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sábado, dezembro 10, 2011

QUE ACORDO?

Fiquei algo perplexo com o agrado com que alguns políticos e comentadores receberam o “acordo” conseguido nesta Cimeira Europeia.

Os dados são ainda limitados mas gostaria que alguém me explicasse em que é que Portugal vai beneficiar com este reforço da disciplina orçamental e com a chamada governação económica.

Pelo que entendi haverão penalizações para quem não cumpra um determinado défice, que pelos vistos querem ver plasmados na Constituição de cada país, e os orçamentos nacionais terão de passar pelo crivo europeu antes de serem aprovados nos parlamentos nacionais.

Estas matérias são intrusivas, na linguagem da Cimeira, ainda que a mim me pareçam abusivas para não ser indelicado. Não vejo como é que um Estado soberano se pode sujeitar a estas exigências e à menorização dos parlamentos nacionais.

Se a forma me parece inaceitável, o conteúdo também não me parece nada favorável a Portugal, pois não vejo em lado nenhum qualquer abertura para ajudar ao crescimento de que necessitamos como de pão para a boca. Vejo apenas defendidos os interesses imediatos das grandes economias, e nada mais.

Não sei o que é que passos Coelho traz desta Cimeira, mas para mim fica a sensação de que será uma mão cheia de nada, e a vontade de mudar a Constituição a troco de outra mão também sem nada.


FOTOGRAFIA
By Magdalena Campomenosi

CARTOON

terça-feira, julho 05, 2011

NOTÍCIAS CLARIFICADORAS

Desde há algum tempo a esta parte temos assistido à resistência de alguns países em ajudar os parceiros mais endividados e mal governados. Muitos têm afirmado que é uma atitude difícil de explicar porque como partilhamos todos a mesma moeda, caso um país caia o efeito de dominó é mais do que possível.

O fim das "golden shares" que agora foram decretadas pelo governo ultra liberal de Passos Coelho pode abrir um pouco o véu sobre as verdadeiras intenções de quem nos empresta dinheiro, e das cedências claras que este governo está disposto a fazer, sem o dizer abertamente aos cidadãos.

Pelas exigências feitas à Grécia já muitos suspeitávamos que os empréstimos implicavam claras perdas de soberania, mas poucos imaginávamos até onde isso podia ir. Uns clamavam que não havia perda nenhuma de soberania, outros que era apenas uma cedência temporária, com o cumprimento do memorando, mas poucos afirmavam que se iria mais longe.

Uma notícia veio clarificar um pouco mais todas estas intenções e cedências, e veio precisamente da Finlândia, pasme-se. A Finlândia quer garantias para participar em novos resgates na zona euro, garantias essas que podem ser fatias das privatizações previstas para os países em dificuldades.

Pelo menos a nova ministra das Finanças finlandesa não é hipócrita como a senhora Merkel, que é contra as "golden shares" portuguesas, mas não é contra os direitos especiais detidos por entidades estatais alemãs em grandes empresas cotadas. Também se clarificam as posições de absoluta cedência de soberania deste governo.


FOTOGRAFIA


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Galeria de Aldrabões