filhos, o que poderia justificar essa medida, mas sim de natalidade, que tem razões que importa discutir.

Problemas como a instabilidade laboral, a precariedade, a dificuldade em encontrar habitação condigna, e os baixos salários praticados, são algumas das dificuldades que os nossos jovens encontram quando pretendem formar família, e eventualmente querem ter filhos.

As políticas laborais continuam a ser favoráveis ao patronato, os contratos a prazo e os estágios proliferam, o preço das casas e a não existência do mercado de arrendamento são uma realidade, e os baixos salários continuam a forçar os jovens a procurar outras paragens.

Quando se fala numa solução para os problemas demográficos, e se aponta para a atracção de imigrantes para a suprir, estamos na realidade a dizer que pretendemos continuar a praticar uma política de baixos salários, mais precariedade e de mais especulação imobiliária.


Como diria Abraham Lincoln, “pode-se enganar a todos por algum temo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”


quinta-feira, julho 05, 2012

RETROCESSO CIVILIZACIONAL

Quando ouvia esta tarde uma senhora deputada do CDS dizer que a despenalização do aborto não tinha sido um avanço civilizacional, mostrando-se contra a interrupção voluntária da gravidez dentro dos prazos legais, fiquei a pensar que ainda há muita gente neste país que não conhece a realidade da miséria que infelizmente aumenta neste país. 

O que faria a senhora deputada caso recebesse o salário mínimo nacional e tivesse o marido desempregado, e tivesse a azar de engravidar? É que a prevenção da gravidez existe, mas nem é infalível nem é seguida à risca por uma parte das mulheres desfavorecidas. Podia até invocar as razões religiosas, já que a senhora deputada é dum partido onde militam bastantes católicos, que seguem à risca (?) os ensinamentos da igreja. 

Penso que o argumento mais apropriado é o que resulta da análise de uma notícia que divulga o facto de terem diminuído no primeiro semestre deste ano, pelo menos 4 mil nascimentos, relativamente ao ano anterior. As razões são óbvias, e resultam das medidas de austeridade impostas por este governo, onde pontua o CDS. 

Não há ninguém, muito menos uma mãe, que possa sentir satisfação com um aborto, mas há bastantes circunstâncias que podem levar uma pessoa a tomar essa penosa decisão, e não serei eu que lhe atirarei a 1ª pedra. As alternativas são todas piores, quer seja o abandono puro e simples, quer seja o aborto clandestino. 

O que seria para a senhora deputada um avanço civilizacional nesta matéria, com as condições actuais em que (mal) sobrevivem muitas famílias? 

PINTURA
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