terça-feira, novembro 20, 2007

O PESSOAL DOS MUSEUS

Já falei aqui em problemas de gestão nos museus, mas nunca me debrucei verdadeiramente sobre a gestão dos profissionais que dão a cara todos os dias, sempre que um museu está aberto ao público. Estes profissionais são os vigilantes recepcionistas, os anteriormente guardas de museu.
O público em geral só ouve falar destes trabalhadores, ou porque fizeram uma greve, ou então porque o seu número é manifestamente insuficiente para garantir condições mínimas de segurança. Durante mais de uma dúzia de anos o Ministério da Cultura mais não fez do que desacreditar os protestos destes profissionais, fazendo crer que os problemas não existiam e que as greves eram apenas uma rotina habitual sem razão. A própria comunicação social foi afinando por esse diapasão, nunca relevando uma das questões que sempre esteve sobre a mesa, e que o ministério nunca se mostrou disponível para resolver, que era precisamente o factor negativo do recurso sistemático a contratos de curta duração, para suprir necessidades permanentes dos serviços.
Hoje já é impossível esconder este tremendo erro de gestão de pessoal, com uma agravante que ninguém parece disposto a abordar, que é o envelhecimento excessivo do pessoal do quadro, a desempenhar estas funções, o que acarreta outros problemas como os de integração e de transmissão de experiências, que são absolutamente essenciais para o desempenho destas funções.
Não basta ouvir a senhora ministra vir enumerar uma série de falhas, ou manifestar a sua convicção de que o problema da falta de pessoal se virá a resolver com o recurso ao pessoal na bolsa de disponíveis. O problema vai mais fundo, porque os salários são baixos, e porque a solução está no rejuvenescimento dos quadros do pessoal de vigilância e recepcionistas, o que não me parece que seja viável exclusivamente com o recurso aos disponíveis.
É uma pena que o Ministério da Cultura tenha, desde há muito, optado por esta posição autista de não dialogar com estes trabalhadores.

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FOTOGRAFIA
Julia-Lo

Suryan

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CARICATURAS

Jason Seiler

Jason Seiler

segunda-feira, novembro 19, 2007

MUSEUS - GRATUITIDADE E NEGÓCIO

Já aqui falei há uns dias sobre a problemática do financiamento dos museus, e parece que o tema está mexer, tendo sido debatido entre alguns dos agentes culturais. Um bom sintoma do que digo ficou estampado na revista Actual do último sábado, num artigo de opinião de Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia.
No essencial, resumo o texto ao destaque, que diz “estamos em crer que a opção pela gratuitidade dos museus centrais não apenas constituiria factor de reforço da cidadania como efectivamente seria um bom negócio para o País”.
É saudável que um director de museus tenha opinião sobre política cultural, e que a expresse livremente para que todos possamos também reflectir sobre o assunto. Pessoalmente não concordo com Luís Raposo, essencialmente por dois grandes motivos:
1º As realidades de cada Museu, Palácio ou Monumento são muito diversas, não só pelo que têm para oferecer, como pela sua localização ou até pelos públicos que potencialmente podem atrair. Será sempre um grande erro julgar que a “receita” para um museu servirá igualmente para outro, ou que um que esteja mal localizado possa vir a atrair tantos visitantes como outro que esteja bem localizado.
2º A gestão de cada serviço tem de ser dotada de uma certa autonomia administrativa e financeira, tendo naturalmente que aceitar a respectiva responsabilidade de apresentar os resultados a que se propõe com os meios postos à sua disposição.
No fundo o problema situa-se numa autonomia de gestão responsável, que não é o modelo português, nem colhe simpatias por parte dos directores dos serviços, incluindo o senhor Luís Raposo, como recentemente ficou claro quando do caso Dalila.
Não há fórmulas mágicas nem sequer universais, o que há é um compromisso entre os meios colocados à disposição e os objectivos que se podem alcançar com essa garantia.
Outro artigo recente Financiamento dos Museus.

