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segunda-feira, junho 11, 2018

RELIGIÃO

O comportamento ético do homem deve basear-se eficazmente na compaixão, na educação e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa. Triste seria a condição humana se os homens precisassem de ser refreados pelo temor do castigo ou pela esperança da recompensa depois da morte.

Albert Einstein


quarta-feira, agosto 24, 2016

MEMÓRIA HISTÓRICA



Foi a 24 de Agosto de 1572 que se perpetrou o massacre da noite de São Bartolomeu, também conhecido como a noite de São Bartolomeu.

Este episódio da história de França terá sido engendrado pelos reis franceses, evidentemente católicos, foram uma forma de repressão ao protestantismo. As matanças duraram meses, primeiro em Paris, e depois em outras cidades, e as vítimas foram muitas, e se pelas contas de católicos se cifraram em 2.000, nas contas de outros não católicos terão chegado aos 70.000.

Não foi este o único ataque aos protestantes em França, mas terá sido o mais sangrento massacre do século, causado pela intolerância religiosa.

Por vezes quando falamos da intolerância religiosa e do preconceito, tendemos a esquecer as lições que a História nos dá, às quais não costumamos dar muita importância.


Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois

domingo, julho 24, 2016

O GUARDADOR DE REBANHOS

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.


Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem


E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.


Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz


E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus,
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia,
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.


Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que as criou, do que duvido" -
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres".
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
..........................................................................

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.



Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
.................................................................................

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
....................................................................................

Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


Fernando Pessoa
(Alberto Caeiro)


08-03-1914

quarta-feira, julho 08, 2015

A EMBAIXADA AO PAPA LEÃO X



No ano de 1514, D. Manuel I enviou uma faustosa embaixada ao papa Leão X, pretensamente para homenagear e manifestar a obediência ao sucessor de Pedro.

A rica embaixada era chefiada por Tristão da Cunha, o famoso navegador e combatente dos infiéis, como se dizia, e além da pantera, dos leopardos e de outras curiosidades tão badaladas, existiam outras riquezas num valor estimado entre 300.000 e 500.000 cruzados.

Os intentos do rei português iam muito para além do respeito pelo papa, pois existiam outros objectivos como o benefício da pregação da cruzada, valorizando as motivações espirituais das descobertas para justificar as vantagens económicas e o recrutamento e organização das viagens marítimas.

Saliente-se que Leão X tinha sido duramente criticado por Martinho Lutero por causa do fausto em que vivia, pela venda de indulgências e pela continuação das obras faustosas da basílica de S. Pedro.

Como se percebe este jogo de interesses não é muito diferente do que vemos nos nossos dias…



sábado, janeiro 24, 2015

A RELIGIÃO E OS COELHOS

Ainda há poucos dias o Papa dizia que”… há quem pense que, para sermos bons católicos, devemos ser como coelhos”, frase que foi tema de comentários de toda a ordem, quer entre católicos, quer entre pessoas de outra religiões ou mesmo sem nenhuma religião.

Eu cá li apenas a frase e pensei imediatamente num coelho detestável, e pensei que o Papa até tinha razão, porque ninguém devia ser como aquele láparo que todos detestam. Obviamente que ler a frase fora do contexto até pode conduzir a conclusões precipitadas.

Hoje li uma notícia em que uma freira “foi ao hospital com dores de barriga e saíu de lá com um filho nos braços”.


Eu respeito todas as religiões, mas acho que tenho a liberdade para aconselhar o Papa Francisco, que tem sido bastante lúcido enquanto homem, a ensinar aos membros do clero quais as possíveis consequências do sexo sem preservativo, porque esta já é a segunda confusão em conventos italianos.


segunda-feira, março 09, 2009

RAPIDINHAS

Segurança – Pelo visto o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, tinha razão quando mostrava a sua dificuldade em dialogar com o seu sucessor no Ministério da Administração Interna, Rui Pereira. O ministro Rui Pereira é um dos ministros que já demonstrou ser um erro de casting (há mais), e bastou ele dizer que não há bairros problemáticos para logo surgir um problema, e grande, num bairro afinal com problemas.


Não entendo – Eu sempre respeitei as religiões, embora não professe nenhuma. Tive uma formação católica, estudei diversas religiões, não só as ditas cristãs, mas os homens que as representam conseguiram sempre que eu mantivesse a minha distância, ainda que respeitosa. Ao ler ontem que um arcebispo resolveu excomungar a mãe e toda a equipa médica que realizou o aborto a uma menina de nove anos, violada e engravidada pelo padrasto, que já abusava dela desde os seis anos, fiquei furioso. A moral tem valores, os dogmas deixo-os para quem não gosta de usar o seu discernimento, e não consigo descortinar qual a hierarquia de valores deste religioso, por muito que me esforce.



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PINTURA
the sailing-ships-3 by stefanzhuty

the sailing-ship by stefanzhuty

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CARTOON
Todo ouvidos by Afraa Alyousef
Mente brilhante by Sayed Mahmoud Javadi