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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

NÃO COMPREENDO



Portugal atravessa um grave crise, não só económica mas também social e de valores, cujas causas são bastante claras, apesar de haver quem as tente mascarar. Tudo teve início com os problemas das instituições bancárias, resultantes da especulação desenfreada por elas praticada,

Todos conhecemos os remédios receitados pelas autoridades monetárias e pelas instituições internacionais, prontamente seguidas pelos países com economias mais frágeis, como Portugal, e as consequências dessas mesmas medidas.

A receita falhou, a austeridade excessiva teve consequências dramáticas a nível social e a nível económico, que estão bem à vista de todos. A destruição do Estado social como se isso resolvesse a situação agora existente é mais uma asneira com impacto certo, a curto prazo, de tensões sociais que podem ter consequências indesejáveis.

Quando se fala tanto de reestruturação, disto e daquilo, porque será que não se fala da reestruturação do sector financeiro, afinal o verdadeiro responsável pela situação? A grande finança e a política são avessas à mudança, e ambas são incapazes de reconhecer as suas culpas.


FOTOGRAFIA 


domingo, novembro 11, 2012

PIOR A EMENDA…



Isabel Jonet cometeu um erro de palmatória num programa televisivo quando, talvez involuntariamente, misturou a sua condição de presidente do Banco Alimentar com a opinião política enquanto cidadã dum país livre e democrático, e o erro não é fácil de remediar.

A opinião pública é muito sensível, em tempos de crise, ao tema da pobreza e do desemprego, e a líder duma entidade virada para a acção social e dependente do voluntariado e das doações dos cidadãos devia compreender que, nessa condição específica, deve ter a preocupação de unir e nunca a de eventualmente dividir opiniões.

A opinião da cidadã Isabel Jonet é que foi debatida nas redes sociais, mas os danos desta intervenção pouco avisada, podem recair sobre uma instituição, que apesar de ser dirigida por pessoas que podem errar como todos os humanos, tem uma função tanto mais importante quanto maior for a crise que estejamos a passar.

Lamento mais uma vez a tentativa de explicações da presidente do Banco Alimentar, que apenas serviu para salientar a sua opinião, que é muito discutível, e não para acabar de vez com a polémica. O silêncio talvez tivesse sido mais útil nesta ocasião.


segunda-feira, outubro 01, 2012

O PROSCRITO



Nem todos os economistas podem ser tão “brilhantes” quanto António Borges, Braga de Macedo ou Vítor Gaspar, e por isso é que acabam por ganhar o prémio Nobel, como é o caso de Paul Krugman.

É claro que vivemos em Portugal, um país pequeno e periférico, governado por gente iluminada há já mais de três décadas, e deve ser por isso que estamos num paraíso tutelado por uma troika de prestamistas, para não dizer agiotas.

Quando Paul Krugman diz que “a austeridade foi demasiado longe” e que “os verdadeiros intervenientes irracionais são os políticos que exigem cada vez mais sacrifícios”, estamos apenas a ouvir a tradução do que as ruas da Grécia, Portugal e Espanha têm expressado.

Claro que Paul Krugman não é o economista mais credível, ao contrário dos fenómenos que temos por cá, mas sempre é uma voz que se vai ouvindo e que não está alinhada com a dos que nos conduziram ao buraco em que estamos metidos.



sexta-feira, maio 13, 2011

PÊLOS NA ENGRENAGEM

O episódio dos pêlos púbicos com que Catroga nos brindou, já foi esmiuçado por toda a gente, mas o que realmente importa referir é que nem Catroga nem José Gomes Ferreira (o entrevistador), têm razão quando referem que ninguém quer discutir o tema da Taxa Social Única (TSU).

A redução da TSU, para as empresas, preconizada pelo PSD, só se justificaria em termos de competitividade se comparativamente aos nossos parceiros europeus, ela fosse mais alta, e não é.

Outro argumento que pesa para os que discordam da medida, é o facto de se atribuir aos encargos com o trabalho um peso que nos distancia da concorrência europeia, e isso é também falso.

Uma preocupação legítima de quem discorda da baixa da TSU é a que se prende com as receitas da Segurança Social, porque é evidente que existe uma desconfiança razoável quanto à eventual reposição dessa diferença de verbas nos cofres da Segurança Social, se cobrada por via de qualquer outro imposto.

Não é ruído o que se ouve e lê sobre o caso da baixa da TSU, mas sim legítimas preocupações de muita gente, sobre uma medida que favorece apenas as empresas, atirando ainda maiores sacrifícios sobre os ombros dos trabalhadores por conta de outrem, podendo até vir a fazer perigar as pensões e outras prestações sociais num futuro próximo.

Ouvir dizer que a única alternativa é baixar salários, como disse Pedro Passos Coelho, é redutor e não é sério, porque se podem baixar os custos da produção pelo lado dos preços da energia, só para dar um exemplo, que é um custo bem penalizador como se sabe.





FOTOGRAFIA


CARICATURA
Sarkozy by Rodney Pike