As borboletas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!
Sob o Chuveiro Amar
Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fonte?
Carlos Drummond de Andrade
É muito difícil viver num país em que a confiança nos políticos não existe, e onde a desconfiança se estende às maiores instituições e empresas. Sabemos que em campanhas eleitorais há a tendência de se prometer o céu na terra, mas não temos eleições todos os dias.
O capital de confiança é inversamente proporcional às mentiras que se proferem, e infelizmente já entrámos em campo negativo.
Falando apenas em casos recentes, temos o senhor ministro das Finanças que afirma que só com as taxas da dívida pública nos 7% é que se encarava o pedido de ajuda por parte do FMI. Passada uma semana temos o 1º ministro a dizer que não havia necessidade nenhuma de pedir a ajuda do FMI, e um outro ministro, já com a taxa a 7%, dizer que não se ia pedir coisa ajuda nenhuma, porque o orçamento era para continuar como proposto e nós havíamos de conseguir atingir os objectivos traçados pelo Governo.
Começa esta semana e já todos dizem que o mais provável é virmos a pedir a ajuda do FMI, como a Grécia e a Irlanda. O próprio Teixeira dos Santos a reconhecer que o risco de Portugal recorrer a apoio financeiro «é muito elevado».
Também podia falar da PT onde o 1º ministro disse que o Estado tinha uma palavra a dizer nas opções estratégicas, e onde queria que os dividendos obtidos com a venda da Vivo viessem a ser taxados, e logo aparece Ricardo Salgado a dizer preto no branco que a decisão da distribuição de rendimentos já este ano é para avançar. Isto, na sua interpretação porque não se pode defraudar os mercados (?), ainda que esteja a falar de lucros de 2010, que normalmente só deveriam ser distribuídos em 2011.
Um dos sectores que mais visitantes traz à Europa é sem dúvida nenhuma a sua Cultura e tudo o que lhe está associado. A velha Europa tem como símbolos, mais conhecidos, monumentos, museus, história e tradições com muitos séculos.
A indústria do turismo não se esgota nas dormidas em hotéis, mas estende-se às agências de viagens, companhias aéreas, restauração, comércio, etc, mas inclui também visitas aos museus, aos monumentos e verdadeiras peregrinações a lugares históricos e a lugares típicos onde as velhas tradições atraem forasteiros e não só.
Embora em alguns países isso seja reconhecido e estimado, com o advento desta crise económica, alguns países do sul da Europa, precisamente os mais dependentes do turismo cultural, começaram a desinvestir no sector, começando a arruinar uma riqueza a que nunca deram grande importância por julgarem ser eterna.
A falta de visão e a ganância pelo lucro rápido e fácil tolda o raciocínio de maus políticos e péssimos gestores que nos vão (des) governando.
Na ânsia de encaixar receitas extraordinárias, o Governo está a aceitar ficar com os fundos de pensões da PT e de diversas instituições bancárias, mascarando assim no curto prazo, o défice excessivo das contas públicas.
Este tipo de receitas antecipadas têm como reverso da medalha o acréscimo de encargos futuros do próprio Estado, neste caso da Segurança Social.
Ninguém se iluda com o gesto das entidades que agora pretendem transferir os fundos de pensões dos seus funcionários, nem se julgue que isso é feito em benefício claro do Estado, muito pelo contrário, como se verá no futuro.
Para que conste desde já, o buraco do fundo de pensões da PT cresceu 3,7% nos primeiros nove meses deste ano, apesar dos lucros de grande monta que a empresa anuncia e da distribuição de dividendos que pelo que se sabe, vão fugir à tributação do fisco.
A realização da Cimeira da NATO em Lisboa, não é desejada por grande parte dos portugueses, vai ser um sorvedouro de dinheiros públicos, e nada acrescenta à projecção deste País cuja importância n arena mundial é proporcional à sua dimensão territorial e económica.
Ouvir o ministro da Administração Interna dizer que o grau de ameaça terrorista será elevado durante este evento, dá vontade de lhe perguntar se ele o disse aos seus colegas do Governo, quando tiveram essa ideia peregrina de se oferecerem para receber em território nacional todas estas personalidades.
O mais estranho é que a preocupação de Rui Pereira se prenda em exclusivo com a segurança das tais personalidades, e que nada tenha a dizer sobre o perigo futuro que corremos, depois termos sido os anfitriões daquela gente.



