Quando escrevi o post anterior pensei nos meus visitantes habituais, não entrando em detalhes muito específicos que só são conhecidos por pessoal ligado aos museus e ao turismo. Pelos vistos fiz mal pois existem leitores mais conhecedores que também o leram e levantaram questões interessantes.
Quero deixar bem claro que o autor deste blogue está rodeado de amigos que trabalham nesses sectores (museus e turismo), sendo que sou também um amante de arquitectura e de História, factores que me levam a conhecer profundamente o nosso Património. Nem o autor do blogue nem os seus colaboradores são membros da APOM, que sabemos ser elitista por ser composta apenas por técnicos superiores e não ser aberta aos restantes profissionais ligados aos museus e à museologia.
Ao abordar a questão da gratuitidade aos domingos e feriados para os estrangeiros, numa altura de grandes apertos orçamentais, faço-o por julgar que é incompreensível, e não vejo que o enquadramento legal vigente seja um impedimento para a “discriminação positiva” que defendo neste momento.
Abordei o caso do Palácio Nacional da Pena, neste momento gerido pelos Montes da Lua, mas continuando a ser da responsabilidade do Estado, por ser um exemplo de como o enquadramento legal não impediu que toda a gente (nacionais e estrangeiros) pague sempre as entradas, à excepção dos residentes do Concelho de Sintra, um pouco à semelhança do que também acontece com o Castelo de S. Jorge em Lisboa.
Para enquadrar mais rigorosamente a minha discordância com a gratuitidade para os estrangeiros em todos os domingos e feriados, devo acrescentar que em diversos serviços dependentes do Ministério da Cultura, e falo de museus, palácios e monumentos, não há dinheiro para pagamento de trabalho extraordinário, e está a ser pedido “um esforço patriótico” da parte dos que asseguram a abertura destes serviços, no sentido de trocarem o trabalho aos feriados por igual tempo de folga, para além de serem forçados ao trabalho por turnos, para assegurarem maior tempo de abertura sem encargos para os serviços.
É óbvio que não estou a falar de membros da APOM, mas sim de outros profissionais a quem o ministério não respeita o direito a horários, nem compensa pela discriminação que pratica, atendendo à categoria que detêm e ao esforço que lhes exige.
É evidente que não espero que o diligente anónimo responda a este novo post, mas talvez possa levar o seu conteúdo ao conhecimento da senhora ministra, ou de alguém próximo dela, porque estou certo que ela não terá conhecimento desta realidade.
