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segunda-feira, março 12, 2018

OS POBRES CONTINUAM POBRES



Quando muito se fala de crescimento, de aumento do emprego, e de alívio do cinto, importa muito saber se este aumento de riqueza teve uma justa repartição ou se pelo contrário se assistiu a uma maior concentração da riqueza.

Os investigadores do ISCTE foram acompanhando um grupo de pessoas em situação de pobreza e depois de alguns anos verificaram que muito poucos conseguiram sair da pobreza, mesmo depois de arranjarem emprego.

Diversas ilações podem ser tiradas sem grandes dúvidas, começando desde logo pela constatação de que o trabalho não garante a saída da pobreza, de que a riqueza continua a ser mal distribuída, e que o tal alívio do cinto não foi igual para todos.

Quem acredita que o mercado se auto-regula deve repensar as suas ideias, quem acredita que o patronato quer empregados felizes deve considerar outra medicação, e quem acreditou que este governo ia mudar o paradigma deve questionar-se.



terça-feira, janeiro 17, 2017

PORQUE SINGRAM OS POPULISTAS?

Há quem faça esta pergunta, e há os que se admiram por aparecer cada vez mais gente a querer acabar com o “sistema”.

As perguntas só podem vir de quem tem boa situação económica, quem está mal informado, ou de quem faz parte do “sistema”.

As respostas estão na constatação de factos tão evidentes como, “apenas 1% dos mais ricos detinham em 2015 mais riqueza que o resto do planeta”, ou “oito pessoas têm agora tanta riqueza como a metade mais pobre da população mundial”.

Quem pode recriminar os que decidem apoiar quem diz querer mudar o “sistema” e embrulha isso com promessas tentadoras?


Os partidos que têm partilhado o governo parece não terem percebido que falharam sempre na sua tarefa primordial que é a de saber repartir a riqueza criada por via da carga fiscal, evitando assim o que é cada vez mais indecente e insustentável , que são as assimetrias cada vez mais mais gritantes.


terça-feira, junho 21, 2011

COMPARAÇÕES FATAIS

Portugal está a atravessar uma crise enorme, ninguém duvida disso, mas como não estamos sós no mundo, nem na Comunidade Europeia, são muitas as vezes em que alguns pretendem estabelecer paralelos entre o nosso país e os outros.

É vulgar ouvir da boca de alguns iluminados que há países onde se desconta mais para a Segurança Social, que há outros em que a produtividade é maior, ou ainda que pagamos menos IVA no gás e na energia eléctrica do que alguns parceiros europeus.

Há sempre quem se julgue iluminado ou que os outros são menos dotados de inteligência, mas as coisas não são assim e os termos de comparação podem ser muito diversos e a verdade acaba sempre por surgir, por mais malabarismos estatísticos que se façam.

Por acaso, nada mais do que isso, hoje foi conhecido um relatório preliminar do Eurostat sobre o poder de compra, e como é evidente os portugueses estão no topo do ranking dos países com mais baixo poder de compra da zona euro, apenas batidos por países de “alto gabarito”, como sejam a Bulgária, a Roménia e a Letónia.

Com as medidas que já se perfilam no horizonte próximo para Portugal, é fácil prever que ainda possamos “subir” neste ranking fabuloso, sem que a Justiça encontre culpados que nos tenham conduzido a este patamar da (má) fama.


FOTOGRAFIA
By Palaciano

CARTOON
Prevenido

domingo, abril 17, 2011

O TOQUE DE MIDAS

Era uma vez um rei muito rico chamado Midas. Ele possuía mais ouro do que qualquer outro no mundo inteiro, mas ainda assim não estava satisfeito. Nada o deixava mais feliz do que conseguir acrescentar um pouco mais à sua riqueza. Mantinha-o todo guardado em enormes cofres nos subterrâneos do palácio, e passava muitas horas por dia contanto e recontando seu tesouro.

O Rei Midas tinha uma filhinha chamada Áurea. Amava-a com verdadeira devoção, e dizia: "Ela será a princesa mais rica do mundo!"

Mas a pequena Áurea nem se importava com isso. Adorava seu jardim, as flores e o sol, mais do que a riqueza do pai. Ficava sozinha a maior parte do tempo, pois o pai estava sempre ocupado, buscando novas formas de conseguir mais ouro, e contando o que já possuía, de tal sorte que quase nunca tinha tempo para contar-lhe histórias ou passear, conforme deveriam fazer todos os pais.

