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quinta-feira, dezembro 20, 2018

TODOS CONTRA O SISTEMA


O que transparece das inúmeras contestações que vão surgindo um pouco por todo o lado, não se confina apenas em problemas sectoriais, que existem, mas de questões que são transversais na nossa sociedade.

Muitos portugueses questionam-se sobre o sistema actual, a que se convenciona chamar de Democracia, mas onde temos um Governo com o apoio das esquerdas, mas que em vários dossiers é apoiado pelo maior partido da direita, e que em geral é também suportado por um Presidente que nem hesita em “acalmar” os camionistas tentando evitar a sua adesão às manifestações inorgânicas que se perfilam para amanhã.

Marcelo Rebelo de Sousa, sempre muito activo, acabou por sintetizar a situação, dizendo que “é preferível a segurança da democracia ao aventureirismo de realidades fora do sistema”. Outra citação curiosa do Presidente foi”é preferível a segurança da democracia, na diversidade de opiniões, ao aventureirismo de realidades fora do sistema”.

O que está em causa é exactamente o sistema, não só pela péssima qualidade dos políticos, como também pela impunidade com que actuam, como é público e notório. Uma classe que se refugia em estatutos e regulamentos que desprezam a ética e a decência, não merece a confiança do povo.

Os protestos de natureza inorgânica são isso mesmo: um desafio aos partidos do sistema, que ou mudam ou são responsáveis pelo caos que se pode instalar.

Nota: Não faço parte desta acção dos coletes amarelos, mas estou muito descontente com a situação que se vive.


domingo, novembro 06, 2016

A (IN)SEGURANÇA NOS MUSEUS



O Museu de Arte Antiga e a falta de segurança dos museus em geral voltaram a ficar debaixo de fogo, mais uma vez, e agora porque um visitante derrubou uma escultura no MNAA.

Quem anda dentro da realidade destas coisas (museus) sabe que os primeiros domingos de cada mês, por causa das entradas grátis durante todo o dia, são dias de grande afluxo de visitantes e de grande tensão para os funcionários de serviço, que são em número insuficiente.

Dando um salto à página da DGPC onde estão os Mapas de Pessoal de cada museu ou monumento, vemos números que nos podem enganar, pois pode parecer que existe pessoal suficiente para fazer uma guardaria aceitável, mas não é bem assim.

Vejamos o caso do MNAA onde, segundo o Mapa de Pessoal existem 38 assistentes técnicos, mas que segundo o seu director apenas 20 desempenham funções de guardaria. Outros serviços da DGPC apresentam situações idênticas, porque há vigilantes que estão a desempenhar funções administrativas, outros a desempenhar funções nos serviços educativos, outros em lojas e bilheteiras, e outras situações ainda mais difíceis de perceber.

Sendo que quase todos foram admitidos para exercer funções de vigilância, a verdade é que nem todos desempenham essas funções, e por essa via também não trabalham aos domingos e feriados como os outros. O que é que resulta disto?

O que resulta é um grande descontentamento dos que são sobrecarregados com trabalho sem condições e em número mais do que insuficiente, auferindo o mesmo salário que os colegas isentos de trabalho aos sábados domingos e feriados, mas sem as mesmas regalias.

Outra consequência desta situação absurda, que os dirigentes da DGPC e dos museu e monumentos conhecem bem, é a dificuldade em fixar pessoas nestas funções (Vigilância, Bilheteira e Lojas), pois as últimas admissões já mostraram que os candidatos admitidos só desejam adquirir a categoria, após o que pedem transferência para serviços com melhores horários e com outras possibilidades de progressão, coisa que na Cultura é uma verdadeira impossibilidade.

Claro que podia falar da responsabilidade de quem organiza a exposição das peças e não acautela a sua segurança, tendo em conta a realidade existente, mas isso é outra matéria mais delicada, que não me apetece esmiuçar neste artigo.   


Fotografia retirada da internet

domingo, fevereiro 01, 2015

O FIM DESTA EUROPA



Muitos dos políticos bem instalados no poder por esta Europa fora, ainda não perceberam o que se está a passar em quase todos os países, e que está ligado com as políticas seguidas nos últimos anos.

O que se passou na Grécia, com a vitória eleitoral do Syrisa, tem sido desvalorizado por muita gente, que prefere desvalorizar o sucedido, reduzindo tudo ao mau comportamento dos gregos ao nível económico, e dizendo que a extrema-esquerda será esmagada porque os credores podem simplesmente cortar a torneira do crédito ao país.

O maior problema desta Europa, anunciada como da solidariedade, é precisamente a desigualdade que está a aumentar a cada dia que passa. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior e muitas das suas causas prendem-se com a moeda única, com as imposições dos mais fortes, e com as políticas cegas de austeridade.

