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terça-feira, março 26, 2019

O MÉRITO E A COMPETÊNCIA FAMILIAR


É comum ouvir-se por aí que se deve recompensar o mérito e a competência, existindo mesmo quem ache que as classificações do desempenho, na função pública, são o melhor método para aquilatar da qualidade e empenhamento dos trabalhadores.

Do discurso à realidade vai um caminho imenso, e entre o que se diz e o que se pratica vai uma distância tão grande que qualquer semelhança é meramente fortuita.

Nas empresas a sucessão dos lugares de poder é invariavelmente ocupada por alguém com um grau de parentesco próximo, como acontece também no ensino superior, nos escritórios de advocacia, e noutros sectores da nossa economia.

Como julgamos viver numa Democracia, era de esperar que os nossos políticos fossem aqueles que nós escolhemos directamente pelo voto, mas não é assim, pois os partidos é que escolhem quem vai para o Parlamento e até para o Governo. Assim sendo nem os políticos respondem directamente a quem os elege, o que distorce o conceito de lealdade que deveria existir entre eleitos e eleitores.

As coisas podem ainda ser piores, como se está a perceber, pois todos os órgãos de poder e da Administração Pública podem ser invadidos por familiares e amigos dos governantes, que naturalmente alegam que as nomeações são feitas pela competência dos escolhidos, mas convenhamos que ninguém acredita nessa explicação, como é cada vez mais evidente.

Leituras AQUI , AQUI e AQUI


quinta-feira, junho 19, 2014

UM CERTO PORTUGAL DE SUCESSO

Desde o consulado de Cavaco Silva que se ouve falar de empresários e de gestores de sucesso, que fizeram coisas inovadoras, ou que pura e simplesmente sobressaíram nas áreas onde se moviam.

Quem não se lembra dos nomes que dominaram o BCP, o BPN, o BPP, o BANIF e o Espírito Santo, para citar apenas alguns? Todos eles eram notícia ainda há poucos anos pelo sucesso à frente das suas instituições.

Os tempos mudam, a crise surge, e do sucesso passa-se ao descrédito, dos louvores passa-se às crítica, em alguns casos chama-se mesmo a polícia, mas quase todos eles passam incólumes a tudo isso, continuando à solta e bem na vida, como se nada se tivesse passado.

A memória dos portugueses pode ser curta, mas o que esses homens de sucesso fizeram pesa agora muito na carteira dos que pagamos impostos. Quem os elegeu como gente de sucesso continua a sua senda em bons cargos, com reformas chorudas e de carteira bem recheada, sem qualquer remorso e sem nenhum arrependimento.


Portugueses, meditem bem e vejam se não voltam a enganar-se na escolha que fazem quando vão às urnas, porque eles andam aí, e candidatam-se ao poder, ou encostam-se a outros nomes menos “desgastados” perante a opinião pública.


quinta-feira, setembro 19, 2013

PSD IRÁ PROCESSAR FINANÇAS?



Ao que parece, e atendendo a declarações recentes de responsáveis do PSD, o partido irá processar a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, por esta ter considerado que um swap contratado em 2009 pelas Estradas de Portugal teve um parecer favorável da autoria de Maria Luís Albuquerque, a actual ministra das Finanças, que estava então no Instituto de Gestão de Crédito Público.

Não nos esqueçamos que a intenção de processar quem acusasse a ministra de mentir, ao dizer que nunca tinha estado envolvida ou sequer ter tido conhecimento destes produtos financeiros, foi um responsável do PSD.

Vamos ver se a intenção de processar alguém vai em frente, ou se pelo contrário a mentira foi da própria ministra que cada vez mais está afundada nesta trapalhada que os contribuintes estão a pagar com muitos sacrifícios.


quarta-feira, junho 26, 2013

DO QUE O PAÍS PRECISA



Passos Coelho como qualquer liberal de direita, não gosta de greves e de grevistas, mas por força da Constituição tem que os admitir, dizendo respeitar o direito à greve.


