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terça-feira, janeiro 15, 2019

CULTURA EM COLAPSO


Não nos podemos deter apenas nas palavras do ainda director do Museu Nacional de Arte Antiga, ou nas declarações ministra da Cultura, porque apenas estaríamos a ver parte do problema, mas a partir disso podemos imaginar muitas deficiências noutros museus de menores dimensões, nos monumentos e nos sítios arqueológicos.

Na Cultura existem diversas formas de gestão, no Teatro, em Serralves ou no Tua, apenas para dar alguns exemplos. No Património temos todos os museus, palácios, monumentos e sítios arqueológicos na dependência duma Direcção-Geral do Património Cultural, que simplesmente é ineficaz e apenas serve para atrapalhar qualquer tentativa de agilizar procedimentos, de planear a médio e longo prazo, estrangulando assim todos os serviços dela dependentes.

Dar pequenas autonomias pode ser um penso rápido, mas não resolverá os problemas de fundo, e até o ridículo do nº de contribuinte é de existência duvidosa. O cerne da questão é sem qualquer dúvida equacionar novos modos de gestão, sem tabus.



quarta-feira, dezembro 13, 2017

O FINANCIAMENTO DA CULTURA

Existe um claro défice de financiamento da Cultura, e refiro-me particularmente ao Património, o que causa grandes problemas aos museus, palácios e monumentos, não só no que se refere ao funcionamento, mas sobretudo no que diz respeito à sua conservação.

Já se tentaram algumas soluções, começando pelas fundações, mas esta solução não terá sido muito feliz, porque sem subsídios não conseguiu ter viabilidade. Outra solução foi a da criação duma empresa gestora com capitais públicos mas de direito privado, a PS-ML, e depois de uma primeira fase que foi desastrosa, lá se conseguiu o sucesso a nível económico e reputacional, ainda que com alguma resistência popular devido aos preços praticados.

Está agora a ser ensaiado uma nova solução com a participação das autarquias, e Lisboa e Porto parecem estar a avançar nesse sentido, com experiências no Palácio da Ajuda e na Casa de Serralves, ainda que com configurações diferentes.

Como se percebe serão sempre dinheiros públicos que estarão em causa, e que podem ser melhor ou pior geridos, com muito pouca participação de privados, ao contrário do que se passa noutros países.


Vamos ver o que vai acontecer nos próximos tempos, e esperar que tudo corra pelo melhor, porque o Património já não pode espera mais por intervenções que já deviam ter acontecido há anos, e para as quais não tem havido dinheiro.


sexta-feira, junho 02, 2017

OS GESTORES MARAVILHA

Em Portugal para além dos futebolistas e seus treinadores, existem mais uns quantos indivíduos que auferem, ou auferiram, salários escandalosamente altos, cuja justificação parecia ser a excelência dos resultados que conseguiam para as empresas que comandavam.

É do domínio comum que as empresas não podem crescer sempre a taxas elevadas, dando a cada ano que passa cada vez mais lucros aos seus accionistas, porque existem os limites impostos pelo mercado (a procura), e porque também se tem que contar com o investimento que faz parte da sustentabilidade.

Alguns senhores gestores tugas não conseguiram resistir à pressão dos accionistas e à sua própria vaidade, e vai daí recorrerem à “criatividade”, que em linguagem corrente é conhecida como “falcatrua”, enganando tanto os patrões como o próprio Estado, com esquemas mais ou menos elaborados, mas que algum dia teriam de ser descobertos.


Muitos dos “gestores de sucesso” deste rectângulo, alguns deles condecorados pelo poder político, esqueceram-se da frase de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo…”.

Leitura sugerida AQUI


sábado, setembro 03, 2016

OS ALERTAS E O PATRIMÓNIO



Os alertas feitos pelo director do Museu Nacional de Arte Antiga, sobre uma possível calamidade que poderá acontecer em breve, podem soar a exagero, podem até roçar o ridículo, mas nada têm de descabidos.

Cada um usa os meios que tem à sua disposição, do modo que acha mais eficaz, ou perante a plateia que acha mais receptiva, pelo que desta vez nem sequer critico o senhor, que acho um pouco ávido de protagonismo.

