Mostrar mensagens com a etiqueta Logro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Logro. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 05, 2015

OS CULPADOS DO COSTUME



Se todos se lembram da almofada financeira de que falava Passos Coelho, ou dos cofres cheios da ministra Maria Luís, que apesar de ser divida ao estrangeiro, enchia a boca dos antigos governantes, que se orgulhavam de ter essa massa para se poder enfrentar alguma dificuldade inesperada.

Parece que o montante da almofada financeira era de 945 milhões de euros no princípio do ano, mas que agora é de apenas 60 milhões de euros. O gasto dessa dinheirama, segundo o governo apeado do poder, deveu-se aos professores que não aceitaram recorrer às rescisões amigáveis, e continuaram a desempenhar as suas funções.

Foram sempre os funcionários públicos os culpados dos “desvios de rumo” das finanças nacionais, pelo menos na óptica dum governo que nunca errou nem teve dúvidas, à semelhança do seu tutor, ainda em funções para os lados de Belém. Por verem reduzidos os cortes dos subsídios ou por se negarem a rescindir os seus contratos de trabalho, os bodes expiatórios da derrapagem orçamental são os funcionários públicos.

O tal rigor de que falavam Passos Coelho e Maria Luís, tem uma face bem negra porque o tal trunfo que diziam ter na manga já foi pelo cano abaixo, e o défice abaixo dos miríficos 3% está em sério risco, a menos que se façam uns quantos malabarismos, como empurrar alguns pagamentos para 2016, o que já vem sendo hábito.


P. do Sol by Palaciano

sexta-feira, maio 23, 2014

CAMPANHA ELEITORAL

Está a chegar ao fim mais uma campanha eleitoral, onde os dois partidos, ou coligações, que têm passado pela governação, deram um espectáculo mais do que indigente.

A coligação PSD/CDS apresentou-se a estas eleições europeias, centrando o seu discurso na pessoa de José Sócrates, tudo fazendo para desviar as atenções populares, de tudo o que de mau tem feito nestes últimos 3 anos, como se isso fosse possível.

O PS que também passou diversas vezes pela governação, esqueceu-se (propositadamente) de dizer quais as suas posições na arena europeia, tendo até repescado Sócrates que também é um rosto comprometido com o estado a que este país chegou.


Os portugueses têm sido sistematicamente enganados por esta verdadeira troika nacional, mas agora espero que não se esqueçam de que tudo o que estamos a sofrer agora é resultado da má governação destes partidos, que ainda por cima têm as mesmas posições na União Europeia.


quarta-feira, janeiro 23, 2013

PESSOAS E NÃO NÚMEROS



Na precisa altura em que o governo anuncia uma discussão sobre o Estado social que os portugueses querem e podem sustentar, importa reflectir sobre o que está na origem desta discussão, que está profundamente inquinada.

Tudo foi despoletado pela intenção do governo de cortar 4 mil milhões de euros da despesa pública, sem que fosse apresentada uma razão para tal. De seguida o governo veio afirmar que os cortes seriam nas funções do Estado, nomeadamente na educação, na saúde e na Segurança Social.

Antes de qualquer discussão pública, já estão sobre a mesa os tais cortes e a redução drástica de funcionários públicos, falando-se já num subsídio de desemprego para eles, ultrapassando-se mais uma vez a própria Constituição.

Para o governo é tudo uma questão de números, e não se descortina onde é que estão as preocupações sociais do executivo. Se por um lado dizem ser inevitável o corte de direitos sociais, continuamos a assistir às mordomias dos governantes e dos seus nomeados, à impunidade dos grandes banqueiros, à impunidade dos grandes devedores, e ao empréstimo de dinheiros públicos a bancos mal geridos.

Na lista de prioridades os cidadãos devem estar em último lugar, porque os sacrifícios continuam a incidir sobre os rendimentos do trabalho, sobre as pensões e sobre os direitos sociais. Reclama Passos Coelho legitimidade para fazer o contrário do que prometeu, teimando em castigar a maioria em benefício de uns poucos? Não a tem, evidentemente.

quarta-feira, março 17, 2010

PINÓQUIO VOLTA A ATACAR

Depois da promessa (não cumprida) da criação de 150 mil novos postos de trabalho na anterior legislatura, agora veio outra mais modesta, de 120 mil novos empregos verdes, até 2020. Acredite quem quiser, que eu fico-me pela representação gráfica e humorística, que pelo menos é mais divertida.

Este boneco foi uma simpática oferta do Palaciano, que veio mesmo a calhar.

Esta imagem foi repescada, mas continua bem actual.


sexta-feira, dezembro 04, 2009

CORRUPÇÃO

Depois dos casos conhecidos de suspeitas de diversos tipos de corrupção, e do alarido mediático em torno dos processos e dos indivíduos envolvidos, esperava-se que os políticos tivessem um comportamento adequado às circunstâncias.

