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segunda-feira, março 19, 2012

POBRE CULTURA

Segundo o Público, na zona do Cais do Sodré, em Lisboa, foi descoberta uma rampa de lançamento de barcos, que consiste essencialmente numa estrutura feita em troncos de madeira sobrepostos, ocupando cerca de 300 metros quadrados, datada do século XVI.

Esta estrutura de madeira enterrada no lodo, que a terá conservado durante vários séculos, estará muito provavelmente ligada a um estaleiro naval que terá ali existido.

A descoberta terá sido feita durante os trabalhos preparatórios para a construção dum parque de estacionamento subterrâneo.

O que me ficou desta notícia foi a afirmação da subdirectora do IGESPAR, Catarina de Sousa, que terá dito que apesar de muito interessantes, esta e outras estrutura encontradas são perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização no local é “praticamente inviável”.

Racionalmente e conhecendo os meandros da Cultura em Portugal, sei que a penúria em que se vive aponta para o que terá sido dito por esta responsável do IGESPAR, mas devo recordar, até porque Passos Coelho ainda há pouco tempo lá esteve, que na Suécia se fez propositadamente um museu após ter sido encontrado no fundo do mar o navio Vasa.

É tudo uma questão de vontades, de respeito pela História, e só por último uma questão de meios. Recordo também, e para finalizar que a Cultura está sob a tutela do 1º ministro, Pedro Passos Coelho.


FOTOGRAFIA
Jardim da Preta (Sintra) by Palaciano

Camélia I by Palaciano

quarta-feira, abril 20, 2011

MUSEUS GRATUITOS - PARTE II

Quando escrevi o post anterior pensei nos meus visitantes habituais, não entrando em detalhes muito específicos que só são conhecidos por pessoal ligado aos museus e ao turismo. Pelos vistos fiz mal pois existem leitores mais conhecedores que também o leram e levantaram questões interessantes.

Quero deixar bem claro que o autor deste blogue está rodeado de amigos que trabalham nesses sectores (museus e turismo), sendo que sou também um amante de arquitectura e de História, factores que me levam a conhecer profundamente o nosso Património. Nem o autor do blogue nem os seus colaboradores são membros da APOM, que sabemos ser elitista por ser composta apenas por técnicos superiores e não ser aberta aos restantes profissionais ligados aos museus e à museologia.

Ao abordar a questão da gratuitidade aos domingos e feriados para os estrangeiros, numa altura de grandes apertos orçamentais, faço-o por julgar que é incompreensível, e não vejo que o enquadramento legal vigente seja um impedimento para a “discriminação positiva” que defendo neste momento.

Abordei o caso do Palácio Nacional da Pena, neste momento gerido pelos Montes da Lua, mas continuando a ser da responsabilidade do Estado, por ser um exemplo de como o enquadramento legal não impediu que toda a gente (nacionais e estrangeiros) pague sempre as entradas, à excepção dos residentes do Concelho de Sintra, um pouco à semelhança do que também acontece com o Castelo de S. Jorge em Lisboa.

Para enquadrar mais rigorosamente a minha discordância com a gratuitidade para os estrangeiros em todos os domingos e feriados, devo acrescentar que em diversos serviços dependentes do Ministério da Cultura, e falo de museus, palácios e monumentos, não há dinheiro para pagamento de trabalho extraordinário, e está a ser pedido “um esforço patriótico” da parte dos que asseguram a abertura destes serviços, no sentido de trocarem o trabalho aos feriados por igual tempo de folga, para além de serem forçados ao trabalho por turnos, para assegurarem maior tempo de abertura sem encargos para os serviços.

É óbvio que não estou a falar de membros da APOM, mas sim de outros profissionais a quem o ministério não respeita o direito a horários, nem compensa pela discriminação que pratica, atendendo à categoria que detêm e ao esforço que lhes exige.

