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quinta-feira, abril 19, 2018

AS PRIORIDADES DE CENTENO

Mário Centeno, o mesmo que chegou a ser apelidado de Cristiano Ronaldo das Finanças, é apenas mais um político ambicioso, na linha de Durão Barroso e de Vítor Gaspar, que não hesitaram em usar os seus cargos nacionais para conseguir um lugar em instâncias europeias, muito melhor remunerados e com uma projecção que lhes garante o futuro profissional.

Os feitos deste Ronaldo, muito ligados à pressão dos parceiros de esquerda do Governo, e ao aumento das receitas do turismo, não são devidos a uma excepcional habilidade do ministro, cujo pensamento está a milhas do que se passou nestes anos iniciais do executivo de António Costa, basta ler os seus escritos.

O último exemplo do que afirmei foi a reacção inicial do ministro Centeno quanto aos aumentos dos funcionários públicos, que segundo ele não aconteceriam nem em 2019, para não fazer perigar a recuperação económica, e agora sem mais nem porquê, admite que se for necessário ajudar o Montepio, está disponível, ainda que não se conheçam sinais dessa necessidade, pelo menos dados pelas autoridades reguladoras.

Foi um passo em falso do ministro, mas deu para perceber bem as suas prioridades...


segunda-feira, maio 11, 2015

AS NOSSAS ELITES

Sempre achei que as empresas e os países vão em frente, e desenvolvem-se à custa do suor e do empenho de gente comum, que dá o litro, quase sempre sem o reconhecimento devido, das chefias e das elites governantes.

Como dizia alguém, “o papel das elites é formular as necessidades que as populações sentem”, mas na realidade o que as elites defendem é a economia, a começar pelos seus agentes, que quase sempre são a origem dos problemas da própria economia.


As elites estão hoje ao serviço da economia, e cada vez mais longe das necessidades das populações, o que tem sido fatal para o desenvolvimento harmonioso das sociedades. As divergências e os conflitos tendem a agudizar-se, e como as elites não mudam por si mesmas, as rupturas serão inevitáveis a curto ou médio prazo, derivando das assimetrias que as elites fomentam… 


segunda-feira, abril 06, 2015

AMBIÇÃO



Aquele que canta e ri; não se embaraça
Com essas coisas vãs que o mundo adora
Este (oh, cega ambição!) mil vezes chora
Porque não acha bem que o satisfaça.

Bocage


sábado, outubro 04, 2014

PRECONCEITO E PRIORIDADES



Regra geral os homens são responsabilizados pela descriminação das mulheres no plano laboral, o que para mim é um tiro ao lado, porque não se trata dum preconceito sexista que está em causa mas sim algo muito diverso.

Estava eu a ler um jornal espanhol quando deparei com uma notícia que dá algumas pistas que podem mudar esta visão muito limitada da descriminação das mulheres nas empresas. Uma responsável pelos empresários, sim uma mulher, não hesitou em declarar que preferia contratar uma mulher com mais de 45 anos em vez de uma com menos de 25 anos para evitar “o problema” de poder ficar grávida.

A nossa sociedade foi capturada pelas teorias economicistas, e o lucro a qualquer custo não admite que a realização pessoal, o bem-estar e a segurança no emprego são factores que motivam e que contribuem para o aumento da produtividade. A visão dominante só se preocupa com números e com o lucro e nada mesmo com os aspectos sociais, e isso nada tem que ver com opções sexistas.


 CARTOON


terça-feira, abril 23, 2013

DOMÍNIO



Sempre existiu um perigo real de haver um país com ascendente militar ou económico, que usasse essa vantagem para subjugar outros países. A Alemanha já teve essa ambição e o resultado foi a guerra, que tantas vidas ceifou.

Hoje em dia a Alemanha não tem um ascendente militar que suporte a ambição de domínio, mas tem uma posição económica que lhe dá a tal posição dominante numa Europa economicamente deprimida.

É sem surpresa que se ouve a senhora Merkel dizer que os países do euro devem estar preparados para ceder soberania. Sei que há quem sonhe com os Estados Unidos da Europa, mas os factos demonstram que isso é uma utopia, como se percebe pelo que se passa na Grécia, na Irlanda, em Portugal e em Chipre.

