quarta-feira, dezembro 14, 2011

DO DISCURSO À REALIDADE

Tive a oportunidade de ouvir a entrevista de Francisco José Viegas à Antena 1 fiquei com a impressão reforçada de que o secretário de Estado da Cultura não domina bem o que se passa na área do Património.

O que ele diz quanto à autonomia dos museus, que diz ser uma situação ideal para aqueles que geram receitas substanciais que lhes permitem ser auto-sustentáveis, ou perto disso, não se traduz de modo nenhum no que anunciou para os próximos anos.

Foi curioso que ele tenha falado de dois serviços que bem podiam ser autónomos como sejam o Palácio Nacional de Sintra e o Museu Nacional dos Coches, e se tenha percebido pelas suas próprias palavras, que não vão ser autónomos, sendo pelo contrário inseridos em outras estruturas.

Também registei que sobre o Palácio da Vila de Sintra, Francisco José Viegas disse que as obras (?) de jardim são feitas pela Câmara de Sintra, e que as chaminés foram pintadas pela mesma Câmara, o que não é nada rigoroso, porque o Jardim da Preta não está devidamente cuidado e as chaminés também não foram pintadas.

Não sei se é o senhor secretário de Estado da Cultura é quem decide sobre os serviços que tutela, mas não estou em crer que tenha sido por sua vontade que os Palácios de Queluz e de Sintra vão passar para a tutela da empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, a acreditar no que disse nesta entrevista à jornalista Rosário Lira.





Texto e fotografia by Palaciano

terça-feira, dezembro 13, 2011

INDIGNAÇÃO

Só pode ser com uma profunda indignação que seja recebida a mensagem do primeiro-ministro de que o governo está “muito longe de esgotar o plafond de crescimento das taxas moderadoras”.

Um 1º ministro que admite como justo pagar tanto pelos cuidados de saúde como eu, não merece qualquer respeito, pois é hipócrita, injusto e demagogo. Não existe qualquer proporcionalidade entre os rendimentos e as taxas a cobrar, o que é uma perfeita indignidade.

Não é minimamente aceitável que os aumentos das taxas, que nada têm já de moderadoras, sejam superiores a 1oo% e que os salários reais baixem durante pelo menos 3 anos.

Este governo já perdeu a perspectiva da realidade. Os dados estão aí para quem quiser ver, quer no que toca ao desemprego galopante, à miséria que já não encontra resposta adequada nas instituições que estão no terreno, e passando mesmo pelas inúmeras dificuldades que enfrentam muitos dos que ainda têm trabalho, que depois de perderem as suas casas e os seus carros, já começaram a diminuir no volume de bens alimentares consumidos.

Não há maior cego do que aquele que não quer ver, senhor Passos Coelho. Da indignação à revolta vai um pequeno passo.

NOTA

Como estamos na quadra do Natal, e porque a crise custa a quase todos, o Zé decidiu deixar na coluna da direita um filme completo que todos podem ver nos seus computadores. A escolha foi para o Pinóquio em desenhos animados, quem sabe se a pensar nos nossos políticos.

Pinóquio (no original em inglês: Pinocchio) é um filme norte-americano do gênero fantasia, sendo o segundo longa-metragem de animação produzido pelos estúdios Disney no ano de 1940. O filme é baseado em As aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi.

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

RAPIDINHAS DE NATAL

Pai, porque é que o Pai Natal, este ano vai trazer menos presentes?
- Olha filho, desta vez ele vai ter que pagar portagens para cá chegar.


Pai, este presépio só tem dois reis magos.
- Pois é filho, o Gaspar anda a portar-se mal, por isso está de castigo...

*

Debaixo de uma árvore de Natal, toda iluminada, diz um cão para o outro: - Até que enfim, puseram luz na casa de banho.

sábado, dezembro 10, 2011

QUE ACORDO?

Fiquei algo perplexo com o agrado com que alguns políticos e comentadores receberam o “acordo” conseguido nesta Cimeira Europeia.

