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segunda-feira, janeiro 02, 2012

PORTUGAL VERSUS DINAMARCA

Acabei o ano de 2011 lendo umas comparações entre o que se passa em Portugal e na Dinamarca, país de onde vem o senhor Poul Thomsen, representante do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em todos os aspectos analisados, mercado laboral, arrendamento, carga fiscal, e saúde, é fácil para qualquer leitor constatar, mesmo que desconhecendo a realidade no terreno, que a balança pende claramente para o lado da Dinamarca e dos dinamarqueses.

Quando a troika e o senhor Blue Eyes fala da liberalização do mercado laboral, nunca temos um governante português a contrapor com a protecção social dos desempregados. Ao falar do arrendamento e das medidas para a sua liberalização, não se refere o nível de rendimentos do arrendatário nem a ajuda estatal, porque não é conveniente.

Quanto à carga fiscal, que até é semelhante na sua globalidade, nunca se diz que os direitos sociais na Dinamarca são muito superiores aos que alguma vez tivemos por cá, mesmo antes da crise.

No campo da Saúde, e mesmo da Justiça, que são fulcrais nas medidas exigidas pela troika, omite-se que o acesso à saúde é grátis e o meso acontece na justiça, onde as custas só são aplicadas aos que prevaricam, ainda que em todo o processo a igualdade de meios esteja garantida.

Mr. Blue Eyes nunca é confrontado com a realidade do seu país ou por ignorância dos nossos negociadores ou por pura incompetência dos nossos governantes, que não sabem defender os mais altos interesses dos portugueses. Seja qual for a realidade, isso em nada abona sobre a qualidade dos governantes portugueses.


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terça-feira, junho 21, 2011

COMPARAÇÕES FATAIS

Portugal está a atravessar uma crise enorme, ninguém duvida disso, mas como não estamos sós no mundo, nem na Comunidade Europeia, são muitas as vezes em que alguns pretendem estabelecer paralelos entre o nosso país e os outros.

É vulgar ouvir da boca de alguns iluminados que há países onde se desconta mais para a Segurança Social, que há outros em que a produtividade é maior, ou ainda que pagamos menos IVA no gás e na energia eléctrica do que alguns parceiros europeus.

Há sempre quem se julgue iluminado ou que os outros são menos dotados de inteligência, mas as coisas não são assim e os termos de comparação podem ser muito diversos e a verdade acaba sempre por surgir, por mais malabarismos estatísticos que se façam.

Por acaso, nada mais do que isso, hoje foi conhecido um relatório preliminar do Eurostat sobre o poder de compra, e como é evidente os portugueses estão no topo do ranking dos países com mais baixo poder de compra da zona euro, apenas batidos por países de “alto gabarito”, como sejam a Bulgária, a Roménia e a Letónia.

Com as medidas que já se perfilam no horizonte próximo para Portugal, é fácil prever que ainda possamos “subir” neste ranking fabuloso, sem que a Justiça encontre culpados que nos tenham conduzido a este patamar da (má) fama.


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By Palaciano

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