Ontem discutiu-se na Assembleia da República esta problemática e foram apresentados diversos projectos para se evitar a corrupção e visando castigar os protagonistas. Sabe-se que as leis devem ser bem discutidas e melhor estruturadas, o que necessita de algum tempo, mas aquilo que se quer evitar e punir, não é difícil de identificar e nomear.

O cidadão comum tem fundadas razões para continuar preocupado com a situação, porque o acordo do PS com uma proposta do PSD para a criação de uma comissão eventual para o combate à corrupção é uma maneira conhecida para deixar tudo como está, enquanto se discute o sexo dos anjos.

Os partidos do poder lá sabem porque é que chegam a este acordo, quando parece ser consensual que todos querem acabar com a corrupção e os corruptos.

Será que estou enganado?



*** * ***
FOTOGRAFIA
Saída de emergência by HeretyczkaA

Cabeça nas nuvens by HeretyczkaA

*** * ***
ARTE & IMAGEM
Magola por Nani

sábado, julho 25, 2009

SIADAP - UM DEGRAU ABAIXO

O Governo de José Sócrates gaba-se da introdução do sistema de avaliação do desempenho da Função Pública, que conhecemos com a designação de SIADAP. Siglas e anúncios pretensamente reformistas são uma das características do executivo que estabeleceu a propaganda como arma de afirmação junto da opinião pública.

Quando se ouve um secretário de estado da Administração Pública afirmar que mais de 90% dos funcionários foram avaliados, ficando de fora apenas os professores, e ao mesmo tempo aponta o número de “perto de 300 mil funcionários avaliados em 2008”, estamos perante um erro, ou uma farsa, já que o número global de 750 mil funcionários é da própria Administração Pública. A percentagem apurada peca por evidente defeito, ainda que seja apenas um pormenor de pouca importância nesta matéria.

A avaliação do desempenho, segundo as normas do SIADAP, veio apenas colocar as classificações noutros patamares, e teve o cuidado de beneficiar convenientemente os próprios avaliadores, ainda que afirmando-se a pés juntos que é uma medida justa que pretende premiar o mérito dos que verdadeiramente se esforçam e se empenham.

Os Muito Bons e Relevantes, deixaram de estar ao alcance de quem não está encostado às chefias, onde passou a prevalecer o Bom, já que há que satisfazer a clientela considerada fiel, que além de subir vertiginosamente na carreira ainda pode abichar uns prémios de desempenho que ajudam muito à fidelidade às chefias.

O funcionário comum, que se dispensa de tecer elogios imerecidos às chefias e que coloca os interesses do serviço e dos utentes à frente das vaidades e teimosias das chefias, ou é bafejado pelo acaso, o que é pouco provável, ou então tem que contentar-se com subidas de 10 em 10 anos, se continuarem a ser obrigatórias, o que também não é garantido.

Publiquem-se as classificações dos funcionários de cada serviço, e os prémios de desempenho atribuídos à porta de cada ministério, com a devida menção do organograma do serviço, e ver-se-ia até onde aguentava a credibilidade dos defensores do sistema vigente. Seria edificante, muito edificante, podem crer.



*** * ***
FOTOGRAFIA
Kirill V Pozhidaeff

*** * ***
CARTOON


BEN HEINE

sábado, novembro 15, 2008

AVALIAÇÃO

Nunca tive particular preocupação em ser politicamente correcto, e expresso sempre a minha opinião neste espaço, mesmo quando sei que não é consensual. Hoje o tema é a avaliação do desempenho, muito em particular na função pública.

Tenho visto e lido muitas opiniões favoráveis à avaliação, que normalmente se refugiam em parâmetros de produtividade, de qualidade e de competência no desempenho das funções. Quase nunca ouço falar de condições de trabalho, e meios colocados à disposição, mas à partida penso que todos concordam que eles devem existir. Partindo destes princípios é difícil ser-se crítico em relação à avaliação.

Na função pública as coisas não são tão lineares assim. Começando pelos objectivos dos serviços que estão condicionados pelos dirigentes máximos, que no fundo são os ministros, e que portanto têm objectivos políticos e não funcionais. Segue-se toda uma hierarquia de pessoal nomeado por confiança política, que naturalmente respondem nessa mesma qualidade.

Depois dos objectivos temos a legislação e os procedimentos, a que muitos chamam, noutro contexto, burocracia, que condicionam cada acto dos funcionários. Há ainda o problema das condições de trabalho e os meios colocados à disposição, que naturalmente dependem dos orçamentos disponíveis, mas sobretudo da vontade e da “celeridade” do processo burocrático que depende de toda a cadeia hierárquica inerente a cada serviço ou organismo.