Os dados são ainda limitados mas gostaria que alguém me explicasse em que é que Portugal vai beneficiar com este reforço da disciplina orçamental e com a chamada governação económica.

Pelo que entendi haverão penalizações para quem não cumpra um determinado défice, que pelos vistos querem ver plasmados na Constituição de cada país, e os orçamentos nacionais terão de passar pelo crivo europeu antes de serem aprovados nos parlamentos nacionais.

Estas matérias são intrusivas, na linguagem da Cimeira, ainda que a mim me pareçam abusivas para não ser indelicado. Não vejo como é que um Estado soberano se pode sujeitar a estas exigências e à menorização dos parlamentos nacionais.

Se a forma me parece inaceitável, o conteúdo também não me parece nada favorável a Portugal, pois não vejo em lado nenhum qualquer abertura para ajudar ao crescimento de que necessitamos como de pão para a boca. Vejo apenas defendidos os interesses imediatos das grandes economias, e nada mais.

Não sei o que é que passos Coelho traz desta Cimeira, mas para mim fica a sensação de que será uma mão cheia de nada, e a vontade de mudar a Constituição a troco de outra mão também sem nada.


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By Magdalena Campomenosi

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

DIFERENÇAS NO DISCURSO

A caminho de mais uma cimeira europeia, penso que a oitava deste ano, Passos Coelho disse que Portugal tem de “ter flexibilidade e mostrar abertura para ver todas as propostas” que forem apresentadas, apesar de já se saber que o que está sobre a mesa é a proposta da senhora Merkel e do senhor Sarkozy.

O 1º ministro inglês, Cameron, por sua vez, veio dizer que não irá dar o seu apoio a nenhuma proposta que não favoreça os interesses do Reino Unido, e que se baterá por salvaguardas que protejam os seus interesses.

As diferenças são bem claras, enquanto David Cameron coloca os interesses do Reino Unido em 1º lugar, Passos Coelho está mais preocupado em ficar bem com a dupla Merkel/Sarkozy, mostrando toda a flexibilidade para lhes agradar, sem nunca mencionar os interesses nacionais, que deviam ser a sua grande prioridade.

Não me consta que seja necessária tanta submissão para defender os interesses nacionais, nem penso que a atitude certa seja a de deixar nas mãos de outrem os nossos destinos enquanto nação, mas isso sou eu a dizer…

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quarta-feira, dezembro 07, 2011

TRATAM-NOS DA SAÚDE

Quando a condução da saúde é entregue a um “contabilista”, os resultados para a saúde dos utentes são péssimos, pois o que está sobre a mesa são apenas os critérios económicos e não os critérios de saúde pública e os critérios sociais.

Paulo Macedo disse que a alteração nas taxas moderadoras aumentam o acesso à saúde, o que exemplifica bem a falta de sensibilidade social do ministro. Os aumentos superiores a 100% das taxas moderadoras são “colossais”, para usar a linguagem do próprio governo, e não respeitam qualquer tipo de proporcionalidade com os rendimentos auferidos pelos utentes.

Basear as isenções às taxas moderadoras num patamar salarial não chega, porque na prática leva a que quer se ganhe 700 euros ou 5.000 euros, o valor é exactamente igual. A juntar a esta absoluta injustiça, temos os critérios fiscais, que como todos sabemos não são fiáveis, pois há muita gente que simplesmente não declara boa parte dos rendimentos, conseguindo isenções, sem que a máquina fiscal o consiga evitar.

O Serviço Nacional de Saúde começa a ficar reduzido a um serviço assistencial, e a redução do leque de exames e a falta de comparticipação de certos exames e de medicamentos é o passo seguinte, e já a partir de Janeiro.

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FOTO MANIPULADA

terça-feira, dezembro 06, 2011

A TEORIA DO BOM ALUNO

Este país começa a ficar “inundado” de “jovens turcos”, que saíram das faculdades transformados em “especialistas” em todo o tipo de matérias, sem nunca terem “metido a mão na massa”.

Nos corredores do poder encontram-se muitos “meninos” desses, que emitem opiniões sobre saúde, sobre finanças, sobre educação e sobre agricultura, como se por lá tivessem andado uma vida inteira e conhecessem bem as matérias.