Se na Grécia apareceu o Syrisa, em Espanha veio o Podemos, na França e noutros países europeus estão a ganhar adeptos partidos ainda mais extremistas que desafiam o poder instituído, e ou se mudam as políticas e se governa para os povos, ou então esta Europa implode.



sexta-feira, dezembro 07, 2012

O QUE DIZ A OIT



Há constatações interessantes no relatório bienal da Organização Internacional do Trabalho, que deviam merecer alguma atenção dos governantes deste país, e da troika que dita as medidas que Passos Coelho segue tão à risca que chega mesmo a ir mais longe.


Sem se referir particularmente a Portugal, o director-geral da OIT,Guy Ryder, diz que «este relatório mostra claramente que, em muitos países, a crise teve um forte impacto nos salários e, por consequência, nos assalariados», na linha do que consta no relatório, onde se lê que a situação tem provocado «descontentamento popular e aumenta os riscos de problemas sociais.


Também se pode ler no relatório que, na última década, a produtividade aumentou a um ritmo maior do que os salários, o que significa que os trabalhadores estão a beneficiar menos com o seu trabalho, a favor dos proprietários do capital, que ganham mais. Também lançam um alerta para o facto de “determinados dirigentes empresariais continuarem a receber remunerações exorbitantes”.

Não sei se alguém deste governo leu este relatório, mas faziam bem em ler, para mais tarde não se manifestarem surpreendidos com a escalada de problemas sociais, porventura de cariz mais violento do que o que tem acontecido até agora.


CARTOON
Tosho Borakovich

quarta-feira, setembro 15, 2010

CONTESTAÇÃO

Os dirigentes políticos já não estão habituados à contestação sem aviso, e sem enquadramento partidário. Nos últimos anos toda a contestação tem tido origem em grupos organizados de algum modo ligados aos partidos políticos, e por isso facilmente detectados e bastante previsíveis.

A contestação estudantil tem-se pautado pelas mesmas regras, mas ontem as coisas saíram um pouco do padrão e tanto Sócrates como Mariano Gago foram realmente surpreendidos pela contestação de estudantes relativa à acção social.

Esta manifestação, pacífica e inesperada fez-me recordar velhos tempos em que estas acções estudantis eram preparadas em segredo (não podia ser de outro jeito), e iludindo sempre as autoridades que andavam sempre em cima dos mais contestatários.

Mariano Gago tentou desvalorizar e desacreditar o sucedido alegando que “ quem quer fazer valer as suas opiniões disputa eleições e ganha-as, inclusivamente nas associações de estudantes”, mas todos sabem que aí pontificam as ramificações partidárias e a participação cívica só é aceite dentro da lógica da política partidária e não de acordo com as necessidades dos estudantes.

É deste tipo de contestação que os nossos políticos têm medo, pela imprevisibilidade das suas acções e pela empatia que criam no meio em que se desenvolvem estas acções.



FOTOGRAFIA


CARTOON
Vêm lá os otários

sexta-feira, abril 18, 2008

RAPIDINHAS

Cultura – Dia 18 de Abril comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e o tópico deste ano é “Património Religioso e Espaços Sagrados”. O programa completo para este dia está à disposição do público AQUI, e estende-se por quase todo o país, pelo que vale a pena consultar. Não é o programa que eu gostaria de anunciar aqui, mas com o constrangimento de verbas e com as dificuldades existentes, talvez seja o que é possível. Lamento também salientar que os Palácios Nacionais também ficaram de fora destas comemorações, pelo menos os que transitaram para o Instituto dos Museus e da Conservação, o que é de algum modo incompreensível.

Descontentamento – O descontentamento popular e a insatisfação que paira no ar, não é já enquadrável nas reivindicações sindicais, nem encontrou paliativos no acordo entre os professores e o ministério, ou sequer na baixa anunciada do IVA em 1%. O problema prende-se com dois factores que se agravaram nos últimos anos, que são a perda de poder de compra devido à degradação dos salários, e o aumento do desemprego. Os problemas ultrapassaram a sua vertente reivindicativa e sindical, transformando-se em verdadeiras chagas sociais. Quando nem os salários de quem trabalha garantem a subsistência familiar e o honrar dos compromissos, estamos perante um grande desequilíbrio social que é um caldo onde a revolta germina e pode eclodir quando menos se espera.


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HUMOR DO GORAZ


Um amigo compreensivo?...

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FOTOGRAFIA

Oh Glorious Spring by *LadyAliceofOz

strange flower by fulfi

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CARTOON

Al-Gayeb

Slavomir and Richard Svitalsky