sábado, dezembro 05, 2015
OS CULPADOS DO COSTUME
sexta-feira, maio 23, 2014
CAMPANHA ELEITORAL
quarta-feira, janeiro 23, 2013
PESSOAS E NÃO NÚMEROS
Tudo foi despoletado pela
intenção do governo de cortar 4 mil milhões de euros da despesa pública, sem
que fosse apresentada uma razão para tal. De seguida o governo veio afirmar que
os cortes seriam nas funções do Estado, nomeadamente na educação, na saúde e na
Segurança Social.quarta-feira, março 17, 2010
PINÓQUIO VOLTA A ATACAR
sexta-feira, dezembro 04, 2009
CORRUPÇÃO
Depois dos casos conhecidos de suspeitas de diversos tipos de corrupção, e do alarido mediático em torno dos processos e dos indivíduos envolvidos, esperava-se que os políticos tivessem um comportamento adequado às circunstâncias.
Ontem discutiu-se na Assembleia da República esta problemática e foram apresentados diversos projectos para se evitar a corrupção e visando castigar os protagonistas. Sabe-se que as leis devem ser bem discutidas e melhor estruturadas, o que necessita de algum tempo, mas aquilo que se quer evitar e punir, não é difícil de identificar e nomear.
O cidadão comum tem fundadas razões para continuar preocupado com a situação, porque o acordo do PS com uma proposta do PSD para a criação de uma comissão eventual para o combate à corrupção é uma maneira conhecida para deixar tudo como está, enquanto se discute o sexo dos anjos.
Os partidos do poder lá sabem porque é que chegam a este acordo, quando parece ser consensual que todos querem acabar com a corrupção e os corruptos.
Será que estou enganado?
sábado, julho 25, 2009
SIADAP - UM DEGRAU ABAIXO
O Governo de José Sócrates gaba-se da introdução do sistema de avaliação do desempenho da Função Pública, que conhecemos com a designação de SIADAP. Siglas e anúncios pretensamente reformistas são uma das características do executivo que estabeleceu a propaganda como arma de afirmação junto da opinião pública.
Quando se ouve um secretário de estado da Administração Pública afirmar que mais de 90% dos funcionários foram avaliados, ficando de fora apenas os professores, e ao mesmo tempo aponta o número de “perto de 300 mil funcionários avaliados em 2008”, estamos perante um erro, ou uma farsa, já que o número global de 750 mil funcionários é da própria Administração Pública. A percentagem apurada peca por evidente defeito, ainda que seja apenas um pormenor de pouca importância nesta matéria.
A avaliação do desempenho, segundo as normas do SIADAP, veio apenas colocar as classificações noutros patamares, e teve o cuidado de beneficiar convenientemente os próprios avaliadores, ainda que afirmando-se a pés juntos que é uma medida justa que pretende premiar o mérito dos que verdadeiramente se esforçam e se empenham.
Os Muito Bons e Relevantes, deixaram de estar ao alcance de quem não está encostado às chefias, onde passou a prevalecer o Bom, já que há que satisfazer a clientela considerada fiel, que além de subir vertiginosamente na carreira ainda pode abichar uns prémios de desempenho que ajudam muito à fidelidade às chefias.
O funcionário comum, que se dispensa de tecer elogios imerecidos às chefias e que coloca os interesses do serviço e dos utentes à frente das vaidades e teimosias das chefias, ou é bafejado pelo acaso, o que é pouco provável, ou então tem que contentar-se com subidas de 10 em 10 anos, se continuarem a ser obrigatórias, o que também não é garantido.
Publiquem-se as classificações dos funcionários de cada serviço, e os prémios de desempenho atribuídos à porta de cada ministério, com a devida menção do organograma do serviço, e ver-se-ia até onde aguentava a credibilidade dos defensores do sistema vigente. Seria edificante, muito edificante, podem crer.

sábado, novembro 15, 2008
AVALIAÇÃO
Nunca tive particular preocupação em ser politicamente correcto, e expresso sempre a minha opinião neste espaço, mesmo quando sei que não é consensual. Hoje o tema é a avaliação do desempenho, muito em particular na função pública.
