terça-feira, outubro 11, 2016
O NOBEL E A TEORIA DOS CONTRATOS
segunda-feira, outubro 01, 2012
O PROSCRITO
terça-feira, janeiro 17, 2012
A ECONOMIA VISTA DO UMBIGO
A maioria dos que são conhecidos, ou por terem passado pelos governos, ou que emitem opiniões com alguma frequência, erraram mais do que acertaram, mas há um que hoje me caiu na rifa, e é o Daniel Bessa.
A frase “Portugal deve procurar manter a sua mão-de-obra o mais barata possível, de forma a manter-se competitivo no seio da zona euro” é de antologia.
Não acredito que Daniel Bessa ache que deva auferir (apenas) um salário baixo, para que o seu empregador fosse mais competitivo, e que certamente encontraria meia dúzia de argumentos para o justificar, mas ele é uma pessoa excepcional.
Por acaso o senhor economista não mencionou que os países com os salários mais elevados da zona euro. São precisamente os mais competitivos e os que têm as economias mais fortes. É apenas um detalhe que perante o brilhantismo do professor empalidece e perde a importância.
Também de antologia é a sua afirmação “é importante que os recursos humanos mantenham alguma qualificação e que fiquemos entre os mais baratos”, que é um verdadeiro hino à ignorância, mas que deve ter feito vibrar uma plateia dos que avidamente o escutam.
Estas afirmações, percebi-o mais tarde, foram proferidas no Museu do Oriente, o que justifica a influência marcante no pensamento. Ele falava em sermos competitivos na área dos call centers, quem sabe se para competir com o Paquistão e a Índia. Formidável, é um génio!

quinta-feira, dezembro 30, 2010
A ILÓGICA DA MATEMÁTICA
Já afirmei aqui por diversas vezes a minha dificuldade em entender os economistas e fiscalistas, especialmente quando eles tentam explicar a justiça de medidas de contenção, dos aumentos, ou até dos impostos. Para eles é tudo uma questão de números, percentagens e progressividade, completamente abstracta.
Hoje ouvi umas explicações disparatadas sobre a justeza das taxas moderadoras na saúde, que vão ser pagas por todos os que tenham um rendimento superior a 485 euros mensais. Para os governantes e para o economista que falava, trata-se de um acto de moralização no sistema, porque só haverá justiça se todos, a partir de um patamar, contribuírem.
Os mesmos economistas defendem aumentos salariais usando percentagens, e sempre acharam isso da mais elementar justiça. Sobre os impostos, em particular sobre o IVA, defendem-no com unhas e dentes, mesmo quando sobe como agora acontece, por ser universal, mesmo não sendo progressivo, mas porque tem taxas diferenciadas consoante o tipo de bens e serviços em causa.
Os senhores, e senhoras, economistas e fiscalistas nunca mencionam o ponto de partida da questão sobre a qual se pronunciam sobre a sua justiça, que é sempre o rendimento mensal de cada um. A realidade fica para além da abstracção matemática, mas bastava colocar números no papel para facilmente provar que os cursos que tiraram, ou caíram no esquecimento, ou então terão sido tirados em alguma universidade manhosa. Não me esqueci da possibilidade de estarem a fazer um favor aos interesses que lhes pagam, porque isso podia ofender a sua dignidade pessoal, e ainda apanhava com algum processo!
Por último deixo aqui um conselho grátis para essas sumidades, que é o de tirarem um estágio grátis na mercearia do senhor Manuel, aqui pertinho, para aprenderem umas continhas de merceeiro, que lhes iriam abrir novos horizontes.
segunda-feira, outubro 18, 2010
MINISTRO E ECONOMISTA
A minha descrença sistemática nas previsões dos economistas cá do pedaço, é conhecida e assumida por mim sem qualquer problema. Sei que são muito respeitados por alguns, e requisitados por outros, sempre para se pronunciarem sobre a situação do país, mas invariavelmente dizem apenas banalidades que qualquer outro cidadão podia também dizer.
O ministro Teixeira dos Santos é um reputado economista, ou pelo menos é assim que os seus pares o consideram, mas apenas em Portugal, porque consta que já foi considerado o pior ministro das Finanças da União Europeia, ainda que possa ter sido apenas a má língua a funcionar.
Eu não tenho nenhum apreço por Teixeira dos Santos, nem o considero um bom ministro das Finanças, mas tenho cá os meus motivos.
Confrontado pelos jornalistas do DN, com as contas feitas pela Deloitte e por outras consultoras, o senhor ministro lá admitiu que a média que se paga do IRS anda na ordem dos 11%, ainda que a estrutura do imposto tenha taxas de 10%, 20% e 40% para os diversos níveis de rendimentos. O que Teixeira dos Santos não nos explica é porque é que assim acontece.
Não basta a um economista que até é o titular da pasta das Finanças, dizer que “há aqui algo de profundamente errado no sistema fiscal, em particular da tributação do rendimento”, porque o que lhe compete, na posição que ocupa, é precisamente corrigir esta injustiça.
Lamento dizer que não só acho o senhor ministro incapaz de desempenhar a contento a sua função, como ainda acho que neste pacote de medidas que pretende introduzir via OE, está a praticar conscientemente uma enorme injustiça, não merecendo por isso nem confiança nem respeito por parte deste contribuinte.