Contrariado e fulo por saber que a greve geral é devido à sua má governação, e às péssimas medidas políticas e económicas que tem vindo a forçar, contra a opinião popular e contra as próprias promessas eleitorais, tem mostrado a sua crispação e o pouco à vontade perante esta forma de luta.


Quando um primeiro-ministro que se prepara para revelar os planos para o maior despedimento colectivo alguma vez visto neste país, vem dizer que o país precisa menos de greves e mais de trabalho e rigor, acaba por cair no ridículo.


Afinal esta greve é contra as políticas que tantos desempregados tem causado, e ainda vai causar, a favor dos direitos de quem trabalha e do rigor na aplicação das leis. Como pode Passos Coelho vir falar de mais trabalho se quer mais desempregados, ou de rigor se o seu governo não acerta uma só previsão, não conseguindo diminuir a dívida nem a despesa pública quando tem cada vez menos funcionários?


Estará Passos Coelho disposto a fazer uma consulta popular sobre as medidas que pretende implementar no resto do seu mandato? Assim evitavam-se mais umas greves e o país agradecia.



domingo, março 10, 2013

UMA NO CRAVO OUTRA NA FERRADURA

Ouvir Cavaco Silva a falar nestes dias é um exercício penoso, ainda por cima quando o senhor Presidente resolve fazer um grande elogio a ele próprio.

Entre os silêncios de Cavaco  e magistratura de influência, que desconhecemos em absoluto, ficou apenas um apoio indisfarçável ao governo, contrastante com o que aconteceu no passado com José Sócrates, de quem não tenho sequer boas memórias.

Cavaco Silva não puxará o tapete a Passos Coelho, a menos que a isso seja obrigado pelas reacções do povo.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

OS ESTUDOS DA TRETA



Este governo é pródigo em tomar decisões apoiado em estudos e nas normas contidas no programa de resgate assinado com a troika, pelo menos é essa a mensagem que passa.

Nestes dias fala-se muito no corte das indemnizações por despedimento, que passaria de 20 dias por ano de trabalho, para apenas 12. As razões para os ditos cortes foram: por estar previsto no memorando de entendimento, o que não é verdade, e porque era baseado em estudos em que Portugal comparava mal com os parceiros europeus.

Os estudos a que o governo se refere não se conhecem, nem existem, a menos que sejam desprovidos de qualquer credibilidade. Ao comparar realidades desta natureza (indemnizações por despedimento), não se pode deixar de lado, como factor de ponderação, o nível salarial, e isso conduziria a conclusões muito diferentes das que se pretendem tomar.

Pede-se aos políticos mais seriedade e mais verdade, sem as quais deixam de merecer qualquer respeito por parte dos cidadãos. Mentir não pode ser uma constante na política nacional. BASTA!



quinta-feira, novembro 15, 2012

O GRANDE TRABALHADOR



Uma das declarações mais exemplares do dia da Greve Geral terá sido a do senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que disse que ele estava a trabalhar, embora reconhecesse o direito à greve exercido por grande parte dos portugueses.

Os portugueses ficaram todos mais descansados por saber que o senhor presidente estava a trabalhar, almoçando com um dignatário da Colômbia, e promovendo o nosso país como destino turístico para os naturais daquele país.

Cavaco Silva é um mouro do trabalho, basta recordar que até já está a tratar de obter um parecer sobre se deverá solicitar o parecer do Tribunal Constitucional sobre a possível inconstitucionalidade do Orçamento de Estado para 2013. Pela minha parte acho que deverá também reunir o Concelho de Estado para este emitir também um parecer sobre se deve pedir pareceres, já que ainda poderá ser assaltado por alguma dúvida.

Os portugueses estão tão sensibilizados com o esforço do senhor presidente em prol da produtividade nacional, que nem se atrevem a classificar sua excelência de fura-greves.