Tenho visto e lido muitas opiniões favoráveis à avaliação, que normalmente se refugiam em parâmetros de produtividade, de qualidade e de competência no desempenho das funções. Quase nunca ouço falar de condições de trabalho, e meios colocados à disposição, mas à partida penso que todos concordam que eles devem existir. Partindo destes princípios é difícil ser-se crítico em relação à avaliação.
Na função pública as coisas não são tão lineares assim. Começando pelos objectivos dos serviços que estão condicionados pelos dirigentes máximos, que no fundo são os ministros, e que portanto têm objectivos políticos e não funcionais. Segue-se toda uma hierarquia de pessoal nomeado por confiança política, que naturalmente respondem nessa mesma qualidade.
Depois dos objectivos temos a legislação e os procedimentos, a que muitos chamam, noutro contexto, burocracia, que condicionam cada acto dos funcionários. Há ainda o problema das condições de trabalho e os meios colocados à disposição, que naturalmente dependem dos orçamentos disponíveis, mas sobretudo da vontade e da “celeridade” do processo burocrático que depende de toda a cadeia hierárquica inerente a cada serviço ou organismo.
Por último, e porque estou naturalmente a simplificar as coisas, temos os avaliadores, os mesmos que foram nomeados por confiança política, e que portanto não são nem podem ser isentos, porque estão dependentes da (boa) vontade de quem os nomeou.
Isto traduz-se em anacronismos como o de ver um engenheiro civil a avaliar mecânicos, um engenheiro de máquinas a avaliar arquitectos e engenheiros civis, ou um doutorado em germânicas a avaliar técnicos informáticos. O que resulta numa grande trapalhada, especialmente quando há três ou quatro dezenas de funcionários a avaliar e quota de “relevantes” ou muito bons só permite atribuir uma ou duas notas dessas. O resultado é invariavelmente o mesmo: os que estão mais próximos da chefia são os bafejados, e todos os outros são preteridos, qualquer que seja o seu empenho e competência.
Em abstracto pode ser-se favorável às avaliações, mas na prática elas são um embuste, cujo único objectivo (economicista) é retardar ao máximo subidas nas carreiras e não reconhecer qualquer tipo de mérito.
sábado, agosto 16, 2008
O PAÍS DAS MARAVILHAS
Nem vale
a pena falar dos números apresentados, porque são simplesmente ridículos, mas não deixo passar em branco a oportunidade das declarações e o tom triunfal com que foram feitas.
O “bom desempenho” na baixa do desemprego, na contenção da inflação e no crescimento do PIB, não se notam em absoluto nas carteiras dos cidadãos, mas na fantasia dos nossos governantes, o país está mais rosado e é tudo uma maravilha. A crise no entender daqueles senhores é “lá fora” e podemos todos ficar mais descansados, mesmo tesos como um carapau seco e sem sequer uns trocados para mandar cantar um cego.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
AS FALHAS NOS CÁLCULOS
Os portugueses lucraram imenso com estas previsões e têm premiado os seus autores com lugares de topo na economia e nas empresas nacionais, nos bancos e até em instituições europeias e internacionais. Todos? Não, claro que não, apenas os que interessam e que enriquecem estupidamente perante a passividade de quem sai claramente mais pobre com este feito.
A dada ocasião começam-nos a iniciar nos meandros da economia global e nos mercados liberalizados, para logo saltarem para os benefícios do empreendedorismo e para as regras da oferta e da procura, e da auto-regulação dos mercados. Aqui começam as perguntas ingénuas sobre a natureza dos efeitos das falhas nos cálculos da inflação. As respostas são prontas e o erro é sempre considerado marginal, resultante duma conjuntura internacional imprevisível, mas que terá afectado igualmente toda a sociedade portuguesa. Se ficamos convencidos? Nem todos.
Na busca de mais respostas, alguns perguntam inocentemente se o governo ao fornecer indicadores para a inflação sistematicamente abaixo do valor real não estará, com isso a desregular o mercado? Bem, aqui começam a subir o tom da voz. A imparcialidade e outras declarações, como as preocupações sociais e a defesa intransigente dos interesses do país são despejados em catadupa.