Por último, e porque estou naturalmente a simplificar as coisas, temos os avaliadores, os mesmos que foram nomeados por confiança política, e que portanto não são nem podem ser isentos, porque estão dependentes da (boa) vontade de quem os nomeou.

Isto traduz-se em anacronismos como o de ver um engenheiro civil a avaliar mecânicos, um engenheiro de máquinas a avaliar arquitectos e engenheiros civis, ou um doutorado em germânicas a avaliar técnicos informáticos. O que resulta numa grande trapalhada, especialmente quando há três ou quatro dezenas de funcionários a avaliar e quota de “relevantes” ou muito bons só permite atribuir uma ou duas notas dessas. O resultado é invariavelmente o mesmo: os que estão mais próximos da chefia são os bafejados, e todos os outros são preteridos, qualquer que seja o seu empenho e competência.

Em abstracto pode ser-se favorável às avaliações, mas na prática elas são um embuste, cujo único objectivo (economicista) é retardar ao máximo subidas nas carreiras e não reconhecer qualquer tipo de mérito.



*** * ***
FOTOGRAFIA
***

ojousama

*** * ***
CARICATURA
"Viemos, vimos e vencemos" por Baptistão
"Por Diego, con Diego, en Diego, toda honra y toda gloria..." por Gustavo Duarte

sábado, agosto 16, 2008

O PAÍS DAS MARAVILHAS

Cada vez mais acho que os nossos governantes se julgam no país das maravilhas, tal é o optimismo do seu discurso na análise da situação económica. Esta semana o ministro das Finanças veio anunciar que o PIB está em terreno positivo e o do Trabalho e da Segurança Social veio informar que o desemprego diminuiu.

Nem vale a pena falar dos números apresentados, porque são simplesmente ridículos, mas não deixo passar em branco a oportunidade das declarações e o tom triunfal com que foram feitas.

O “bom desempenho” na baixa do desemprego, na contenção da inflação e no crescimento do PIB, não se notam em absoluto nas carteiras dos cidadãos, mas na fantasia dos nossos governantes, o país está mais rosado e é tudo uma maravilha. A crise no entender daqueles senhores é “lá fora” e podemos todos ficar mais descansados, mesmo tesos como um carapau seco e sem sequer uns trocados para mandar cantar um cego.



*** * ***
FOTOGRAFIA
Кипрей и туман
Утро на реке Серене

*** * ***
CARTOON
Dachuan Xia

Amorim

quarta-feira, janeiro 16, 2008

AS FALHAS NOS CÁLCULOS

Os nossos sucessivos governos conseguiram o feito inédito de errarem durante dez anos seguidos o cálculo da inflação. As grandes economias mundiais devem estar roxas de inveja de semelhantes governantes, que apesar da pequena dimensão do país e da quase absoluta dependência do exterior, conseguem errar com esta consistência.
Os portugueses lucraram imenso com estas previsões e têm premiado os seus autores com lugares de topo na economia e nas empresas nacionais, nos bancos e até em instituições europeias e internacionais. Todos? Não, claro que não, apenas os que interessam e que enriquecem estupidamente perante a passividade de quem sai claramente mais pobre com este feito.
A dada ocasião começam-nos a iniciar nos meandros da economia global e nos mercados liberalizados, para logo saltarem para os benefícios do empreendedorismo e para as regras da oferta e da procura, e da auto-regulação dos mercados. Aqui começam as perguntas ingénuas sobre a natureza dos efeitos das falhas nos cálculos da inflação. As respostas são prontas e o erro é sempre considerado marginal, resultante duma conjuntura internacional imprevisível, mas que terá afectado igualmente toda a sociedade portuguesa. Se ficamos convencidos? Nem todos.
Na busca de mais respostas, alguns perguntam inocentemente se o governo ao fornecer indicadores para a inflação sistematicamente abaixo do valor real não estará, com isso a desregular o mercado? Bem, aqui começam a subir o tom da voz. A imparcialidade e outras declarações, como as preocupações sociais e a defesa intransigente dos interesses do país são despejados em catadupa.
Silenciosamente, no seu recanto e em surdina, o Zé destila o seu fel e murmura para si mesmo, que estes cálculos por defeito apenas servem para influenciar as negociações salariais, baixando na prática o poder de compra de quem trabalha por conta de outrem, beneficiando uns quantos alarves, que de rédea solta com a desregulação das normas laborais, ameaçam quem deles depende e paga cada vez menos com mais exigências.
Os autores das falhas nos cálculos gabam-se ainda de em tudo o resto terem acertado, permanecendo cegos ao ridículo de tal afirmação, perante a incredulidade diante tamanha desfaçatez, por parte do pobre Zé, que afinal até pensava que estava num oásis rosado e dá por si num país com um nome difícil de pronunciar, onde até a linguagem é diferente da que aprendera nos seus tempos de escola.
Aqui acordei do pesadelo, saltei para as teclas e escrevi estas tolices, antes de voltar lá para fora e ser forçado a reviver tudo isto, agora em português de Portugal.

