quinta-feira, abril 10, 2008

PRECARIEDADE SEM RESPOSTA

Como era de esperar, o ministro Vieira da Silva, deixou sem resposta os deputados que o confrontaram com o problema da precariedade laboral e com o mau exemplo dado pelo Estado enquanto empregador. Lamentavelmente da boca do governante saiu o discurso do costume, das políticas activas de emprego e das iniciativas como o Rendimento Social de Inserção ou do Complemento Social para Idosos, que em nada contribuíram para esclarecer o que quer que seja sobre a precariedade.

A crispação perante a evidência foi notória e Vieira da Silva lá acabou por dizer que a prioridade do Governo é «conciliar a competitividade com a contratação colectiva e o combate à precariedade», não esclarecendo de que lado da barricada estará o Governo, já que é um dos maiores infractores, se não maior.

Enquanto no hemiciclo se falou da precariedade, chegou também de Coimbra a notícia de uma mesa-redonda, sob a égide da Presidência do Tribunal da relação de Coimbra, onde se pronunciaram frases como estas, «quando é apregoada a ruptura da protecção social, o entusiasmo esmorece. Parece-me que vamos ter é a flexisegurança no seu vector de flexibilidade e nenhuma no seu vector de segurança activa», ou « o diagnóstico mostra que a precariedade está a aumentar e que, com a flexisegurança, seria muito pior».

O senhor ministro Vieira da Silva não deixou pistas nenhumas sobre as intenções do Governo, o que é um mau sinal para quem trabalha, já que como responsável pelas áreas do Trabalho e da Segurança Social, não foi capaz de definir um modelo que se possa discutir abertamente deixando no ar demasiadas interrogações sem resposta.

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FOTOGRAFIA
FrauElsa

Ашатан

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CARTOON


quarta-feira, abril 09, 2008

MISÉRIA BENEDITINA

Pude ler na imprensa que o Mosteiro de Tibães, perto de Braga, dependente do Ministério da Cultura, enfrenta dificuldades devido à falta de pessoal, podendo vir a encerrar no período de almoço. Note-se que quando falamos de falta de pessoal nos museus, palácios e monumentos que afectam o horário de atendimento do público, estamos a falar exclusivamente de pessoal de vigilância.

Todos os anos, mais ou menos por esta altura, vêm a lume os encerramentos, por greve ou por falta deste pessoal indispensável ao funcionamento destes serviços. Os trabalhadores cansaram-se das greves alertando para este e outros problemas do sector, e agora nem necessitam de recorrer a esta forma de luta para que a realidade salte à vista de todos.

Há poucos dias um leitor deste espaço admirava-se que com tanto desemprego, esta situação pudesse acontecer. Acontece, e não tem um fim à vista, porque hoje mesmo fiquei a saber que, pelo menos um serviço na zona de Lisboa, pretende contratar a recibos verdes pelo período de seis meses algumas pessoas para desempenharem essa função de vigilância. Ouviram bem, um serviço da Administração Central pretende admitir a prazo e com recurso a recibos verdes, trabalhadores que vão cumprir horários e ficam sob subordinação hierárquica, além de preencherem necessidades permanentes dos serviços, como é evidente.

Este é um dos exemplos que a Administração Pública, melhor, os seus dirigentes, dão das más práticas contratuais. Não sei se estão distraídos, ou se desconhecem a lei, mas lá que isto é estranho, isso é!


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by Ilidio Candja

by Ilidio Candja

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CARICATURAS

Schwarzenegger by Ismael Roldan

Brando, Nicholson, Hepburn by Ismael Roldan

terça-feira, abril 08, 2008

TRABALHAR JÁ NÃO BASTA...

As dificuldades económicas de quem trabalha por conta de outrem chegaram a um patamar muito preocupante, porque os salários já não garantem em muitos casos, condições de vida dignas e fuga do estado de pobreza. Os dados vindos a público já esta semana, confirmam isto mesmo, revelando existirem centenas de milhares de cidadãos, que mesmo estando empregados são forçados a recorrer a subsídios e a outros tipos de ajudas sociais para proverem ao sustento das respectivas famílias.

