É irritante e incompreensível ouvir o senhor governador do Banco de Portugal, sempre que vem falar de cenários económicos para os tempos mais próximos, abordar o tema da contenção salarial.
Os senhores economistas devem ter alguma fixação doentia relativamente aos salários, como se os outros factores de produção, como a energia, o custo dos transportes, a burocracia, os impostos e mesmo a situação geográfica ou o baixo poder de compra não tivessem também a sua importância na equação produtividade e competitividade.
Ao governador do BdP compete regular a economia do país na sua vertente macroeconómica, com preocupações e responsabilidades quanto às finanças públicas e ao endividamento público e privado relativamente ao fluxo de importações e exportações necessárias ao desenvolvimento e saúde económica.
Sempre ouvi o governador dizer que os preços não são da sua responsabilidade mas sim resultado do bom funcionamento dos mercados, o que não é da sua competência em absoluto. Gostava que o senhor Constâncio fosse coerente também no que respeita às políticas salariais, mostrando assim lucidez e coerência, factores que não demonstra em absoluto.


