segunda-feira, março 02, 2015
OS TOLOS E OS NACIONALISMOS
quarta-feira, dezembro 28, 2011
SOBERANOS MAS ESCRAVOS
Os homens que estão em altos lugares são escravos de três modos: escravos do soberano ou do Estado; escravos da reputação; e escravos dos negócios. Não gozam de liberdade, nem nas suas pessoas, nem nas suas acções, nem no seu tempo. Estranho desejo é o de ganhar o poder e perder a liberdade, ou de buscar o poder sobre os outros para perder o poder sobre si-próprio. A ascensão às altas funções é laboriosa; através de canseiras chega o homem a maiores canseiras; a ascensão é por vezes humilhante, e por meio de indignidades é que o homem chega às dignidades. Manter-se à altura é difícil, e a descida é uma queda vertical; ou pelo menos um eclipse, coisa melancólica.
Francis Bacon
terça-feira, julho 05, 2011
NOTÍCIAS CLARIFICADORAS
Desde há algum tempo a esta parte temos assistido à resistência de alguns países em ajudar os parceiros mais endividados e mal governados. Muitos têm afirmado que é uma atitude difícil de explicar porque como partilhamos todos a mesma moeda, caso um país caia o efeito de dominó é mais do que possível.
O fim das "golden shares" que agora foram decretadas pelo governo ultra liberal de Passos Coelho pode abrir um pouco o véu sobre as verdadeiras intenções de quem nos empresta dinheiro, e das cedências claras que este governo está disposto a fazer, sem o dizer abertamente aos cidadãos.
Pelas exigências feitas à Grécia já muitos suspeitávamos que os empréstimos implicavam claras perdas de soberania, mas poucos imaginávamos até onde isso podia ir. Uns clamavam que não havia perda nenhuma de soberania, outros que era apenas uma cedência temporária, com o cumprimento do memorando, mas poucos afirmavam que se iria mais longe.
Uma notícia veio clarificar um pouco mais todas estas intenções e cedências, e veio precisamente da Finlândia, pasme-se. A Finlândia quer garantias para participar em novos resgates na zona euro, garantias essas que podem ser fatias das privatizações previstas para os países em dificuldades.
Pelo menos a nova ministra das Finanças finlandesa não é hipócrita como a senhora Merkel, que é contra as "golden shares" portuguesas, mas não é contra os direitos especiais detidos por entidades estatais alemãs em grandes empresas cotadas. Também se clarificam as posições de absoluta cedência de soberania deste governo.

terça-feira, fevereiro 22, 2011
O “FEELING”
O The Wall Street Journal (WSJ) escreve, citando fonte europeia, que o sentimento dominante em Bruxelas é o de que Portugal vai em breve pedir ajuda externa.
Não se pode dizer que isto é uma notícia fresca, ou sequer que é necessário ser-se especialista em economia, ou ter uma qualquer bola de cristal para se chegar a esta conclusão. Eu próprio, que nem sou nenhum especialista na matéria, disse-o aqui e apostei com amigos, ainda no ano passado, que isso iria acontecer antes de Maio deste ano.
O Governo com a sua teimosia incompreensível, foi adiando o que já se previa. A oposição também alinhou de certo modo, dizendo que o FMI era um papão.
O FMI não é flor que se cheire, mas o adiamento do pedido de ajuda resultou num aumento dos juros a que nos fomos endividando neste últimos meses, e no campo dos sacrifícios que nos vão ser impostos, vão também ser maiores do que seriam naquela altura.
Chegámos aqui porque era preciso defender o euro e a soberania nacional, mas os parceiros do euro deixaram-nos cair, e já mandam em todas as matérias ligadas à economia e finanças, apesar da ilusão que alguns ainda alimentam.
A Europa só acordará para o problema quando os especuladores atacarem um país grande como a Espanha ou a Itália, porque aí teremos a morte certa do euro, e aí teremos a Alemanha e a França verdadeiramente aflitos. Como alternativa só existe a saída do euro, que a ser feita apenas por Portugal terá efeitos desastrosos durante muito tempo.