É evidente que não espero que o diligente anónimo responda a este novo post, mas talvez possa levar o seu conteúdo ao conhecimento da senhora ministra, ou de alguém próximo dela, porque estou certo que ela não terá conhecimento desta realidade.



FOTOGRAFIA
By Palaciano

By Palaciano

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Imagem já aqui publicada em 28 de Março de 2007

terça-feira, abril 19, 2011

MUSEUS GRATUITOS?

Ao ler a opinião da ministra da Cultura, publicada no DN da passada segunda-feira, sobre o tema em questão, fiquei com a impressão de que a senhora ministra só tem este tipo de discurso porque está de saída, ou porque está muito equivocada.

Tudo roda em torno das gratuitidades aos domingos e feriados até às 14 horas, que em muitos casos são contestadas, especialmente em museus e monumentos que fazem parte de roteiros turísticos consolidados.

Podemos discutir se gostávamos de ter entradas grátis em todos os museus, como acontece com o Museu Berardo, mas seria curial colocar em local bem visível o custo dessa atitude, para não distorcer uma discussão que se quer séria.

Gabriela Canavilhas fala dos museus ingleses para exemplificar as virtualidades das gratuitidades, mas pode-se contrapor a realidade francesa, onde se paga, e onde temos uma melhor gestão museológica e onde o público é muito mais abundante, mas não vale a pena.

Alguém deveria recordar à senhora ministra que o Palácio Nacional da Pena, que é um monumento nacional e está sob a tutela do seu ministério, ainda que seja gerido por uma aberrante sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, não dá gratuitidades aos domingos e feriados a ninguém, excepto aos residentes no concelho de Sintra, e sobre isso a senhora ministra não se pronuncia.



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Imagem retirada da net


Imagem retirada da net

segunda-feira, agosto 30, 2010

FÉRIAS MAIS MODESTAS

Os portugueses estão a fazer este ano férias mais baratas, e mais perto de casa. Este é um sinal de que as coisas não estão para devaneios, porque a carteira está mais vazia.

As praias do rectângulo estão bem compostas, com bastante gente. As unidades hoteleiras também apresentam taxas de ocupação interessantes, e o mesmo se pode dizer dos restaurantes e congéneres das zonas balneares.

O busílis não está nos números que referi, o de veraneantes, mas sim do que estes gastam nesta época alta. Na realidade o volume de negócios é mais baixo e há uma diminuição de estrangeiros, compensada com um aumento de portugueses, que significa que os destinos longínquos tiveram menos adeptos.

Será que isto servirá para os nossos empregadores abrirem os olhos e perceberem que com mais cortes nos salários dos portugueses, a nossa economia ligada ao turismo e à hotelaria e restauração vai sofrer as consequências.



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segunda-feira, janeiro 28, 2008

O FINANCIAMENTO DOS MUSEUS

Já começa a ser um hábito ouvir-se falar da penúria a que se encontram votados os museus e o restante Património nacional, o que não se compreende é que ao mesmo tempo que se realça a importância da Cultura na atracção de fluxos turísticos, e o consequente arrecadar de verbas, se assita em paralelo à diminuição das verbas atribuidas pelo orçamento de Estado.
Que sentido faz virem proclamar com pompa e circunstância a exposição de obras do Hermitage, e até a criação de um pólo desse museu em terras lusas, se os nossos museus são forçados a ficar sem exposições por não haver margem orçamental para a sua execução?
A política para a Cultura é de claro desinvestimento, sendo um facto conhecido de que em 2007 serão atribuidos menos três milhões de euros para o funcionamento dos museus. Ainda estão no ar os ecos do Roteiro pelo Património, efectuado na semana passada, e já somos brindados com esta triste realidade, por um ministério para o qual foi prometido o mítico 1%, que afinal é só 0,4% do bolo a repartir por todos os ministérios. Claro que as promessas deste tipo soam sempre bem em campanha eleitoral, o pior é colocar em prática esses compromissos.

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FOTOGRAFIA
Max Snegirev

D!M

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Daryl Cagle

Christo Komarnitski