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segunda-feira, julho 13, 2015

O RESGATE EM QUE NINGUÉM ACREDITA



Quando vemos as grandes parangonas noticiosas a dizer que se encontrou uma solução para viabilizar o terceiro resgate à Grécia, e se percebem algumas das exigências feitas, percebe-se que tudo não passa duma mistificação.

Desde cedo se percebeu que a verdadeira intenção da Alemanha e seus vassalos era a de se verem livres da Grécia, mas a partir de certo momento o problema da sua saída começou a ter repercussões mundiais, desestabilizando a economia de outras potências, como a China, os EUA e o Japão, o que se tornou demasiado perigoso.

Com uma crise de grandes proporções nas mãos, podia pensar-se que a Alemanha e seus lacaios mudavam de ideias, mas não foi assim. As negociações continuaram mas tudo se resumiu à intenção de fazer ajoelhar os representantes gregos, impondo condições humilhantes a um povo que se atreveu a enfrentar a hegemonia alemã.

As condições impostas são simplesmente ridículas e não podem ter qualquer sucesso. Quem pode acreditar que a abertura do comércio ao domingo será um factor de crescimento económico, ou que a transferência de fundos gregos para o Luxemburgo, poderão ajudar a economia da Grécia?

Na Grécia as coisas estão prestes a entrar num descontrolo total, porque o governo perdeu a credibilidade, e se tentar implementar as exigências europeias será forçado a demitir-se, e aí as coisas só podem complicar-se ainda mais. Na Europa também teremos um panorama negro, porque a queda da Grécia implicará uma grande turbulência no euro, o que afectará as economias mais débeis, com Portugal bem no centro das atenções dos especuladores…   



sábado, maio 16, 2015

FALTA DE VISÃO

Muito se tem falado de precariedade, mas pouco se reflete sobre isso, como se o assunto fosse algum tabu.

Na minha muito longa carreira profissional, de mais de 40 anos, já vi de quase tudo, mas ainda me espanta ver gestores e responsáveis por recursos humanos, a defender as “virtudes” da precariedade laboral.

Há pouco tempo conheci uma empresa que tinha num determinado sector, cerca de 1/3 dos trabalhadores com contratos sem termo, e os restantes a termo certo. As coisas corriam bem, mas os responsáveis tinham um grande problema, que era o de não serem necessários ao bom funcionamento do serviço. Quando questionados superiormente, podiam falar de diversos serviços, mas daquele nada, porque tudo corria bem.

Claro que rolaram cabeças, as dos trabalhadores que tinham vínculo à empresa e muitos anos de serviço, com todos os inconvenientes daí resultantes. Os problemas sucederam-se, e os responsáveis passaram a ter o que colocar nos relatórios, justificando assim os seus salários.

O pessoal passou a ser quase todo precário, e os poucos que passaram aos quadros da dita empresa, ou eram incompetentes ou imitavam muito bem, porque a competência não compensava, como se percebeu.


Falem-me então de produtividade e de serviços de excelência, ou mesmo de redução de custos, que por mim estamos falados. Só por caridade dei este título, porque estupidez era um pouco forte, para um fim de semana ensolarado...  


quinta-feira, fevereiro 27, 2014

OS PEDREIROS PELUDOS

Já nos chamaram de PIGS, já disseram de nós cobras e lagartos, por isso já devíamos estar habituados a desaforos desse tipo, mas cada vez fica mais difícil suportar tantos insultos, porque somos boa gente que respeita quem nos visita e sabemos respeitar também quem nos acolhe.

O último insulto veio da parte de um artista belga, de seu nome Sébastien Laurent, que fez um novo mapa da Europa onde os nomes dos países são substituídos por clichés, uns mais simpáticos do que outros.
Segundo o dito artista Portugal é o país dos “pedreiros peludos” e a Bélgica é a terra dos “gaufres”, aquela bolacha a que costumamos chamar waffles.


Não achei graça nenhuma ao termo usado para nos designar e desconfio que na boca de uma senhora belga talvez até nem fosse tão despropositado e inconveniente, já vindo da parte dum belga que se julga artista, não passa duma besteira ou de um insulto sem qualquer sentido.  


domingo, junho 09, 2013

ANORMALIDADE



Num país normal seria curial que um político que não consegue ao nível das sondagens ter um saldo positivo de aceitação, nem sequer se atrevesse a ponderar a hipótese de se recandidatar em próximas eleições, porque afinal a legitimidade de um político depende da sua aceitação, já que o seu trabalho devia ser em prol dos cidadãos.

Portugal já deixou de ser um país normal, em termos políticos, há bastante tempo, basta atentar na situação em que nos encontramos depois de anos de sucessivas más governações.

A cereja no topo do bolo foi a afirmação despudorada de Passos Coelho “claro que o normal é recandidatar-me”. Passos ignora, ou finge ignorar a opinião pública.

segunda-feira, abril 23, 2007

É A ESTÚPIDA ECONOMIA

Quanto mais leio artigos escritos por economistas mais acredito que eles não são deste planeta. Ao ler um economista que escreve num semanário (a vida deve estar difícil para economistas), vi a maneira mais estranha e incongruente de defender a flexibilidade. O escriba critica a “rigidez das leis laborais” e mais à frente afirma (já todos sabíamos) que Portugal tem um dos mais altos índices de trabalho a prazo na EU, concluindo que “os patrões preferem ter sempre empregados a termo, para funções que são, na prática, permanentes. É a única forma que encontram para se defender da rigidez da lei.” Afinal o economista reconhece que a lei, na prática, não é rígida nem sequer é aplicada, pelo que não se percebe a razão do artigo e do espaço ocupado neste semanário, e acima de tudo, ficamos com a sensação que não viu o que estava diante dos seus olhos e escarrapachado nas suas palavras: a baixa produtividade não é devida à rigidez das leis do trabalho, mas sim ao expediente utilizado pelos patrões utilizando abusivamente os contratos a termo para funções permanentes.
Desafio o economista comentador, MDM de seu nome, a indicar os nomes das empresas cujos patrões usam contratos a termo para as suas necessidades permanentes de serviço, pois eu já aqui fiz o mesmo denunciando o Ministério da Cultura que o fez descaradamente durante anos, resultando agora na situação de escassez absoluta de vigilantes de museu e quadros sub dimensionados.
Coragem pois MDM (economista).

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CARTOON
Tiro ao palhaço
Tiro na Cultura

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FOTO
P. 25 de Abril by Miguel Claro