Nada tenho contra o projecto da Capital Europeia da Cultura 2010, em Guimarães, nem contra a valorização do nosso património e divulgação do mesmo. Não sei se vamos gastar muito ou pouco na preparação deste evento, nem posso fazer um juízo realista porque não sei o que se vai fazer em concreto.
A minha ignorância sobre as verbas destinadas ao evento, não obsta a que considere que 14.300 euros mensais de salário, para a presidente da Fundação Cidade de Guimarães, um exagero tendo em conta os salários praticados na função pública.
Poucas vezes concordo com a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, mas concordo que é “demais” e “inaceitável” este salário. Lamento que o autarca vimaranense, António Magalhães, que valoriza as “altas qualificações” de Cristina Azevedo, e que diz que “quem quer a nata tem que assumir essa responsabilidade”, como se os méritos se esgotassem na pessoa dessa senhora, que nem conheço.
Um salário de 14.300 euros até pode nem ser muito elevado, mas temos que ter em atenção que estamos num país onde o salário mínimo ainda está abaixo dos 500 euros mensais, e onde existe um grande desemprego. Temos que ter em conta a realidade, antes de tudo mais.



Vamos ter, dentro de poucos dias, uma Cimeira da NATO em Portugal, mais concretamente em Lisboa, na zona do Parque das Nações. Portugal fez questão de receber esta cimeira, apesar dos tempos difíceis que atravessamos, da falta de peso na instituição, e dos perigos que isso acarreta para o País, que faria bem melhor em passar muito discretamente neste campo (militar) que é demasiado escorregadio.
Não vejo razões para querer este encontro aqui, nem de ordem económica nem de ordem política, porque a nossa importância é próxima do zero e ficará na mesma depois do evento. Será apenas por vaidade? Talvez!
Enquanto decorrer a cimeira teremos alguns direitos suspensos, e as forças de segurança terão ao seu dispor meios excepcionais, como se a Democracia estivesse suspensa durante alguns dias. Não é a segurança do País que estará em causa durante esse período, mas sim a segurança de uns quantos senhores da guerra. É por eles que teremos a Democracia suspensa.
Depois de acabar a Cimeira da Nato o País ficará menos seguro, mas isso não parece ser uma preocupação para o nosso executivo, que bem podia ter em conta o que tem vindo a acontecer, na Grécia, na Turquia, na Alemanha e na França.
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Li as declarações do presidente da Comissão Portuguesa da UNESCO, que terá afirmado à Lusa que as restrições orçamentais para a redução do défice não irão colocar em causa o estado de conservação do nosso Património.
Não conheço o senhor embaixador Fernando Andersen Guimarães, mas sabendo que foi nomeado por este Governo, acho que não podia ter dito outra coisa. Registei que também disse que “o estado de conservação do património podia estar melhor…”, mas mesmo isso não me dá confiança plena de que conheça verdadeiramente as dificuldades que o sector atravessa.
Sabemos, muitos de nós, a importância económica que tem o património edificado e o património natural, na captação da riqueza que o turismo gera, pelo que o não investimento nesta área pode deitar muito a perder.
A conservação e a actividade dos nossos monumentos e museus está reduzida aos níveis de subsistência, mal atingindo o patamar de se manterem as portas abertas, o que indica claramente que possíveis cortes de verbas significam mais degradação e eventual fecho de algumas portas.
Gostava de deixar mais uma frase do senhor embaixador, “é importante não deixar degradar algo que é a nossa imagem, a cultura e a nossa identidade”, pelo que o adiar de algumas obras significa isso mesmo – a degradação.