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PINTURAS
Moonlit Run by capstanbars

Collumbia by terriwilson

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CARTOON

Mike Lester

Steve Sack

sábado, novembro 17, 2007

HOJE SÓ CULTURA...

Corrente
Fui “apanhado” pela Sulista, e de acordo com as regras estipuladas, estou a ler «Os Mais Belos Palácios de Portugal» de Júlio Gil com fotografias de Nuno Calvet, o qual, na 5ª linha da página 161, diz: … (casas) próprias, a viverem no Reino sem dependência (económica da Casa Real)…

Para prosseguir a corrente, os 5 nomeados são a Fernanda & Poemas, a Ninho de Cuco, a Aryanalee, a Kalinka e o Papagueno.


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DESTAQUES DO ZÉ

sexta-feira, novembro 16, 2007

RETOMA ROSADA


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FOTOGRAFIA MANIPULADA

Alla Vereshchagina

Брушша

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ILUSTRAÇÕES

Minêu

Minêu

Legenda original: Outra proposta de vinheta que mandei para a Globo. O tema era incentivo à leitura. Das quatro que fiz nesse ano, essa é a que gostei mais. Mas não fui selecionado.

quinta-feira, novembro 15, 2007

RAPIDINHAS

Carros de luxo – Afinal Teixeira dos Santos autorizou a compra das viaturas feita pelo Ministério da Justiça, segundo esclarecimento público feito pelo ministro Alberto Costa. Os 135.717 euros que custaram os 5 carros que estão destinados ao Ministério da Justiça, foram autorizados apesar das restrições impostas pelo Ministério das Finanças, no que respeita às aquisições de viaturas. Os carros não deixam de ser de luxo, e as excepções devem ser apenas para confirmar a regra, pensamos nós.

Ministra da Cultura – Apanhada na teia, não convenceu ninguém quanto ao aumento de dinheiros para a Cultura, que afinal continuam a ser apenas 4 décimas do OE, ou 1% do PIB. A desculpa da falta de vigilantes, atirada para o passado, quando os guardas passaram a vigilantes é surreal, até por já durante o seu mandato esta é 3ª vez que se verifica a escassez destes profissionais, porque se está viver desde há muito com o recurso a contratados, sempre com promessas de que o assunto vai ser resolvido, o que também agora não vai acontecer. O tal “provicianismo atroz” de que fala Isabel Pires de Lima, quanto às críticas sobre a exposição do Hermitage, viram-se contra ela quando os museus fecham por falta de pessoal, e quando reparamos na degradação do nosso Património, e na falta de meios para se fazerem exposições e implementar novas dinâmicas viradas para o público nos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais. A senhora ministra devia fazer um roteiro cultural com visitas a todo o Património tutelado pelo seu ministério, para se inteirar in loco das realidades.

Insultos e diplomacia – Portugal e as suas instituições, têm vindo a ser enxovalhados por políticos de outros países, e não se ouve uma resposta firme, nem do nosso governo nem da Presidência da República. Eu, que até não votei em nenhum destes órgãos de soberania, e que até nem confio na sua acção, sinto-me incomodado, porque internamente e num Estado democrático as críticas a que me refiro, daríam certamente lugar a condenação judicial pelos termos utilizados, contudo nos círculos da diplomacia internacional, os nossos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não ouvem. O que me sucederia se eu dissesse o que Hugo Chávez disse sobre Portugal em relação aos EUA, ou se me atrevesse a pronunciar o que um acessor dum deputado inglês disse sobre a PJ portuguesa?
Cabe aos portugueses julgar os seus políticos e instituições. Como somos diferentes e demasiado tolerantes com ingerências estrangeiras, até vamos ter em breve Chávez a jantar com Sócrates, o nosso 1º ministro, sem se ter conhecido qualquer reacção oficial aos seus recentes comentários. Terei alguma costela espanhola sem saber?

