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domingo, outubro 11, 2015

PORTUGAL NÃO É A ISLÂNDIA

Enquanto Passos Coelho e Paulo Portas vão repetindo que Portugal não é a Grécia, sempre que a austeridade extrema vem à baila, eu pergunto-me porque é que não nos comparam com a Islândia, que afinal também recorreu à ajuda do FMI, mas que não aceitou todas as regras que lhe pretendiam impor.

Para começo de conversa a Islândia já pagou o que devia ao FMI e disse-lhes adeus. Curiosamente os islandeses deixaram cair alguns bancos e os detentores da dívida dos bancos ficaram com esses encargos, poupando-se assim a população. Outra curiosidade foi a condenação de vários ex-banqueiros.

A Islândia teve outra margem de negociação e maior capacidade para enfrentar a situação por não pertencer à União Europeia e à Zona Euro, pois assim não pagou a depositantes de outros países (Reino Unido e Holanda), e teve a faculdade de desvalorizar a moeda, recusando deste modo as medidas pesadas de austeridade que a UE pretendia impor.


O resultado está à vista, ajuda do FMI já paga, crescimento previsto de mais de 4% e recuperação do nível de vida dos cidadãos. A Islândia não estará acima das dificuldades, mas conseguiu resolver os problemas duma crise fortíssima em apenas seis anos, e Portugal lá vai penando, cada vez mais endividado e os portugueses cada vez mais pobres e sem esperança no futuro.


quinta-feira, maio 29, 2014

UMA EUROPA POUCO CONFIÁVEL

A União Europeia tem vindo a centrar a sua acção quase que em exclusivo nas questões económicas, desprezando completamente os cidadãos e as preocupações sociais, que eram a imagem de marca da Europa.

As preocupações com os mercados de capital e com a inflação, que os países com economias mais fortes têm imposto, fizeram com que a austeridade fosse quase uma norma para os países com economias mais fracas e com maiores dependências de financiamento estrangeiro.

O resultado tem sido catastrófico, não apenas pelo clima recessivo que tem causado, mas sobretudo pelos efeitos ainda mais negativos sobre os cidadãos, traduzidos em desemprego insustentável, e consequentes perdas de direitos nas diferentes áreas sociais.

Perante o avanço dos eurocépticos, começam a aparecer agora discursos anunciando planos para fomentar o mercado laboral europeu, tentado assim reconquistar a confiança dos cidadãos europeus.


Será que os cidadãos ainda confiam em quem os andou a tramar durante os últimos anos, e que não foi capaz de reconhecer o falhanço das suas políticas? É que este discurso recente pode ser interpretado apenas como uma tentativa para manter o poder, e nada mais.

PINTURA
Malangatana

domingo, julho 07, 2013

BRUTAL OU COLOSSAL, É IRRELEVANTE



Os discursos bonitos e agradáveis aos ouvintes já não bastam, e as classes dirigentes, políticas e económicas, estão tão desacreditados que não merecem qualquer confiança.

A demissão de Vítor Gaspar, o do aumento colossal de impostos, e a admissão de erros nas medidas por ele protagonizadas, bem como os erros nas previsões da política económica, não alegraram nenhum dos contribuintes que depois de todos os sacrifícios se sente ainda mais defraudado.

Também não vejo ninguém aos pulos nas ruas só porque Christine Lagarde veio admitir em público os erros cometidos pelo FMI na avaliação da situação de diversos países, onde o limite do ajuste orçamental “brutal” foi levado até ao seu “máximo”.

O mal foi feito, a situação económica de países como Portugal, deteriorou-se, sendo agora a situação geral ainda pior do que antes da aplicação do plano de ajuda.

Palavras leva-as o vento, e o que se exige é uma mudança radical de políticas e um alívio da austeridade que leve à criação de emprego, crescimento da economia e a melhorias no nível de vida dos cidadãos com melhor repartição da riqueza. Para alguns estes desejos podem parecer demasiado optimismo, mas para mim é apenas a exigência de seriedade e honestidade na política.


CARTOON

domingo, janeiro 10, 2010

RAPIDINHAS

Futebol – Quem não se lembra da euforia que durou até 2004, em que os responsáveis nacionais tudo fizeram para nos convencer da necessidade de construção de muitos recintos desportivos. Pois bem, eles aí estão, o sucesso do Euro 2004 também aconteceu, mas a factura está por pagar em diversos casos, e pelo menos seis câmaras municipais estão a braços com os encargos da dívida, e o dinheiro terá de sair dos munícipes contribuintes. Alguém conhece os responsáveis? Eles admitem ser responsáveis pelos prejuízos decorrentes das decisões tomadas?