Hoje em dia já não estão no limiar da pobreza só os excluídos e os desempregados, mas até os que trabalham e auferem os salários de miséria que muitos empregadores praticam. Isto é uma vergonha que o governo e as associações patronais deviam ter em linha de conta, quando dizem que querem alterar o código do trabalho, e quando dizem que a produtividade dos portugueses é baixa.

Como podem os governantes deste país dizer que são socialistas, ou sociais-democratas quando a situação é tão má como se pode constatar? Não me consta que os países que nos dão como exemplo de modernidade e alta produtividade tenham situações similares, ou será que na Finlândia, ou na Dinamarca os patrões agem também deste modo?

A fome não é boa conselheira, disso eu tenho a certeza. Cuidem-se pois os que nos conduzem para este beco de miséria, porque algum dia isto terá que mudar, e não me parece que seja por vontade de quem manda, mas sim por iniciativa de quem já não aguenta mais ser explorado.


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FOTOGRAFIA

gitte ls landbo

Gitte L S Landbo

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Sergei Tunin, Russia

Simanca Osmani

segunda-feira, abril 07, 2008

A POBREZA DA CULTURA

Tenho escrito aqui por diversas vezes, para irritação de alguns, que o Ministério da Cultura se encontra quase paralisado por manifesta falta de meios económicos e humanos, e que isso se reflecte negativamente em todos os sectores, mas muito em particular no Património onde a falta de manutenção conduz a situações de degradação que para a inverter serão cada vez mais onerosas.

Quando o novo ministro tomou posse e afirmou que queria fazer mais com menos dinheiro, a frase causou um grande mau estar no meio, porque significava um desconhecimento absoluto da situação, e dava um sinal errado sugerindo o desperdício.

A realidade, como quase sempre acontece, veio a lume e hoje é o próprio José António Pinto Ribeiro que se manifesta empenhado em elevar o orçamento do seu ministério para 1% ou mais do Orçamento de Estado. Pode parecer pouco, mas para este ano apenas foram consignados à Cultura 0,4%, um dos orçamentos mais baixos dos últimos anos.

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FOTOGRAFIAS
robo

Roland

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Vladimir Morozov (Movlann)

Vladimir Morozov (Movlann)

sábado, abril 05, 2008

AVISO AOS CHATOS

Como já devem ter percebido pelo que escrevo, não sou pessoa que me incomode com alguns reparos, que até acho que são a coisa mais natural, nem tão pouco deixo de abordar os temas que me interessam e que conheço, só porque têm mais ou menos visitantes. Escrevo porque me apetece, e porque me dá prazer, e não por estar zangado com o mundo, ou por necessitar de reconhecimento por alguma frustração pessoal.

Abordo geralmente temas da política nacional, quase sempre situações com as quais não concordo, ou que não entendo, manifestando a minha opinião enquanto cidadão. Procuro também com alguma frequência trazer aqui temas ligados à Cultura, especialmente os relacionados com os museus, monumentos e estações arqueológicas, que se prendem com a minha curiosidade e actividade profissional principal.

Enquanto leitor sou muito mais eclético, e frequento blogues que se focam em temas tão diferentes como poesia, música, curiosidades, filosofia, história, humor e solidariedade. Não sou um grande comentador, até porque são inúmeras as vezes que nada tenho a acrescentar ao que lá consta, mas alguns desses sítios constam da minha barra de links, não apenas para me facilitarem a vida, mas porque os acho realmente interessantes.

Irei continuar com a mesma atitude, como até aqui, e aconselho aqueles que não gostam deste espaço, simplesmente a deixarem de o fazer, sem se incomodarem em deixar os seus comentários na minha caixa do correio, como até aqui, e que se quiserem deixar os seus comentários, o façam educadamente na respectiva caixa de comentários, como fazem todos os outros visitantes. Penso que os dois brincalhões habituais sabem bem de quem falo, nós até nos conhecemos, e já devem ter-se apercebido que os seus mails vão direitinhos para o lixo independentemente da mudança de endereço.