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FOTOGRAFIA
* C a n i c u l a
Anna-Mei

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CARTOON

quarta-feira, novembro 14, 2007

POBRE CULTURA

O estado da Cultura em Portugal é simplesmente confrangedor. Museus a fechar parcialmente, mais uma vez, por falta de pessoal de vigilância e uma ministra a imputar as culpas a um director geral. Estou pasmo!
Este problema atravessa governos há já mais de uma dezena de anos, e a senhora ministra desculpa-se dizendo que não foi alertada a tempo (?). Até parece que estamos perante um problema novo, e que Isabel Pires de Lima não teve tempo para o resolver definitivamente.
Isentos de culpa, também não estão certamente os directores dos Museus, Palácio e Monumentos, porque se foram contentando com a situação de contratos precários e com uma rotatividade absolutamente pouco recomendável a todos os títulos, do pessoal de vigilância, preferindo não levantar ondas, tentando assim ficar nas boas graças da tutela. Mas o que é mesmo incompreensível, é que a senhora ministra, responsável máxima pelo sector, venha declarar que “não há a mais pequena responsabilidade do Ministério da Cultura neste assunto”, quando ainda há poucos meses se verificou idêntica situação, para a qual se obtiveram contratos por 4 meses, que obviamente foram sancionados pelo seu gabinete.
Ontem à tarde veio a público a notícia de que o ministro das Finanças já tinha assinado o despacho autorizando a permanência de 90 funcionários (tarefeiros?) por um período de seis meses, pretendendo-se assim afirmar que a situação estava resolvida.
Desenganem-se todos, porque o problema persiste com toda a precariedade existente até aqui, e considerando que os contratos acabam por volta do mês de Maio, e já estaremos então no começo da época alta de visitantes, os problemas acumulam-se até lá, não permitindo uma correcta gestão de pessoal, no que concerne a férias e outras actividades dos próprios serviços, já que a incerteza da renovação de contratos vai durar até ao fim, e provavelmente muitos lugares irão ser preenchidos por outro pessoal, que terá naturalmente que ser integrado nestas tarefas e que demoram o seu tempo a ter uma prestação normal nas tarefas que nunca antes desempenharam.
Isto não passa de mais um penso rápido colocado sobre a ferida, porque estas são necessidades permanentes de pessoal, e não um reforço aceitável para fazer frente aos períodos de férias e de natural aumento do fluxo de visitantes.
Saliento, porque completamente fora do contexto actual, a frase de Isabel Pires de Lima: “A vertente museológica é uma das prioridades da tutela (Cultura)”. Olha se não fosse…!

Um artigo que vos recomendo de 6 de Agosto de 2007. Afinal Enganei-me
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FOTOS - VINGANÇA
Louvre - Paris 6 by Denneris

Louvre - Wikipédia

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CARTOON

Horsey

Patrick Chappatte

terça-feira, novembro 13, 2007

DISCIPLINA DE VOTO

Imposição de voto

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FOTOS FELINAS

Soulja Boy by IceJudge

Sleeping Beauty by kattja80

Grey and white:: Stare II by Photosnap

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CARICATURA

Ilustração de Jason Seile

segunda-feira, novembro 12, 2007

O MÉRITO

Quem já não ouviu falar do mérito e das intenções anunciadas de premiar quem desempenha de modo exemplar as suas funções, nas empresas privadas e no sector público? Todos já ouvimos certamente.
Como é habitual, vai um grande passo das palavras aos actos. Uma medida que podia ser considerada um incentivo a quem se esforça e cumpre integralmente os seus deveres laborais, não passa afinal de uma fantasia, ou melhor, uma intrujice para mascarar mais umas quantas prebendas para uns quantos protegidos.
Em conversa com alguns amigos, perguntei quantos tinham conhecimento de incentivos ao mérito proporcionados pelas suas empresas, ou com aquelas com quem contactam com alguma assiduidade, e a resposta foi quase unânime: apenas tinham conhecimento de prémios para as altas chefias e gestores.
Não me admira que a regra seja esta em Portugal, até porque ao longo da vida tive a oportunidade de manter os mais variados contactos com empresas e empresários, e também só conheço um caso em que realmente havia essa prática, e mesmo assim a empresa é estrangeira.
Costumo ouvir da boca de um amigo uma frase que é um retrato caricatural da gestão tipicamente nacional, “ se o filho é saudável e de olhos azuis, todos o querem, se é marreco e feio, não!”. A frase, com toda a crueldade que encerra, aplicada à gestão resume-se a: “se tudo correu bem ou melhor do que as expectativas, foi por haver boa gestão, pelo contrário, se correu mal e abaixo do esperado, é por causa da conjuntura e da ineficácia dos trabalhadores que são calaceiros e incompetentes”.
Uma originalidade portuguesa, infelizmente demasiado comum entre nós.

