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sábado, janeiro 26, 2019

NO MELHOR PANO CAI A NÓDOA

A Parques de Sintra vai arrecadando prémios internacionais, como mais este de Melhor Empresa do Mundo em Conservação, que repete pelo sexto ano consecutivo, contudo existe o outro lado da moeda, que poucos conheciam até agora, e que fica mal na lapela duma empresa que pretende estar à frente na área do Património.

Os recordes de visitas e de receitas obtidas não se conseguem sem o contributo dos profissionais que lá trabalham, e contudo, isso não se reflecte nos salários praticados nem no tipo de vínculos laborais onde a precariedade predomina.

Uma política de baixos salários e de precariedade laboral não é o melhor contributo para a imagem duma empresa que pretende liderar no sector, e que tem condições económicas para o fazer. As limitações que a empresa diz ter são bastante fracas e há formas de as contornar, basta existir vontade para o fazer, premiando os colaboradores segundo o seu desempenho.

Existem condições para resolver este problema e com isso melhorar a qualidade do serviço prestado com pessoal motivado. Gerir bem não se resume a cortar custos laborais.


sexta-feira, fevereiro 09, 2018

A DITADURA DAS FINANÇAS E OS CONFORMADOS



Muitos serviços do Estado, especialmente na Administração Central, sofrem de grave falta de recursos humanos para o desempenho cabal das funções para que estão destinados. O resultado é quase sempre a degradação dos serviços prestados e a desmotivação dos funcionários, para além do descontentamento dos utentes.

Na realidade os serviços públicos, e os seus funcionários, são criticados pelo público em geral, quantas vezes tendo grandes razões de queixa, mas as responsabilidades estão bastante acima na cadeia de comando, e são invisíveis aos olhos do público.

Falando da Cultura e dos serviços ligados ao Património (museus, palácios e monumentos), é preciso salientar que os serviços têm quadros de pessoal subdimensionados, nomeadamente nas áreas de atendimento do público (vigilância, bilheteiras e lojas), e que os responsáveis o sabem bem, como sabem que é quase impossível fixar jovens nestas funções, e porquê.

Com a situação perfeitamente identificada, em vez de se tentar resolver o problema os responsáveis preferem restringir os períodos de férias e penalizar ainda mais os profissionais, já que são o elo mais fraco, por estarem na base da pirâmide da organização, e claro, das remunerações.

O senhor ministro da Cultura, a directora geral da DGPC, e os directores dos museus preferem conformar-se com o status quo, em vez de serem reivindicativos justificando as suas necessidades com maior empenho, perante o todo-poderoso Ministério das Finanças. Algumas vezes justificar-se-ia o pedido de demissão dos cargos por manifesta insuficiência de meios para realizar a sua missão com a devida dignidade.

O sistema de nomeações, a tal confiança política que lhes é exigida, e porventura os salários que auferem bem como as oportunidades que os postos lhes abrem, fazem com que quase todos pensem que é melhor não fazer ondas, conformarem-se com a situação e marimbarem-se para os funcionários e para o público.

Ainda um dia espero vir aqui manifestar o meu respeito e vir aplaudir a verticalidade de um alto responsável dum serviço que perante uma situação destas apresente a sua demissão por não estar disposto a defraudar o público e os seus subordinados.



sábado, setembro 03, 2016

OS ALERTAS E O PATRIMÓNIO



Os alertas feitos pelo director do Museu Nacional de Arte Antiga, sobre uma possível calamidade que poderá acontecer em breve, podem soar a exagero, podem até roçar o ridículo, mas nada têm de descabidos.

Cada um usa os meios que tem à sua disposição, do modo que acha mais eficaz, ou perante a plateia que acha mais receptiva, pelo que desta vez nem sequer critico o senhor, que acho um pouco ávido de protagonismo.