Quem não se lembra de João Duque a perorar sobre televisão? Pois agora falou sobre política e economia, dizendo concordar “com o destino que o governo vai dar aos dois mil milhões de euros de excedente deste ano”.

Também temos o deputado João Almeida a garantir que “não havia margem para abdicar de corte no subsídio de Natal”, porque a troika só dava luz verde à transferência do fundo pensões da banca se fosse tomada esta medida.

O que dizer de António Galamba quando diz que suscitar constitucionalidade do OE seria factor negativo de perturbação”? Como é que um político nacional pode considerar que invocar a Lei fundamental deste país pode ser um factor negativo de perturbação, ou uma falta de responsabilidade?

Em Portugal tem prevalecido a teoria do bom aluno, que é como quem diz, do seguidor do chefe que nunca se interroga sobre a bondade do que lhe é colocado à frente. Há gente que se limita a ser uma câmara de eco do poder, sem que se lhe seja conhecida qualquer ideia própria.

Abomino seres rastejantes, e não me refiro apenas aos répteis. Há características importantes dos seres humanos, como a capacidade de pensar pela própria cabeça e saber defender as suas opiniões batendo-se por elas com convicção. A escola dá-nos muitas ferramentas, mas é a experiência que nos prepara para as usar para atingir os resultados que pretendemos.


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domingo, dezembro 04, 2011

NO REINO DA HIPOCRISIA

É com a nossa habitual bonomia que ouvimos alguém da política tentar desvalorizar o caso do Audi que substituiu a Vespa do senhor ministro. Afinal o popó até foi encomendado por um secretário de Estado do governo anterior e o contrato até nem podia ser anulado.

Seja quem for que encomendou a bomba, fez asneira, tal como quem o usa também fica muito mal na fotografia.

Vendo bem, tanto este governo como o anterior, usaram e abusaram das medidas especiais, dos cortes e dos aumentos de impostos, o que em nada condiz com trapalhadas de carripanas para os membros do executivo.

Temos foguetórios porque se dispensou o uso de gravatas, poupando-se assim energia, ou porque o ministério nem sequer paga o telemóvel da senhora ministra, mas muito alegremente senta-se o traseiro num carro de luxo pago pelos contribuintes.

São políticos deste calibre que decidem que cortando uns feriados a produtividade aumenta, e que carregando um pouco mais nos impostos se protege a economia nacional. São os mesmos que diziam que o aumento de impostos era um disparate e que o mérito devia ser premiado.

Não há dinheiro, dizia o ministro das Finanças, mas continua a haver demasiado luxo à disposição dos nossos governantes, que ainda não perceberam que estão completamente desacreditados, e que grande parte do povo já lhes retirou a sua confiança.

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A política

sexta-feira, dezembro 02, 2011

OS TEMPLÁRIOS (O FINAL)

O crescimento da Ordem e a sua riqueza e poder, fez com que fossem admitidas pessoas que não atendiam aos critérios que eram seguidos no início, sem o fervor cristão, a vida austera e a vontade de proteger os cristãos peregrinos.

O poder dos Templários não agradava a alguns monarcas e Filipe IV de França acabou por ser o rei que deu o golpe decisivo no seu descrédito, acusando-os de heresia. Filipe IV pegou exactamente nas cerimónias de iniciação, conseguindo que sob tortura vários cavaleiros confessassem crimes graves, como renegar Cristo, cuspir sobre a cruz, ou praticar a homossexualidade ou o culto do Diabo.

A igreja católica e o rei de França acabaram por beneficiar materialmente com a extinção da Ordem dos Templários, e é curioso que o Papa Clemente V tenha absolvido os Templários das acusações de heresia, devido à forma como foram conseguidas as confissões, (Pergaminho de Chinon), levando a que se tenha concluído que a queda da Ordem se deveu à perda da sua missão e algum oportunismo político.