Para os meus outros visitantes habituais, ou ocasionais aqui ficam os desejos de um bom fim-de-semana, e as desculpas por este post que até pode parecer-vos estranho, que eu por cá também vou tentar gozá-lo o melhor possível.


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O OLHAR DO GORAZ

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FOTOGRAFIA

Iris II by *circumbendibus

mellow yellow by *1001G

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Mike Lester

Stephane Peray

sexta-feira, abril 04, 2008

OS PAINÉIS DA SÉ DE ÉVORA


Porque nem tudo é mau na Cultura, e porque quem lá trabalha de verdade me merece o maior respeito, aqui fica o convite para verem uma exposição dos painéis flamengos da Sé de Évora, no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.

Coloquei aqui esta sugestão depois de visitar a exposição, e após ter visto pela 1ª vez estes painéis. Fiquei agradavelmente surpreendido pelo trabalho efectuado na preparação do restauro, com um estudo criterioso das obras que está bem documentado, e que permitiu, não só saber mais sobre as obras, mas sobretudo uma intervenção criteriosa e adequada.

Tudo isto merece uma referência elogiosa, e sobretudo a visita de todos os que se interessam pela arte e pelo nosso Património.

NOTAS
O meu agradecimento ao Ludovico pela chamada de atenção.
Mais informação e um vídeo AQUI e AQUI

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FOTOGRAFIA

Velvet dress by Wendelin

I will always by Wendelin

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El pecado by Boligan

Frederick Deligne

quinta-feira, abril 03, 2008

PATRIMÓNIO EM RISCO DE DERROCADA

O DN de ontem, quarta-feira 2 de Abril de 2008, eleva a título «Património precisa de uns 50 milhões», e logo abaixo esclarece que este era o valor estimado em 2006 para recuperar edifícios históricos. Estas estimativas referiam-se a um conjunto de 55 monumentos, devidamente catalogados à data, segundo o risco de derrocada estimado, calculado em três níveis – baixo, médio e elevado.

Eu já aflorei aqui por diversas vezes este problema, e também a exiguidade dos orçamentos do Ministério da Cultura e o excesso de centralismo na sua gestão, que agrava enormemente a situação. Estes meus reparos já me valeram alguns mails dizendo que eram alarmistas, que não existia risco nenhum, e que estavam em curso grandes obras de reabilitação às quais eu não me referia. Pelo contrário, quase só falei de monumentos bastante visitados, onde a degradação é perfeitamente visível, embora se tratem de monumentos emblemáticos e que até atraem inúmero público. Também estou a para do que tem sido feito nestes últimos 5 anos, e posso afirmar que na quase totalidade dos casos, apenas se fizeram remendos. Há excepções duas ou três, mas são mesmo excepções e são na zona centro do país.

Enquanto houve verbas dos fundos comunitários, fez-se obra sim senhor, reabilitaram-se diversos museus e monumentos, mas quando esses dinheiros começaram a ser escassos, passou-se aos remendos e entrou no esquecimento os trabalhos de manutenção, deixando-se degradar o Património. Hoje é fácil reparar em muralhas em risco de derrocada, fachadas sujas e com rebocos degradados, pingueiras e infiltrações quando chove, paredes interiores manchadas e sujas, jardins ao abandono, etc. Estamos a falar de edifícios antigos em que a manutenção tem de ser constante, e que a não ser feita atempadamente leva a que as intervenções se tornem muitíssimo mais caras.

O desinvestimento no Património, em Portugal, contrasta com o que se passa por essa Europa fora, começando aqui pelos nossos vizinhos, e o que se nos afigura num horizonte mais próximo do que alguns vaticinam, é a entrega de Monumentos Nacionais a privados, como aliás já se desenha e adivinha. Alarmista? Talvez, mas já me chamaram isso antes quando falei em degradação, por isso vamos ver o que se segue, e se os portugueses a isso vão assistir passivamente.

