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sábado, outubro 27, 2012

FADO PORTUGUÊS



O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,

meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro

do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.

Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,

quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro velero
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
José Régio



segunda-feira, outubro 22, 2012

A INEVITABILIDADE



Os discursos de Passos Coelho, e também de Vítor Gaspar, são sempre pontuados com as teses da inevitabilidade e da falta de margem de manobra, sempre que se referem às medidas de austeridade de vão impondo consecutivamente.

A verificar-se a aprovação do Orçamento de Estado para 2011, que eu espero que não aconteça, e depois de conhecido o resultado do défice de 2012 e o falhanço absoluto das metas estabelecidas, creio que os dois serão confrontados com as suas próprias teses.

Os cidadãos deste país vão manifestar-se exigindo a demissão do governo, é inevitável, e perante o falhanço das medidas implementadas até agora, não haverá qualquer margem de manobra para Cavaco Silva, que só terá como opção fazer cair o governo e abrir a porta a eleições legislativas.



segunda-feira, novembro 28, 2011

O NOSSO FADO

A notícia mais “badalada” deste domingo foi sem dúvida a de que “o fado já é património mundial”. As televisões e as rádios repetiram-no vezes sem conta, e os jornais vão fazê-lo na segunda-feira.

Não sei se fique contente por ter-mos que partilhar o fado com toda a humanidade, considerando que este é mesmo nosso, e também porque há alguns que não partilham nada com Portugal. Eles “presta-nos “ajuda”, daquela que nós pagamos com juros.

Pensando bem, até temos um certo fado que podemos partilhar com os nossos “amigos” representados pela chamada troika. Temos aquele fado a que chamam destino, que se traduz por maus políticos, péssima justiça, péssimos salários, impostos demasiado altos, etc.

Partilhemos as nossas desgraças, talvez assim eles nos entendam melhor, mas acho melhor guardar bem o nosso fado musical, e vamos fazer os estrangeiros largar a nota se quiserem ouvir o trinar das guitarras e as vozes e letras do que é o nosso FADO.