A verdade – Com a campanha que foi orquestrada pelo governo e por alguns comentadores políticos e económicos, ficou a sensação de que os funcionários públicos auferiam, no geral, chorudos salários de vários milhares de euros, e sem fazer nada. Afinal só 48% auferem mais do que 1.500 euros, isto apesar da percentagem de funcionários com habilitações superiores ser ainda maior do que os tais 48%. Demorou, mas lá veio alguma verdade ao conhecimento público.
O acordo – O acordo PS-PSD que se tinha transformado num folhetim informativo e num circo político e mediático com consequências graves para a economia do país, terminou. O Zé já tinha previsto que os dois partidos do centrão iam aprovar o OE de 2011, por muito que levantassem escolhos à sua aprovação, pretendendo assim demonstrar que eram menos iguais do que todos julgamos. Aí está.


Este é sem dúvida nenhuma um dos temas que mais devia preocupar a sociedade em geral, especialmente porque estamos a atravessar tempos muito difíceis, em que a miséria e o desemprego crescem, e a economia fraqueja.
Se uns se preocupam com os problemas sociais e com a justa repartição da riqueza, outros dão mais importância ao lucro pessoal, fechando os olhos à triste realidade que nos rodeia.
Porque já me colaram diversas designações, que por acaso não partilho, mas porque acredito num mundo mais justo mesmo que longe da (inalcançável) perfeição, fico irritado com a insensibilidade de quem devia ter especiais responsabilidades.
Governantes, economistas e empresários são os grandes responsáveis pelo poder decisório, e é com muita revolta que os ouço concluir que os “empresários só querem descontar 3% para a Segurança Social”, em vez dos 23,75% actuais.
Quem pretende diminuir os custos do factor trabalho destruindo a Segurança Social, só pode estar a preparar o país para ter uma legião de desempregados a mendigar um emprego a troco de um prato de sopa. Daqui à escravatura vai um passo, que a nossa sociedade já deu em sentido contrário há séculos. Tenham vergonha!



A campanha eleitoral para a Presidência da República já está na rua, ainda que oficialmente nem tenha começado, e mesmo que um dos candidatos ainda nem sequer tenha formalizado a sua intenção de candidatura.
Estamos em Portugal e nada disto é de admirar, como também não é de estranhar que as apostas se centrem em dois pré-candidatos, por sinal apoiados pelos maiores partidos e, estranhamente um deles, apoiado também pelo Bloco de Esquerda. Não sei se o CDS apoia Cavaco ou não, mas sabe-se que o PCP tem candidato próprio.
O que me interessa hoje é registar as opiniões dos dois mais cotados candidatos à presidência, que por sinal eu julgo serem muito iguais, ou pelo menos muito espartilhados pelos apoios partidários que têm.
Não vou escalpelizar as declarações de cada um, mas deixo-vos apenas uma citação de Cavaco e outra de Alegre, por essa ordem. “Não sei se há alguém em Portugal que goste deste Orçamento”, diz Cavaco Silva, e acrescenta Manuel Alegre “este é um orçamento que me custa e acho que vai custar a todos os portugueses…”. Não sei se encontram diferenças substâncias, mas aceito explicações, se as tiverem.
Uma boa parte dos cortes anunciados na despesa pública advém dos sacrifícios impostos aos funcionários públicos, e goste-se ou não, os empregados no sector privado e o patronato ficou feliz com o facto.
À primeira vista até se podia julgar que o mau estado da nossa economia está directamente ligado ao nível de salários praticados na função pública, e nada mais. Confundir os salários do trabalhador que foi admitido por concurso e que progride na carreira com a normalidade estabelecida legalmente, com o quadro que é nomeado por via da confiança política e que só presta contas perante o superior hierárquico, que é um qualquer político conhecido, é de um simplismo patético.
Considerando que com a diminuição dos salários na FP também os descontos serão menores, para IRS e para a Segurança Social, não admira que isso já esteja previsto na colecta de impostos, e aqui a relação é directa.
Lamentavelmente é no sector privado, o tal que é virtuoso e o único que produz, na voz de muito boa gente, que mais se escapa aos impostos. Eu sei que é assim, e todos o sabem também, mas não gostaria de generalizar, porque é feio. Para elucidar os que agora devem estar zangados comigo, aconselho a leitura das declarações do Presidente da CIP, que sem entrar em detalhes, “diz que é possível reduzir custo dos salários”. É muito edificante.
Belmiro de Azevedo, o empresário, critica “luta entre partidos”. Não quero tomar esta frase literalmente porque seria injusto, mas ficou no ar uma dúvida sobre o significado de Democracia, na sua óptica.
Qual brilhante economista, sem o ser, tem muitas dúvidas sobre as previsões do crescimento previsto pelo Governo, mas nós sabemos que pretende dar uma ajudinha a Sócrates.
Já sei que me vão dizer que não são os melhores amigos, mas convenhamos que até chegam a acordo uma vez por outra. Lembram-se das penalizações para os contratos a termo? Pois não existem para os próximos anos. E que tal lembrar a alteração dos horários dos hipermercados? Começam já no próximo domingo.
Belmiro e Sócrates pensam de modo muito diferente? Talvez, mas nem sempre!


