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terça-feira, setembro 22, 2015

O RAIO DA DÍVIDA



Passos Coelho nunca conseguiu convencer os portugueses de que conseguia baixar o valor da dívida, porque nestes últimos quatro anos ela não parou de crescer, ainda que os portugueses tenham apertado o cinto com a austeridade que lhes foi imposta pelo governo, que se deu ao luxo de ir para além das imposições da troika.

Embalado pela campanha eleitoral, e fazendo jus à sua fama, Passos Coelho fez o anúncio de um novo reembolso antecipado ao FMI, de mais de 5 mil milhões de euros, que afinal era um pagamento obrigatório.

Porque a confusão do 1º ministro apenas beneficia a coligação, e pode induzir em erro eleitores menos atentos, convém esclarecer que a dívida pública continua a aumentar e já ascende aos 290 mil milhões de euros, estando agora mais perto dos 130% do valor do PIB.



quinta-feira, dezembro 20, 2012

OS PORTUGUESES SÃO PRUDENTES



Os portugueses em geral não viviam acima das suas possibilidades, bem ao contrário da ideia que muitas cabeças comprometidas com o sistema e com o poder têm dito.

Os cidadãos acederam ao crédito, porque ele era fácil, porque os bancos assim o pintavam, e porque o governo incentivou a compra de casa própria, ao dificultar o mercado de arrendamento, não tomando medidas para o criar.

O acesso ao crédito por parte das famílias esteve sempre dependente dos rendimentos do trabalho, e só assim se explica que até 2009 o incumprimento era residual. As coisas mudaram, as políticas tomadas com a crise foram dirigidas aos rendimentos do trabalho, e aí as coisas mudaram de figura.

Com a contração dos rendimentos disponíveis do trabalho, a economia ressentiu-se, aumentando o desemprego, diminuiu o consumo e aumentou o incumprimento. A culpa terá sido do endividamento, ou pelo contrário das políticas de ajustamento do défice?

Os portugueses são conservadores em termos económicos, e a prova está bem à vista de todos, pois a contração do consumo foi superior à perda do poder de compra registado. Tirando a alimentação, todos os sectores de bens transacionáveis mostram fortes reduções. O consumo dos portugueses já se ajustou, mas com a diminuição de rendimentos esperado para 2013, as coisas vão deixar de ser suportáveis, e agora as reservas existentes já foram gastas, pelo que a situação se torna desesperada para muita gente, sendo que se esperam problemas na área social, onde o governo já foi longe de mais.

O tempo de sacar responsabilidades a este governo aproxima-se, e as coisas não vão ser bonitas de se ver…   


By Ares

segunda-feira, novembro 05, 2012

NÃO DEVO NADA



Uma das notícias de ontem dizia que “cada português deve 20 mil euros”. Para que conste, e porque nestas coisas devemos ser bem claros, eu não devo nada a ninguém, nem tenho qualquer crédito de habitação ou de consumo. Também posso afirmar convictamente que tenho os meus impostos em dia.

Segundo a dita notícia, a dívida pública em 1974 equivalia a 14% do Produto interno bruto, e hoje já equivale a 120% do PIB. Em números devidamente actualizados, a dívida passou de 10 mil milhões para 203.7 mil milhões durante este espaço de tempo.

Atendendo ao facto de em 1974 eu ter um nível de vida superior ao que actualmente tenho, e uma vida à minha frente nessa ocasião, o que não é o caso nos dias de hoje, é lícito concluir-se que não fui responsável por este aumento exponencial da dívida nacional.

Foi com alguma facilidade que encontrei os responsáveis por este descalabro económico, bastou-me para isso consultar na Internet a composição dos governos que tivemos desde 1974, e juntar todos numa lista com a duração dos respectivos executivos, Fiz ainda uma outra busca que incidiu sobre o fecho de contas desde 1974 até 2011 e percebi em que medida o défice foi aumentando.

O processo é fácil, e o resultado não é verdadeiramente surpreendente, porque facilmente se percebe que PS e PSD se equivalem no aumento do défice, e o CDS também faz uma perninha na festa.

Vistas bem as coisas, os culpados são perfeitamente identificáveis, e só me surpreende o facto de se querer diluir a dívida por todos os cidadãos quando apenas alguns beneficiaram com este endividamento. 

Perguntam-me se acho que os ex-governantes beneficiaram com esta má gestão dos dinheiros públicos, e eu respondo muito candidamente que não conheço um só que esteja hoje mais pobre do que estava quando passou pelo poleiro. Satisfeitos com a resposta? Talvez não, mas esta é a beleza da Democracia: podemos exprimir a nossa opinião mesmo que não seja consensual. 


Alfredo Sabat

terça-feira, fevereiro 01, 2011

MORRER DA CURA

Ouvir a administradora do Banco de Portugal, Teodora Cardoso, dizer que “temos de mudar de vida”, dá-me uma imensa vontade de rir, mesmo esquecendo o facto de esta ser um frase de um outro personagem da política, que nem vale a pena citar.

De acordo com a senhora economista, temos que reduzir o endividamento, em todas as suas vertentes, ao mesmo tempo que devemos fomentar o crescimento sustentado. A quadratura do círculo parece ainda não ter sido possível, mas não informaram esta senhora.

As receitas são as do FMI e da União Europeia, que se esgotam na redução a toda a força do endividamento externo, com a contracção forçada do consumo interno, com a consequente estagnação da economia, o aumento do desemprego e a diminuição da protecção social e dos salários.

Apesar de tudo, Teodora Cardoso veio recordar que a fuga de jovens portugueses para o estrangeiro seria “a maior tragédia, pior que a dívida externa”, ainda que não tenha explicado como é que ela pode ser evitada com as políticas restritivas implementadas.



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