Contabilidades – Todos sabem que há regras contabilísticas que se exigem a cada sector e a cada empresa. Planos de contabilidade existem e são obrigatórios, mas há sempre quem não cumpra e incorra em infracções. Parece que o Ministério da Justiça, sim esse mesmo, tem umas irregularidades nas suas contas, e que não podem ser consideradas meros amendoins, nem se pode dizer que sejam na realidade novidade absoluta, porque o anterior titular da pasta já tinha sido informado. Vamos ver quais são as explicações que aí vêm e quem é que assume os erros.

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CARTOON


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FOTOGRAFIA
про Машу и Тигру

дедушка сказал - Тиграми не рождаются...
888

segunda-feira, julho 27, 2009

ERROS E CULTURA

Depois de “confessar” ter errado na Cultura, José Sócrates que obviamente estava apenas a tentar desviar as atenções de outros erros mais clamorosos acaba por mostrar com toda a clareza que a sua afirmação era apenas uma manobra de diversão, porque passados diversos dias sobre a “revelação”, ainda não foi capaz de dizer uma única frase sobre a Cultura.

Não creio que alguém tenha ficado espantado e muito menos chocado com a frase anterior, mas eu devo dizer que um outro político conseguiu causar-me alguma surpresa, refiro-me a Cavaco Silva, por ter mostrado algum interesse em assuntos culturais.

Os meus amigos de café dizem-me que há diferenças abissais entre Lisboa e Salzburgo, e eu sei que elas existem de facto, mas estes dois senhores bem podiam ter feito qualquer coisinha para elevar o nível de oferta cultural das nossas cidades, bastava para tal que a sua Cultura a isso os forçasse genuinamente, e das suas bocas não saíssem apenas palavras de ocasião, ainda que politicamente correctas.






sábado, maio 17, 2008

SEMENTES DE REVOLTA

Já vamos no 18º aumento dos combustíveis em cinco meses. Desta vez é só uma petrolífera que o anuncia, mas amanhã ou depois serão as outras, o que nos faz prever que no próximo aumento trocam de posições, embora nada disto seja combinado. Que ideia, seus malandros.

O ministro Teixeira dos Santos, o mesmo que se enganou nas previsões do crescimento económico deste ano em 30%, um pequeno enganozito, não comecem já a zurzir no homem porque até conseguiu admitir que também se enganou na inflação, que agora situa nos 2,6%, um pouquinho acima dos 2,1% anteriores. Esta humildade é confrangedora, e eu até me espremi muito a ver se deitava uma lágrima, mas infelizmente não obtive resposta dos sacos lacrimais.

É evidente que depois dos “pequenos erros de cálculo”, tinha de ser anunciada alguma coisa menos má, e vai daí sai da cartola a diminuição do desemprego. O malabarismo estatístico é de mestre, e a notícia sai com dados do INE, a pedido do DN. Baixou o desemprego sem ninguém dar por isso, anuncia-se que 120 mil deixaram de ser precários, e o mercado de trabalho ficou mais rosadinho. Ficou lá uma nódoa, pequenina e desprezível para os nossos governantes, que foi o facto de o INE saber com exactidão quantos trabalhadores estão contratados com falsos recibos verdes, e o seu movimento em 2007, sem que os diversos ministérios que deviam actuar perante esta ilegalidade tivessem actuado em conformidade. Pormenores, digo eu.

Também acho que poucos dias passados sobre 13 de Maio, os portugueses devem estar prenhes de misericórdia, e que certamente vão perdoar o ministro Teixeira dos Santos, por obrigar o 1º ministro, José Sócrates, a quebrar a promessa de repor este ano o poder de compra dos funcionários públicos, afirmando que não vão haver aumentos intercalares. Afinal quem se importa, nós até já estamos habituados à quebra das promessas por parte do senhor Sócrates, e esta é apenas mais uma.

Se eu hoje não estivesse tão bem disposto, como se vê, era capaz de dizer umas quantas coisas desagradáveis sobre os nossos queridos governantes, e podia perturbar o vosso fim-de-semana, que é a última coisa que eu desejo.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana, longe desta imensa Ribeira dos Milagres em que se transformou o jardim à beira-mar plantado, visitem se puderem um museu que será dos poucos locais onde neste domingo terão uma borla, e vão pensando muito bem nas escolhas que farão nas próximas eleições, ou até se valerá a pena votar em alguém, ou simplesmente votar em branco, como eu.

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FOTOGRAFIA
Яков Левашов

Melany

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CARTOON

Biratan

Biratan

Biratan