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quinta-feira, outubro 30, 2014

ECONOMISTAS E PATRÕES



Uma das notícias que teve destaque hoje na imprensa foi a de que “economistas e patrões recusam regresso às 35 horas”.

O argumento esgrimido, como não podia deixar de ser, é que a nossa economia está muito frágil e que o país não aguentaria se fosse tomada essa medida. Um outro economista veio acrescentar o argumento da discriminação entre público e privado, o que esbarra frontalmente com a lei, que prevê a que a contratação colectiva o pode decidir.

O mais curioso disto tudo é que o país está em maus lençóis precisamente por causa de muito economista que por aí anda, e que ganha rios de dinheiro mesmo quando as coisas correm mal, e de algum patronato, que tem descapitalizado as suas empresas levando-as à falência, apesar de terem muito dinheiro para gastar em luxos e em advogados que cobram balúrdios.

Recorde-se que não foram funcionários públicos os que aconselharam e decidiram as PPP’s, que permitiram os “tão bons” Swap’s, ou que negociaram as compras de armamento, submarinos e carros de combate. Se puxarem um pouco pela memória verão que nestas operações ruinosas estiveram envolvidos políticos, advogados, gestores, economistas, banqueiros, etc.

A implementação do horário das 35 horas não conduz a mais despesa, a menos que os serviços estejam subdimensionados, o que até acontece por exemplo na saúde, como é bem patente, mas isso é da responsabilidade das políticas de admissões de pessoal, que tem sido errada há vários anos, pois é mais fácil nomear alguém politicamente ou recorrer a empresas de prestação de serviços do que admitir alguém indispensável ao serviço, por concurso público.    


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sexta-feira, outubro 17, 2014

A TOLICE PINTADA DE VERDE

A peregrina ideia dos impostos verdes é um verdadeiro insulto à nossa inteligência, porque como se sabe o governo apenas pretende arrecadar uns cobres taxando algo que sabe que é muito usado e portanto pode render uns bons milhões.

Podem-me dizer que se podem usar sacos de papel, como nos States, ou então uns sacos de pano, como aqueles que se usavam para o pão, nos bons velhos tempos.

São tudo falácias, porque se fossem usados sacos de papel diziam que era necessária uma taxa para a reflorestação, e com os de pano outra razão seria inventada, como a dos inconvenientes da sua lavagem para o ambiente.

Se o uso irresponsável dos sacos de plástico, existe por parte de quem não sabe ou quer reciclar o lixo que produz deve ser punido, será que o hábito responsável de reciclar não merece ser recompensado? 

Afinal há quem lucre com o lixo que produzimos, e ainda mais com o que já vai devidamente separado para ser reciclado, mas quem é consciencioso paga pelo lixo que gera e pelos danos ambientais dos irresponsáveis, e pelas empresas que colocam o seu lixo em aterros sanitários.

A conclusão a tirar sobre esta fúria em taxar, é que perante este governo os cidadãos são todos os inconscientes e portanto devem pagar todos por essa inconsciência. Elementar, meus caros...
  

sábado, maio 17, 2014

OS CULPADOS DA CRISE

Quando ouvimos os discursos e os debates políticos, não é raro ouvir uns a deitar as culpas aos outros sem nunca alguém admitir a sua cota parte da culpa.

Dos partidos que passaram pelos governos dos últimos vinte anos, temos os políticos do PS que atiram as culpas para a conjuntura internacional, e os dos PSD e do CDS que atiram as culpas para o PS e para o facto de os portugueses terem vivido acima das suas posses.

Foi curioso ler que o BCE atribui as causas da crise ao excesso de confiança dos mercados, ao excesso de optimismo da banca que não assegurou capital suficiente para cobrir a sua exposição a algum aventureirismo, e aos políticos que não souberam antecipar ou prever que se estava a caminhar para uma crise causada pelo excesso de confiança.

