sábado, setembro 29, 2018
LEITURAS
domingo, dezembro 01, 2013
ÉTICA A NICÓMACO
O livro intitulado "Ética a Nicómaco" é da autoria de
Aristóteles e foi dedicado ao seu pai, cujo nome era Nicómaco. Esta é a
principal obra de Aristóteles sobre Ética e é constituída por dez livros, onde
Aristóteles é como um pai que está preocupado com a educação e felicidade do
seu filho, mas também tem por objectivo fazer com que as pessoas pensem sobre
as suas acções, colocando assim a razão acima das paixões, procurando a
felicidade individual e colectiva, porque o ser humano vive em sociedade e as
suas atitudes devem ter em vista o bem comum. Nas obras aristotélicas, a ética
é vista como parte da política que precede a própria política, e está
relacionada com o indivíduo, enquanto que a política retrata o homem na sua
vertente social.sábado, outubro 29, 2011
BALANÇO PATRIÓTICO
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional…
...
Uma grande parte da burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e de toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (*).
(*) Se o Nazareno, entre ladrões, fosse hoje crucificado em Portugal, ao terceiro dia, em vez do Justo, ressuscitariam os bandidos…
Continuo a escolher excertos da obra de Guerra Junqueiro, que nos mostra como este país não mudou muito com os anos. Está nas nossas mãos mudar as coisas, denunciando, reclamando e protestando sempre que achemos que a situação o requeira.


terça-feira, outubro 25, 2011
LEITURAS
Se é mesmo a profissão do duque o ser honrado!
É o seu modo de vida, o seu ofício… Creio
Que é d’aí… que é d’aí que a fortuna lhe veio:
Ninguém lh nega… O duque é dos bons, é dos puros…
E a virtude a render, a dignidade a juros
Acumulados… Francamente, eu noto, eu verifico
Que era caso de estar muitíssimo mais rico…
O duque foi modesto: a honra de espartano
Não a deu nem talvez a dois por cento ao ano!
…
Incrível! No momento grave em que a Nação
Dorme (ou finge dormir!) à beira dum vulcão,
Nesta hora tremenda, hora talvez fatal,
Há quem graceje como em pleno Carnaval!
E assim vamos alegremente, que loucura!
Cavando a todo o instante a própria sepultura…
No dia d’àmanhã ninguém pensa, ninguém!
Os resultados vê-los hão… caminham bem…
Divertem-se com fogo… Olhem que o fogo arde…
E extingui-lo depois (creiam-me) será tarde…
Já não é tempo… As lavaredas da fogueira
Abrasarão connosco a sociedade inteira!
A mim o que me indigna e ruborisa as faces
É ver o exemplo mau partir das altas classes,
Sem se lembrarem (doida e miserável gente!)
Que as vítimas seremos nós… infelizmente!
Não abalemos, galhofando, assim à toa,
A égide do Scetro, o prestígio da C’roa!
Quando a desordem tudo infama e tudo ameaça.
A Rialeza é um penhor…
In Pátria, Guerra Junqueiro
domingo, outubro 12, 2008
AINDA POR CÁ
Isto de ter obrigações profissionais e haver falta de pessoal, tem um inconveniente bem notório que transparece na regularidade com que ando por estas bandas, quer postando quer comentando noutros espaços.
O mundo não pára por causa de mim, e eis que Manuel Alegre quebra a disciplina de voto imposta pelo seu grupo parlamentar, o que para alguns é sinal coerência, para outros é tão só conveniente para José Sócrates que consegue agradar a algum eleitorado mais à esquerda, pelo que a quebra da disciplina de voto não terá consequências práticas e disciplinares.
No campo da política nacional temos ainda o caso dos voos da CIA, agora que o Ministério da Defesa espanhol se referiu à existência de um avião desses nas Lajes, que correspondeu a um silêncio absoluto das autoridades portuguesas, que quanto menos falarem no assunto menos se enterram.
Cavaco Silva também tem estado muito activo, e agora apela à união dos portugueses para ultrapassar a crise. Diz ainda que não é tempo de divisões e que podemos confiar nos bancos. Tanto quanto me parece são os bancos que não confiam uns nos outros, porque que se saiba ainda não houve nenhuma corrida aos bancos para retirar as suas economias.
Os apelos do 1º ministro, do governador do Banco de Portugal e do Presidente, na defesa das empresas financeiras nacionais começa a soar como um sinal de alarme para a população, sugerindo que o pânico já se começa a sentir nessas instâncias, que contudo não mostram o mesmo empenho na defesa do cidadão comum que enfrenta dificuldades há diversos anos, com o cinto no último furo e à beira da asfixia.
A economia mundial está muito enferma, o liberalismo económico mostrou o seu falhanço, cá dentro já são demasiados os anos de sacrifícios e não é possível continuar a exigir tamanhos sacrifícios indefinidamente, agora em defesa das empresas que estão na origem dos problemas económicos. Descer mais um degrau é condenar muitos mais ao desemprego, a fome para muitos e a instabilidade social.
quinta-feira, outubro 11, 2007
LEITURAS INVERTIDAS
O que se passou na Covilhã, onde a polícia visitou um sindicato para se inteirar do tipo de recepção que iria ser feito a José Sócrates, na sua visita a essa cidade, é um exemplo do que nunca devia acontecer numa democracia. Claro que o 1º ministro veio logo afirmar “não estar convencido” da ilegitimidade da acção da PSP. A dúvida não lhe fica bem enquanto governante num Estado democrático, mas isso é lá com ele, porque os cidadãos não têm dúvidas, pelo menos quanto à falta de bom senso desta “visita”.
Como eu tenho por hábito ler primeiro em diagonal as notícias, e só depois é que as leio na íntegra, com tempo, reparei na contradição do discurso logo que se voltou para responder ao desafio de Menezes quando afirmou categoricamente: “... O que é que se passou? Nada mais que alguém que protesta e alguém que governa, É isso que faz a nossa democracia”.
De facto foi apenas isso que se passou e que estava anunciado e autorizado: uma manifestação de protesto. Talvez seja por isso mesmo que a “visita” de agentes da polícia seja incompreensível. Ou será que José Sócrates quis dizer algo mais, e nós não compreendemos?