NOTA: Este é o meu post nº 600


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PINTURA

Winter sea by Greendoorstudio

tree by mariofdy

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Julian Pena Pai/Roménia
Julian Pena Pai/Roménia

quarta-feira, abril 02, 2008

DESABAFO

Hoje para dizer a verdade, nem esperava vir até ao teclado para bater umas palavras para serem lidas por quem por aqui passa. No final do almoço fui surpreendido pela chegada de dois amigos, que aproveitaram para trocar dois dedos de conversa, enquanto tomávamos o café.

Os dois têm cinquenta e picos anos, e filhos acabados de sair da faculdade. O filho de um deles é engenheiro mecânico, fez dois contratos em empresas nacionais, onde lhe ofereceram vencimentos de 600 e 750 euros, mas a renovação, em qualquer dos casos, era com a proposta de trabalho com recibos verdes e um ordenado entre os 700 e oitocentos euros. O rapaz, desconsolado saiu e rumou a Espanha, onde foi contratado por uma linha de montagem de automóveis, onde começou por baixo, mas com um ordenado de 1.800 euros, e ao fim de três meses passou a desempenhar tarefas correspondentes às suas qualificações com perto de 3.000 euros de vencimento.

O outro, tem uma filha que se formou em Química, também ela tentou a sua sorte por cá, com ofertas também pouco aliciantes, e rumou a Inglaterra, onde tinha estagiado, e está numa multinacional há cerca de um ano, e muito contente pois já foi promovida e tem um salário impensável por estas bandas.

Claro que estes meus amigos estão felizes pelo rumo que os filhos deram à sua vida profissional, mas não pude deixar de notar que ambos estão ao mesmo tempo tristes, porque muito naturalmente vão ver os filhos muito menos vezes, e os netos muito provavelmente por lá nascerão e as visitas serão sempre poucas e fugazes.

Será que a vida dos portugueses começa a ser viável apenas além fronteiras? Quanto tempo mais aguenta este país que desperdiça a juventude que tanto custou a criar e a apetrechar de conhecimento?

Acabei mesmo por vir aqui desabafar e manifestar o meu descontentamento, ainda que esteja ciente que quem manda, não está nem um pouco preocupado com tudo isto. O deles já está garantido...

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jordache

Ma-Ria

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terça-feira, abril 01, 2008

CULTURA E DISCURSO

Pode ser apenas coincidência, mas registo que no mesmo dia (ontem) a Lusa veiculou duas notícias, uma sobre o ministro dos negócios estrangeiros Luís Amado, e outra de Filipe Menezes, ambas destacando preocupações com a Cultura. Não sei se isto se deve à “ausência” notória do ministro da Cultura, se por falta de outros assuntos mais “batidos” pelos média.

Luís Amado refere-se à falta de coordenação entre os ministérios da Economia e da Cultura, a propósito da política externa portuguesa, salientando que “há sempre uma política de capelinhas a condicionar, muito, os interesses de Portugal”. Não vou dizer que não, porque é evidente para todos, mas isso também é evidente dentro de portas, veja-se a falta de cooperação entre os ministérios da Cultura e o das Finanças, que paralisam por completo as actividades e prejudicam o normal funcionamento dos Museus, Palácios, Monumentos e Sítios que nesta data ainda não têm um programa definido para este ano por falta de verbas e de pessoal.

Já quanto a Filipe Menezes, no seu papel de autarca, veio defender que “a gestão do Património devia ser colocada nas mãos dos municípios”. É certo que a sua opinião surge na altura em que, alguns, apenas alguns, discutem modelos de gestão e salvaguarda do Património, mas pouco mais adiantou sobre a sua ideia, tendo ficado apenas a sensação de que se referia ao tempo exagerado que demora a “peregrinação burocrática” dos projectos, a que se referiu também o seu vice-presidente, Marco António.