A situação do Museu de Arte Antiga não é a que me parece mais grave, nem a do Museu dos Coches, pois ambos têm bastantes funcionários cuja função será a vigilância e acolhimento de visitantes, a julgar pelos mapas de pessoal, disponibilizados no sítio da Direcção Geral do Património Cultural. Claro que se sabe que muitos destes funcionários desempenham outras funções, de secretariado, como telefonistas, nos serviços educativos e até em funções de manutenção, não previstos nos referidos mapas, mas necessários segundo as direcções dos serviços.

Existem vários serviços que conheço, com mais carências, como os Jerónimos, a Torre de Belém, a Batalha, o Grão-Vasco, Alcobaça, e Mafra, serviços que visitei nos últimos dois anos e onde pude constatar a falta de funcionários nos espaços visitáveis.

Ao contrário do que possa parecer pelos mapas de pessoal, na DGPC existem mais técnicos superiores do que funcionários a fazer efectivamente acolhimento e vigilância, e estes estão um pouco deixados ao abandono pela falta de formação profissional contínua, inexistente, e pela falta de coordenadores que os vão enquadrando, dependendo de pessoas que não desempenham estas funções, nem sabem desempenhá-las, e não têm os mesmos horários pelo que os deixam ao abandono boa parte do ano (sábados, domingos e feriados).

O que acontecerá se um dia houver uma calamidade pública, incêndio, tremor de terra ou inundação, ou se houver um furto ou alguma coisa for vandalizada por falta de vigilantes? Quem arca com as responsabilidades pelas deficiências no acolhimento e com a falta de informação em muitos locais?

A Cultura não pode ser uma bandeira de políticos quando estão na oposição. Tem de ser acarinhada todos os dias e tem que ser dotada de meios humanos e materiais suficientes para um bom desempenho. Ao nível da organização também há muito que fazer, porque houve um retrocesso nos últimos anos. 
 
 

domingo, junho 26, 2016

MUSEUS E UMA NOVA GESTÃO



Quando se anuncia um novo tipo de gestão para o Museu Nacional de Arte Antiga, “com maior autonomia administrativa e financeira”, que poderá mais tarde ser estendida a outros museus, importa ter em consideração as experiências feitas nesta matéria.


Conhece-se bem a experiência francesa, que não deixando de ser uma gestão pública, aproveita bem as sinergias dos diferentes equipamentos, gere eficientemente todas as áreas, deixando aos serviços o planeamento museológico e a organização interna, planos que são apresentados com antecedência para aprovação duma comissão. A vitalidade dos museus e monumentos bem como as suas actividades e o seu sucesso económico e expositivo, falam por si.


Em Portugal conhece-se a experiência da Parques de Sintra, que tem tido bastante sucesso e tem servido para melhorar o estado dos equipamentos a seu cargo, que anteriormente estavam bastante degradados. É uma empresa pública com gestão privada, o que lhe dá uma agilidade muito superior à que a gestão pública pode conseguir com os seus entraves burocráticos.


Também se sabe o que aconteceu com a Fundação Côa Parque, que falhou rotundamente por falta de capital, por falta de articulação entre as entidades envolvidas, e por falta de agilidade na resolução dos problemas.


Não acredito na gestão autónoma de um só museu, dependente de verbas públicas e com o espartilho das regras da contabilidade pública. Poderá ser possível num Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, que por si só geram verbas que cobrem as despesas em todas as épocas do ano, mas os outros equipamentos precisam de âncoras que permitam o investimento para melhorar as suas prestações.


Quanto à zona de Belém-Ajuda os maiores problemas não se prendem com a venda de bilhetes, acessos e transportes, mas sim com a existência de mapas da zona com os equipamentos, transportes e bons equipamentos hoteleiros, bem assinalados e com sinalética apropriada na zona, que a existente é velha e péssima. Seria fácil questionar os turistas nessa zona para identificar estas falhas. Quanto aos museus em si mesmos, há que dar-lhes vida pois quase não passam de mausoléus.   


MNAA by Palaciano

quarta-feira, abril 27, 2016

MUSEUS – A GESTÃO PÚBLICA



Devo começar por reafirmar a minha opinião de que a gestão pública não tem que ser pior do que a privada, seja na Cultura, seja em qualquer outro campo.

