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sexta-feira, março 19, 2010

FALTAR À PALAVRA

Nas legislativas os cidadãos são chamados às urnas para escolher um partido, que no caso de recolher mais votos é convidado a indicar um nome para o lugar de 1º ministro. A escolha, em princípio, é feita pelo escrutínio do programa eleitoral dos partidos, apresentados ao veredicto popular.

Claro que da teoria à prática vai uma grande distância, porque não há garantias nenhumas de que os eleitos venham a cumprir as promessas com que se apresentaram ao escrutínio eleitoral.

José Sócrates dizia antes das últimas eleições:

“Aumentar os impostos? Era só o que faltava. Numa altura em que o país enfrenta uma crise destas, acha que proporia aumentar os impostos?”

“Acabar com as deduções fiscais conduziria a um aumento fiscal brutal para a classe média”.

Como é fácil de compreender, o que antes era verdade hoje é mentira. É muito difícil de engolir que uma democracia possa coexistir com políticas que são o contrário do que foi sufragado, e que a oposição não apresente uma moção de desconfiança, e que o Presidente da República esteja à espera do Parlamento quando o programa que mereceu a confiança do povo não está a ser respeitado.

A política é uma actividade nobre, o mesmo não se pode dizer de quem está na política e actua deste modo.





Ode à Mentira

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,
como sereis cruéis, como sereis injustas?
Quem torturais, quem perseguis,
quem esmagais vilmente em ferros que inventais,
apenas sendo vosso gemeria as dores
que ansiosamente ao vosso medo lembram
e ao vosso coração cardíaco constrangem.
Quem de vós morre, quem de por vós a vida
lhe vai sendo sugada a cada canto
dos gestos e palavras, nas esquinas
das ruas e dos montes e dos mares
da terra que marcais, matriculais, comprais,
vendeis, hipotecais, regais a sangue,
esses e os outros, que, de olhar à escuta
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,
vos contemplam como coisas óbvias,
fatais a vós que não a quem matais,
esses e os outros todos... - como sereis cruéis,
como sereis injustas, como sereis tão falsas?
Ferocidade, falsidade, injúria
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso
o coração que apavorado em vós soluça
a raiva ansiosa de esmagar as pedras
dessa encosta abrupta que desceis.
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?
Descereis, descereis sempre, descereis.

Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'



Jorge de Sena In Felizardo Cartoon

domingo, março 30, 2008

A CONFIANÇA, CONQUISTA-SE

Sobre o anúncio da descida de um ponto percentual do IVA, muito se escreveu, ora minimizando a medida, ora enaltecendo o anúncio. Como é natural, é difícil aceitar que a diminuição de um por cento depois de um aumentode 2% há dois anos, seja considerado um motivo de regozijo para os portugueses.

Os optimistas, que também os há, alinham com a medida do governo, como é evidente. Há contudo, pelo menos, um pequeno pormenor (será assim tão pequeno?) que se prende com as declarações do 1º ministro, quando anunciou este corte no IVA, que nos faz desconfiar e torcer o nariz, ele disse que “a crise orçamental está ultrapassada e os factores que a motivaram estão resolvidos”.

O cidadão comum, grupo em que me incluo naturalmente, só consegue aferir as declarações de José Sócrates, em função do seu próprio orçamento familiar, e a crise neste particular está para ficar até ao final do ano, pelo menos, quando serão anunciados os aumentos relativos aos salários. Será que nutrimos um excesso de desconfiança relativamente ao que o governo diz? Talvez sim, mas um executivo que faltou à sua promessa eleitoral de não aumentar os impostos, e que o fez, e nem só no caso do IVA, não incute confiança suficiente aos cidadãos.

O calendário eleitoral também não favorece o governo, pois é evidente que a pressa em reduzir o défice, para lá das previsões feitas pelo próprio governo, levando o esforço das famílias ao limite, e cortando no investimento público numa altura em que o desemprego aumentava, visa fazer coincidir alguma folga orçamental num ano em que se realizam eleições.

Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele, e convenhamos que Sócrates a vestiu e disso se vangloriou, pelo que os cidadãos reagem com natural desconfiança.

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FOTOGRAFIA
Blue Water by eserota

Abbandono di un sogno by Sliggo

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CARTOON DENÚNCIA

Simanca Osmani


Stephane Peray


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