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sábado, abril 06, 2019

A MINISTRA E A CULTURA


Li com atenção a entrevista de Graça Fonseca ao Público, e mais uma vez pude constatar que não foi questionada sobre a política patrimonial, nem ela se mostrou minimamente interessada em fazê-lo.

Foi curioso ler que a ministra não quer discutir apenas a meta dos 1% para a Cultura, chegando mesmo a dizer que é preciso discutir política (cultural creio), porque para lá chegar (objectivos) precisamos se calhar de mais do que 1%, mas há que identificar para quê.

Senhora ministra da Cultura, creio que já está identificado o problema de falta de meios humanos nos museus, palácios e monumentos, e não me consta que esteja a ser feita alguma coisa no sentido de colmatar essa lacuna. Podia falar de sinalética, de uma nova política expositiva mais actual, de políticas de divulgação, de melhorar as condições físicas dos serviços, da política de manutenção, das obras de reabilitação/adequação das instalações, da formação profissional, das oficinas de restauro, para citar apenas alguns itens onde é necessária muita acção.

Para quem julga que estamos a falar de coisas menores, talvez seja oportuno dizer que o Património (museus, palácios e monumentos) é o maior contribuinte para o funcionamento deste ministério. Coisa pouca, pelos vistos.



quarta-feira, novembro 28, 2018

PATRIMÓNIO E CULTURA


Este governo tem passado ao lado da política de defesa do Património, e dos museus, palácios e monumentos tutelados pela DGPC.

António Costa a propósito do Orçamento de Estado apenas conseguiu falar das entradas grátis nos museus aos domingos e feriados pela manhã, e nada mais acrescentou a isso, pois nada mais tinha a acrescentar.

A nova ministra da Cultura, também nada conseguiu dizer nestes poucos dias de mandato, até porque se enredou em casos como o do IVA das touradas, onde o governo saiu derrotado, e o da não leitura dos jornais portugueses enquanto estava no estrangeiro, o que foi um erro crasso.

Todos se lembram da luta de alguns directores de museus pela autonomia dos seus serviços, e o que está previsto para o próximo ano é manifestamente insuficiente. Recordar-se-ão das diversas promessas de admissão de vigilantes de museu para vários serviços, e também neste particular a realidade mostra-se abaixo das necessidades. Como último exemplo cito a promessa da abertura do Museu da Música até ao final deste ano, em Mafra, que caiu manifestamente no esquecimento, e já nem se fala nisso.


Rui Gaudêncio, Público

sábado, janeiro 12, 2013

MANDATO E QUEIJO



Foi curioso ouvir Passos Coelho vir afirmar que o “governo não foi eleito apenas para executar o memorando da troika”.

Há muito que Passos Coelho deixou de ter legitimidade como 1º ministro, e é precisamente por se ter “esquecido” de que tinha mandato para executar o programa com o qual se apresentou ao eleitorado.

Durante estes dois anos o governo tem-se limitado a executar o memorando da troika, com uns acrescentos absolutamente desnecessários e prejudiciais para economia nacional, sem nunca ter tido em conta as dificuldades e os problemas dos portugueses.

A política não é nenhum exercício de mentiras, nem a arte de esquecer o que se prometeu, e é por isso mesmo que Passos Coelho não merece qualquer consideração, pessoal ou institucional. Um 1º ministro que se esquece das promessas e que não ouve os cidadãos não merece permanecer no cargo, nem tem qualquer legitimidade para o exercer.