Um dia, o Rei Midas estava na sala do tesouro nos subterrâneos do castelo. Havia trancado as pesadas portas do aposento e aberto os enormes baús. Despejou todo o conteúdo sobre a mesa e pôs-se a brincar com o ouro como se o simples toque o deixasse satisfeito. Fazia-o escorrer entre os dedos e sorria ao ouvir o tilintar das peças, qual doce melodia. De repente, uma sombra se projectou sobre a pilha de objectos. Ao levantar os olhos, deu com um estranho trajando roupas brancas brilhantes e sorrindo para ele. Soergueu-se, surpreso. Não se esquecera de trancar as portas! O tesouro, então, não estava seguro! Entretanto, o estranho continuou sorrindo.

- Vossa Excelência tem muito ouro - disse ele.

- Tenho, sim - disse o rei -, mas é pouco comparado a todo o ouro que existe no mundo!

- Ora! Esse ouro todo não satisfaz a Vossa Excelência? - Perguntou o estranho.

- Ora, essa! - Respondeu o rei - Mas é claro que não estou satisfeito. Passo longas noites acordado planejando novas formas de conseguir mais. Gostaria de poder transformar em ouro tudo que toco.

- É isso que Vossa Excelência realmente deseja?

- Claro que sim! Nada haveria de deixar-me mais satisfeito.

- Pois o desejo de Vossa Excelência será atendido. Amanhã de manhã, quando os primeiros raios de sol entrarem nos aposentos, Vossa Excelência terá o toque de ouro.

Ao terminar de falar, o estranho desapareceu. O Rei Midas esfregou os olhos.

- Devo ter sonhado - disse ele -, mas como eu ficaria feliz se isso fosse verdade!

No dia seguinte, o Rei Midas acordou quando a primeira luz do dia se fez presente em seus aposentos. Esticou a mão e tocou as cobertas da cama. Nada aconteceu. - Eu sabia que não poderia ser verdade - exclamou, desapontado. Naquele exacto momento, entraram pelas janelas os primeiros raios de sol. As cobertas onde estava encostada a mão do rei transformaram-se em ouro puro. - É verdade! É verdade! - gritou ele, muito contente.

Saltou da cama e correu pelo aposento tocando em tudo que havia. O manto real, os chinelos, os móveis, tudo virou ouro. Foi até a janela e olhou para o jardim de Áurea. - Vou fazer-lhe uma boa surpresa - disse ele. Desceu ao jardim e tocou todas as flores da filha, transformando-as em ouro. - Ela ficará muito satisfeita - pensou.

Voltou aos seus aposentos para aguardar a chegada do café da manhã; e dispôs-se a retomar a leitura da noite anterior, mas assim que suas mãos tocaram o livro, o objecto se transformou em ouro maciço. - Não posso ler, assim - disse o rei -, mas, ora, é bem melhor ter um livro de ouro.

Naquele exato momento, um criado entrou nos aposentos, trazendo-lhe o café da manhã. - Que beleza! Vou começar pelo pêssego, que está vermelhinho de tão maduro.

Pegou-o então, mas, antes de conseguir comê-lo, já se havia transformado num pedaço de ouro. O Rei Midas o colocou de volta no prato. - É muito bonito, mas não posso comê-lo! - Disse ele. Pegou uma broa de pão, mas também ela se transformou em ouro. Colocou a mão no copo de água, mas tudo virava ouro. - O que vou fazer? Tenho fome e sede. Não posso comer nem beber ouro!

E logo a pequena Áurea entrou em seus aposentos. Ela estava chorando, muito sentida, e trazia nas mãos uma das rosas.

- O que houve, filhinha?

- Ah, papai! Veja o que aconteceu com minhas rosas! Estão todas duras e feias!

- Ora, são rosas de ouro, filha. Você não acha que estão mais bonitas agora?

- Não - disse ela, soluçando. - Não têm mais o agradável perfume que tinham. Não crescerão mais. Gosto de rosas vivas.

- Não se preocupe - disse o rei -, venha tomar seu café.

Entretanto, Áurea percebeu que o pai não comia, e que estava triste. - O que houve, meu querido pai? - Perguntou ela, aproximando-se. Deu-lhe um abraço, e ele a beijou. Mas, de repente, o rei soltou um grito de pavor. Ao tocá-la, o lindo rostinho transformou-se em ouro brilhante, os olhos não viam mais, os lábios não conseguiram beijá-lo também, os bracinhos não o estreitaram. Deixou de ser uma adorável e carinhosa menina; transformara-se numa estatueta de ouro.

O Rei Midas baixou a cabeça e os soluços o sobrepujaram.