Fiquei com a sensação de que estas referências culturais são fruto da agenda política dos dois, Luís Amado e Filipe Menezes, evitando um pronunciar-se taxativamente sobre o Kosovo e sobre o Tibete, e o outro sobre a promessa de descida do IVA que propôs. Espero sinceramente estar enganado, e que ambos estejam, de facto, preocupados com a paralisia do Ministério da Cultura.

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pehathy

Gitte L S Landbo

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Stavro

Stavro

Stavro

segunda-feira, março 31, 2008

RAPIDINHAS

Palácio de Seteais – Acabei de ler no semanário Expresso que o Turismo de Portugal assinou com a cadeia Tivoli uma extensão da concessão do Palácio de Seteais até 2023, que será recuperado, o que implicará o seu encerramento por um ano. Estranho, muito estranho mesmo, que um organismo que não tem a tutela deste edifício classificado, não faz parte das suas atribuições, possa vir a assinar semelhante concessão. Onde pára o Ministério da Cultura nesta trapalhada toda? Talvez uma clarificação da situação da sociedade anónima Parques de Sintra – Monte da Lua, ajude a perceber esta confusão, começando pela estrutura accionista, que ninguém percebe, já para não falar no âmbito da actuação.

Jogo viciado – Conversava eu com um destacado quadro de uma empresa ligada às tecnologias, quando a propósito das compras do Estado ele me veio dizer que alguns fornecimentos são contratados directamente e que os concursos nas telecomunicações são feitos à medida. Ele que é um defensor das avaliações e do mérito ficou logo embaraçado quando o paralelo entre as duas situações foi estabelecido, mas lá foi engolindo em seco, por falta de argumentos, quando o Sequeira, um dos participantes da conversa, lhe disse que os critérios de avaliação, e de promoção na função pública, eram ainda mais gravosos para os trabalhadores até porque existia uma dependência laboral, que cerceava ainda mais qualquer tipo de reclamação.

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for Megan by *SpringLilac

gitte ls landbo

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Segurança femina (VERSÃO MACHISTA)

Ups...

domingo, março 30, 2008

A CONFIANÇA, CONQUISTA-SE

Sobre o anúncio da descida de um ponto percentual do IVA, muito se escreveu, ora minimizando a medida, ora enaltecendo o anúncio. Como é natural, é difícil aceitar que a diminuição de um por cento depois de um aumentode 2% há dois anos, seja considerado um motivo de regozijo para os portugueses.

Os optimistas, que também os há, alinham com a medida do governo, como é evidente. Há contudo, pelo menos, um pequeno pormenor (será assim tão pequeno?) que se prende com as declarações do 1º ministro, quando anunciou este corte no IVA, que nos faz desconfiar e torcer o nariz, ele disse que “a crise orçamental está ultrapassada e os factores que a motivaram estão resolvidos”.

O cidadão comum, grupo em que me incluo naturalmente, só consegue aferir as declarações de José Sócrates, em função do seu próprio orçamento familiar, e a crise neste particular está para ficar até ao final do ano, pelo menos, quando serão anunciados os aumentos relativos aos salários. Será que nutrimos um excesso de desconfiança relativamente ao que o governo diz? Talvez sim, mas um executivo que faltou à sua promessa eleitoral de não aumentar os impostos, e que o fez, e nem só no caso do IVA, não incute confiança suficiente aos cidadãos.

O calendário eleitoral também não favorece o governo, pois é evidente que a pressa em reduzir o défice, para lá das previsões feitas pelo próprio governo, levando o esforço das famílias ao limite, e cortando no investimento público numa altura em que o desemprego aumentava, visa fazer coincidir alguma folga orçamental num ano em que se realizam eleições.

Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele, e convenhamos que Sócrates a vestiu e disso se vangloriou, pelo que os cidadãos reagem com natural desconfiança.

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Blue Water by eserota

Abbandono di un sogno by Sliggo

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CARTOON DENÚNCIA

Simanca Osmani


Stephane Peray


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