Silenciosamente, no seu recanto e em surdina, o Zé destila o seu fel e murmura para si mesmo, que estes cálculos por defeito apenas servem para influenciar as negociações salariais, baixando na prática o poder de compra de quem trabalha por conta de outrem, beneficiando uns quantos alarves, que de rédea solta com a desregulação das normas laborais, ameaçam quem deles depende e paga cada vez menos com mais exigências.
Os autores das falhas nos cálculos gabam-se ainda de em tudo o resto terem acertado, permanecendo cegos ao ridículo de tal afirmação, perante a incredulidade diante tamanha desfaçatez, por parte do pobre Zé, que afinal até pensava que estava num oásis rosado e dá por si num país com um nome difícil de pronunciar, onde até a linguagem é diferente da que aprendera nos seus tempos de escola.
Aqui acordei do pesadelo, saltei para as teclas e escrevi estas tolices, antes de voltar lá para fora e ser forçado a reviver tudo isto, agora em português de Portugal.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
AUMENTOS E INFLAÇÃO
Ouvi diversas explicações sobre o cálculo da inflação, e até me fizeram uma simulação do seu cálculo, mas curiosamente, para 2007 o resultado, tomando em consideração os aumentos praticados na função pública, deu um resultado bastante superior a 3,4%. Claro que me vieram logo dizer que o cálculo atingia esse valor porque não tinha sido considerado o aumento salarial médio nacional, que foi bastante superior ao dos funcionários públicos, e que portanto estava tudo explicado.
Vamos ser práticos, e tomemos em consideração apenas alguns dos produtos e serviços que oneram quase todos os portugueses, como por exemplo a gasolina, os transportes públicos, o gás, a energia eléctrica, os produtos alimentares e a despesa com a habitação. Alguém já fez as contas e encontrou algum aumento inferior à inflação que nos é apresentada? Eu não encontrei, e digo-vos que procurei bastante.
Eu sei que há cépticos em relação ao que afirmo, e que preferem acreditar nos dados que nos são fornecidos, mas para esses fica um alerta: leiam os jornais, ou ouçam as notícias, porque lá verão os aumentos dos transportes públicos a rondar os 4%, os combustíveis a subir (em 2007, 20%), as rendas de casa e as taxas dos empréstimos bem acima da inflação, a energia eléctrica idem, o gáz também, os produtos alimentares é só consultar os preços nos supermercados, etc.
Por vezes chego a desconfiar que os senhores que nos dão os dados oficiais sobre a inflação, compram apenas nas lojas chinesas, calcorreiam os saldos e compram só fora da estação, têm motorista e carro atribuido e um cartão de crédito da entidade patronal para as despesas de casa e alimentação.
Com tanta matemática criativa, não admira que eu continue a ser um nabo na matéria
terça-feira, abril 24, 2007
O LOGRO DA AVALIAÇÃO
A táctica do governo, secundada por parte da comunicação social dá origem à distorção propositada de conteúdos e princípios, como o facto de se titular que “uma boa avaliação não traz ao funcionário só vantagens financeiras” … “oferece um conjunto de estímulos não pecuniários aos melhores”, e a concluir “talvez para compensar a fraca generosidade nas progressões na carreira.”
Tudo o que referi faz parte dum subtítulo dum diário, e não faz sentido para quem lê em diagonal apenas os destaques ignorando o texto. Por um lado há que questionar sobre o interesse de divulgação pública dum texto que ainda está na fase de proposta, por outro, como o próprio jornal refere quando haverá algum benefício palpável para os trabalhadores e em que percentagem. Está tudo por lá e se os leitores não interessados neste processo, por estarem no sector privado, quiserem ler o artigo completo podem perfeitamente perceber que o congelamento das carreiras continua por mais dois anos para 95% dos funcionários, e em 2010 continua vedada a subida para 80%.
Concluo com a promessa de que o bom desempenho dará direito a férias extras, método já utilizado no passado e que ainda bem recentemente foi considerado por este mesmo governo, um privilégio dos funcionários públicos.
È muito mau para ser verdade e é um logro o que se está a publicitar através dos jornais, que grande parte dos portugueses ou não lê, ou apenas retém o que consta dos destaques (na gíria, as gordas).

























