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segunda-feira, outubro 31, 2011

APANHADOS NA CURVA

Todos se recordarão do discurso dos partidos que suportam o governo, atacando com todas as suas forças a oposição que dizia ser imperiosos renegociar o acordo com a troika, por ser impraticável satisfazer os prazos de reembolso, e por ter condições que conduziam à recessão, sem qualquer contrapartida para o relançamento da economia.

A oposição era irresponsável, não pretendia pagar a ajuda, e outras coisas ainda mais absurdas. Em menos de seis meses o discurso mudou, e mudou muito.

Agora temos o próprio Passos Coelho a admitir “ajustamentos” do programa com a troika já em Novembro. É curioso que o motivo invocado seja a dívida e o financiamento das empresas públicas, poucos dias depois de ser anunciado que essas dívidas passavam a ser dívida pública.

Não admira pois que o Bloco de Esquerda venha agora dizer que este “ajustamento” seja em benefício único da banca. Os pagantes das dívidas, das empresas públicas e de toda a “ajuda” da troika, são os contribuintes, mas as ajudas meus caros, não vão para os mais necessitados nem para os que mais contribuem para o pagamento das dívidas.

FOTOGRAFIA


CARTOON
Quem é que mama?

Tire daqui, se for capaz...

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O “FEELING”

O The Wall Street Journal (WSJ) escreve, citando fonte europeia, que o sentimento dominante em Bruxelas é o de que Portugal vai em breve pedir ajuda externa.

Não se pode dizer que isto é uma notícia fresca, ou sequer que é necessário ser-se especialista em economia, ou ter uma qualquer bola de cristal para se chegar a esta conclusão. Eu próprio, que nem sou nenhum especialista na matéria, disse-o aqui e apostei com amigos, ainda no ano passado, que isso iria acontecer antes de Maio deste ano.

O Governo com a sua teimosia incompreensível, foi adiando o que já se previa. A oposição também alinhou de certo modo, dizendo que o FMI era um papão.

O FMI não é flor que se cheire, mas o adiamento do pedido de ajuda resultou num aumento dos juros a que nos fomos endividando neste últimos meses, e no campo dos sacrifícios que nos vão ser impostos, vão também ser maiores do que seriam naquela altura.

Chegámos aqui porque era preciso defender o euro e a soberania nacional, mas os parceiros do euro deixaram-nos cair, e já mandam em todas as matérias ligadas à economia e finanças, apesar da ilusão que alguns ainda alimentam.

A Europa só acordará para o problema quando os especuladores atacarem um país grande como a Espanha ou a Itália, porque aí teremos a morte certa do euro, e aí teremos a Alemanha e a França verdadeiramente aflitos. Como alternativa só existe a saída do euro, que a ser feita apenas por Portugal terá efeitos desastrosos durante muito tempo.



IMAGEM


MÚSICA

sexta-feira, dezembro 25, 2009

E DEPOIS DO NATAL?

Há rituais que se repetem em determinadas épocas do ano e depois se esquecem até ao ano seguinte, quando se volta a repescar a ideia. No Natal são muitas as individualidades que se lembram da pobreza existente, fazem discursos piedosos, aparecem em almoços e jantares promovidos por organizações que estão sempre no terreno, com um ar compungido, e logo se retiram para os salões dos palácios ou casinos que se habituaram a frequentar.

Em Inglaterra foi notícia um príncipe que passou uma noite debaixo duma ponte, pretendendo assim demonstrar que a sua preocupação vai além dos habituais discursos e eventos de caridade. Por cá, como disse, os altos dignitários ficam-se pelas fotografias de ocasião ou pelos discursos perante as câmaras de televisão, enquanto que no resto do ano apenas têm o nome ligado a comissões de honra de entidades caritativas, o que é chique.

Este ano foi particularmente mau para quem vive, ou vivia, do seu trabalho por conta de outrem ou mesmo por conta própria porque a crise acabou com muitos sonhos e com muitos projectos de muita gente.

Não creio que 2010 seja substancialmente melhor do que este ano, mas continuarei a admirar e a colaborar nos meus tempos livres, com as organizações para quem a preocupação com a miséria do nosso semelhante são uma causa permanente.

Há muito que se pode fazer, assim haja vontade e consciência cívica.



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FOTOGRAFIA
Aleksey Vasilyev



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Jitet Koestana