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FOTOS - VARIAÇÕES
McGal

Roaring Viking

Roaring Viking

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CARTOON

Dana Summers

sábado, novembro 10, 2007

AUMENTOS E INFLAÇÃO

O governo simulou uma negociação dos salários da Administração Pública, onde acabou por impor aumentos de 2,1%, ao mesmo tempo que afirmava que nenhum funcionário iria perder poder de compra. Este pressuposto baseava-se nos cálculos de inflação prevista de 2,1% para o próximo ano.
Os cálculos da inflação falharam nos últimos anos e acresce a isso, o facto de esse exercício de cálculo não poder ser aplicado a cada família por igual, como pretendem alguns teóricos. Há imensas variáveis a considerar no que se consideram gastos essenciais pelo que o valor só pode considerar-se um elemento de ponderação.
A Comissão Europeia, para só mencionar um organismo, apresenta um valor superior para a inflação, mas não está sozinha nesta ponderação. Assim sendo, como encarar esta imposição do governo, de 2,1% de aumentos?
Uma vergonha, meus amigos. Em primeiro lugar porque são aumentos tanto mais miseráveis quanto menos se ganhe. Com um salário inferior a 1.000 euros o aumento será sempre inferior a 20 euros, e nesta faixa está a esmagadora maioria dos funcionários públicos.
Em segundo lugar, o aumento de 0,08 euros no subsídio de alimentação só pode ser explicado como uma provocação, porque 4,03 euros + 0,08 euros perfazem a extraordinária quantia de 4,11 euros. Um verdadeiro insulto à inteligência do pessoal.
Realismo diz o senhor ministro, vergonhoso, digo eu.
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Vergonhoso: professores das AEC não recebem

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita». Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias. Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano. Que vergonha!!!
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FOTOS - BELEZA
gors

MAYOR

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CARTOON

Patrick Chappatte

Sandy Huffaker

sexta-feira, novembro 09, 2007

DECLARAR O … NIM

O Orçamento de Estado para o próximo ano recebeu votos contra de toda a oposição, como aliás se esperava, e votos a favor apenas dos deputados do PS.
A certa altura ainda se falou em votos contra, ou abstenções dos deputados eleitos pela Madeira, mas após algumas reuniões, e sobretudo depois de ter sido comunicado pelo PS, que ía ser imposta a disciplina de voto na matéria em questão, ficou alguma expectativa sobre o desfecho da votação.
Desilusão, a partidocracia vingou uma vez mais.
Os deputados, que é suposto representarem os seus eleitores, submetem-se à disciplina partidária, e mandam às urtigas os interesses de quem os elegeu.
Democrático é apenas o plebiscito onde se apresentam os partidos, numa farsa eleitoral, em que os eleitos imediatamente esquecem a confiança neles depositada pelos cidadãos, para se vincularem à voz do chefe, que passa a decidir por eles, invocando a “disciplina de voto”.
As declarações de voto no final da aprovação do OE, são mais um episódio patético da comédia montada e do cinismo político com que nos brindam os partidos políticos.
Concluo recordando que as críticas trocadas entre todos os partidos, sobre se os partidos são “donos” ou não dos mandatos, afinal estão a cair sobre os telhados de vidro de todos eles, e mesmo assim, nenhum toma a iniciativa de propor uma regra que garanta a independência dos deputados em relação às direcções partidárias, em todas as matérias, proibindo terminantemente aquilo que chamam (indevidamente) de “disciplina de voto”.