Meninos: um catedrático,
sentindo-se paralítico,
atacado de reumático,
mandou chamar farmacêutica
que desse remédio prático
usado na terapêutica,
que lhe curasse o reumático.
Ora ela era epiléptica
e de figura fantástica,
magrinha como uma éctica
e bem pouco entusiástica.
Chegou a mulher esquelética,
cansada, porque era asmática
e logo perdeu a estética,
constrangida, sorumbática,
ao ver a figura exótica
da tal pessoa reumática,
ficando então tão caótica,
que se movia automática.
Brada o pobre catedrático,
quase em estado cataléptico:
- Cure depressa o reumático,
mesmo com ácido acético!
Ante um dizer tão asnático,
ainda que fosse piadético,
teve ela um ataque asmático,
seguido de outro epiléptico.
E ele que não era céptico,
não ficou na cama estático:
levantou-se, então, frenético
e lá se foi o reumático!

A minha descrença sistemática nas previsões dos economistas cá do pedaço, é conhecida e assumida por mim sem qualquer problema. Sei que são muito respeitados por alguns, e requisitados por outros, sempre para se pronunciarem sobre a situação do país, mas invariavelmente dizem apenas banalidades que qualquer outro cidadão podia também dizer.
O ministro Teixeira dos Santos é um reputado economista, ou pelo menos é assim que os seus pares o consideram, mas apenas em Portugal, porque consta que já foi considerado o pior ministro das Finanças da União Europeia, ainda que possa ter sido apenas a má língua a funcionar.
Eu não tenho nenhum apreço por Teixeira dos Santos, nem o considero um bom ministro das Finanças, mas tenho cá os meus motivos.
Confrontado pelos jornalistas do DN, com as contas feitas pela Deloitte e por outras consultoras, o senhor ministro lá admitiu que a média que se paga do IRS anda na ordem dos 11%, ainda que a estrutura do imposto tenha taxas de 10%, 20% e 40% para os diversos níveis de rendimentos. O que Teixeira dos Santos não nos explica é porque é que assim acontece.
Não basta a um economista que até é o titular da pasta das Finanças, dizer que “há aqui algo de profundamente errado no sistema fiscal, em particular da tributação do rendimento”, porque o que lhe compete, na posição que ocupa, é precisamente corrigir esta injustiça.
Lamento dizer que não só acho o senhor ministro incapaz de desempenhar a contento a sua função, como ainda acho que neste pacote de medidas que pretende introduzir via OE, está a praticar conscientemente uma enorme injustiça, não merecendo por isso nem confiança nem respeito por parte deste contribuinte.
