É sintomático que um dos chefes patronais venha dizer que os ordenados mínimos em Portugal deviam ficar congelados em 2010, porque ele é sem dúvida o modelo dos seus apoiantes. Corte-se nos ordenados mais baixos (os mínimos) porque esse é o único factor de produção que faz com que os preços das nossas mercadorias não sejam competitivos.
Quando na semana passada se anunciou o aumento dos combustíveis e da energia eléctrica, é bem indicadora da capacidade do nosso patronato esta preocupação, como se os salários em Portugal fossem superiores aos da UE e os combustíveis e a energia eléctrica fosse mais cara nos nossos parceiros europeus.
Eu, ao contrário do retrógrado senhor Miguel Sousa Tavares, não me sinto saloio nem provinciano, nem faço parte do terroristas de que a Internet é depositária, mas resolvi juntar o nome do personagem a este comentário.
Talvez pareça estranho a muitos, mas ele é que é um ferrenho caçador, daqueles que por acidente já causaram 5 mortes desde o início da época, por isso devolvo o termo de terrorista, o de saloio e provinciano também é devolvido pela defesa da Maitê e ainda por ter escrito sem a devida crítica, que existem trabalhadores “importados” no Alentejo que trabalham do amanhecer ao anoitecer, mas que mais não são do que mão-de-obra barata, sem direitos e sem liberdade, como poderá comprovar perguntando isso mesmo aos poucos que dizem uma palavra em português.
Com tantos elogios à exploração de seres humanos, que noutras épocas significava pura escravatura, começo a pensar que há muita gente que prefere ignorar que o seu bem estar deriva de factores que têm vergonha de denunciar e pronunciar.