quarta-feira, setembro 22, 2010
OS SORVEDOUROS DE DINHEIRO
Enquanto vemos, ouvimos e lemos políticos e economistas a malhar na Função Pública, classificando-a de sorvedouro da riqueza nacional, vamos tomando conhecimento de poços sem fundo onde se despeja dinheiro sem verdadeiro controlo.
O despesismo atribuído ao Estado tem inúmeras vertentes e grandes montantes desse dinheiro nada tem a ver com despesas com o funcionalismo, mas sim com milhares de instituições que vivem à sombra do Orçamento de Estado.
O DN citando o economista José Cantiga Esteves vem revelar que existem cerca de 14 mil instituições que estão sob o chapéu do orçamento de todos nós. Serão todos necessários e úteis?
A estas revelações, que aliás são mais do que evidentes, podemos acrescentar serviços que são contratualizados a empresas privadas em quase todas as áreas, desde a educação, a saúde, a segurança e outras acessórias que também fazem parte da tal despesa rígida de que falam. Juntem-se os encargos da dívida pública e a incompetência na gestão do nosso dinheiro e temos um retrato muito simples do buraco em que estamos.
O senhor Murteira Nabo podia olhar para tudo isto antes de falar no corte do 13º mês, mas isso é incómodo para a sua classe, a dos economistas, e a dos políticos, que são os contratadores desses mesmos economistas.
domingo, outubro 25, 2009
LUCIDEZ OU COERÊNCIA?
É irritante e incompreensível ouvir o senhor governador do Banco de Portugal, sempre que vem falar de cenários económicos para os tempos mais próximos, abordar o tema da contenção salarial.
Os senhores economistas devem ter alguma fixação doentia relativamente aos salários, como se os outros factores de produção, como a energia, o custo dos transportes, a burocracia, os impostos e mesmo a situação geográfica ou o baixo poder de compra não tivessem também a sua importância na equação produtividade e competitividade.
Ao governador do BdP compete regular a economia do país na sua vertente macroeconómica, com preocupações e responsabilidades quanto às finanças públicas e ao endividamento público e privado relativamente ao fluxo de importações e exportações necessárias ao desenvolvimento e saúde económica.
Sempre ouvi o governador dizer que os preços não são da sua responsabilidade mas sim resultado do bom funcionamento dos mercados, o que não é da sua competência em absoluto. Gostava que o senhor Constâncio fosse coerente também no que respeita às políticas salariais, mostrando assim lucidez e coerência, factores que não demonstra em absoluto.
sábado, julho 11, 2009
CHOVER NO MOLHADO
Daniel Bessa tem sido um dos mais profícuos na elaboração de estudos e em discursos sobre temas económicos, e desde o aeroporto de Lisboa ao TGV, passando pela estratégia económica para o futuro, sobre tudo se tem pronunciado.
Não é surpreendente que venha apoiar Manuel Pinho na sua última intervenção pública, afinal estamos na presença de dois ex-ministros do mesmo quadrante político. Tendo em linha de conta a actual situação económica e o desenvolvimento nacional dos últimos anos, Daniel Bessa não fica lá muito bem no retrato.
Eu esperava que as receitas propostas tivessem algo de inovador, mas surpreendentemente, ou talvez não, este economista aponta as mesmas velhas receitas, cujo resultado tão bem conhecemos.
Não vou rebater o rumo indicado põe Daniel Bessa, mas basta dizer que no fundo se limitou a dizer que a gafe de Manuel Pinho na China, até foi uma afirmação acertada, demonstrando-se assim que com os economistas da nossa praça (quase todos), continuaremos a querer competir no mundo globalizado apresentando como factor vantajoso, o baixo nível dos salários dos trabalhadores do sector produtivo nacional.
A política económica desejada pelo poder continua a ser a da tigela de arroz, mostrando-se assim o espírito criativo e inovador das classes dominantes e a sua visão para o futuro de Portugal e dos portugueses.
domingo, setembro 28, 2008
CONCLUSÕES E PROPOSTAS CURIOSAS
Ainda há poucos meses, antes da hecatombe que atingiu os mercados financeiros, seria impensável ouvir ou ler certas afirmações que agora começam a surgir da boca e da pena dos nossos analistas económicos.
Quem imaginaria ler António Perez Metelo a dizer que desde a era Reagan “… a redução dos impostos sobre os mais ricos passou a ser a marca de água de uma teoria que acredita ser necessário dar mais e mais aos ricos para que invistam mais, enquanto há que apoiar cada vez menos os necessitados para obrigá-los a trabalhar mais”, ou Daniel Amaral a dizer que “ … a redistribuição pode atacar-se desde já, pela via fiscal” propondo que se aumentasse 10% ao IRC pago pelas empresas e os transferíssemos para os salários dos trabalhadores (IRS)?
Eu suponho que quem tenha lido isto como eu, tenha ficado abismado, porque nunca os vi, antes da crise, colocarem estas ideias como propostas credíveis e aceitáveis. Pelo contrário, e eu leio-os com muita frequência mesmo que discordando quase sistematicamente com as suas análises, nunca os vi esgrimir estes argumentos, e logo com a convicção com que o fizeram na passada semana.