*** * ***
FOTOGRAFIA
A Taste of Heaven by Scattered-Light

Morocco 21 by gabimartins

*** * ***

CARTOON

Pat Bagley
John Darkow

quinta-feira, dezembro 13, 2007

AUMENTOS E INFLAÇÃO

Tal como a grande maioria dos portugueses, tenho alguma dificuldade na área das matemáticas, sobretudo quando se trata de apreciar os argumentos dados para aumentar pouco os salários, relacionando-os com a inflação esperada. Ainda há pouco tempo, dizia o governo que os aumentos para a função pública íam ser de 2,1%, e que esse era o valor previsto para a inflação do ano de 2008.
Ouvi diversas explicações sobre o cálculo da inflação, e até me fizeram uma simulação do seu cálculo, mas curiosamente, para 2007 o resultado, tomando em consideração os aumentos praticados na função pública, deu um resultado bastante superior a 3,4%. Claro que me vieram logo dizer que o cálculo atingia esse valor porque não tinha sido considerado o aumento salarial médio nacional, que foi bastante superior ao dos funcionários públicos, e que portanto estava tudo explicado.
Vamos ser práticos, e tomemos em consideração apenas alguns dos produtos e serviços que oneram quase todos os portugueses, como por exemplo a gasolina, os transportes públicos, o gás, a energia eléctrica, os produtos alimentares e a despesa com a habitação. Alguém já fez as contas e encontrou algum aumento inferior à inflação que nos é apresentada? Eu não encontrei, e digo-vos que procurei bastante.
Eu sei que há cépticos em relação ao que afirmo, e que preferem acreditar nos dados que nos são fornecidos, mas para esses fica um alerta: leiam os jornais, ou ouçam as notícias, porque lá verão os aumentos dos transportes públicos a rondar os 4%, os combustíveis a subir (em 2007, 20%), as rendas de casa e as taxas dos empréstimos bem acima da inflação, a energia eléctrica idem, o gáz também, os produtos alimentares é só consultar os preços nos supermercados, etc.
Por vezes chego a desconfiar que os senhores que nos dão os dados oficiais sobre a inflação, compram apenas nas lojas chinesas, calcorreiam os saldos e compram só fora da estação, têm motorista e carro atribuido e um cartão de crédito da entidade patronal para as despesas de casa e alimentação.
Com tanta matemática criativa, não admira que eu continue a ser um nabo na matéria

*** * ***
FOTOGRAFIA - AVES
Litvak.I

Litvak.I

*** * ***

CARTOON

Milenko Kosanovic

Milenko Kosanovic

terça-feira, abril 24, 2007

O LOGRO DA AVALIAÇÃO

Embora ainda em fase de projecto, a avaliação na função pública, já chegou aos meios de comunicação social embora ainda não seja do conhecimento dos próprios funcionários que por ela vão ser abrangidos. É sintomático que este governo solte a informação primeiro para a comunicação social e só depois a discuta nos sítios certos.
A táctica do governo, secundada por parte da comunicação social dá origem à distorção propositada de conteúdos e princípios, como o facto de se titular que “uma boa avaliação não traz ao funcionário só vantagens financeiras” … “oferece um conjunto de estímulos não pecuniários aos melhores”, e a concluir “talvez para compensar a fraca generosidade nas progressões na carreira.”
Tudo o que referi faz parte dum subtítulo dum diário, e não faz sentido para quem lê em diagonal apenas os destaques ignorando o texto. Por um lado há que questionar sobre o interesse de divulgação pública dum texto que ainda está na fase de proposta, por outro, como o próprio jornal refere quando haverá algum benefício palpável para os trabalhadores e em que percentagem. Está tudo por lá e se os leitores não interessados neste processo, por estarem no sector privado, quiserem ler o artigo completo podem perfeitamente perceber que o congelamento das carreiras continua por mais dois anos para 95% dos funcionários, e em 2010 continua vedada a subida para 80%.
Concluo com a promessa de que o bom desempenho dará direito a férias extras, método já utilizado no passado e que ainda bem recentemente foi considerado por este mesmo governo, um privilégio dos funcionários públicos.
È muito mau para ser verdade e é um logro o que se está a publicitar através dos jornais, que grande parte dos portugueses ou não lê, ou apenas retém o que consta dos destaques (na gíria, as gordas).

*** * ***
OLHARES


*** * ***

CARTOON