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domingo, julho 08, 2018

BAIXOS SALÁRIOS E PRODUTIVIDADE


Quando ouço alguns empresários a falar sobre a falta de mão-de-obra para os seus empreendimentos, ou na baixa produtividade dos portugueses, sinto vontade de lhes perguntar quais serão as causas desses problemas.

Será que a baixa produtividade é a causa dos baixos salários praticados, ou apenas a sua consequência? E a falta de candidatos a muitas ofertas de emprego prendem-se com a falta de pessoal ou com as más condições de trabalho e os baixos salários oferecidos?

Existe sempre uma razão à disposição de quem se queixa, mas muitas vezes é difícil colocarmo-nos no lugar dos outros, para perceber a realidade.

O sector privado, e o público que o apoia sem qualquer rebuço, não hesita em premiar quem prejudicou a comunidade, bastando para isso estar em altos cargos, em detrimento de quem dá o litro, e a cara pelas instituições, mesmo sabendo que as chefias se estão a “vender” por bónus chorudos que lhes caiem no regaço, quer os resultados sejam positivos ou negativos.

Leitura recomendada AQUI



sábado, setembro 09, 2017

INJUSTIÇAS E REDISTRIBUIÇÃO



É sempre penoso verificar que muitos dos problemas da nossa sociedade derivam pura e simplesmente da má redistribuição da riqueza produzida, fruto da ganância e do assalto ao poder das classes com mais poder.

Nos nossos dias o dinheiro domina o poder, apesar de tudo estar bem disfarçado por um manto de Democracia que é mais ilusório do que real. Os partidos estão dominados por quem os patrocina e por quem garante locais de recuo depois da vida política, e tudo hoje se subordina à economia e aos seus interesses, sendo que os interesses dos cidadãos ficam sempre num plano inferior.

As grandes desigualdades servem para dividir a sociedade, onde uns quantos ganham bastante e são taxados bem pelo fisco, e outros ganham uma miséria pois apenas sobrevivem com os salários miseráveis que auferem. Não me esqueci dos que manobram tudo isto e que estão sempre na sombra, e fogem ao esforço exigido ao comum dos mortais.

As altas chefias, que são o braço armado de quem está na sombra, ganham bem e são bem taxados por esse motivo, e não podem (não deviam) queixar-se, porque colaboram na exploração dos seus subordinados, que têm apenas direito a salários baixos com os quais apenas sobrevivem.

Ouvir alguns, como Manuela Ferreira Leite e Miguel Sousa Tavares, a queixarem-se de pagar muitos impostos e não os ouvir dizer nada sobre os salários de miséria da grande maioria, é simplesmente patético e deprimente.



sexta-feira, dezembro 16, 2016

VEM AÍ UM ANO EXCEPCIONAL…

O ano que corre não foi dos melhores, ainda que segundo a comunicação social eu tenha visto o meu salário aumentar porque sou funcionário público, e terei sido um grande felizardo.

Confesso que não dei por melhorias e fazendo comparações com o ano de 2010 fiquei bem abaixo do que então recebera, quer em termos brutos quer líquidos.

Agora voltei a ler que vou receber em 2017 o mesmo que em 2010, ou até mais, porque me vão aumentar substancialmente o subsídio de alimentação.

Não sou muito versado em contas, mas mesmo considerando o “substancial aumento” de 25 cêntimos por dia trabalhado a partir de Janeiro, não consigo ver como é que isso vai compensar o aumento dos descontos para a ADSE, os aumentos de impostos entretanto verificados, já para não falar no raio da inflação acumulada nestes anos.


Será que vale a pena festejar?


segunda-feira, dezembro 12, 2016

DISPARIDADES SALARIAIS EM PORTUGAL?

Ainda há poucos dias se discutia o salário do novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, que para muitos (eu incluído), é simplesmente ofensivo para a maioria dos cidadãos portugueses que são afinal os accionistas do banco, mas os senhores que apoiam o governo decidiram (mal) manter o salário milionário prometido ao anterior titular.

Soube-se agora, oficialmente através de dados do Eurostat referentes a 2014, que Portugal é dos países europeus com maior disparidade salarial, não só entre os salários mais altos e os mais baixos, mas também entre os mais altos e a média do país, onde surge mesmo em 1º lugar.

Os senhores políticos que nos governaram, os que hoje nos governam, e os que os apoiam ou apoiaram, deviam neste momento apresentar desculpas aos portugueses e manifestar estarem envergonhados com esta realidade. O mesmo se aplica ao patronato reacionário e explorador que continua a contestar um aumento do salário mínimo que o leve a níveis de dignidade humana.


O problema não é a falta de dinheiro, como se percebe, mas sim a sua má distribuição, e aqui temos o papel regulador do Estado, que afinal não tem sido competente como ficou comprovado. 


quinta-feira, outubro 13, 2016

TIROS NOS PÉS

O orçamento de Estado para 2017. Por proposta do Governo, deverá prever o aumento acima da inflação para as pensões até 846 euros, o que merece a concordância de quase todos, os que sabem que, abaixo deste patamar já é difícil sobreviver com dignidade.

O Governo parece contudo ignorar que na mesma proposta de OE, pretende manter congelados os ordenados da função pública, e que há muita gente que ganha quantias abaixo deste valor, e que no seu conjunto os fp estão com os salários congelados desde 2009. Saberão os senhores ministros que há fp a ganhar o actual salário mínimo?

