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quinta-feira, maio 26, 2016

ASSIM SE ABASTARDA O TURISMO EM LISBOA

Quando um cidadão quer fazer obras de recuperação  num edifício antigo em Lisboa, exigem-lhe que sejam preservados os azulejos exteriores e das partes comuns, que as caixilharias, as portas e as janelas de madeira sejam mantidas, e até as cores sejam respeitadas. Regras do urbanismo, muito severas em zonas históricas, o que em boa parte se compreende, apesar disso não ser respeitado por muita gente, veja-se como estão as fachadas das lojas de grandes marcas internacionais.

Depois da expropriação feita a um cidadão nacional para a construção duma mesquita, em Lisboa, onde o envolvimento da câmara é incompreensível, hoje pude constatar a existência de muitas lojas de "artesanato" e de "souvenirs" na baixa desta cidade, invariavelmente propriedade de pessoas indianas, e todas com o mesmo tipo de mercadoria, que em caso nenhum pode ser classificada como artesanato ou souvenir nacional ou lisboeta.

Quem licencia este tipo de lojas, quem aprova os toldos e outros letreiros de fachada como estes que a fotografia abaixo mostra. O turismo não ganha nada com este embuste, que pelos vistos não merece a devida atenção das autoridades que se mostram tão zelosas noutras matérias e com outras pessoas.

«««FOTOGRAFIA»»» 

Ramos by Palaciano

terça-feira, setembro 01, 2015

SERÁ QUE PRODUZIMOS TÃO POUCO?



Segundo os rankings da OCDE e da UE os portugueses são dos europeus que mais horas trabalham e dos que menos produzem e estes dados resultam da informação fornecida dada pelos diversos governos europeus.

Esta coisa das estatísticas pode conduzir a resultados difíceis de explicar, como seja o facto de ver o Luxemburgo a ter um rendimento por hora de trabalho de 58,8 euros, e em Portugal o rendimento hora é de apenas 17,1 euros. Atendendo ao facto de boa parte dos trabalhadores luxemburgueses serem de facto portugueses, esta diferença custa a engolir.

Existe um factor cuja responsabilidade é de muitos trabalhadores e empresários portugueses, que é o da fuga aos impostos, escondendo-se rendimentos e lucros, o que prejudica, e muito, qualquer estatística.


domingo, abril 19, 2015

PRAGMATISMO DA TRETA



Uma das frases da semana pertence a Paulo Portas que disse que “foram razões pragmáticas” que levaram à redução do IRC, e não razões de ordem ideológica.

Claro que o vice-primeiro ministro pode dizer o que quiser, mas não consegue provar que desde que começou a descida do IRC começou a haver mais investimento, ou que desde essa altura o desemprego tenha baixado, porque aconteceu rigorosamente o contrário, e até os números oficiais o demonstram.

Não existe também qualquer pragmatismo em dizer que temos problemas de sustentabilidade na Segurança Social, para logo de seguida se dizer que se pretende baixar a TSU das empresas. Não é nada pragmático ser-se contra as 35 horas semanais, e vir-se agora dizer que para combater a baixa natalidade se deve dar mais tempo livre aos pais e avós para acompanhamento das criancinhas.

Usando do pragmatismo que faltou a Paulo Portas, pelo menos no tema escolhido, pode dizer-se que ele deve ter querido dizer que é pragmático, no seu conceito, mentir para tentar enganar quem o ouve…


Leia primeiro o artigo e só depois veja o cartoon.

terça-feira, junho 26, 2012

PORTUGUESES ENGANADOS

Desde o início do programa de “assistência” ou “ajuda” financeira, que muitos de nós vimos a dizer que o programa, entretanto muito alterado (para pior), era demasiado penalizador para os portugueses e para a nossa economia, e que o prazo de implementação era demasiado curto, o que o tornava extremamente violento. 

