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sexta-feira, maio 13, 2011

PÊLOS NA ENGRENAGEM

O episódio dos pêlos púbicos com que Catroga nos brindou, já foi esmiuçado por toda a gente, mas o que realmente importa referir é que nem Catroga nem José Gomes Ferreira (o entrevistador), têm razão quando referem que ninguém quer discutir o tema da Taxa Social Única (TSU).

A redução da TSU, para as empresas, preconizada pelo PSD, só se justificaria em termos de competitividade se comparativamente aos nossos parceiros europeus, ela fosse mais alta, e não é.

Outro argumento que pesa para os que discordam da medida, é o facto de se atribuir aos encargos com o trabalho um peso que nos distancia da concorrência europeia, e isso é também falso.

Uma preocupação legítima de quem discorda da baixa da TSU é a que se prende com as receitas da Segurança Social, porque é evidente que existe uma desconfiança razoável quanto à eventual reposição dessa diferença de verbas nos cofres da Segurança Social, se cobrada por via de qualquer outro imposto.

Não é ruído o que se ouve e lê sobre o caso da baixa da TSU, mas sim legítimas preocupações de muita gente, sobre uma medida que favorece apenas as empresas, atirando ainda maiores sacrifícios sobre os ombros dos trabalhadores por conta de outrem, podendo até vir a fazer perigar as pensões e outras prestações sociais num futuro próximo.

Ouvir dizer que a única alternativa é baixar salários, como disse Pedro Passos Coelho, é redutor e não é sério, porque se podem baixar os custos da produção pelo lado dos preços da energia, só para dar um exemplo, que é um custo bem penalizador como se sabe.





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CARICATURA
Sarkozy by Rodney Pike

quinta-feira, março 31, 2011

RAPIDINHAS

(Des) Confiança – O INE continua a surpreender-nos com o seu inefável optimismo, para não dizer humor. Aquele organismo, dito independente, afirmou esta semana que a confiança das empresas voltou a diminuir ligeiramente em Março, enquanto que a confiança dos consumidores aumentou. Penso que só terão auscultado gente à porta de S. Bento, e antes do chumbo do PEC…

Cavaco – Cavaco Silva afirmou-se como presidente de TODOS os portugueses, mas veio a exigir a apenas 3 partidos um cometimento quanto aos compromissos do défice fixados por Portugal. Então o senhor presidente resolveu desconsiderar os que votaram noutros partidos que não o PS, PSD e CDS? Já nem falo naqueles que se estão marimbando para o actual espectro partidário, que são muitos.



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CARTOON

sexta-feira, março 19, 2010

FALTAR À PALAVRA

Nas legislativas os cidadãos são chamados às urnas para escolher um partido, que no caso de recolher mais votos é convidado a indicar um nome para o lugar de 1º ministro. A escolha, em princípio, é feita pelo escrutínio do programa eleitoral dos partidos, apresentados ao veredicto popular.

Claro que da teoria à prática vai uma grande distância, porque não há garantias nenhumas de que os eleitos venham a cumprir as promessas com que se apresentaram ao escrutínio eleitoral.

José Sócrates dizia antes das últimas eleições:

“Aumentar os impostos? Era só o que faltava. Numa altura em que o país enfrenta uma crise destas, acha que proporia aumentar os impostos?”

“Acabar com as deduções fiscais conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média”.

Como é fácil de compreender, o que antes era verdade hoje é mentira. É muito difícil de engolir que uma democracia possa coexistir com políticas que são o contrário do que foi sufragado, e que a oposição não apresente uma moção de desconfiança, e que o Presidente da República esteja à espera do Parlamento quando o programa que mereceu a confiança do povo não está a ser respeitado.

A política é uma actividade nobre, o mesmo não se pode dizer de quem está na política e actua deste modo.





Ode à Mentira

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,
como sereis cruéis, como sereis injustas?
Quem torturais, quem perseguis,
quem esmagais vilmente em ferros que inventais,
apenas sendo vosso gemeria as dores
que ansiosamente ao vosso medo lembram
e ao vosso coração cardíaco constrangem.
Quem de vós morre, quem de por vós a vida
lhe vai sendo sugada a cada canto
dos gestos e palavras, nas esquinas
das ruas e dos montes e dos mares
da terra que marcais, matriculais, comprais,
vendeis, hipotecais, regais a sangue,
esses e os outros, que, de olhar à escuta
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,
vos contemplam como coisas óbvias,
fatais a vós que não a quem matais,
esses e os outros todos... - como sereis cruéis,
como sereis injustas, como sereis tão falsas?
Ferocidade, falsidade, injúria
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso
o coração que apavorado em vós soluça
a raiva ansiosa de esmagar as pedras
dessa encosta abrupta que desceis.
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?
Descereis, descereis sempre, descereis.

Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'



Jorge de Sena In Felizardo Cartoon

quinta-feira, junho 11, 2009

A ABSTENÇÃO

Ao contrário de Cavaco Silva, eu não penso que os cidadãos portugueses tenham empobrecido a Democracia em Portugal, mas acho muito sinceramente que a responsabilidade nesse empobrecimento está inteiramente do lado da classe política que temos.

Os portugueses não estão muito virados para a participação cívica em geral, mas já vão surgindo algumas honrosas excepções, geralmente viradas para a ajuda aos mais necessitados, e às grandes causas pouco apoiadas pelas elites políticas.

Os portugueses só se alheiam e parecem desistir de lutar contra as injustiças ligadas ao exercício do poder, exactamente porque esse poder é corporizado pela grande economia e pelos partidos que de algum modo estão reféns do tal poder económico.

A solidariedade não é para enfeitar discursos do poder ou da oposição, é para ser protagonizada no terreno, e ter tradução real na acção do Governo e das suas instituições, e não ter que ser da responsabilidade da sociedade e do esforço exclusivo da sociedade anónima e das suas emanações mais empenhadas.

O senhor Presidente da República e os muitos comentadores políticos nacionais podem estar cientes de que, caso existisse um quadrado reservado a registar o desagrado pela acção dos políticos nacionais, em cada boletim de qualquer dos processos eleitorais futuros, a abstenção deixaria certamente de aumentar, e o uso desse quadrado iria aumentar de forma assinalável, ficando clara a razão do desinteresse nacional na participação política alicerçada nos padrões actuais.



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Points Between by Sortvind

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O discurso do professor

sexta-feira, maio 29, 2009

RAPIDINHAS

Pousadas de Portugal – O tema já não é novo por aqui, e pelos vistos também já suscitou algumas questões na Assembleia da República, e versa a alienação de capital social na Enatur e o contrato para exploração das pousadas de Portugal pelo Grupo Pestana. Afinal não era só eu que não encontrava nada sobre o assunto, o mesmo terá acontecido com o PCP, que teve que pedir esclarecimentos ao Tribunal de Contas, uma vez que não conseguiu obter informação por parte do Governo, com o argumento de confidencialidade. Interessante!

Cavadelas e minhocas – O caso BPN/SLN tem sido uma verdadeira caixinha de surpresas, e não daquelas de que alguém verdadeiramente se orgulhe. O dinheiro voou, isso é um dado adquirido, e alguns dos negócios ruinosos são simplesmente inenarráveis, tal como o dinheiro perdido. Culpados parece que não há, e suspeitos apenas um, o que nem com muito boa vontade é crível. Enfim, tudo boa gente, bem relacionada, de absoluta confiança, que ao que parece apenas não tinha jeito para os negócios. Formidável!



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Ageres-xxx

Прозоров Юрий

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Eleições?

O Arrombador

segunda-feira, outubro 13, 2008

PREOCUPAÇÃO

Não sei porquê, mas com tantos figurões a tentarem dar-me confiança, estou cada vez mais preocupado com a situação.
Zé Povinho

domingo, outubro 12, 2008

AINDA POR CÁ

Isto de ter obrigações profissionais e haver falta de pessoal, tem um inconveniente bem notório que transparece na regularidade com que ando por estas bandas, quer postando quer comentando noutros espaços.

O mundo não pára por causa de mim, e eis que Manuel Alegre quebra a disciplina de voto imposta pelo seu grupo parlamentar, o que para alguns é sinal coerência, para outros é tão só conveniente para José Sócrates que consegue agradar a algum eleitorado mais à esquerda, pelo que a quebra da disciplina de voto não terá consequências práticas e disciplinares.

No campo da política nacional temos ainda o caso dos voos da CIA, agora que o Ministério da Defesa espanhol se referiu à existência de um avião desses nas Lajes, que correspondeu a um silêncio absoluto das autoridades portuguesas, que quanto menos falarem no assunto menos se enterram.

Cavaco Silva também tem estado muito activo, e agora apela à união dos portugueses para ultrapassar a crise. Diz ainda que não é tempo de divisões e que podemos confiar nos bancos. Tanto quanto me parece são os bancos que não confiam uns nos outros, porque que se saiba ainda não houve nenhuma corrida aos bancos para retirar as suas economias.

Os apelos do 1º ministro, do governador do Banco de Portugal e do Presidente, na defesa das empresas financeiras nacionais começa a soar como um sinal de alarme para a população, sugerindo que o pânico já se começa a sentir nessas instâncias, que contudo não mostram o mesmo empenho na defesa do cidadão comum que enfrenta dificuldades há diversos anos, com o cinto no último furo e à beira da asfixia.

A economia mundial está muito enferma, o liberalismo económico mostrou o seu falhanço, cá dentro já são demasiados os anos de sacrifícios e não é possível continuar a exigir tamanhos sacrifícios indefinidamente, agora em defesa das empresas que estão na origem dos problemas económicos. Descer mais um degrau é condenar muitos mais ao desemprego, a fome para muitos e a instabilidade social.