- Vossa Excelência está feliz? - Alguém perguntou. O rei levantou a cabeça e viu o estranho de pé a seu lado.

- Feliz! Como te atreves a perguntar uma coisa dessas? Sou o homem mais triste na face da terra! - Disse o rei.

- Vossa Excelência tem o toque de ouro. E isso não basta?

O Rei Midas não tornou a olhar para o estranho, nem respondeu.

- O que Vossa Excelência prefere: comida e um copo de água fresca ou essas pedras de ouro? - Disse o estranho.

O Rei Midas não conseguiu responder.

- O que prefere ter, ó Majestade? Aquela estatueta de ouro ou uma menina que pode correr, rir e amá-lo?

- Ah, devolva-me minha filhinha Áurea e eu abdicarei de todo o ouro que tenho! - Disse o rei. - Perdi a única coisa que realmente me valia ter.

- Vossa Excelência demonstra agora mais sabedoria do que antes - disse o estranho. - Vá mergulhar no rio que passa nos fundos do jardim, e depois leve um pouco da água para jogar sobre tudo aquilo que deseja ter de volta ao normal.

O estranho, então, desapareceu.

O Rei Midas levantou-se rapidamente e foi correndo até o rio. Mergulhou, pegou um bocado de água e retornou ao palácio. Jogou-a sobre Áurea e as cores voltaram a iluminar seu rosto. Ela tornou a abrir os olhinhos azuis. - Ora, papai! - Disse ela - O que aconteceu?

Chorando de alegria, ela a pegou no colo.

Depois disso, o Rei Midas nunca mais se preocupou com ouro algum, a não ser o ouro que existe no brilho do sol e nos cabelos da pequena Áurea.

Adaptação de O livro das maravilhas, de Nathaniel Hawthorne (DAQUI)

CARTOON


FOTOGRAFIA
By Palaciano

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

SOMOS RICOS?

Um país com baixos salários, com uma economia à beira do descalabro, com impostos sobre os automóveis dos mais altos, só faltava mesmo ter-mos também uma das gasolinas mais caras dos 27.

Já foi divulgado que a gasolina à saída da refinaria da Galp já sai cara, mas ainda temos que adicionar a isso os impostos que são enormes, para se considerar que andar de carro é um luxo. É preciso conhecer Portugal para ter uma ideia sobre a má qualidade dos transportes públicos e as suas deficiências para não se falar no luxo de ter um automóvel.

Podemos estar ainda atrás da Dinamarca, da Holanda e da Finlândia no que toca à carestia da gasolina, mas estamos muito mais para trás no que respeita a nível de vida, salários e outros aspectos como a segurança social.

É inevitável dizer-se que só estamos no pelotão da frente das coisas más, no que interessa estamos sempre na cauda do pelotão.



PINTURA
"Lonely Bicycle" Oil by Leonidafremov

SOURCE by Leonidafremov


CARTOON

terça-feira, abril 08, 2008

TRABALHAR JÁ NÃO BASTA...

As dificuldades económicas de quem trabalha por conta de outrem chegaram a um patamar muito preocupante, porque os salários já não garantem em muitos casos, condições de vida dignas e fuga do estado de pobreza. Os dados vindos a público já esta semana, confirmam isto mesmo, revelando existirem centenas de milhares de cidadãos, que mesmo estando empregados são forçados a recorrer a subsídios e a outros tipos de ajudas sociais para proverem ao sustento das respectivas famílias.

Hoje em dia já não estão no limiar da pobreza só os excluídos e os desempregados, mas até os que trabalham e auferem os salários de miséria que muitos empregadores praticam. Isto é uma vergonha que o governo e as associações patronais deviam ter em linha de conta, quando dizem que querem alterar o código do trabalho, e quando dizem que a produtividade dos portugueses é baixa.

Como podem os governantes deste país dizer que são socialistas, ou sociais-democratas quando a situação é tão má como se pode constatar? Não me consta que os países que nos dão como exemplo de modernidade e alta produtividade tenham situações similares, ou será que na Finlândia, ou na Dinamarca os patrões agem também deste modo?

A fome não é boa conselheira, disso eu tenho a certeza. Cuidem-se pois os que nos conduzem para este beco de miséria, porque algum dia isto terá que mudar, e não me parece que seja por vontade de quem manda, mas sim por iniciativa de quem já não aguenta mais ser explorado.


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FOTOGRAFIA

gitte ls landbo

Gitte L S Landbo

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CARTOON

Sergei Tunin, Russia

Simanca Osmani