A situação do Museu de Arte Antiga não é a que me parece mais grave, nem a do Museu dos Coches, pois ambos têm bastantes funcionários cuja função será a vigilância e acolhimento de visitantes, a julgar pelos mapas de pessoal, disponibilizados no sítio da Direcção Geral do Património Cultural. Claro que se sabe que muitos destes funcionários desempenham outras funções, de secretariado, como telefonistas, nos serviços educativos e até em funções de manutenção, não previstos nos referidos mapas, mas necessários segundo as direcções dos serviços.

Existem vários serviços que conheço, com mais carências, como os Jerónimos, a Torre de Belém, a Batalha, o Grão-Vasco, Alcobaça, e Mafra, serviços que visitei nos últimos dois anos e onde pude constatar a falta de funcionários nos espaços visitáveis.

Ao contrário do que possa parecer pelos mapas de pessoal, na DGPC existem mais técnicos superiores do que funcionários a fazer efectivamente acolhimento e vigilância, e estes estão um pouco deixados ao abandono pela falta de formação profissional contínua, inexistente, e pela falta de coordenadores que os vão enquadrando, dependendo de pessoas que não desempenham estas funções, nem sabem desempenhá-las, e não têm os mesmos horários pelo que os deixam ao abandono boa parte do ano (sábados, domingos e feriados).

O que acontecerá se um dia houver uma calamidade pública, incêndio, tremor de terra ou inundação, ou se houver um furto ou alguma coisa for vandalizada por falta de vigilantes? Quem arca com as responsabilidades pelas deficiências no acolhimento e com a falta de informação em muitos locais?

A Cultura não pode ser uma bandeira de políticos quando estão na oposição. Tem de ser acarinhada todos os dias e tem que ser dotada de meios humanos e materiais suficientes para um bom desempenho. Ao nível da organização também há muito que fazer, porque houve um retrocesso nos últimos anos. 
 
 

domingo, maio 03, 2015

GESTÃO



Se as pessoas que precisam trabalhar juntas numa empresa confiam umas nas outras porque estão agindo segundo um conjunto comum de normas éticas, o custo de se fazer negócios diminui.
 
Francis Fukuyama




quarta-feira, setembro 17, 2008

CULTURA E VERGONHA

Ainda há poucos dias falei aqui da diminuição de verbas na proposta de Orçamento de Estado, para a Cultura, em 2009, e diga-se também que a notícia não foi bem merecida no meio, ressalvando talvez a opinião do ministro, que aparentemente se julga capaz de fazer mais com menos dinheiro.

A realidade nos museus, palácios e monumentos é de escassez de pessoal de vigilância, e todos os anos tem sido notícia pelo embaraço que tem causado, com encerramentos parciais, e encerramentos durante o período de almoço, que têm tido como resposta contratações de pessoal a prazo, que colmatam carências por períodos de poucos meses, e que quando terminam os contratos deixam os serviços e os seus responsáveis à beira de um ataque de nervos, por manifesta insuficiência de recursos humanos.

Li num jornal diário que o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) aguarda luz verde do Ministério das Finanças para contratar 135 vigilantes para os museus nacionais, o que até podia ser uma boa notícia, se não tivesse chegado com muitos anos de atraso, e se a proposta de orçamento para o próximo ano não fosse de um corte em despesas de funcionamento da natureza que nos foi apresentada.

Esperamos para ver se o Ministério das Finanças finalmente atende este pedido, mesmo com este atraso todo, ou se pelo contrário recorda ao ministro da Cultura as suas próprias palavras e a vergonha continua, com a vergonha de encerramentos um pouco por todos os museus, palácios e monumentos. Nem seria nada de novo, diga-se em abono da verdade.



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RETRATO - PIERO DELLA FRANCESCA

Sigismondo Pandolfo Malatesta, 1451 Oil and tempera on panel, Louvre

The Duchess of Urbino, 1465-70, tempera on wood, Galleria degli Uffizi, Florence

The Duke of Urbino, 1465-70, tempera on wood, Galleria degli Uffizi, Florence

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CARTOON
Eficácia (?) do preservativo pour Dany