sexta-feira, novembro 06, 2015
domingo, julho 05, 2009
PINHO RADICAL
Não me pareceu que Manuel Pinho se tivesse arrependido do gesto que ditou o seu afastamento do executivo de José Sócrates, de quem era bastante próximo segundo as notícias, embora esta seja apenas a minha modesta opinião depois de ter ouvido as suas declarações posteriores à demissão.
Fiquei ainda com uma impressão que a esquerda não é o seu campo ideológico, ainda que estivesse num executivo socialista, mas também tenho sérias dúvidas de que o chefe do executivo seja verdadeiramente socialista, o que mais uma vez é apenas a minha opinião.
Fixei uma frase interessante da 1ª página do Expresso que dizia “Portugal pode ser líder em muitas coisas mas isto não é compatível com o trepar da esquerda radical”. Esta frase diz muito sobre o espírito democrático de quem a pronunciou.
Há quem goste de Manuel Pinho e lhe tenha oferecido logo um lugar numa fundação, e ouvi dizer que foi isso mesmo que o comendador Berardo fez. Lembrei-me do que li algures pela blogosfera sobre o interesse de Pinho na construção do novo Museu dos Coches, da mudança do Museu de Arqueologia, e até do protagonismo do Turismo de Portugal (na altura sob sua tutela) no financiamento de algumas destas mudanças. Li na altura que se preparava um plano para afastar alguns dos equipamentos culturais da zona, agora sob a alçada do Ministério da Cultura, para a esfera privada ou para a gestão privada.
Qual foi o papel de Júdice e o de Manuel Pinho nesta zona de Lisboa, e a sua influência no futuro dos equipamentos culturais lá implantados, não sei ainda, mas cá estaremos para voltar a falar do assunto se houver novidade.
sexta-feira, abril 24, 2009
OS TIQUES…

A poucas horas de se celebrar o 25 de Abril e de se ouvirem todos os dirigentes partidários reclamarem qualquer coisinha na construção da liberdade neste país, há certas coisas que destoam e mostram a verdadeira cara de uns quantos.
Talvez as reacções à lei do enriquecimento ilícito sejam a face mais feia e hipócrita de alguns políticos, que chegam ao ponto de alegar princípios ideológicos, ou o timing para colocar reservas à aprovação dos projectos de lei entretanto rejeitados pela maioria PS.
Não se julgue que só meto no mesmo saco o PS, pois há por aí muitos mais “ditos democratas” que têm reservas quanto à criminalização do enriquecimento ilícito. É por estas e por outras que a corrupção alastra e a impunidade é a regra quando a Justiça intervém.
Dentro do espírito de Abril o combate à corrupção nunca seria confundido com oportunismo político nem com um mau timing, meus senhores. Estes tiques e o odor bafiento dos argumentos agora esgrimidos fazem-nos pensar se não será necessário um Novo Abril neste rectângulo à beira-mar plantado.
Os dois cartoons que mostro mais abaixo foram premiados neste evento, embora tenha recolhido as imagens num sítio sírio, aliás identificado nas imagens.quinta-feira, outubro 09, 2008
CITAÇÕES
Por vezes utilizamos frases de pensadores e humoristas, ou recorremos a provérbios para reforçar uma ideia que queremos vincar. É prática normal e aceitável, que contudo não se estende a teorias mais complexas, como as económicas, dum modo tão linear como possa parecer à primeira vista.
Ouvi ontem da boca de um dirigente socialista português uma referência a John Maynard Keynes, a propósito de uma discussão económica, e fiquei admirado já que dificilmente consigo encaixar o socialismo com o pensamento económico de Keynes. Percebi desde logo que depois de tentar descolar-se do neoliberalismo, agora caído em desastre, a escolha de um teórico anterior a esta corrente talvez tenha sido uma tentação quase irresistível para um neófito na matéria, mas de qualquer modo desadequada
O orador, socialista, devia ter lido Keynes antes de o invocar, e teria reparado que o socialismo não era algo que ele tivesse em grande apreço como bem ilustra a frase “O socialismo é a crença mais estarrecedora de que o mais insignificante dos homens fará a mais insignificante das coisas para o bem de todos”, ou ainda uma outra "Não há evidência clara a demonstrar que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa". Já agora, e no contexto da referência a Keynes, aqui fica a maior contradição “Deve-se notar que, para o estado aumentar a demanda efectiva, ele deve gastar mais do que arrecada, porque a arrecadação de impostos reduz a demanda efectiva, enquanto que os gastos aumentam a demanda efectiva”.
Concluo citando um provérbio, “quem te manda a ti sapateiro, tocar rabecão”.

