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domingo, agosto 14, 2016

OFERTAS INOCENTES...

As viagens dos secretários de Estado pagas pela Galp, têm sido desvalorizadas pelo governo, pelos partidos que o suportam e pelos comentadores de esquerda, mas nem o sol de Verão, ou os fogos da época conseguem apagar a asneira que estes senhores fizeram.

Já li e ouvi as mais diversas desculpas, e os argumentos mais rebuscados para justificar o injustificável, mas com códigos de condutas escritos, ou sem eles, tenham atenção ao facto muito simples e elucidativo: as ofertas, ou convites só foram feitos a quem tem influências, como governantes e políticos, o que nada tem de inocente, meus amigos. 

Já se legislou sobre ofertas a funcionários públicos, sobre gorjetas, mas quando se trata de quem tem o poder de decisão, as coisas nunca são claras nem tão simples...


sábado, maio 17, 2014

OS CULPADOS DA CRISE

Quando ouvimos os discursos e os debates políticos, não é raro ouvir uns a deitar as culpas aos outros sem nunca alguém admitir a sua cota parte da culpa.

Dos partidos que passaram pelos governos dos últimos vinte anos, temos os políticos do PS que atiram as culpas para a conjuntura internacional, e os dos PSD e do CDS que atiram as culpas para o PS e para o facto de os portugueses terem vivido acima das suas posses.

Foi curioso ler que o BCE atribui as causas da crise ao excesso de confiança dos mercados, ao excesso de optimismo da banca que não assegurou capital suficiente para cobrir a sua exposição a algum aventureirismo, e aos políticos que não souberam antecipar ou prever que se estava a caminhar para uma crise causada pelo excesso de confiança.

Os culpados foram poupados e auxiliados pelos esforços exigidos à população em geral, que nada tinham contribuído para a situação, mas que foram sendo forçados a defender e fazer prosperar os verdadeiros culpados de tudo.


Políticos e mercados de capital acabaram por se apresentar como vítimas, e os inocentes passaram a culpados e por isso foram castigados com o desemprego, diminuição de rendimentos do trabalho e perda de direitos sociais. O sistema defende os que o criaram.   


sexta-feira, novembro 23, 2012

OS BODES EXPIATÓRIOS

Como já vem sendo hábito neste país, quando as coisas dão mal, toca a desancar nos funcionários públicos porque eles são a causa de todos os males.

Que importa que haja quem nos desgoverne, que hajam uns quantos que se enchem à custa das más decisões, que outros lavem as mãos depois de passarem pelo poder, se há sempre uns gajos que estão mais à mão para levarem com as culpas e serem obrigados a pagar o pato?



segunda-feira, novembro 05, 2012

NÃO DEVO NADA



Uma das notícias de ontem dizia que “cada português deve 20 mil euros”. Para que conste, e porque nestas coisas devemos ser bem claros, eu não devo nada a ninguém, nem tenho qualquer crédito de habitação ou de consumo. Também posso afirmar convictamente que tenho os meus impostos em dia.

Segundo a dita notícia, a dívida pública em 1974 equivalia a 14% do Produto interno bruto, e hoje já equivale a 120% do PIB. Em números devidamente actualizados, a dívida passou de 10 mil milhões para 203.7 mil milhões durante este espaço de tempo.

Atendendo ao facto de em 1974 eu ter um nível de vida superior ao que actualmente tenho, e uma vida à minha frente nessa ocasião, o que não é o caso nos dias de hoje, é lícito concluir-se que não fui responsável por este aumento exponencial da dívida nacional.

Foi com alguma facilidade que encontrei os responsáveis por este descalabro económico, bastou-me para isso consultar na Internet a composição dos governos que tivemos desde 1974, e juntar todos numa lista com a duração dos respectivos executivos, Fiz ainda uma outra busca que incidiu sobre o fecho de contas desde 1974 até 2011 e percebi em que medida o défice foi aumentando.

O processo é fácil, e o resultado não é verdadeiramente surpreendente, porque facilmente se percebe que PS e PSD se equivalem no aumento do défice, e o CDS também faz uma perninha na festa.

Vistas bem as coisas, os culpados são perfeitamente identificáveis, e só me surpreende o facto de se querer diluir a dívida por todos os cidadãos quando apenas alguns beneficiaram com este endividamento. 

Perguntam-me se acho que os ex-governantes beneficiaram com esta má gestão dos dinheiros públicos, e eu respondo muito candidamente que não conheço um só que esteja hoje mais pobre do que estava quando passou pelo poleiro. Satisfeitos com a resposta? Talvez não, mas esta é a beleza da Democracia: podemos exprimir a nossa opinião mesmo que não seja consensual. 


Alfredo Sabat