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quinta-feira, abril 02, 2015

LIDAR MAL COM A VERDADE

Quando há alguns anos atrás me insurgi contra um outro político português, devido a ter faltado à verdade em diversas ocasiões, não cumprindo promessas anteriormente feitas, não esperava que essa característica abominável se viesse a tornar regra, logo que um político se senta na cadeira do poder.

Cada um com a sua personalidade e com as suas características pessoais, Sócrates e Passos Coelho apresentam um defeito em comum, a sua aversão à verdade, sempre que ela se torna inconveniente.

Sócrates já foi julgado pelos portugueses, nas urnas, e Passos Coelho também será dentro de alguns meses, mas o que faz mesmo falta é um mecanismo expedito que permita a destituição dum governo que não cumpra o programa com que se apresentou aos portugueses, antes de ser eleito.

                          Conselho Gratuito: Se queres contentar um burro, então dá-lhe palha...

sábado, abril 26, 2014

A LEGITIMIDADE SEGUNDO CAVACO

O homem que diz não ser um político e que está na política há mais de 20 anos, nunca me convenceu, nem sequer quando afirmou estar a fazer a rodagem do seu automóvel.

Toda a intervenção cívica é um acto político, e a candidatura a um lugar público é feita com o intuito de servir, foi isto que me ensinaram, mesmo na escola do antigamente.

Fica tudo muito mais claro, para mim, quando leio uma declaração de Cavaco Silva, que disse: ”num regime democrático só há um critério para definir a legitimidade dos governantes – o voto expresso nas urnas. É isso que distingue a democracia de uma ditadura.”

Se para o presidente os votos obtidos nas urnas bastam para legitimar os governantes, é porque tem uma visão muito redutora do assunto, porque a sua actuação e a sua coerência com o que se propôs executar quando se apresentou ao eleitorado, são condições indispensáveis a qualquer eleito.


Percebe-se que Cavaco Silva não tenha valorizado a palavra dos políticos e o cumprimento das suas promessas eleitorais, pois só assim se compreende que ainda não tenha demitido o actual executivo. 

Como disse Mário Soares: Cavaco nunca usou um cravo vermelho na lapela, e eu acrescento, nem escudado numa barreira de cravos consegue ser um entusiasta do 25 de Abril.

sexta-feira, novembro 01, 2013

“ESTE É O VOSSO PARLAMENTO”



Perante o protesto público, durante o debate da votação do Orçamento de Estado para 2014, que interrompeu o discurso do ministro Paulo Portas, a presidente da Assembleia da República mandou retirar o público das galerias e rematou com a frase: Este é o vosso Parlamento.

Todos sabemos que os protestos iam direitinhos para o governo, que apresentava a sua proposta de OE, e para a maioria que suporta o mesmo, e não para a generalidade do Parlamento. Todos, talvez excepto a senhora presidente.

Assunção Esteves enganou-se quando proferiu a frase, porque nem os membros do governo que se sujeitaram a eleições, nem os restantes deputados da maioria que o suporta, alguma vez disse ao eleitorado que iria tomar medidas como as que estão nesta proposta de orçamento, bem pelo contrário.

Quando se é eleito prometendo o contrário do que depois se faz, perde-se toda a legitimidade, e não vale a pena vir acenar com a legitimidade formal, quando o povo já deixou de acreditar nos eleitos que não souberam, ou quiseram, honrar a palavra dada.


sábado, janeiro 12, 2013

MANDATO E QUEIJO



Foi curioso ouvir Passos Coelho vir afirmar que o “governo não foi eleito apenas para executar o memorando da troika”.

Há muito que Passos Coelho deixou de ter legitimidade como 1º ministro, e é precisamente por se ter “esquecido” de que tinha mandato para executar o programa com o qual se apresentou ao eleitorado.

Durante estes dois anos o governo tem-se limitado a executar o memorando da troika, com uns acrescentos absolutamente desnecessários e prejudiciais para economia nacional, sem nunca ter tido em conta as dificuldades e os problemas dos portugueses.

A política não é nenhum exercício de mentiras, nem a arte de esquecer o que se prometeu, e é por isso mesmo que Passos Coelho não merece qualquer consideração, pessoal ou institucional. Um 1º ministro que se esquece das promessas e que não ouve os cidadãos não merece permanecer no cargo, nem tem qualquer legitimidade para o exercer.  



terça-feira, junho 26, 2012

PORTUGUESES ENGANADOS

Desde o início do programa de “assistência” ou “ajuda” financeira, que muitos de nós vimos a dizer que o programa, entretanto muito alterado (para pior), era demasiado penalizador para os portugueses e para a nossa economia, e que o prazo de implementação era demasiado curto, o que o tornava extremamente violento. 

Nesta altura já se pode fazer um balanço de mais de um ano de implementação desta “terapia de choque”, e o resultado não é nada animador, a começar pelo desemprego e terminar nos direitos laborais e sociais que foram reduzidos à sua forma mais simples, para não dizer residual. 

Claro que podemos ouvir o “patusco” deputado da maioria, Duarte Pacheco, dizer que “a avaliação das entidades independentes” ao cumprimento do programa da troika tem sido positiva, e saudando o seu colega Vítor Gaspar pelo seu “bom trabalho”, mas estou certo que nenhum desempregado terá essa opinião, nem nenhum funcionário público, nem nenhum empresário ou trabalhador da restauração, ou dos transportes… 

Por norma pensa-se que os governos governam para o povo, mas como se percebe bem a realidade é bem diferente, e este governo serve a troika, obedece-lhe cegamente, indo mesmo mais além dos seus desejos, e marimba-se para os portugueses e para as suas dificuldades. 

Eu não votei nestes senhores, e creio que a maioria dos que o fizeram, sentir-se-ão hoje traídos, porque a sua vontade e a confiança que tiveram nas promessas anteriores às eleições, nunca se transformaram em realidade, antes pelo contrário.

FOTOGRAFIA
 Papoila

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Justiça

segunda-feira, abril 09, 2012

CREDIBILIDADE E LEGITIMIDADE

No nosso sistema político os partidos apresentam-se a eleições com um programa eleitoral que então será sufragado pelas urnas. Políticos e políticas, em princípio, é o que os eleitores devem escolher em cada acto eleitoral.

O que se passa em Portugal é que os partidos podem fazer batota apresentando nomes que depois não querem ir para o governo ou para as autarquias, e também podem prometer uma coisa e depois fazer o seu contrário sem possibilidade de serem destituídos do poder antes de novas eleições.

Este sistema, do modo como está organizado, faz com que a classe política seja pouco confiável e também desmotiva os cidadãos de terem mais participação cívica.

É urgente encontrar-se meio de responsabilizar os políticos pelas suas decisões, e arranjar maneira de os obrigar a cumprir o que estava no programa com que se apresentaram a votos, ou então de os demitir pelo incumprimento dos seus compromissos eleitorais.

Sem se encontrarem os meios necessários e suficientes para “controlar” os governantes, estaremos sempre sujeitos a autênticas fraudes eleitorais como as que estamos a viver já há décadas.

Não se pode admitir que políticos que prometem uma coisa e depois fazem outra completamente diferente, continuem a encher a boca com palavras como legitimidade e credibilidade, atributos que não lhes reconhecemos.

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