Um detalhe interessante relacionado com a execução do grão-mestre, De Moley, foi a maldição que este teria lançado sobre o Papa e Filipe IV, anunciando que se reuniriam diante do Criador antes do final do ano. Na realidade Clemente V morreu apenas um mês depois e o monarca francês morreu, ainda bastante novo, em Novembro desse ano devido a um acidente de caça.

Os outros dois artigos sobre o mesmo tema AQUI e AQUI


Templários condenados à fogueira pela Santa Inquisição.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

O ÚLTIMO FERIADO NO 1º DE DEZEMBRO

Já foi dito por muita gente que Portugal não tem muitos feriados nacionais, e os que tem são referentes a datas com muita simbologia e significado histórico. Que me recorde apenas o 1º de Janeiro não reunirá estas características.

Este governo vem demagogicamente cortar dois feriados nacionais com o pretexto de se aumentar a produtividade, o que é ridículo porque ninguém acredita que seja por isso que nós iremos ter algum aumento de produtividade que nos venha a tirar da crise, onde sucessivos governos nos enfiaram.

O que importa registar é que temos agora uma geração de políticos para quem a História não tem qualquer significado, ou pior, que não quer que a simbologia de certos dias possa perdurar no espírito dos cidadãos.

O 1º de Dezembro, como “quase” todos sabem, é o dia em que se comemora a Restauração da Independência Nacional, relembrando os acontecimentos do 1º de Dezembro de 1640, em que os portugueses reconquistaram a sua independência depois de quase 40 anos de dominação espanhola.

Eu que até nem sou monárquico, fico com a vaga impressão que o governo PSD/CDS parece temer que os cidadãos deste país sejam contagiados pelo desejo de independência e castiguem algum Miguel de Vasconcelos, numa altura em há quem pretenda “vender” este país a retalho, não se importando de hipotecar a nação a interesses estrangeiros.

Será que o corte dos feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro tem alguma outra explicação? Estou aberto a sugestões.

PINTURA

VÍDEO

quarta-feira, novembro 30, 2011

FADO PORTUGUÊS

O Fado nasceu um dia,

quando o vento mal bulia

e o céu o mar prolongava,

na amurada dum veleiro,

no peito dum marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.



Ai, que lindeza tamanha,

meu chão , meu monte, meu vale,

de folhas, flores, frutas de oiro,

vê se vês terras de Espanha,

areias de Portugal,

olhar ceguinho de choro.



Na boca dum marinheiro

do frágil barco veleiro,

morrendo a canção magoada,

diz o pungir dos desejos

do lábio a queimar de beijos

que beija o ar, e mais nada,

que beija o ar, e mais nada.



Mãe, adeus. Adeus, Maria.

Guarda bem no teu sentido

que aqui te faço uma jura:

que ou te levo à sacristia,

ou foi Deus que foi servido

dar-me no mar sepultura.



Ora eis que embora outro dia,

quando o vento nem bulia

e o céu o mar prolongava,

à proa de outro velero

velava outro marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.


José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

VARIAÇÕES EM AZUL

terça-feira, novembro 29, 2011

OS NOSSOS POLÍTICOS

São muitas as vezes que dou comigo a pensar que não vivo num país onde os políticos sejam pessoas normais e cordatas, pessoas que tenham convicções e consciência social como devia ser apanágio de qualquer servidor público.

Há uns dias veio à praça pública um membro do governo dizer que há muitos países onde não se pagam subsídios de natal ou de féria, para “justificar” os cortes que vão ser feitos aos funcionários públicos e pensionistas, e usou a Dinamarca, entre outros países, como termo de comparação.

Fiquei abismado com o ridículo da comparação, e de imediato fiquei com a quase certeza de que o dito servidor (?) público, desconhecia completamente a realidade da Dinamarca, ou que nos estava a chamar estúpidos com todas as letras.

Ontem li sobre o caso do ministro Mota Soares, que deixou a sua Vespa para passar a usar uma bomba de 86 mil euros. Depressa veio um esclarecimento do ministério dizendo que o carro não fora comprado pelo ministro, mas que está alugado por 48 meses.