A senhora Merkel fala em cedências de soberania, mas não nos podemos esquecer de que quem manda nesta Europa é a Alemanha, e isso é indesmentível.



segunda-feira, outubro 08, 2012

MINISTRO DA PROPAGANDA



Já todos sabemos que o actual governo tem para além dos ministros com pasta, pelo menos mais um ministro, que é o António Borges. O cargo de consultor para as privatizações já deu protagonismo a este indivíduo que só tem metido os pés pelas mãos, conseguindo unir todos contra o próprio governo.

A existência de ministros que o governo não nos dá a conhecer oficialmente não fica por aqui, porque há um outro ministro que não aparece na lista oficial que é Marcelo Rebelo de Sousa. O professor usa a sua tribuna na TVI como ministro da propaganda, defendendo o governo desculpando-o como se a sua acção fosse boa para o país, considerando que o que falha é apenas habilidade para comunicar.

Confesso que já não ouvia as suas preleções dominicais, mas este domingo tive o azar de o ouvir e fiquei simplesmente enojado com tanta propaganda governamental, que só se compreende pela sua conhecida ambição de ser presidente da República. 


Marcelo By Pedro Ribeiro Ferreira

domingo, abril 17, 2011

O TOQUE DE MIDAS

Era uma vez um rei muito rico chamado Midas. Ele possuía mais ouro do que qualquer outro no mundo inteiro, mas ainda assim não estava satisfeito. Nada o deixava mais feliz do que conseguir acrescentar um pouco mais à sua riqueza. Mantinha-o todo guardado em enormes cofres nos subterrâneos do palácio, e passava muitas horas por dia contanto e recontando seu tesouro.

O Rei Midas tinha uma filhinha chamada Áurea. Amava-a com verdadeira devoção, e dizia: "Ela será a princesa mais rica do mundo!"

Mas a pequena Áurea nem se importava com isso. Adorava seu jardim, as flores e o sol, mais do que a riqueza do pai. Ficava sozinha a maior parte do tempo, pois o pai estava sempre ocupado, buscando novas formas de conseguir mais ouro, e contando o que já possuía, de tal sorte que quase nunca tinha tempo para contar-lhe histórias ou passear, conforme deveriam fazer todos os pais.

Um dia, o Rei Midas estava na sala do tesouro nos subterrâneos do castelo. Havia trancado as pesadas portas do aposento e aberto os enormes baús. Despejou todo o conteúdo sobre a mesa e pôs-se a brincar com o ouro como se o simples toque o deixasse satisfeito. Fazia-o escorrer entre os dedos e sorria ao ouvir o tilintar das peças, qual doce melodia. De repente, uma sombra se projectou sobre a pilha de objectos. Ao levantar os olhos, deu com um estranho trajando roupas brancas brilhantes e sorrindo para ele. Soergueu-se, surpreso. Não se esquecera de trancar as portas! O tesouro, então, não estava seguro! Entretanto, o estranho continuou sorrindo.

- Vossa Excelência tem muito ouro - disse ele.

- Tenho, sim - disse o rei -, mas é pouco comparado a todo o ouro que existe no mundo!

- Ora! Esse ouro todo não satisfaz a Vossa Excelência? - Perguntou o estranho.

- Ora, essa! - Respondeu o rei - Mas é claro que não estou satisfeito. Passo longas noites acordado planejando novas formas de conseguir mais. Gostaria de poder transformar em ouro tudo que toco.

- É isso que Vossa Excelência realmente deseja?

- Claro que sim! Nada haveria de deixar-me mais satisfeito.

- Pois o desejo de Vossa Excelência será atendido. Amanhã de manhã, quando os primeiros raios de sol entrarem nos aposentos, Vossa Excelência terá o toque de ouro.

Ao terminar de falar, o estranho desapareceu. O Rei Midas esfregou os olhos.

- Devo ter sonhado - disse ele -, mas como eu ficaria feliz se isso fosse verdade!

No dia seguinte, o Rei Midas acordou quando a primeira luz do dia se fez presente em seus aposentos. Esticou a mão e tocou as cobertas da cama. Nada aconteceu. - Eu sabia que não poderia ser verdade - exclamou, desapontado. Naquele exacto momento, entraram pelas janelas os primeiros raios de sol. As cobertas onde estava encostada a mão do rei transformaram-se em ouro puro. - É verdade! É verdade! - gritou ele, muito contente.