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Juntas (vergonhosamente) Médicas

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FOTOGRAFIA

Dama de Outono - R E N O

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CARTOON RADIOACTIVO

Pat Bagley

Patrick Chappatte

quinta-feira, novembro 08, 2007

FINANCIAMENTO DOS MUSEUS

É com agrado que se regista o debate sobre novas formas de financiamento dos museus e de captação de públicos, precisamente quando se constata que o Estado não dota estas instituições com o dinheiro necessário para o seu funcionamento, em condições semelhantes às de outros países europeus.
Há diversas perspectivas, que se dividem em pelo menos duas realidades completamente diferentes – Estados Unidos e Europa. Esta divisão, algo redutora para alguns, é no entanto real, porque espelha outra realidade que é a do Velho Mundo (Europa) e a do Novo Mundo (todo a América do Norte). Esta simplificação propositada, mas não menos concreta, explica de certo modo duas concepções diferentes, que são consubstanciadas em museus geralmente estatais e museus ligados a grandes mecenas ou fundações com grande dimensão. Ainda mantendo uma classificação simplista, uma divisão entre públicos e privados.
Desenganem-se os que consideram que os dois modelos apresentam resultados financeiros muito diferentes, por dependerem da iniciativa privada ou pública, porque contam-se pelos dedos de uma só mão os museus com alguma dimensão que se podem gabar de se sustentarem por si sós. Para os mais cépticos basta comparar financeiramente o Museu Gulbenkian com o Museu de Arte Antiga, comparando investimento e retorno de verbas.
As grandes diferenças para o grande público, se não entrarmos em linha de conta com as colecções, situam-se mais do lado dos serviços prestados e da conservação e disposição dos espaços. Estes dois aspectos dependem apenas de dois factores, que são a gestão dos recursos humanos e da existência de meios materiais para o funcionamento e manutenção dos espaços. Aqui temos em primeiro lugar as direcções, que têm de ser competentes e exigentes e as tutelas que têm de acreditar nas competências de gestão das direcções, e portanto devem dotá-las dos meios necessários para atingirem os objectivos pretendidos.
A rentabilidade não é um factor que se possa desprezar, muito pelo contrário, mas só se pode verdadeiramente explorar esse filão, quando for atingido um patamar de qualidade de serviços e de apresentação da instituição, que transforme o museu sombrio em imagem de marca e de prestígio entre os seus congéneres europeus e mundiais. Primeiro há que apostar na apresentação, ter um museu cuidado e conservado com bons serviços de atendimento e informação para disponibilizar aos seus públicos.
A vertente comercial assim pode assim florescer, os mecenas aparecem inevitavelmente porque a associação dos seus nomes numa instituição prestigiada tem muita visibilidade e o investimento compensa.
Esta é a sequência lógica, ainda que bastante simplificada, para se transformarem alguns Museus, Palácios e Monumentos deste País, em verdadeiros pólos culturais, rentáveis e com poder de atrair públicos de todas as partes do mundo.
Estas etapas não podem ser suprimidas, e não há foguetório que iluda o mau momento que se vive na Cultura, por falta de investimento e de alguma confiança e autonomia de gestão, ainda que com objectivos definidos como é evidente.