Nesta altura já se pode fazer um balanço de mais de um ano de implementação desta “terapia de choque”, e o resultado não é nada animador, a começar pelo desemprego e terminar nos direitos laborais e sociais que foram reduzidos à sua forma mais simples, para não dizer residual. 

Claro que podemos ouvir o “patusco” deputado da maioria, Duarte Pacheco, dizer que “a avaliação das entidades independentes” ao cumprimento do programa da troika tem sido positiva, e saudando o seu colega Vítor Gaspar pelo seu “bom trabalho”, mas estou certo que nenhum desempregado terá essa opinião, nem nenhum funcionário público, nem nenhum empresário ou trabalhador da restauração, ou dos transportes… 

Por norma pensa-se que os governos governam para o povo, mas como se percebe bem a realidade é bem diferente, e este governo serve a troika, obedece-lhe cegamente, indo mesmo mais além dos seus desejos, e marimba-se para os portugueses e para as suas dificuldades. 

Eu não votei nestes senhores, e creio que a maioria dos que o fizeram, sentir-se-ão hoje traídos, porque a sua vontade e a confiança que tiveram nas promessas anteriores às eleições, nunca se transformaram em realidade, antes pelo contrário.

FOTOGRAFIA
 Papoila

CARTOON
Justiça

sexta-feira, junho 03, 2011

DIVIDIR PARA REINAR

Foi sem grande admiração que soube hoje que o Estado, o tal que se julgava ser pessoa de bem, vai proceder aos descontos para a ADSE (1,5%) nos subsídios de férias e no subsídio de Natal, dos funcionários públicos no activo e na reforma, que beneficiam desse subsistema de saúde.

Atendendo ao que já se sabe das medidas que constam do memorando assinado com a troika, os beneficiários da ADSE vão ver reduzidos os seus direitos, ou comparticipações em cuidados de saúde, mesmo depois de se terem aumentado os descontos em 0,5%, e pelos vistos, depois de descontarem mais dois meses do que era devido.

Este governo que agora cessa funções, e os outros dois partidos signatários do memorando, comprometeram-se a reduzir os custos na saúde, e por consequência na ADSE, e além de diminuírem as comparticipações, pelos vistos também querem aumentar os descontos, fazendo com que os funcionários públicos paguem por dois carrinhos, como se o congelamento dos salários, e os cortes, não fossem ainda suficientes.

Infelizmente sempre apelaram ao sentimento de inveja, e à divisão entre os portugueses para tomarem medidas deste tipo, mas pode ser que ainda hajam muitos eleitores que saibam distinguir entre o que é justo e o que é injusto, e o saibam exprimir no momento do voto.



FOTOGRAFIA
By Palaciano

CARTOON
Michael Kountouris

terça-feira, maio 10, 2011

DE MAL A PIOR

O memorando da “troika” já trazia diversas exigências que inevitavelmente conduziriam o país a uma recessão nos próximos anos, mas algumas das propostas dos nossos partidos políticos conseguem ainda ser mais gravosas.

Ninguém consegue explicar porque será necessária a privatização da REN ou das Águas de Portugal, porque não conheço país europeu onde isso aconteça, e mesmo a privatização da CP deixa muitas reticências, porque o exemplo da privatização de caminhos-de-ferro na Europa deram maus resultados e são poucos. Os melhores transportes públicos europeus não são privados, e alguns dos senhores da “troika” devem sabê-lo porque estão nos seus países.

Outras medidas que não fazem o menor sentido são a facilitação dos despedimentos, o aumento já admitido dos cuidados de saúde, a diminuição das deduções de saúde, educação e das prestações da casa, ao mesmo tempo que diminui a taxa social única para as empresas. É uma mistificação dizer que algumas destas medidas vão fazer aumentar o mercado de trabalho e combater o desemprego, quando se sabe que o consumo só pode baixar devido à baixa de rendimentos do trabalho.

