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domingo, julho 08, 2018

BAIXOS SALÁRIOS E PRODUTIVIDADE


Quando ouço alguns empresários a falar sobre a falta de mão-de-obra para os seus empreendimentos, ou na baixa produtividade dos portugueses, sinto vontade de lhes perguntar quais serão as causas desses problemas.

Será que a baixa produtividade é a causa dos baixos salários praticados, ou apenas a sua consequência? E a falta de candidatos a muitas ofertas de emprego prendem-se com a falta de pessoal ou com as más condições de trabalho e os baixos salários oferecidos?

Existe sempre uma razão à disposição de quem se queixa, mas muitas vezes é difícil colocarmo-nos no lugar dos outros, para perceber a realidade.

O sector privado, e o público que o apoia sem qualquer rebuço, não hesita em premiar quem prejudicou a comunidade, bastando para isso estar em altos cargos, em detrimento de quem dá o litro, e a cara pelas instituições, mesmo sabendo que as chefias se estão a “vender” por bónus chorudos que lhes caiem no regaço, quer os resultados sejam positivos ou negativos.

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terça-feira, novembro 10, 2015

CONTRATOS E COMPETITIVIDADE



Estava hoje a falar com um amigo sobre competitividade e saltou para a mesa a sua longa experiência no sector público e privado, onde ocupou posições de chefia intermédia.

Dizia ele que durante os últimos 25 anos viu passar pelos serviços mais de uma centena de jovens, com boa formação académica, em programas de tempos livres, com programas ligados ao IEFP, com contratos a prazo, com programas de aquisição de serviços a empresas de serviços temporários, em estágios remunerados e não remunerados, e até com falsos recibos verdes. Nunca houve por parte da administração, pública, ou privada, qualquer intenção de integrar nenhum dos muitos jovens e menos jovens com que ele lidou.

No início de funções quase todos mostram grande vontade de aprender e colaborar (ainda têm ilusões), cerca de três meses depois estão preparados para responder às solicitações, fase que dura uns dois ou três meses, começando então a fase em que se apercebem da realidade, e o desempenho começa a ficar proporcional ao nível de esperança em ficar nos quadros do serviço.

Ao final do dia fui ao supermercado e quando comentei a falta de reposição de artigos constantes do folheto promocional, a menina da caixa diz bastante desanimada que vai ser dispensada no final do mês, altura em que termina o seu contrato, que no total teve 18 meses.

Todos percebemos que a mão-de-obra é na maioria dos casos, para usar, abusar e deitar fora quando os benefícios dados pelo Estado terminam. Lamento a gulodice de muitos empresários deste país, e de políticos também, que tentam fazer-nos acreditar que os contratos a prazo são para situações de picos de actividade, ou para movimento sazonal, porque é uma descarada mentira.

PS- Para que conste, o Estado tem falsos recibos verdes, e não vemos os dirigentes máximos dos serviços condenados pela ilegalidade nessas situações, o que é indecente.



quinta-feira, dezembro 22, 2011

ESTRATÉGIAS ERRADAS, MAUS RESULTADOS

De há bastante tempo a esta parte, a estratégia seguida por uma elite liberal tem sido a de precarizar o trabalho, diminuir os direitos laborais, diminuir os salários, aumentar os horários de trabalho e enfraquecer a segurança social.

A combinação de todos estes ingredientes é sempre justificada por imperativos económicos, de competitividade e de aumento de produção com a diminuição dos custos do trabalho.

Esta estratégia resulta da abertura dos mercados e da deslocalizações dos últimos 10 ou 15 anos, que propiciaram o crescimento de outras economias até então incipientes, e onde os direitos laborais e segurança social não existem ainda.

Será que o liberalismo destes senhores governantes leva as economias ocidentais a algum lado, continuando a querer esmagar os direitos dos trabalhadores e destruindo a segurança social que caracterizava a Europa?

Não creio que esta estratégia leve a bom porto, porque a partir dum determinado patamar de esforço exigido, em que os trabalhadores deixam de ter esperança num futuro melhor, acontece a desmoralização e a produtividade não recupera de modo nenhum.

