A arte do descanso é uma parte da arte de trabalhar.
John Steinbeck
segunda-feira, setembro 05, 2016
sábado, setembro 03, 2016
OS ALERTAS E O PATRIMÓNIO
Os alertas feitos pelo director
do Museu Nacional de Arte Antiga, sobre uma possível calamidade que poderá
acontecer em breve, podem soar a exagero, podem até roçar o ridículo, mas nada
têm de descabidos.
Cada um usa os meios que tem à
sua disposição, do modo que acha mais eficaz, ou perante a plateia que acha
mais receptiva, pelo que desta vez nem sequer critico o senhor, que acho um
pouco ávido de protagonismo.
A situação do Museu de Arte
Antiga não é a que me parece mais grave, nem a do Museu dos Coches, pois ambos
têm bastantes funcionários cuja função será a vigilância e acolhimento de
visitantes, a julgar pelos mapas de pessoal, disponibilizados no sítio da
Direcção Geral do Património Cultural. Claro que se sabe que muitos destes
funcionários desempenham outras funções, de secretariado, como telefonistas,
nos serviços educativos e até em funções de manutenção, não previstos nos
referidos mapas, mas necessários segundo as direcções dos serviços.
Existem vários serviços que
conheço, com mais carências, como os Jerónimos, a Torre de Belém, a Batalha, o
Grão-Vasco, Alcobaça, e Mafra, serviços que visitei nos últimos dois anos e
onde pude constatar a falta de funcionários nos espaços visitáveis.
Ao contrário do que possa parecer
pelos mapas de pessoal, na DGPC existem mais técnicos superiores do que
funcionários a fazer efectivamente acolhimento e vigilância, e estes estão um
pouco deixados ao abandono pela falta de formação profissional contínua,
inexistente, e pela falta de coordenadores que os vão enquadrando, dependendo
de pessoas que não desempenham estas funções, nem sabem desempenhá-las, e não
têm os mesmos horários pelo que os deixam ao abandono boa parte do ano
(sábados, domingos e feriados).
O que acontecerá se um dia houver
uma calamidade pública, incêndio, tremor de terra ou inundação, ou se houver um
furto ou alguma coisa for vandalizada por falta de vigilantes? Quem arca com as
responsabilidades pelas deficiências no acolhimento e com a falta de informação
em muitos locais?
A Cultura não pode ser uma bandeira de políticos quando estão na oposição. Tem de ser acarinhada todos os dias e tem que ser dotada de meios humanos e materiais suficientes para um bom desempenho. Ao nível da organização também há muito que fazer, porque houve um retrocesso nos últimos anos.
quinta-feira, setembro 01, 2016
COMEMORAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL
A Comissão Europeia propõe o ano
de 2018 para destacar a importância da cultura europeia e para dar a conhecer
tudo o que a UE é capaz de fazer em termo de conservação, informatização,
infraestruturas, desenvolvimento da investigação e das competências.
A oportunidade pode ser
aproveitada pelas autoridades nacionais ligadas ao Património para
revitalizarem certos locais cheios de potencialidades mas pouco visitados, para
investirem na conservação de património pouco cuidado, para a formação dos
funcionários que nos acolhem nos museus, para premiar a investigação no sector,
para melhorar a divulgação e a informação ao dispor dos visitantes e sobretudo
para melhorar as acessibilidades e a informação sobre o Património
classificado.
A tarefa é difícil e devia ser
programada desde já, porque certamente existirão programas financiados pela EU,
e os museus, palácios e monumentos, e os seus funcionários, bem como os seus
visitantes, podem ter opiniões muito válidas, que se bem acolhidas podem
transformar, para melhor, a qualidade dos serviços prestados, e o estado de
conservação dos bens patrimoniais que temos uma pouco por todo o país.
Aproveitar a oportunidade,
envolver o máximo de pessoas do sector, bem como os parceiros e beneficiários
destes serviços, é o mínimo que se pode pedir a quem governa.
terça-feira, agosto 30, 2016
CIDADANIA
Em Portugal somos todos muito
exigentes enquanto clientes, porque julgamos que como pagamos temos mais
direitos do que os que nos prestam serviço, o que é um princípio errado.