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FOTOGRAFIA
A Hope Of A Better New World by *magnusti78

moonlit rose by *AmiraMora

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CARICATURA
Caricatura: Michael Schumacher

Caricatura: House

sábado, maio 17, 2008

SEMENTES DE REVOLTA

Já vamos no 18º aumento dos combustíveis em cinco meses. Desta vez é só uma petrolífera que o anuncia, mas amanhã ou depois serão as outras, o que nos faz prever que no próximo aumento trocam de posições, embora nada disto seja combinado. Que ideia, seus malandros.

O ministro Teixeira dos Santos, o mesmo que se enganou nas previsões do crescimento económico deste ano em 30%, um pequeno enganozito, não comecem já a zurzir no homem porque até conseguiu admitir que também se enganou na inflação, que agora situa nos 2,6%, um pouquinho acima dos 2,1% anteriores. Esta humildade é confrangedora, e eu até me espremi muito a ver se deitava uma lágrima, mas infelizmente não obtive resposta dos sacos lacrimais.

É evidente que depois dos “pequenos erros de cálculo”, tinha de ser anunciada alguma coisa menos má, e vai daí sai da cartola a diminuição do desemprego. O malabarismo estatístico é de mestre, e a notícia sai com dados do INE, a pedido do DN. Baixou o desemprego sem ninguém dar por isso, anuncia-se que 120 mil deixaram de ser precários, e o mercado de trabalho ficou mais rosadinho. Ficou lá uma nódoa, pequenina e desprezível para os nossos governantes, que foi o facto de o INE saber com exactidão quantos trabalhadores estão contratados com falsos recibos verdes, e o seu movimento em 2007, sem que os diversos ministérios que deviam actuar perante esta ilegalidade tivessem actuado em conformidade. Pormenores, digo eu.

Também acho que poucos dias passados sobre 13 de Maio, os portugueses devem estar prenhes de misericórdia, e que certamente vão perdoar o ministro Teixeira dos Santos, por obrigar o 1º ministro, José Sócrates, a quebrar a promessa de repor este ano o poder de compra dos funcionários públicos, afirmando que não vão haver aumentos intercalares. Afinal quem se importa, nós até já estamos habituados à quebra das promessas por parte do senhor Sócrates, e esta é apenas mais uma.

Se eu hoje não estivesse tão bem disposto, como se vê, era capaz de dizer umas quantas coisas desagradáveis sobre os nossos queridos governantes, e podia perturbar o vosso fim-de-semana, que é a última coisa que eu desejo.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana, longe desta imensa Ribeira dos Milagres em que se transformou o jardim à beira-mar plantado, visitem se puderem um museu que será dos poucos locais onde neste domingo terão uma borla, e vão pensando muito bem nas escolhas que farão nas próximas eleições, ou até se valerá a pena votar em alguém, ou simplesmente votar em branco, como eu.

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FOTOGRAFIA
Яков Левашов

Melany

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CARTOON

Biratan

Biratan

Biratan

domingo, março 30, 2008

A CONFIANÇA, CONQUISTA-SE

Sobre o anúncio da descida de um ponto percentual do IVA, muito se escreveu, ora minimizando a medida, ora enaltecendo o anúncio. Como é natural, é difícil aceitar que a diminuição de um por cento depois de um aumentode 2% há dois anos, seja considerado um motivo de regozijo para os portugueses.

Os optimistas, que também os há, alinham com a medida do governo, como é evidente. Há contudo, pelo menos, um pequeno pormenor (será assim tão pequeno?) que se prende com as declarações do 1º ministro, quando anunciou este corte no IVA, que nos faz desconfiar e torcer o nariz, ele disse que “a crise orçamental está ultrapassada e os factores que a motivaram estão resolvidos”.

O cidadão comum, grupo em que me incluo naturalmente, só consegue aferir as declarações de José Sócrates, em função do seu próprio orçamento familiar, e a crise neste particular está para ficar até ao final do ano, pelo menos, quando serão anunciados os aumentos relativos aos salários. Será que nutrimos um excesso de desconfiança relativamente ao que o governo diz? Talvez sim, mas um executivo que faltou à sua promessa eleitoral de não aumentar os impostos, e que o fez, e nem só no caso do IVA, não incute confiança suficiente aos cidadãos.

O calendário eleitoral também não favorece o governo, pois é evidente que a pressa em reduzir o défice, para lá das previsões feitas pelo próprio governo, levando o esforço das famílias ao limite, e cortando no investimento público numa altura em que o desemprego aumentava, visa fazer coincidir alguma folga orçamental num ano em que se realizam eleições.

Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele, e convenhamos que Sócrates a vestiu e disso se vangloriou, pelo que os cidadãos reagem com natural desconfiança.

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FOTOGRAFIA
Blue Water by eserota

Abbandono di un sogno by Sliggo

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CARTOON DENÚNCIA

Simanca Osmani


Stephane Peray


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