segunda-feira, agosto 20, 2018
BOM JORNALISMO E MOÇAMBIQUE
terça-feira, dezembro 01, 2015
A FORÇA DO PATRONATO
quarta-feira, dezembro 28, 2011
SOBERANOS MAS ESCRAVOS
Os homens que estão em altos lugares são escravos de três modos: escravos do soberano ou do Estado; escravos da reputação; e escravos dos negócios. Não gozam de liberdade, nem nas suas pessoas, nem nas suas acções, nem no seu tempo. Estranho desejo é o de ganhar o poder e perder a liberdade, ou de buscar o poder sobre os outros para perder o poder sobre si-próprio. A ascensão às altas funções é laboriosa; através de canseiras chega o homem a maiores canseiras; a ascensão é por vezes humilhante, e por meio de indignidades é que o homem chega às dignidades. Manter-se à altura é difícil, e a descida é uma queda vertical; ou pelo menos um eclipse, coisa melancólica.
Francis Bacon
terça-feira, setembro 28, 2010
PATRÕES E SALÁRIOS
Ouvir o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa dizer que a fixação do salário mínimo em 500 euros deve ser adiada para 2013 ou 2014, revolta-me o estômago. Gostava de ver este senhor governar-se durante um ano com um salário de 500 euros, porque só assim é que mereceria algum crédito ou respeito.
Vi o programa Prós e Contras inteirinho, e achei interessante que desde a moderadora até aos convidados, nenhum achou que acabar com as fundações inúteis, das parcerias público privadas, ou das empresas públicas e municipais desnecessárias, podia ajudar nesta crise.
A solução de todos os males é sempre a de subir os impostos indirectos e congelamento ou mesmo cortes dos salários, bem acompanhados pelo alívio da carga fiscal que incide sobre as empresas, mesmo no que diz respeito às taxas sociais.
Estas receitas são do passado, trouxeram-nos ao estado em que estamos, mas continuam a querer impor estas medidas, pelo menos até que a sociedade responda claramente contra este modelo de sociedade que privilegia as desigualdades e a exploração.
terça-feira, outubro 20, 2009
SINAIS PREOCUPANTES
É sintomático que um dos chefes patronais venha dizer que os ordenados mínimos em Portugal deviam ficar congelados em 2010, porque ele é sem dúvida o modelo dos seus apoiantes. Corte-se nos ordenados mais baixos (os mínimos) porque esse é o único factor de produção que faz com que os preços das nossas mercadorias não sejam competitivos.
Quando na semana passada se anunciou o aumento dos combustíveis e da energia eléctrica, é bem indicadora da capacidade do nosso patronato esta preocupação, como se os salários em Portugal fossem superiores aos da UE e os combustíveis e a energia eléctrica fosse mais cara nos nossos parceiros europeus.
Eu, ao contrário do retrógrado senhor Miguel Sousa Tavares, não me sinto saloio nem provinciano, nem faço parte do terroristas de que a Internet é depositária, mas resolvi juntar o nome do personagem a este comentário.
Talvez pareça estranho a muitos, mas ele é que é um ferrenho caçador, daqueles que por acidente já causaram 5 mortes desde o início da época, por isso devolvo o termo de terrorista, o de saloio e provinciano também é devolvido pela defesa da Maitê e ainda por ter escrito sem a devida crítica, que existem trabalhadores “importados” no Alentejo que trabalham do amanhecer ao anoitecer, mas que mais não são do que mão-de-obra barata, sem direitos e sem liberdade, como poderá comprovar perguntando isso mesmo aos poucos que dizem uma palavra em português.
Com tantos elogios à exploração de seres humanos, que noutras épocas significava pura escravatura, começo a pensar que há muita gente que prefere ignorar que o seu bem estar deriva de factores que têm vergonha de denunciar e pronunciar.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
O MUNDO DO TRABALHO
Aos sindicatos compete defender os seus associados e fortalecer as suas posições nas negociações contratuais. Às confederações patronais cabe-lhes defender os interesses dos seus associados, entidades patronais, garantindo uma contratação justa e posições negociais sólidas. Ao Estado compete manter um equilíbrio saudável nas relações do trabalho, garantindo direitos e deveres equitativos de modo a salvaguardar a paz social e a justa redistribuição da riqueza gerada.
Os princípios são estes, com mais ou menos adjectivos, mas a prática afasta-se cada vez mais da regra desde que a economia se tornou a trave mestra da governação e o neoliberalismo assentou arraiais na governação do país. Se as atitudes dos sindicatos e das associações patronais se entendem, apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer quanto às estratégias utilizadas, o papel do Estado tem sido absolutamente condenável, na medida em que não tem promovido qualquer equilíbrio, muito pelo contrário, nem tem promovido uma justa distribuição da riqueza produzida, como é claro por todos os indicadores sociais e económicos conhecidos. Portugal é o país da zona euro com as maiores desigualdades na redistribuição dos rendimentos, e isso com o governo que se reclama da área socialista.
Podemos tecer inúmeras e justas críticas aos sindicatos e às associações patronais, mas a (má) actuação do governo não pode nem deve ficar à margem das nossas críticas.
Nas próximas eleições um dos factores que deve condicionar o sentido de voto dos portugueses deve ser o compromisso das diferentes forças políticas, em equilibrar as forças entre os trabalhadores e as entidades patronais, e o compromisso em diminuir as desigualdades na redistribuição da riqueza gerada. Cabe a cada um em particular e a todos em geral, exigir das diferentes forças um compromisso eleitoral nestas matérias, a menos que haja quem se contente com declarações avulsas e sem conteúdo como as que têm sido apanágio de políticos bem instalados na vida à custa de favorecerem este ou aquele interesse particular, relegando o interesse público para o final das suas prioridades.