A máxima de que o cliente tem
sempre razão não é correcta, quando alguém abusa da sua posição, e isso é um
princípio da cidadania. O respeito pelos direitos dos outros e pela sua
dignidade ficam muitas vezes no rol dos esquecidos, infelizmente.
Repare-se quantas vezes vemos
pessoas a estacionar indevidamente em lugares reservados a deficientes ou a
grávidas, sem qualquer vergonha, ou a dirigirem-se a caixas reservadas a
deficientes ou grávidas, como se esse fosse um seu direito, porque estão com
pressa.
Quando circulamos nos passeios
somos brindados com os presentes dos senhores e senhoras que passearam, ou
deixaram à solta, os seus animais de estimação, mas que se esqueceram de
apanhar os seus dejectos, porque acham que devem ser outros a apanhá-los.
A cidadania que está afastada dos
currículos escolares, e que não merece a devida atenção das autoridades, ainda
que exista legislação, não é devidamente exercida por muitos de nós, que
sistematicamente desrespeitamos os outros, quase que inconscientemente.
Há muito que fazer nesta matéria,
e o ensino terá aqui a sua parte de formação das novas gerações, que esperamos
sejam melhores do que a nossa…
Daisy By Palaciano
domingo, agosto 28, 2016
PORQUE FOGEM OS TRABALHADORES DOS MUSEUS
Os trabalhadores que fazem o
acolhimento e a vigilância dos museus não ficam muito tempo nessas funções, e
parece que ninguém se preocupa com isso, nem no sector público nem no privado.
No sector privado a precariedade
é uma constante e poucos conseguem ingressar nos quadros, o que resulta numa
constante mudança de funcionários, em períodos de absoluta desmotivação, e
consequentemente num serviço de má qualidade, que peca não só pela falta de
preparação e conhecimento dos funcionários, e também num risco maior para a
segurança do Património à sua guarda.
No sector público temos um quadro
de pessoal muito envelhecido, desmotivado e muitas vezes sem qualquer formação
para a função, que só é parcialmente compensada pela experiência de muitos
anos. É certo que foram abertos alguns concurso recentemente, com maiores
exigências ao nível de habilitações literárias, mas os candidatos admitidos, na
sua grande maioria, apenas estão a usar os concursos para transitarem logo de
seguida para outras carreiras e outros lugares em serviços menos exigentes a
nível de horários, e com possibilidades de progressão.
O trabalho aos sábados, domingos,
exigido a estes trabalhadores, não implica pagamento diferenciado como acontece
com a generalidade dos outros trabalhadores, estando a ser usado um regulamento
interno para justificar a obrigação sem compensação, o que é caso único na
função pública e também no sector privado. Salva-se no meio disto tudo o poder
local, que segue a legislação à risca (pagando devidamente o trabalho ao sábado
e ao domingo), e uma instituição privada, que em bora não o fazendo desse modo,
considera esta carreira como atípica e por isso merecedora dum salário que
compensa as obrigações impostas.
Será que só com greves é que os
responsáveis pelos museus, palácios e monumentos vão entender isto? Quem vai
ganhar com mais este confronto? Porque não se reconhece a carreira como específica, já que se lhe exige mais do que a outras carreiras do mesmo nível?
quarta-feira, agosto 24, 2016
MEMÓRIA HISTÓRICA
Foi a 24 de Agosto de 1572 que se
perpetrou o massacre da noite de São Bartolomeu, também conhecido como a noite
de São Bartolomeu.
Este episódio da história de
França terá sido engendrado pelos reis franceses, evidentemente católicos,
foram uma forma de repressão ao protestantismo. As matanças duraram meses,
primeiro em Paris, e depois em outras cidades, e as vítimas foram muitas, e se
pelas contas de católicos se cifraram em 2.000, nas contas de outros não
católicos terão chegado aos 70.000.
Não foi este o único ataque aos
protestantes em França, mas terá sido o mais sangrento massacre do século,
causado pela intolerância religiosa.
Por vezes quando falamos da
intolerância religiosa e do preconceito, tendemos a esquecer as lições que a
História nos dá, às quais não costumamos dar muita importância.
Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois
segunda-feira, agosto 22, 2016
DIPLOMACIA OU JOGO DE ESPELHOS?