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FOTOGRAFIA
Siren

Siren

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CARTOON
Jeff Darcy

Stephane Peray

quarta-feira, novembro 07, 2007

DOIS GALOS, E UM SÓ POLEIRO

Quando todos estavam a pensar que a discussão dum Orçamento de Estado ía conduzir à discussão de opções políticas quanto ao modo de empregar o dinheiro de todos nós, da maneira mais racional e com mais justiça social, eis que os dois representantes dos maiores partidos nacionais decidem começar a desfiar os episódios passados, um do outro, no que concerne às suas carreiras governativas.
O Parlamento e os portugueses mereciam um pouco mais de respeito por parte destes dois senhores, porque eles são pagos para resolverem assuntos nacionais e não para combates pessoais, que em nada contribuem para o bem-estar do País e dos cidadãos. O Orçamento de Estado é um instrumento de governação que afecta a vida de todos nós, para o bem ou para o mal, e estas lutas políticas, ou de protagonismo podem e devem ser dirimidas noutros espaços, ou pelo menos noutras ocasiões.
A comunicação social pode vir a encher páginas ou espaços televisivos e de antena radiofónica, com frases como “ o governo que fugiu” ou “um passado de triste memória”, mas os cidadãos eleitores, ou pelo menos eu, o que queremos saber é, onde e como é que vão ser empregues os dinheiros provenientes do nosso trabalho e dos nossos impostos.
Não me importa saber o que vão dizer alguns comentadores políticos quando lhes perguntarem quem ganhou este primeiro confronto entre Sócrates e Santana Lopes, porque estou perfeitamente convencido que eu e os demais portugueses, ficámos a perder, porque não fomos devidamente elucidados sobre as virtudes e defeitos do Orçamento, que até era o tema do debate.

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FOTOGRAFIA
Natalia M.

Natalia M.

Cocktail II by Askany

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CARTOON

Paul Combs

terça-feira, novembro 06, 2007

PLANEAMENTO E ENVOLVIMENTO

Uma sociedade estrangeira solicitou recentemente a três gabinetes portugueses diferentes, um projecto de renovação de diversas lojas num mesmo edifício. Este projecto incluía balcões de vendas, expositores, mobiliário diverso e iluminação. As lojas eram um pronto-a-vestir, uma agência de viagens e uma cafetaria.
Responsáveis dos três gabinetes visitaram o espaço, na ocasião do convite, e foi estabelecido um montante para a elaboração do projecto e um prazo com que todos concordaram, bem como os requisitos exigidos pelo cliente.
Os três projectos foram entregues ao cliente e, passados os 15 dias requeridos para a apreciação das propostas, foram chamados os três representantes dos gabinetes para uma reunião nas instalações que se pretendiam renovar. Numa primeira abordagem foi dito que as três propostas eram de muito boa qualidade, que o design também tinha sido considerado excelente, e que os custos de execução previstos por uma empresa ligada ao grupo também eram bastante aproximados.
A decisão parecia difícil, perante esta apreciação feita pelo cliente, mas eis que surge uma surpresa, quando o representante máximo da sociedade solicita a presença dos chefes das três lojas. Logo que os três funcionários entram na sala, foi-lhes solicitada sua opinião sobre o assunto, que previamente já lhes tinha sido entregue para analisarem em detalhe. O empate aparente que persistia anteriormente, foi imediatamente quebrado quando um dos funcionários, em nome dos três, apontou decididamente um dos projectos, porque segundo eles tinha sido o único que tinha ido às instalações por mais de uma vez, não só para as ver, mas sobretudo para contactar os chefes das lojas e os funcionários, questionando-os sobre quais eram as maiores dificuldades que encontravam com o mobiliário e disposição das instalações, e quais as lacunas que achavam que deviam ser supridas. A decisão foi imediatamente aceite pelos dirigentes máximos da sociedade que agradeceram a ajuda dos funcionários a quem agradeceram o contributo antes de os acompanharem à porta para se despedirem.
A reunião terminou de seguida, com o anúncio oficial do projecto vencedor, que foi convidado a seguir a sua execução em condições a combinar no dia seguinte.Isto passou-se recentemente em Portugal, embora tenha decorrido deste modo pouco comum entre nós, porque o cliente era uma sociedade estrangeira. Mentalidades?

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O FARAÓ

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FOTOGRAFIA

Natalia M.

CarbonKid

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CARTOON

Cal Grondahl

Stavro