Os culpados foram poupados e auxiliados pelos esforços exigidos à população em geral, que nada tinham contribuído para a situação, mas que foram sendo forçados a defender e fazer prosperar os verdadeiros culpados de tudo.


Políticos e mercados de capital acabaram por se apresentar como vítimas, e os inocentes passaram a culpados e por isso foram castigados com o desemprego, diminuição de rendimentos do trabalho e perda de direitos sociais. O sistema defende os que o criaram.   


domingo, julho 07, 2013

BRUTAL OU COLOSSAL, É IRRELEVANTE



Os discursos bonitos e agradáveis aos ouvintes já não bastam, e as classes dirigentes, políticas e económicas, estão tão desacreditados que não merecem qualquer confiança.

A demissão de Vítor Gaspar, o do aumento colossal de impostos, e a admissão de erros nas medidas por ele protagonizadas, bem como os erros nas previsões da política económica, não alegraram nenhum dos contribuintes que depois de todos os sacrifícios se sente ainda mais defraudado.

Também não vejo ninguém aos pulos nas ruas só porque Christine Lagarde veio admitir em público os erros cometidos pelo FMI na avaliação da situação de diversos países, onde o limite do ajuste orçamental “brutal” foi levado até ao seu “máximo”.

O mal foi feito, a situação económica de países como Portugal, deteriorou-se, sendo agora a situação geral ainda pior do que antes da aplicação do plano de ajuda.

Palavras leva-as o vento, e o que se exige é uma mudança radical de políticas e um alívio da austeridade que leve à criação de emprego, crescimento da economia e a melhorias no nível de vida dos cidadãos com melhor repartição da riqueza. Para alguns estes desejos podem parecer demasiado optimismo, mas para mim é apenas a exigência de seriedade e honestidade na política.


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segunda-feira, novembro 05, 2012

NÃO DEVO NADA



Uma das notícias de ontem dizia que “cada português deve 20 mil euros”. Para que conste, e porque nestas coisas devemos ser bem claros, eu não devo nada a ninguém, nem tenho qualquer crédito de habitação ou de consumo. Também posso afirmar convictamente que tenho os meus impostos em dia.

Segundo a dita notícia, a dívida pública em 1974 equivalia a 14% do Produto interno bruto, e hoje já equivale a 120% do PIB. Em números devidamente actualizados, a dívida passou de 10 mil milhões para 203.7 mil milhões durante este espaço de tempo.

Atendendo ao facto de em 1974 eu ter um nível de vida superior ao que actualmente tenho, e uma vida à minha frente nessa ocasião, o que não é o caso nos dias de hoje, é lícito concluir-se que não fui responsável por este aumento exponencial da dívida nacional.

Foi com alguma facilidade que encontrei os responsáveis por este descalabro económico, bastou-me para isso consultar na Internet a composição dos governos que tivemos desde 1974, e juntar todos numa lista com a duração dos respectivos executivos, Fiz ainda uma outra busca que incidiu sobre o fecho de contas desde 1974 até 2011 e percebi em que medida o défice foi aumentando.

O processo é fácil, e o resultado não é verdadeiramente surpreendente, porque facilmente se percebe que PS e PSD se equivalem no aumento do défice, e o CDS também faz uma perninha na festa.

Vistas bem as coisas, os culpados são perfeitamente identificáveis, e só me surpreende o facto de se querer diluir a dívida por todos os cidadãos quando apenas alguns beneficiaram com este endividamento. 

Perguntam-me se acho que os ex-governantes beneficiaram com esta má gestão dos dinheiros públicos, e eu respondo muito candidamente que não conheço um só que esteja hoje mais pobre do que estava quando passou pelo poleiro. Satisfeitos com a resposta? Talvez não, mas esta é a beleza da Democracia: podemos exprimir a nossa opinião mesmo que não seja consensual. 


Alfredo Sabat

quinta-feira, junho 16, 2011

RESPONSABILIDADE E FISCALIZAÇÃO

Os problemas económicos que assolam o chamado mundo Ocidental resultam sobretudo duma actividade económica completamente desregulada, e embora isto seja internacionalmente reconhecido, não se tomaram medidas para se evitarem mais exageros.