Houve um incidente que resultou
numa vítima gravemente ferida, que levada ao hospital com sinais evidentes de
agressão, foi devidamente tratada e colocada em coma induzido, por causa da sua
condição crítica.
O facto é indiscutível e
conhece-se o envolvimento de dois filhos de um diplomata iraquiano, que não
hesitaram em usar a sua imunidade diplomática depois de detidos.
As versões dos amigos da vítima e
dos filhos do diplomata divergem, restando apenas os factos.
O nosso governo através do
ministro dos Negócios Estrangeiros vai mostrando a sua indignação inconsequente
e usando do tacto diplomático, e a embaixada do Iraque vem a público, em árabe,
apresentar uma versão em que os jovens iraquianos passam por vítimas que se
“defendem”. Na realidade há um outro facto que, apesar de não estar
oficialmente confirmado, mostra que a cooperação diplomática não passa duma
farsa, que é onde estão os suspeitos da agressão ao jovem em coma? Estão em
Portugal ou já foram para outro país?
Este assunto poderá dar origem a
um processo judicial, que se prolongará no tempo, eventualmente haverá uma
indemnização se o jovem resitir, mas tudo será esquecido dentro de dias ou
semanas. A diplomacia continuará a debitar discursos redondos e, talvez, mas só
talvez, o embaixador vá dentro de algum tempo mudar convenientemente de posto.
O que mais me indigna é o teor do
comunicado da embaixada do Iraque, que em defesa dos seus cidadãos invoca o
racismo, e nos quer fazer crer que dois jovens se defenderam de seis e apenas
um dos seis sai gravemente ferido, ficando todos os outros incólumes. Não dá
simplesmente para acreditar…
sábado, agosto 20, 2016
MEDALHAS OLÍMPICAS
Os Jogos Olímpicos ainda não acabaram mas já há quem queira fazer balanços, e como quase sempre, aparecem os "especialistas de sofá", que acham que os atletas nacionais deviam ter conseguido mais medalhas.
Portugal é um país pequeno, onde o desporto em geral, excepção feita ao futebol, é um parente pobre que mendiga apoios para a formação, mas que só consegue apoios quando surgem atletas que se destacam muito, sabe-se lá abdicando de quê, e com apoios muitas vezes de pequenas firmas, alguns clubes e sobretudo de familiares.
Os atletas portugueses cumpriram na medida das suas possibilidades, e nós só podemos estar orgulhosos pela sua vontade e pelo seu empenho.
quinta-feira, agosto 18, 2016
A POLÍTICA E O PODER DO DINHEIRO
A ida de políticos portugueses ao
Congresso do MPLA não me surpreende, porque na generalidade, quase todos dizem
que tem que existir pragmatismo nas relações externas. As políticas seguidas
por Eduardo dos Santos, a situação dos cidadãos angolanos, a perpetuação no
poder e a repressão sobre os opositores, não contam tanto como os negócios e o
investimento, isto é evidente, ainda que difícil de entender quando se defendem
princípios.
Os princípios são quase sempre
ultrapassados pela realidade, e as viagens pagas pela Galp, e aceites por
políticos, não tiveram as consequências que deviam ter tido, mas nem isso nos
pode surpreender muito, porque os lugares da política têm servido muitas vezes
para promoção pessoal e como trampolim para o campo dos negócios empresariais,
onde a influência conta muito.
Outra medida que é estranha
quando existe um governo com apoio das esquerdas, é a possibilidade de acesso
indiscriminado às contas bancárias de todos os cidadãos nacionais, alegando-se
os acordos internacionais, o que não é verdadeiro nesta extensão. Dizer que
esta medida vai permitir evitar a fuga ao fisco, é caricato, pois sabemos que
muitos suspeitos de má gestão dos bancos, que estão sob investigação há anos,
continuam a fazer grandes vidas e a alegar não ter bens e rendimentos.
A política dos nossos dias, e os
seus protagonistas, deixam muito a desejar, mas ainda podemos manifestar o
nosso desagrado, quando é caso disso.
terça-feira, agosto 16, 2016
CONDUZIR ESTATÍSTICAS
Conduzir ou condicionar respostas
a inquéritos, sejam eles para estatística ou apenas para mostrar tendências, é
extremamente fácil e tem sido uma arma que se usa muito para manipular a
opinião pública.
