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segunda-feira, agosto 20, 2018

BOM JORNALISMO E MOÇAMBIQUE


Saiu no Público uma reportagem sobre Moçambique com o título “Moçambique: terra de todos, terra de alguns” que vem revelar alguns problemas que derivam da distribuição de terras e das injustiças criadas com a desculpa do desenvolvimento.

Numa altura em que muitos falam da exploração dos tempos coloniais, e das culpas dos portugueses que derivaram das viagens marítimas a partir do século XV, talvez seja instrutivo ler-se esta reportagem para se perceber que mesmo sem o colonialismo, existirá sempre quem se aproveite da pobreza e da ingenuidade, e quem se deixe corromper pelos poderosos, para explorar (nem quero utilizar o termo escravizar).

O dinheiro corrompe os pequenos (e até os grandes) poderes políticos, serve para enganar os ingénuos, e não tem cor política, raça ou credo, ao contrário do que se tenta fazer crer.

Leiam bem o artigo e façam-no sem preconceitos, porque está lá tudo, pelo que não é necessário qualquer ajuda à compreensão do problema e como ele surgiu.


Beira - Festejos do Aniversário 

Beira (anos 70) - Cidade que comemora hoje os seus 111 anos.

terça-feira, dezembro 01, 2015

A FORÇA DO PATRONATO



Tem sido constante a pressão feita pelo patronato desde que se soube que iríamos ter um governo apoiado pela esquerda parlamentar. A sua acção chegou mesmo ao ponto de dizer que só por haver um governo de esquerda já havia uma significativa fuga de capitais.

O primado da economia que se sobrepôs aos interesses e às aspirações das pessoas, levou a que o trabalho fosse desvalorizado e as atenções do governo se centrassem quase que em exclusivo no capital e nos seus detentores.

Os custos do trabalho têm vindo a descer desde 2008/2009, os salários têm sido diminuídos pelo aumento da carga fiscal sobre o trabalho, e os lucros passaram a ter um alívio fiscal, o que tem sido muito do agrado do nosso patronato.

Com o fracasso das políticas de austeridade extrema seguidas pelo anterior governo, tornou-se evidente que é necessário repor algum do poder de compra dos trabalhadores para equilibrar a economia, e isso incomoda um patronato que estava habituado a ditar as suas regras e a explorar uma mão-de-obra barata, para não dizer outra coisa.

É bom que se perceba que não temos hipóteses de crescimento tentando competir na base dos baixos salários, porque esse lugar já está ocupado por outros com maior dimensão. Um confronto entre o patronato e os sindicatos, nesta altura, terá muito maus resultados.


Natureza Morta by Palaciano

Quebrada by Palaciano

quarta-feira, dezembro 28, 2011

SOBERANOS MAS ESCRAVOS

Os homens que estão em altos lugares são escravos de três modos: escravos do soberano ou do Estado; escravos da reputação; e escravos dos negócios. Não gozam de liberdade, nem nas suas pessoas, nem nas suas acções, nem no seu tempo. Estranho desejo é o de ganhar o poder e perder a liberdade, ou de buscar o poder sobre os outros para perder o poder sobre si-próprio. A ascensão às altas funções é laboriosa; através de canseiras chega o homem a maiores canseiras; a ascensão é por vezes humilhante, e por meio de indignidades é que o homem chega às dignidades. Manter-se à altura é difícil, e a descida é uma queda vertical; ou pelo menos um eclipse, coisa melancólica.

Francis Bacon

FOTOGRAFIA
Caída by Palaciano

CARTOON

terça-feira, setembro 28, 2010

PATRÕES E SALÁRIOS

Ouvir o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa dizer que a fixação do salário mínimo em 500 euros deve ser adiada para 2013 ou 2014, revolta-me o estômago. Gostava de ver este senhor governar-se durante um ano com um salário de 500 euros, porque só assim é que mereceria algum crédito ou respeito.

Vi o programa Prós e Contras inteirinho, e achei interessante que desde a moderadora até aos convidados, nenhum achou que acabar com as fundações inúteis, das parcerias público privadas, ou das empresas públicas e municipais desnecessárias, podia ajudar nesta crise.

A solução de todos os males é sempre a de subir os impostos indirectos e congelamento ou mesmo cortes dos salários, bem acompanhados pelo alívio da carga fiscal que incide sobre as empresas, mesmo no que diz respeito às taxas sociais.

Estas receitas são do passado, trouxeram-nos ao estado em que estamos, mas continuam a querer impor estas medidas, pelo menos até que a sociedade responda claramente contra este modelo de sociedade que privilegia as desigualdades e a exploração.