Nunca é tarde para se mudar de ideias, costuma dizer-se, mas lá que é curioso que tenham estas conclusões e propostas, habitualmente conotadas com sectores à esquerda do PS, isso não se pode negar.


sexta-feira, maio 09, 2008
ELE SABE DO QUE FALA...
Começando pelo princípio, o cantor disse recentemente em Portugal que “Angola é gerida por criminosos” e que “as casas mais ricas do mundo estão (a ser construídas) na baía de Luanda, são mais cara do que em Chelsea e Park Lane”, salientando que boa parte da população desse país vive com inúmeras dificuldades.
Pois parece que Mira Amaral não concorda com esta opinião expressa por Bob Geldof, que classificou “são irresponsáveis e desconhecedoras da matéria”, acrescentando que “há dois tipos de pessoas: os gestores que sabem do que falam e os artistas de rock e pop que serão competentes na sua área mas, se calhar, noutras não têm competência nem o conhecimento para falar”.
Hoje não me apetece comentar as declarações de nenhum dos dois, mas não posso deixar de salientar a coincidência de estas declarações de Mira Amaral, presidente do BIC, terem sido feitas durante a apresentação oficial deste novo banco, que possui uma estrutura accionista semelhante ao BIC Angola, onde pontua um familiar do próprio presidente angolano.
segunda-feira, setembro 17, 2007
SARKOZY SACODE ECONOMISTAS
No seu estilo sensacionalista, veio afirmar aquilo que já se sabia, que “achava estranho que o BCE tenha injectado dinheiro nos mercados financeiros sem baixar as taxas de juro”, acrescentando que “foram criadas condições para facilitar a actuação dos especuladores, ao mesmo tempo que se dificultou o trabalho dos empreendedores”.
Os ministros das Finanças vieram naturalmente dizer que estavam de acordo com a estratégia do senhor Jean Claude Trichet, presidente do BCE, ou não estivessem eles ligados ao mundo da alta finança.
Analisando a questão por outro prisma, ainda que não se goste do sr. Sarkozy, a verdade é que o investimento no tecido empresarial europeu não acompanha o volume de proveitos gerados, continuando no entanto a aumentar na actividade especulativa e na deslocalização para territórios asiáticos. As consequências são sentidas sobretudo no campo do desemprego que, depois de um ligeiro abrandamento, mostra tendências para aumentar, nos salários que tendem a baixar em valor real, e no aumento dos encargos familiares e empresariais devido aos aumentos dos juros reais.
A política monetária agora adoptada coloca em risco toda a economia europeia, que já não enfrenta só o risco real do aumento do petróleo, mas também o aumento dos juros, a valorização excessiva do euro e a perda da competitividade dos seus produtos. É interessante que o aviso tenha vindo precisamente da boca de Sarkozy, um politico conservador.
Agradecimento ao amigo JADL
segunda-feira, abril 23, 2007
É A ESTÚPIDA ECONOMIA
Desafio o economista comentador, MDM de seu nome, a indicar os nomes das empresas cujos patrões usam contratos a termo para as suas necessidades permanentes de serviço, pois eu já aqui fiz o mesmo denunciando o Ministério da Cultura que o fez descaradamente durante anos, resultando agora na situação de escassez absoluta de vigilantes de museu e quadros sub dimensionados.
Coragem pois MDM (economista).
sábado, abril 14, 2007
ESTES NOSSOS ECONOMISTAS …
Associada a estas teorias liberais vinha sempre sugerida a necessidade de menos Estado porque apenas servia para dificultar a criação de novas empresas, criava dificuldades ao desenvolvimento e estrangulava os mercados.
A realidade depressa se encarregou de mostrar que o enfraquecimento do Estado enquanto regulador levou à concentração, aos cartéis descarados nos combustíveis, aos gigantes monopólios ou duopólios que não competem antes concertam preços, e à inevitável desregulamentação do mercado do trabalho. A redistribuição da riqueza é uma miragem, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Agora, depois desta autêntica cruzada e perante os resultados visíveis, vemos os mesmíssimos mentores das teorias liberais dos finais do século XX, virem afirmar que a globalização trava os salários nos países desenvolvidos, que o excesso de mão-de-obra disponível está a acentuar a desigualdade na distribuição dos rendimentos e a provocar contenção salarial.
Aquilo que já é mais do que evidente e era previsível, pois nunca se viu empresas e accionistas mais preocupados com os funcionários do que com os lucros que possam obter, transformou-se agora num alerta do FMI.
Os economistas, os empresários e os políticos portugueses devem estar desiludidos com esta instituição, o FMI, cujas recomendações eram recebidas como verdades absolutas e inquestionáveis, porque logo agora que estavam a endurecer as suas posições liberais, não vem mesmo nada a calhar este balde de água fria.
Os sinais estavam todos aí, bem à vista, mas como se costuma dizer: não há maior cego do que aquele que não quer ver!


The violin(s) by Giuseppe Sozzi



