Saltou da cama e correu pelo aposento tocando em tudo que havia. O manto real, os chinelos, os móveis, tudo virou ouro. Foi até a janela e olhou para o jardim de Áurea. - Vou fazer-lhe uma boa surpresa - disse ele. Desceu ao jardim e tocou todas as flores da filha, transformando-as em ouro. - Ela ficará muito satisfeita - pensou.

Voltou aos seus aposentos para aguardar a chegada do café da manhã; e dispôs-se a retomar a leitura da noite anterior, mas assim que suas mãos tocaram o livro, o objecto se transformou em ouro maciço. - Não posso ler, assim - disse o rei -, mas, ora, é bem melhor ter um livro de ouro.

Naquele exato momento, um criado entrou nos aposentos, trazendo-lhe o café da manhã. - Que beleza! Vou começar pelo pêssego, que está vermelhinho de tão maduro.

Pegou-o então, mas, antes de conseguir comê-lo, já se havia transformado num pedaço de ouro. O Rei Midas o colocou de volta no prato. - É muito bonito, mas não posso comê-lo! - Disse ele. Pegou uma broa de pão, mas também ela se transformou em ouro. Colocou a mão no copo de água, mas tudo virava ouro. - O que vou fazer? Tenho fome e sede. Não posso comer nem beber ouro!

E logo a pequena Áurea entrou em seus aposentos. Ela estava chorando, muito sentida, e trazia nas mãos uma das rosas.

- O que houve, filhinha?

- Ah, papai! Veja o que aconteceu com minhas rosas! Estão todas duras e feias!

- Ora, são rosas de ouro, filha. Você não acha que estão mais bonitas agora?

- Não - disse ela, soluçando. - Não têm mais o agradável perfume que tinham. Não crescerão mais. Gosto de rosas vivas.

- Não se preocupe - disse o rei -, venha tomar seu café.

Entretanto, Áurea percebeu que o pai não comia, e que estava triste. - O que houve, meu querido pai? - Perguntou ela, aproximando-se. Deu-lhe um abraço, e ele a beijou. Mas, de repente, o rei soltou um grito de pavor. Ao tocá-la, o lindo rostinho transformou-se em ouro brilhante, os olhos não viam mais, os lábios não conseguiram beijá-lo também, os bracinhos não o estreitaram. Deixou de ser uma adorável e carinhosa menina; transformara-se numa estatueta de ouro.

O Rei Midas baixou a cabeça e os soluços o sobrepujaram.

- Vossa Excelência está feliz? - Alguém perguntou. O rei levantou a cabeça e viu o estranho de pé a seu lado.

- Feliz! Como te atreves a perguntar uma coisa dessas? Sou o homem mais triste na face da terra! - Disse o rei.

- Vossa Excelência tem o toque de ouro. E isso não basta?

O Rei Midas não tornou a olhar para o estranho, nem respondeu.

- O que Vossa Excelência prefere: comida e um copo de água fresca ou essas pedras de ouro? - Disse o estranho.

O Rei Midas não conseguiu responder.

- O que prefere ter, ó Majestade? Aquela estatueta de ouro ou uma menina que pode correr, rir e amá-lo?

- Ah, devolva-me minha filhinha Áurea e eu abdicarei de todo o ouro que tenho! - Disse o rei. - Perdi a única coisa que realmente me valia ter.

- Vossa Excelência demonstra agora mais sabedoria do que antes - disse o estranho. - Vá mergulhar no rio que passa nos fundos do jardim, e depois leve um pouco da água para jogar sobre tudo aquilo que deseja ter de volta ao normal.

O estranho, então, desapareceu.

O Rei Midas levantou-se rapidamente e foi correndo até o rio. Mergulhou, pegou um bocado de água e retornou ao palácio. Jogou-a sobre Áurea e as cores voltaram a iluminar seu rosto. Ela tornou a abrir os olhinhos azuis. - Ora, papai! - Disse ela - O que aconteceu?

Chorando de alegria, ela a pegou no colo.

Depois disso, o Rei Midas nunca mais se preocupou com ouro algum, a não ser o ouro que existe no brilho do sol e nos cabelos da pequena Áurea.

Adaptação de O livro das maravilhas, de Nathaniel Hawthorne (DAQUI)

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FOTOGRAFIA
By Palaciano