Porque será que o senhor ministro não abdicou da carripana de luxo e fez como os seus congéneres dinamarqueses, continuando a usar a sua viatura pessoal? Então as comparações não servem para os nossos ministros, que até ganham, comparativamente, mais do que os colegas nórdicos?


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segunda-feira, novembro 28, 2011

O NOSSO FADO

A notícia mais “badalada” deste domingo foi sem dúvida a de que “o fado já é património mundial”. As televisões e as rádios repetiram-no vezes sem conta, e os jornais vão fazê-lo na segunda-feira.

Não sei se fique contente por ter-mos que partilhar o fado com toda a humanidade, considerando que este é mesmo nosso, e também porque há alguns que não partilham nada com Portugal. Eles “presta-nos “ajuda”, daquela que nós pagamos com juros.

Pensando bem, até temos um certo fado que podemos partilhar com os nossos “amigos” representados pela chamada troika. Temos aquele fado a que chamam destino, que se traduz por maus políticos, péssima justiça, péssimos salários, impostos demasiado altos, etc.

Partilhemos as nossas desgraças, talvez assim eles nos entendam melhor, mas acho melhor guardar bem o nosso fado musical, e vamos fazer os estrangeiros largar a nota se quiserem ouvir o trinar das guitarras e as vozes e letras do que é o nosso FADO.



sábado, novembro 26, 2011

OS CONVENCIDOS DA VIDA

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.

(…) Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.

(…) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.

Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.

Alexandre O'Neill


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quinta-feira, novembro 24, 2011

SOBRETAXA OU ROUBO?

Muito se tem falado acerca dos cortes dos subsídios de Natal e de férias do próximo ano, que vai incidir sobre funcionários públicos e pensionistas, mas pouco se diz do corte de parte do subsídio de Natal deste ano, que alguns já puderam ver reflectido nas folhas de vencimento.

Um corte é sempre um corte, e portanto injusto aos olhos de quem se vê esbulhado daquilo a que tinha direito, mas há cortes que vão além disso, como é o caso desta sobretaxa extraordinária.

O governo não se limitou a criar um imposto extraordinário, como se afirmou, foi mais além do que isso, o que é um roubo descarado. Repare-se que os descontos incidem sobre o montante global, sobretaxa incluída.

É preciso não ter vergonha para se fazer descontos sobre um montante que não se recebe. Isto na minha óptica é um roubo descarado.

Será que em 2012 e 2013 também vamos pagar os impostos referentes aos dois subsídios, mesmo sabendo-se que os não vamos receber? Já era só o que faltava…


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terça-feira, novembro 22, 2011

OS TEMPLÁRIOS (CONT.)

Apesar de ter sido criada para a defesa da Terra Santa, a Ordem dos Templários teve grande relevo na Península Ibérica logo ao tempo de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, quando fundam a sua sede em Soure, no Mondego, e mais tarde em Tomar já no reinado de D. Afonso Henriques.

Ajudando a coroa portuguesa, e outras na Europa, os Templários receberam em troca muitos privilégios, em terras e rendas, ganhando uma importância militar, política e económica que começou a suscitar muitas críticas por parte dos povos e muitas reticências por parte dos poderes políticos e eclesiásticos.

Para alguns estudiosos o súbito enriquecimento da Ordem não era explicada pelas doações e recompensas pela ajuda prestada, mas sim por algo mais difícil de comprovar. Segundo a lenda os Templários teriam encontrado algumas relíquias sagradas, como o cálice sagrado e a coroa de espinhos de Cristo, em escavações por eles efectuadas em Jerusalém. Há mesmo quem afirme que terão encontrado o tesouro dos judeus, calculado em mais de duzentas toneladas de ouro.


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segunda-feira, novembro 21, 2011

OS COMPROMISSOS ASSUMIDOS

Para pessoas que foram criadas como eu, a palavra de um homem é para ser respeitada e os compromissos são para manter. Não teria muito futuro em certas actividades, com toda a certeza, e a política deve ser um dos casos.