FOTOGRAFIA
Mafra by Palaciano

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terça-feira, outubro 20, 2009

SINAIS PREOCUPANTES

É sintomático que um dos chefes patronais venha dizer que os ordenados mínimos em Portugal deviam ficar congelados em 2010, porque ele é sem dúvida o modelo dos seus apoiantes. Corte-se nos ordenados mais baixos (os mínimos) porque esse é o único factor de produção que faz com que os preços das nossas mercadorias não sejam competitivos.

Quando na semana passada se anunciou o aumento dos combustíveis e da energia eléctrica, é bem indicadora da capacidade do nosso patronato esta preocupação, como se os salários em Portugal fossem superiores aos da UE e os combustíveis e a energia eléctrica fosse mais cara nos nossos parceiros europeus.

Eu, ao contrário do retrógrado senhor Miguel Sousa Tavares, não me sinto saloio nem provinciano, nem faço parte do terroristas de que a Internet é depositária, mas resolvi juntar o nome do personagem a este comentário.

Talvez pareça estranho a muitos, mas ele é que é um ferrenho caçador, daqueles que por acidente já causaram 5 mortes desde o início da época, por isso devolvo o termo de terrorista, o de saloio e provinciano também é devolvido pela defesa da Maitê e ainda por ter escrito sem a devida crítica, que existem trabalhadores “importados” no Alentejo que trabalham do amanhecer ao anoitecer, mas que mais não são do que mão-de-obra barata, sem direitos e sem liberdade, como poderá comprovar perguntando isso mesmo aos poucos que dizem uma palavra em português.

Com tantos elogios à exploração de seres humanos, que noutras épocas significava pura escravatura, começo a pensar que há muita gente que prefere ignorar que o seu bem estar deriva de factores que têm vergonha de denunciar e pronunciar.



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FOTOGRAFIA
ValeKo

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Alesandro Gatto

Valerio Kurtu

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

O MUNDO DO TRABALHO

Muito se tem falado ultimamente da ineficácia dos sindicatos e da intolerância das estruturas patronais, mas pouco se tem falado da acção do Estado enquanto regulador das relações laborais.
Aos sindicatos compete defender os seus associados e fortalecer as suas posições nas negociações contratuais. Às confederações patronais cabe-lhes defender os interesses dos seus associados, entidades patronais, garantindo uma contratação justa e posições negociais sólidas. Ao Estado compete manter um equilíbrio saudável nas relações do trabalho, garantindo direitos e deveres equitativos de modo a salvaguardar a paz social e a justa redistribuição da riqueza gerada.
Os princípios são estes, com mais ou menos adjectivos, mas a prática afasta-se cada vez mais da regra desde que a economia se tornou a trave mestra da governação e o neoliberalismo assentou arraiais na governação do país. Se as atitudes dos sindicatos e das associações patronais se entendem, apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer quanto às estratégias utilizadas, o papel do Estado tem sido absolutamente condenável, na medida em que não tem promovido qualquer equilíbrio, muito pelo contrário, nem tem promovido uma justa distribuição da riqueza produzida, como é claro por todos os indicadores sociais e económicos conhecidos. Portugal é o país da zona euro com as maiores desigualdades na redistribuição dos rendimentos, e isso com o governo que se reclama da área socialista.
Podemos tecer inúmeras e justas críticas aos sindicatos e às associações patronais, mas a (má) actuação do governo não pode nem deve ficar à margem das nossas críticas.
Nas próximas eleições um dos factores que deve condicionar o sentido de voto dos portugueses deve ser o compromisso das diferentes forças políticas, em equilibrar as forças entre os trabalhadores e as entidades patronais, e o compromisso em diminuir as desigualdades na redistribuição da riqueza gerada. Cabe a cada um em particular e a todos em geral, exigir das diferentes forças um compromisso eleitoral nestas matérias, a menos que haja quem se contente com declarações avulsas e sem conteúdo como as que têm sido apanágio de políticos bem instalados na vida à custa de favorecerem este ou aquele interesse particular, relegando o interesse público para o final das suas prioridades.

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NO QUADRO DE HONRA

A Confederação da Indústria Portuguesa estudou as propostas de alteração do Código Laboral e conclui que, mesmo com as alterações previstas, haverá muita rigidez nas leis de trabalho em Portugal.A CIP concorda … alargar os horários paras as 50 horas semanais. Mas contesta o valor a pagar pelas horas extraordinárias.As indemnizações por despedimento individual ou colectivo são incomportáveis para as empresas. Sugerem ainda que o Estado deve ser chamado a comparticipar nas indemnizações por despedimento colectivo.In” TSF
Só não entendi se também desejava poder utilizar o chicote durante as horas de trabalho e o cuzinho lavado com água de malvas. Tudo o resto ficou muito claro.

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PINTURAS

Night Harbor by *Leonidafremov

Night Harbor by *Leonidafremov

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