segunda-feira, maio 08, 2017
TIRO AO LADO, PLUMA CAPRICHOSA
terça-feira, novembro 25, 2008
POBREZA
Começamos a ler em jornais e a ouvir nas rádios e televisões, falar-se dos “novos pobres”que aumentam de número a cada dia que passa. As explicações sugeridas são muitas e nem sempre coincidentes, embora retratem alguns casos reais, mas quase nunca indo bem ao fundo da questão.
É muito comum falar-se do excesso de endividamento e da dificuldade, ou mesmo na impossibilidade de cumprir este tipo de compromissos. É verdade que muitas pessoas chegaram a situações deste tipo, mas o importante mesmo é saber-se das razões porque aqui chegaram.
Sem pretender entrar em críticas inúteis ou em polémicas fáceis, eu pergunto-me se o modelo adoptado para a concessão de créditos não terá ido longe demais, e não terá facilitado este excesso de dívidas, usando a máquina publicitária de uma forma exagerada “pintando” em cores demasiado garridas facilidades e deixando em letras miudinhas os encargos inerentes às obrigações? Verdadeiramente, o que se tem passado é que as instituições de crédito, com tanto facilitismo e publicidade, também não têm acautelado devidamente a sua posição, um pouco à imagem do que se passou noutros países com os créditos de alto risco.
Ao risco dos créditos fáceis junte-se o modelo de legislação laboral, onde a precariedade predomina, e onde a segurança no trabalho é cada vez menor, e temos criadas as situações mais propícias para o endividamento das famílias e para o incumprimento nos pagamentos.
O resultado destas situações é simplesmente desastroso, porque todos sabemos que não existe uma rede social com capacidade para atender a todos os casos, o que terá consequências a outros níveis, especialmente se a crise económica durar muito tempo, que é o que se desenha por agora.