CARTOON
Outro Zé Natal

FOTOGRAFIA

segunda-feira, maio 16, 2011

MOTIVAÇÃO

"Cipião estava na Península Ibérica quando lhe foi apresentada uma cativa. Era uma criada de origem nobre, cuja beleza chamava a atenção. Cipião permitiu que ela regressasse para junto do noivo... e ofereceu ao casal, como prenda de casamento, o ouro que os seus pais haviam dado como resgate. A tribo ficou tão espantada com a sua conduta que passou a defender a causa do povo romano."

Frontino, Estratagemas 2.9.5


Numa altura em que se diz querer relançar a economia do país e motivar os portugueses para serem mais produtivos para "levantar" Portugal, esta acção de Cipião o Africano é um bom exemplo.

Esta frase é dedicada aos políticos, patrões e economistas, que bem podiam aprender com a História, porque para os restantes cidadãos, que vivem neste mundo real, basta recordar a sabedoria popular: "Com vinagre não se apanham moscas".

CARTOON

quarta-feira, junho 16, 2010

OS PRODUTIVOS

Portugal empatou com a Costa do Marfim, num jogo que decorreu durante a tarde de ontem, o que não permitiu que a grande maioria dos trabalhadores portugueses pudessem assistir à partida pela televisão.

Nos dias que antecederam o desafio foram publicados estudos que pretendiam contabilizar os milhões que se perdiam por causa deste mundial de futebol. Por coincidência também se discute a redução dos feriados e as maneiras de evitar as pontes, tudo em prol da produtividade.

Deputados, gestores e patrões diziam-se preocupados com o que se perdia em produtividade por causa do mundial. Pois é, os mesmos que se preocupavam com a produtividade enfiaram-se nos gabinetes a ver o futebol, ou simplesmente ficaram em casa assistindo refastelados ao encontro enquanto o Povinho trabalhava para eles.

A produtividade onde trabalho não foi beliscada, ainda que os maiorais tenham ficado quase todos em casa e os dois que deram as caras tenham ido assistir ao desafio na televisão do refeitório, onde nenhum outro funcionário podia aceder durante a tarde, conforme aviso superior afixado junto ao relógio de ponto.

Adoro esta preocupação com a produtividade do país, por parte de quem nada contribui para ela.

PINTURA AFRICANA



CARTOON
Patrick Chappatte

Jonathan Shapiro, "Zapiro"

quinta-feira, junho 26, 2008

O RETROCESSO

Uma das propostas do novo código laboral é precisamente a dos horários concentrados que visa permitir que se possa chegar às 36 horas de trabalho em apenas três dias. Esta proposta é difícil de sustentar quer em termos de eficácia e produtividade, quer ainda em termos sociais e de equidade na relação trabalhador/empregador.

O Estado enquanto regulador das relações laborais, desculpem se me enganei, não deveria nunca propor uma medida que apenas favorece uma das partes envolvidas nesta questão, e é precisamente isso que resulta desta proposta. Repare-se que esta “flexibilização de horário” depende do acordo entre patrão e empregado, sabendo-se à partida que este ou aceita ou fica em maus lençóis. O benefício para o patrão é bem evidente já que deixa de ter encargos com o trabalho suplementar, e o que é que ganha o trabalhador com isto? Dizem-me que é o “descanso” quando a entidade patronal o permitir.

A regulamentação dos horários de trabalho visou sempre compatibilizar os tempos de trabalho e os de descanso, de modo a se obter uma melhor produtividade e um equilíbrio social e familiar. Agora, e com esta proposta, “esticam-se” as horas de trabalho, afectando naturalmente as rotinas familiares, e é muito duvidoso que a produtividade venha a aumentar, porque está provado que a partir de determinado tempo de trabalho, cerca de 7 horas, a concentração diminui, o risco de erros e acidentes aumenta e a produtividade baixa.

Concluindo, temos que esta medida apenas visa cortar custos no que se prende com o trabalho suplementar, e nada mais. O governo optou por favorecer o patronato neste item, mas para além de cortar um rendimento extra dos trabalhadores, nada mais vai conseguir em termos de produtividade ou de satisfação de quem quer que seja. Estamos perante um claro retrocesso civilizacional.



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PINTURA

sweeping tree2 by *warnertoddjames

sweeping tree by *warnertoddjames
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CARTOON
Nedal Deep
Nedal Deep