Em Portugal temos visto a cadeira de primeiro-ministro ocupada com pessoas que não fazem o que prometeram quando se apresentaram ao eleitorado, e que facilmente dizem uma coisa hoje para dizer o seu contrário pouco tempo depois. José Sócrates não tem o exclusivo nesta matéria, porque depressa apareceu quem lhe veio fazer digna concorrência.

Na semana que passou ficámos todos a saber que as tabelas salariais dos funcionários públicos não vão ser mexidas em 2012, porque decorrem de compromissos assumidos, nas palavras de Passos Coelho.

É uma pena que o senhor 1º ministro não se recorde que disse que não ia aumentar os impostos e de que cortar subsídios aos funcionários públicos era um disparate, porque são muitos os portugueses que se recordam do que ele disse e que não cumpriu.

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Ida às compras

domingo, novembro 20, 2011

FUGAS DE INFORMAÇÃO

A preocupação do PGR, Pinto Monteiro, com as fugas de informação foi recebida com indiferença por uns e com aplauso de outros, mas não conseguiu recolher o apoio unânime dos portugueses.

Creio que para muita gente as figuras públicas acabam por pagar a factura de serem ou terem sido figuras públicas, e para outros, mais puristas, o respeito pela intimidade e a presunção da inocência deve prevalecer, para todos.

Não vou tomar partidos, nem sequer exprimir a minha opinião, porque seria parcial na medida em que não simpatizo com a figura do senhor Duarte Lima, mas o assunto não me passou despercebido.

Acho mesmo que existem fugas de informação, e estas de que falo não podem ter saído dos suspeitos do costume. Talvez alguns tenham reparado na presença de um indivíduo sempre que as televisões fazem um directo importante. Esse alguém é o conhecido emplastro.

O emplastro deve ter informação privilegiada e o PGR deve prestar muita atenção ao caso, e quem sabe até deva abrir um processo de averiguações, porque me parece que é inadmissível sermos obrigados a ver entrar nas nossas casas semelhante criatura que insiste em mostrar a cara sobre o ombro de cada entrevistado.


sexta-feira, novembro 18, 2011

OS AGIOTAS

Os agiotas são geralmente procurados por quem não consegue crédito nos circuitos normais, sejam eles nacionais sejam internacionais.

Portugal devido à má classificação da sua dívida foi forçado a recorrer a entidades externas que não estão no circuito normal do crédito, o que se traduziu no tão falado protocolo com a troika.

Aquilo que nos disseram é que se tratava de uma “ajuda”, mas na verdade trata-se de um empréstimo feito por três entidades distintas, que obtêm esse dinheiro a um juro muito baixo e nos emprestam esse mesmo dinheiro cobrando um juro substancialmente superior, mas que também nos forçam a medidas várias, por eles impostas.

Por tudo isto pode afirmar-se que a troika se está a comportar como os agiotas e que está a praticar aquilo que se convenciona chamar de usura.

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quinta-feira, novembro 17, 2011

CHANTAGEM TROIKISTA

É uma inadmissível ingerência por parte da troika, vir afirmar que “não tem um plano B” caso o Tribunal Constitucional chumbe o corte nos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas, e que acrescente que “consideramos que os cortes de salários estão de acordo com a Constituição”. 

É certo que esta ideia é passada pelo executivo português que também quer empurrar o Tribunal Constitucional contra a parede, confrontando-o com a hipótese de chumbo ser a causa do fim do resgate da nossa dívida pública. 

Estamos perante uma monumental chantagem, pois perante as dúvidas sobre a constitucionalidade desta medida, já levantadas por diversas entidades e até pela Presidência da República, o governo não teve o cuidado de prevenir um chumbo, consultando preventivamente o TC. 

A política do facto consumado e o argumento da inevitabilidade, são atitudes de prepotência e de desprezo pelas instituições e pela Democracia. A situação é grave mas isso não legitima estratégias deste calibre. 

Será que o governo comportando-se desta maneira, está à espera que os cidadãos aceitem tudo pacificamente e sem mostrarem a sua indignação de forma bem clara?

Mais AQUI e AQUI
 
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ARTE AFRICANA