Não se pode afirmar com segurança
que exista manipulação nas consultas de opinião, porque é sempre um terreno
escorregadio, mas também é verdade que se fizessem as mesmas perguntas de modo
diferente os resultados seriam muito diferentes.
Um dos títulos da comunicação
social destes dias, diz que a “maioria dos portugueses concorda com o fim dos
cortes mas não com as 35 horas”, relativamente à função pública, evidentemente.
Utilizando perguntas simples
como, concorda ou não concorda com isto ou aquilo, especialmente quando nos
referimos a “outrem”, os resultados podem bem ser estes, até porque” à pála” do
fim dos cortes dos salários na função pública, os salários do sector privado
aumentaram 4,5%, segundo a mesma comunicação social.
Falando sobre as 35 horas, onde
grande parte do sector privado já as pratica, e outra parte,
menor, não o faz, a pergunta podia ter sido mais justa, podendo ser “em
Portugal os horários de trabalho deveriam ter como limite as 40 ou as 35 horas
semanais?”. Certamente teriam sido muito diferentes as percentagens,
acreditem-me.
Como diria um meu amigo
brasileiro: pimenta no cu dos outros para mim é refresco.
domingo, agosto 14, 2016
OFERTAS INOCENTES...
As viagens dos secretários de Estado pagas pela Galp, têm sido desvalorizadas pelo governo, pelos partidos que o suportam e pelos comentadores de esquerda, mas nem o sol de Verão, ou os fogos da época conseguem apagar a asneira que estes senhores fizeram.
Já li e ouvi as mais diversas desculpas, e os argumentos mais rebuscados para justificar o injustificável, mas com códigos de condutas escritos, ou sem eles, tenham atenção ao facto muito simples e elucidativo: as ofertas, ou convites só foram feitos a quem tem influências, como governantes e políticos, o que nada tem de inocente, meus amigos.
Já se legislou sobre ofertas a funcionários públicos, sobre gorjetas, mas quando se trata de quem tem o poder de decisão, as coisas nunca são claras nem tão simples...
sexta-feira, agosto 12, 2016
FALTA DE QUALIDADE DO EMPREGO
As notícias sobre o emprego em
Portugal são tudo menos controversas, porque se por um lado existem menos
desempregados registados, também existe menos emprego, e cresce cada vez mais o
emprego temporário, o que não é um bom sinal sobre o estado das empresas e da
economia.
Os dados das exportações mostram
um decréscimo muito significativo, que as importações em baixa apenas
confirmam, e só o turismo está em alta, estando a ser o abono de família nos
últimos anos para diversos governos.
Os sinais vermelhos estão por
todo o lado, não só por causa do fraco crescimento europeu e pelas crises que
Brasil e Angola atravessam, que são os maiores destinos das nossas exportações,
mas também porque temos cada vez mais jovens que não estando a estudar, também
não estão a trabalhar, o que é muito mau sinal, se isto for conjugado com a
emigração em massa de jovens bem qualificados.
Existem factores a ter em conta,
se queremos melhorar em todos os vectores, desde logo rejuvenescer os quadros das
empresas e do Estado, invertendo a tendência actual imposta lá de fora, apoiar
todas as vertentes que contribuem para o Turismo, apostando na qualidade e na
especificidade nacional, evitando a massificação, uma oferta pouco diferenciada,
e sobretudo valorizando o emprego, que neste sector é maioritariamente sazonal
e mal remunerado.
É preciso apostar mais no aumento
da qualidade da oferta, porque não será no preço e na quantidade que iremos
conquistar mais mercado.
Biblioteca by Palaciano (telemóvel)
quarta-feira, agosto 10, 2016
PORTUGAL ARDE ALEGREMENTE EM AGOSTO
O país arde, os portugueses andam a banhos, os políticos estão de férias, os turistas vão gastando uns cobres por aí, as vilas vão fazendo as suas festas para entreter os emigrantes e os foguetes ribombam nos ares.
A floresta arde apesar dos esforços dos abnegados bombeiros, as populações atingidas ajudam no que podem, e os figurões fazem briefings para fazer o ponto da situação.