segunda-feira, junho 23, 2008
QUE RICAS SOLUÇÕES...
Depois dos bloqueios efectuados pelos camionistas, e da confusão que isso causou um pouco por todo o lado, José Sócrates começou a ensaiar um discurso “com preocupações sociais”, dizendo que, dentro dos possíveis o governo iria ajudar os sectores mais afectados pelos aumentos dos combustíveis.
É difícil dizer quem é que não é afectado pelos aumentos dos combustíveis, mas pelos vistos só estão a ser equacionadas medidas para os transportes públicos, para os táxis, para as pescas e para a agricultura. Fala-se em deduções fiscais, empréstimos para modernização e em incentivos para a mudança de actividade em alguns casos.
A par das “ajudas”, em que também incluo o congelamento dos passes e a redução de portagens, que todos os contribuintes vão pagar forçosamente, ouvimos também o governo sugerir que esses aumentos dos combustíveis se devem reflectir nos preços dos bens e serviços.
O que eu não percebo, e devo ser mesmo muito burro, é porque é que se dão ajudas a alguns, e apenas a alguns, se os aumentos se vão reflectir à mesma sobre os consumidores? Se o problema está do lado do poder de compra, que não consegue acompanhar o aumento do custo de vida, porque é que não se reconhece que os aumentos salariais de 2008, e até de anos anteriores, foram calculados com base em cálculos errados da inflação?
Pois é, sou muito simplista, e a economia não suporta os aumentos salariais, mas na realidade as soluções que nos vão dando a conhecer têm uma maior perversão: ajudam-se alguns, penaliza-se a maioria, não se resolve o problema dos aumentos de preços, e os aumentos salariais há muito que foram comidos pela inflação baseada em cálculos propositadamente irrealistas.
Falem-me de preocupações sociais, que eu continuarei a dizer que as não têm!
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
O MUNDO DO TRABALHO
Aos sindicatos compete defender os seus associados e fortalecer as suas posições nas negociações contratuais. Às confederações patronais cabe-lhes defender os interesses dos seus associados, entidades patronais, garantindo uma contratação justa e posições negociais sólidas. Ao Estado compete manter um equilíbrio saudável nas relações do trabalho, garantindo direitos e deveres equitativos de modo a salvaguardar a paz social e a justa redistribuição da riqueza gerada.
Os princípios são estes, com mais ou menos adjectivos, mas a prática afasta-se cada vez mais da regra desde que a economia se tornou a trave mestra da governação e o neoliberalismo assentou arraiais na governação do país. Se as atitudes dos sindicatos e das associações patronais se entendem, apesar de todas as críticas que lhes possamos fazer quanto às estratégias utilizadas, o papel do Estado tem sido absolutamente condenável, na medida em que não tem promovido qualquer equilíbrio, muito pelo contrário, nem tem promovido uma justa distribuição da riqueza produzida, como é claro por todos os indicadores sociais e económicos conhecidos. Portugal é o país da zona euro com as maiores desigualdades na redistribuição dos rendimentos, e isso com o governo que se reclama da área socialista.
Podemos tecer inúmeras e justas críticas aos sindicatos e às associações patronais, mas a (má) actuação do governo não pode nem deve ficar à margem das nossas críticas.
Nas próximas eleições um dos factores que deve condicionar o sentido de voto dos portugueses deve ser o compromisso das diferentes forças políticas, em equilibrar as forças entre os trabalhadores e as entidades patronais, e o compromisso em diminuir as desigualdades na redistribuição da riqueza gerada. Cabe a cada um em particular e a todos em geral, exigir das diferentes forças um compromisso eleitoral nestas matérias, a menos que haja quem se contente com declarações avulsas e sem conteúdo como as que têm sido apanágio de políticos bem instalados na vida à custa de favorecerem este ou aquele interesse particular, relegando o interesse público para o final das suas prioridades.

sábado, dezembro 22, 2007
SOCIALISMO


Alguns dias depois de todos terem lido as declarações de Alan Lamassoure, eis que o nosso ministro do Negócios Estrangeiros, o vem desmentir quanto à existência de um compromisso entre governos sobre a forma de ratificação do Tratado de Lisboa. Não sou versado em diplomacia, mas perante tais afirmações públicas feitas por um político francês, impunha-se um desmentido formal, público e diplomático, caso as declarações não fossem verdadeiras. Não parece ter acontecido assim, e parece que o senhor ministro só reagiu perante a interpelação feita por parlamentares.
Segundo as palavras de Luís Amado, “não há nenhum compromisso oculto entre os Governos” e que a frase de Lamassoure “se fizer um referendo, Sócrates é um traidor”, foi “uma atoarda que não tem qualquer fundamento”.
Fiquei agora mais esclarecido, mas continuei sem saber qual a posição do governo português, que só se irá conhecer depois de terminada a presidência da União, mas fiquei a saber a opinião pessoal do senhor ministro Luís Amado, que não concorda com a ratificação pela via do referendo por considerar que “gera insegurança”. Não percebi a que tipo de insegurança se refere o senhor ministro, mas a diplomacia talvez não seja mesmo o meu forte. Eu só fico à espera de saber se a promessa do referendo é mais uma que cai no rol do esquecimento de José Sócrates.



