Políticas destas são absolutamente recessivas como já se viu com a Grécia, e com a Irlanda, e não resolvem os problemas, criando apenas mais um, que é o do aumento da pobreza e da instabilidade social.

É lamentável ver-se como se vangloriam os que dizem que este plano de resgate foi uma conquista, porque ele é mau, por ser demasiado rigoroso para uma sociedade tão desigual como a nossa. E por atingir apenas os que já andam a apertar o cinto há mais de uma década.


FOTOGRAFIA
Verde e Amarelo by Palaciano

CARTOON
Discurso político by Pawel Kuczynski

A protecção europeia by Pawel Kuczynski

sexta-feira, setembro 17, 2010

DESCONFIEI DESTE TÍTULO

Continuo a passar os olhos pelos títulos dos jornais, e não é raro encontrar títulos em que não acreditamos, ou que pelo menos não parecem dizer a verdade toda.

Depois de ter recebido um "boneco" do meu amigo Goraz, fui à procura do título que lhe tería dado origem, e encontrei-o:

«Preço dos medicamentos desce seis por cento»

Deixo-vos o boneco e acrescento a minha desconfiança.

CARTOON


FOTOGRAFIA

quarta-feira, janeiro 16, 2008

AS FALHAS NOS CÁLCULOS

Os nossos sucessivos governos conseguiram o feito inédito de errarem durante dez anos seguidos o cálculo da inflação. As grandes economias mundiais devem estar roxas de inveja de semelhantes governantes, que apesar da pequena dimensão do país e da quase absoluta dependência do exterior, conseguem errar com esta consistência.
Os portugueses lucraram imenso com estas previsões e têm premiado os seus autores com lugares de topo na economia e nas empresas nacionais, nos bancos e até em instituições europeias e internacionais. Todos? Não, claro que não, apenas os que interessam e que enriquecem estupidamente perante a passividade de quem sai claramente mais pobre com este feito.
A dada ocasião começam-nos a iniciar nos meandros da economia global e nos mercados liberalizados, para logo saltarem para os benefícios do empreendedorismo e para as regras da oferta e da procura, e da auto-regulação dos mercados. Aqui começam as perguntas ingénuas sobre a natureza dos efeitos das falhas nos cálculos da inflação. As respostas são prontas e o erro é sempre considerado marginal, resultante duma conjuntura internacional imprevisível, mas que terá afectado igualmente toda a sociedade portuguesa. Se ficamos convencidos? Nem todos.
Na busca de mais respostas, alguns perguntam inocentemente se o governo ao fornecer indicadores para a inflação sistematicamente abaixo do valor real não estará, com isso a desregular o mercado? Bem, aqui começam a subir o tom da voz. A imparcialidade e outras declarações, como as preocupações sociais e a defesa intransigente dos interesses do país são despejados em catadupa.
Silenciosamente, no seu recanto e em surdina, o Zé destila o seu fel e murmura para si mesmo, que estes cálculos por defeito apenas servem para influenciar as negociações salariais, baixando na prática o poder de compra de quem trabalha por conta de outrem, beneficiando uns quantos alarves, que de rédea solta com a desregulação das normas laborais, ameaçam quem deles depende e paga cada vez menos com mais exigências.
Os autores das falhas nos cálculos gabam-se ainda de em tudo o resto terem acertado, permanecendo cegos ao ridículo de tal afirmação, perante a incredulidade diante tamanha desfaçatez, por parte do pobre Zé, que afinal até pensava que estava num oásis rosado e dá por si num país com um nome difícil de pronunciar, onde até a linguagem é diferente da que aprendera nos seus tempos de escola.
Aqui acordei do pesadelo, saltei para as teclas e escrevi estas tolices, antes de voltar lá para fora e ser forçado a reviver tudo isto, agora em português de Portugal.

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FOTOGRAFIA
A Taste of Heaven by Scattered-Light

Morocco 21 by gabimartins

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CARTOON

Pat Bagley
John Darkow