As coisas repetem-se ano após ano, e por muito que se pague de IMI, os bombeiros continuam a ser associações humanitárias, mas não são responsabilidade dos municípios, nem da Administração Central, que se limitam a dar umas ajudas pontuais, sempre com muita pompa e circunstância.
Temos sempre uns comandantes operacionais e uns responsáveis da Protecção Civil, com as suas fatiotas todas pipis a debitar banalidades, sem nunca sujar as mãos, e pior que tudo, sem perceber patavina do que estão a dizer. Não conhecem o terreno, não percebem de combate a incêndios, não conhecem os operacionais, mas comandam tudo, sempre em postos de comando onde recebem a imprensa, que lhes garante o emprego.
Portugal no seu pior, neste querido mês de Agosto...
segunda-feira, agosto 08, 2016
sábado, agosto 06, 2016
quinta-feira, agosto 04, 2016
POLÍTICA E RIDÍCULO
A barraca com as alterações ao IMI, dizendo que não é um aumento do imposto, e afirmando que o Estado não pode intervir nas novas avaliações, porque estas cabem às autarquias, dizem muito sobre o político que esteve no cerne da decisão.
Para os que achavam que tinha sido apenas uma gafe, eis que se soube que o mesmo senhor aceitou a oferta de viagens a França para ir ver uns jogos da selecção, oferecidos por uma empresa que até está em incumprimento no pagamento de obrigações fiscais, um pelouro em que ele é responsável.
Acho que o calor deste Verão está a afectar os senhores políticos, mesmo aqueles que não rumaram ainda a sul...
terça-feira, agosto 02, 2016
PATRIMÓNIO E SEGURANÇA
As preocupações com a segurança
das obras de arte dos museus, palácios e monumentos por esse mundo fora, são
motivo de preocupação geral periodicamente, sempre que ocorrem roubos ou actos
de vandalismo.
O último incidente tornado
público, porque existem muitos que são ocultados, foi o da National Gallery, em
Londres, onde dois quadros do século XVI sofreram danos que parecem ter sido
causados por unhas ou anéis. Os responsáveis desta galeria começaram por
diminuir o número de funcionários, em 2011, no ano passado 300 funcionários dos
seus quadros foram obrigados a passar para os quadros da Securitas, uma empresa
privada contratada para fazer a segurança das instalações, que foram alvo de
privatização, e os salários baixaram para os novos funcionários, bem como o
nível de formação para fornecer informações aos visitantes.
Por cá a escassez de pessoal
encarregue da vigilância é imenso, até o Tribunal de Contas o reconheceu em
relatório recente, a formação profissional não existe há vários anos, os
quadros têm funcionários com idades bastante elevadas, e a carreira não é
atractiva, por que é mal remunerada, exige disponibilidade para trabalhar
sábados e domingos sem qualquer remuneração extra, e os feriados não existem e
são mal remunerados. Só concorre a esta carreira quem procura um vínculo
público para depois saltar para outro serviço sem todos os contras que esta
profissão contém.
Já se registaram tentativas mais
ou menos encobertas de privatizar a segurança dos museus, e já vi seguranças
privados no controlo de bilhetes à entrada dum museu, noutro vi um segurança a
vender bilhetes, e até a dar informações a visitantes em diversos locais.
Longe vão os tempos em que os
vigilantes respondiam às perguntas dos visitantes, e davam informações sobre as
colecções, ou nos ajudavam (visitantes), quando procurávamos saber onde
encontrar determinada peça, ou nos aconselhavam a visita a outros museus onde
se podiam admirar coisas que nos interessavam. Sei que as exigências académicas
são hoje maiores, mas o desinteresse de quem está desmotivado, e a rotatividade
destes profissionais, aliada à falta de formação profissional, levam-nos a esta
triste situação.
Parece que tudo se resume a duas
hipóteses: deseja-se sobretudo mais público, que significa maiores receitas, o
que prevalece sobre o aumento da qualidade de serviço, que custa mais dinheiro,
ainda que proporcione maior satisfação dos visitantes. É pena que a Cultura se
resuma apenas, e só, ao factor económico.
Marte e Vénus de Sandro Botticelli, National Gallery
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