Temos assistido às medidas de recuperação económica e pasme-se, em primeiro lugar está sempre o resgate da banca, à custa dos cortes sociais e o aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho e do consumo.

É sintomático que os impostos sobre o capital especulativo não sejam mexidos, quando se sabe que há escassez de capital para investimento no sector produtivo, que afinal seria o sector que nos podia fazer sair da crise económica, e capaz de diminuir o desemprego que devia ser a maior das preocupações.

Não se compreende que se esteja a penalizar quem não teve culpas nesta crise e se estejam a premiar os responsáveis, a menos que se confirmem as suspeitas, muito fundadas, de que o poder político está subordinado ao poder económico.


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Pavel C.

F. Deligne

sábado, maio 15, 2010

ESTAMOS LIXADOS

A reboque das imposições da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, o nosso governo abençoado pelo maior partido da oposição, decidiu aumentar os impostos ao mesmo tempo que cortou uma substancial fatia ao investimento público. A receita é conhecida, o resultado previsível.

O mundo ocidental atravessa uma crise económica que teve origem na falta de regulação dos mercados financeiros, consequência dum excesso liberal que a todos pretendeu vender a ideia que o mercado deve actuar livremente sem interferências dos Estados, porque em concorrência a regulação era desnecessária.

Chegados à beira do abismo, os Estados socorreram quem se comportou mal, com o dinheiro dos contribuintes, e como ficaram como avalistas endividaram-se. As dívidas públicas ameaçaram os mercados financeiros, aumentando o risco do crédito, muito em especial das economias mais débeis, e lá veio a contracção e o aumento dos impostos como panaceia de todos os males.

Os mercados financeiros, os mesmos que iniciaram esta saga toda, começaram a ficar com outros problemas que se prendem com a diminuição dos pedidos de crédito por parte das empresas e dos particulares, que são a sua maior fonte de receitas.

Agora o que nos penaliza não é tanto a dívida, antes o remédio que foi receitado, porque não há modo de aumentar riqueza sem consumo e sem investimento. Parece-me que afinal as tais agências de rating, as mesmas que falharam consecutivamente, e que se enganaram com recomendações absolutamente erradas, são o cerne do problema e continuarão a favorecer a especulação a menos que sobre elas seja feita uma supervisão apertada.

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sexta-feira, maio 14, 2010

ENCONTRADA A CULPADA

Imagem recebida por mail


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Gallego Caldas Jordi

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Morgan Freeman by George Lopes

domingo, maio 09, 2010

OS POBRES SÃO OS CULPADOS

Em épocas como a que vivemos actualmente há que evitar gastos desnecessários, fiscalizar bem para que a falcatrua não se instale, e saber punir quem nos enfiou neste beco sem saída que é o endividamento nacional.

Este governo está a tomar medidas exemplares nesse sentido, e a ministra do Trabalho tem vindo a dar a cara nessas nobres intenções.

Os cortes nos subsídios de desemprego, foram a 1ª grande notícia, mas a mais recente de exigir extractos bancários aos beneficiários de apoios sociais para terem acesso àquelas prestações, pode dizer-se que é como que a cereja no topo do bolo.

Os portugueses começam a ficar descansados, porque os corruptos estão lixados, os milhões de luvas que os desempregados e os beneficiários do RSI recebem vão ser descobertos e os culpados irão para a gaiola. Consta que as offshores vão ser obrigadas a enviar os registos dos movimentos desses facínoras, e os bancos vão cooperar alegremente com o senhor ministro das Finanças, abdicando do sigilo bancário no que respeita aos desempregados e aos beneficiários de outros apoios sociais.

Portugal vai tornar-se num país impoluto, sem corruptos e sem o crime económico, que faz parte da natureza dos pobres.

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Cartoon roubado por Henrique Monteiro

FOTOGRAFIA
Andrew Manson

Салют Победе