O anterior executivo, o de Passos Coelho, fez dos fp os maus da fita, e até acicatou a opinião pública contra eles, e este executivo, mesmo com falinhas mansas acaba por trilhar o mesmo caminho, tentado passar entre os pingos da chuva.


Com salários congelados, promoções igualmente congeladas, e com subsídios de alimentação no valor exorbitante de 4,27 euros, o futuro do executivo não nos parece ser promissor.

quinta-feira, abril 14, 2016

O SIMBOLISMO DOS CONTRASTES

Com a polémica do "amigo" de António Costa, Lacerda Machado, que estaria a representar o Estado sem qualquer relação formal (contratual), o 1º ministro acabou por tornar tudo mais claro com um contrato, como manda a regra da transparência.

Depois de ter dito que o "amigo" tinha, até então, colaborado sem custos, veio depois dizer que o custo do novo contrato teria um valor simbólico, soube-se agora que tem o valor de 2.000 euros mensais mais IVA.

Não se pode dizer que o "valor simbólico" de 2.000€ mensais mais IVA seja exorbitante, mas recordo que o ordenado mínimo nacional é de apenas 530 euros, ao qual não acresce nenhum IVA, mas sim alguns descontos.
 
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Primavera Rosa by Palaciano

PS - Estou em serviços mínimos, mas a ajuda dos amigos permite-me umas gracinhas...

sexta-feira, dezembro 11, 2015

SABER LER OS SINAIS



Boa parte da comunicação social está a avançar que este Natal está a mostrar-se melhor que os dos últimos anos, utilizando como argumentos os levantamentos e pagamentos feitos com cartões, e também algumas declarações de comerciantes das grandes cidades.

A conclusão, algo apressada diga-se, é de que os consumidores estão mais optimistas com o futuro do país, mas será que é mesmo assim?

Começando pela subida dos levantamentos e pagamentos com cartões, talvez seja bom referir que o turismo tem tido a sua influência, o que não tem sido levado em conta. Pode dizer-se exactamente o mesmo das declarações dos comerciantes das grandes cidades, é claro.

O contraponto do optimismo que nos pretendem incutir pode ser dado pela posição dos patrões que recusam um aumento do salário mínimo para os 530 euros, reclamando que as empresas não o conseguem suportar. Também é preciso ter em atenção o que pensam os portugueses dum salário mínimo de apenas 530 euros, porque a isso não é dado o devido relevo.


Gaivota by telemóvel

segunda-feira, outubro 06, 2014

TAMBÉM EU QUERO SER BEM PAGO SR. PRESIDENTE



De tempos a tempos lá vem um discurso sobre a necessidade de pagar melhor aos políticos, e são sempre esgrimidos diversos argumentos para tal, mas que se centram em duas simples ideias: fomentar a isenção e não dependência de outros interesses, e melhor qualidade de quem escolhe fazer política.

Não concordo com os dois argumentos, porque só devia escolher fazer política quem quer servir, logo estão à partida excluídos os que se querem servir, e a qualidade depende sobretudo dessa vontade de servir e do valor da palavra de quem escolhe essa actividade.

Quanto ao ordenado dos políticos, creio que deviam receber bem, tal como todos os que trabalham nas outras actividades, pois afinal, ou há moralidade…



sexta-feira, novembro 05, 2010

CULTURA E SALÁRIOS

Nada tenho contra o projecto da Capital Europeia da Cultura 2010, em Guimarães, nem contra a valorização do nosso património e divulgação do mesmo. Não sei se vamos gastar muito ou pouco na preparação deste evento, nem posso fazer um juízo realista porque não sei o que se vai fazer em concreto.

A minha ignorância sobre as verbas destinadas ao evento, não obsta a que considere que 14.300 euros mensais de salário, para a presidente da Fundação Cidade de Guimarães, um exagero tendo em conta os salários praticados na função pública.

Poucas vezes concordo com a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, mas concordo que é “demais” e “inaceitável” este salário. Lamento que o autarca vimaranense, António Magalhães, que valoriza as “altas qualificações” de Cristina Azevedo, e que diz que “quem quer a nata tem que assumir essa responsabilidade”, como se os méritos se esgotassem na pessoa dessa senhora, que nem conheço.

Um salário de 14.300 euros até pode nem ser muito elevado, mas temos que ter em atenção que estamos num país onde o salário mínimo ainda está abaixo dos 500 euros mensais, e onde existe um grande desemprego. Temos que ter em conta a realidade, antes de tudo mais.



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sábado, outubro 30, 2010

RAPIDINHAS

A verdade – Com a campanha que foi orquestrada pelo governo e por alguns comentadores políticos e económicos, ficou a sensação de que os funcionários públicos auferiam, no geral, chorudos salários de vários milhares de euros, e sem fazer nada. Afinal só 48% auferem mais do que 1.500 euros, isto apesar da percentagem de funcionários com habilitações superiores ser ainda maior do que os tais 48%. Demorou, mas lá veio alguma verdade ao conhecimento público.

O acordo – O acordo PS-PSD que se tinha transformado num folhetim informativo e num circo político e mediático com consequências graves para a economia do país, terminou. O Zé já tinha previsto que os dois partidos do centrão iam aprovar o OE de 2011, por muito que levantassem escolhos à sua aprovação, pretendendo assim demonstrar que eram menos iguais do que todos julgamos. Aí está.



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