A minha convicção esbarra quase sempre na realidade, mas as explicações para a má gestão pública dos museus podem ser diversas, e sobre elas convém reflectir.

Os orçamentos da Cultura são sempre muito inferiores às necessidades básicas de funcionamento, de manutenção e de programação, e não se fazem omeletes sem ovos.

A rigidez das regras de despesa são demasiado rígidas e morosas, e são muitos os dirigentes que nem sequer se atrevem a solicitar verbas, sabendo que não o fazendo ficam mais bem vistos pela tutela.

Tendo em conta os dois anteriores considerandos, e sendo um facto que os gestores não existem nos museus públicos, ou em conjuntos de equipamentos desta natureza, o resultado só pode mesmo ser desastroso.

Porque será então que com tão maus resultados não são demitidos os responsáveis dos museus e monumentos de gestão pública? A resposta divide-se em diversas partes, começando pela falta de verbas (as Finanças também merecem), os recursos humanos são escassos e com baixas qualificações (aqui fala-se só dos que dão a cara todos os dias), e nunca se ouve falar da incompetência, do imobilismo e da passividade dos responsáveis dos serviços, porque é feio.

Existem outros modelos que já foram experimentados, cá dentro e lá fora, e que tiveram bons resultados. Porque é que se não replicam?



sexta-feira, março 25, 2016

CONTRASTES EM BELÉM

Depois de muito se ouvir falar no plano para o Eixo Belém/Ajuda, que para João Soares era um “perfeito disparate”, e que resultou em demissões, indemnizações e novas nomeações, ficámos todos sem saber quais os capítulos seguintes desta novela, porque nenhum dos protagonistas, ministério da Cultura, Centro Cultural de Belém, Direcção Geral do Património Cultural ou Câmara Municipal de Lisboa, parece com vontade, ou coragem, para dizer qual o futuro para esta zona nobre da cidade.

Esta quinta-feira estive na zona e pude constatar os contrastes que preocupam muita gente, e que são um constrangimento para o crescimento do turismo na zona, o aumento da actividade económica e a melhor fruição dos monumentos, jardins, museus e paisagens da zona.

O Mosteiro dos Jerónimos estava à cunha e as filas para os bilhetes eram enormes, e na Torre de Belém o panorama não era muito diferente. A zona compreendida entre os pastéis de Belém, o Centro Cultural de Belém e o rio Tejo estavam cheios de gente, bem como os restaurantes e cafés da zona,

O contraste começava a partir do Palácio de Belém e da Praça Afonso de Albuquerque, onde se viam muitos carros, mas muitíssimo menos pessoas. O Picadeiro Real (antigo Museu dos Coches) estava às moscas, o novo Museu dos Coches estava como é habitual, com poucas pessoas, e apenas os restaurantes estavam bem compostos à hora do almoço, que foi quando lá passei. Depois passei pelo Palácio da Ajuda e era um local desértico, onde existem obras numa das fachadas.

Grandes concentrações de turistas em dois locais, ausência dos mesmos em locais com características ideais para receber muito mais gente, a menos de 1 quilómetro de distância, isso sim é um disparate! Porque é que isso acontece, perguntam-me vocês? É simples, é tudo uma questão de promoção de todos os pontos de interesse cultural e turístico, dentro e fora de fronteiras, acção intensa junto dos editores de livros e guias turísticos, promoção mais agressiva junto de agentes de viagens cá dentro e lá fora, melhor sinalização nas imediações da zona, e diversificação da oferta expositiva e dos serviços à disposição dos visitantes, com lojas e cafetarias de qualidade.


Qual o plano ideal para a zona? Que o diga o senhor ministro, já que foi tão lesto em deitar abaixo o único que estava sobre a mesa, ou então continuaremos a ter este panorama pouco ideal para uma cidade que pretende ter mais procura e maior oferta, para maximizar o fenómeno do turismo, numa altura em temos tudo para ser bem sucedidos, menos ideias consequentes.


A escolha de fotos do Mosteiro dos Jerónimos, como estava em finais do século XIX não tem nada que ver com o texto, mas não deixa de ser interessante.